terça-feira, 11 de novembro de 2008

Quem

Sinta-se em casa,
Faça o que quiser:
Seria eu um imortal adoentado?

Hoje não o vi,
Nem sei se me importo mais:
Seria eu um xibungo sapatão?

Talvez tenha dito coisas
Que não me fizeram sentido algum:
Seria eu um gênio sem propósito?

Passei por cima,
Sim, passei:
Seria eu um desprezível valoroso?

Doei fios da minha seda para a teia,
Mas a minha casa é sempre feita diferente:
Seria eu um professor analfabeto?

Degolei pessoas humildes e modestas
E as ressuscitei cheias de vida e tentações:
Seria eu um demônio compassivo?

Nutri o desejo de arrancar todas as vestes
E acerca disto escrevi milhões de versos:
Seria eu uma luxúria recatada?

Busquei um mundo distópico aos meus olhos,
Um mesmo mundo inofensivo à minha alma:
Seria eu um enjôo de mim mesmo?