sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Memórias de um Suicida Fracassado

Lembro-me do impulso corajoso
Que desejou findar o ciclo de covardia,
Das gotas para a cura tomadas em colheres de sopa;
O veneno.

Não sei se lembro do que se passou em seguida:
Talvez amarras,
Talvez loucura;
Braços contra o peito,
Tornozelos unidos,
Marcas de violência pelo corpo,
Máculas desintegradas por não mais pertencer ao mundo que me integrava.

Eu fui expulso do que julgava meu quando escolhi a porta de um quarto sem luz,
Mas nem entrei,
O veneno não deu pra pagar a passagem;
Só pude fazer uma viagem sem graça
Para uma colônia penal.

Então voltei;
Ah, depois de tudo, eu voltei!
Mas...
Caralho, desacelerar é tão difícil!
Mesmo para quem quase parava,
Desacelerar é difícil...