terça-feira, 9 de setembro de 2008

Mulher Esquisita

Devolve cópias das cartas com cola diferente,
Inaugura um termo reinventado na década passada,
Lambe a boca de outros Kanes como o seu pai,
Observa o meu corpo esticado na rede e boceja;
Diz que eu choro,
Reclamo demais,
Mas se deita comigo.

O que essa mulher tem na cabeça?
Por que tenta machucar aquele que já não sente mais dor,
Aquele curado de tanto apanhar?

Vai à cozinha só de camisa,
Abre a geladeira atrás de cerveja,
Acha uma lata,
Bebe de vez
E de uma vez recai menos pobre sobre mim.

O que essa mulher tem na cabeça?
Por que só se esquece da regra quando a regra é ser feliz,
Mesmo que não só seja como a besta que a possui?

Inicia um castigo
- Brinca, não se dá por um desejo meu -,
Acende um cigarro,
Chama-me de criança
- Inocente demais para ela -,
Apaga o cigarro dentro da caneca com dois dedos de café
E esmaga os meus ossos,
Escalpela-me.

O que essa mulher tem na cabeça?
Por que mede os meus porquês parecendo comparar-se,
Tentando separar-se?