sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Antes do Gesto

Caminhou sem desejar medir distâncias
Para todo o amor que sufoca,
Toda a paixão que acorrenta,
Imbecil coletivo,
Ilusão do estado de paz
- Estado não é pai nem mãe -,
Confusão de um dia eufórico,
Perfídia para a proteção.

Deduziu assim que viu o que ninguém percebera,
Portanto, atravessou a avenida
Em meio ao tumultuado dia de setembro,
Todavia, atropelado,
Não imaginou o minuto seguinte.

Igualaram a moralidade à legalidade,
Desprezaram as dores que se pensava concorrentes
(Meu Deus,
Chamaram de dores menores,
Ou dores inventadas contra a natureza!);
Uniforme, o mundo é muito menor,
Menor do que lágrima salgada...
E nos deram mais um mote
Parecido com o anterior:
Mote indigesto,
Roupa que prende o nosso gesticular.