segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Ybytucatú

Na marginal que não se movia,
Ouvia o canto doce de Marisa,
Batia as palmas das mãos contra o volante,
Apreciava o mais do mesmo distanciando-o de si mesmo.

Numa frouxidão para a pressa,
Correu apressado para casa,
Subiu apressado para casa,
Fugiu apressado para casa.

Cumprimentado pelo velho amigo
- O ansioso Manoel e as suas lambidas ensopadas -,
Abraçou-o como um filho,
Afinal, era filho aquele mocinho.

Cuspiu as roupas sujas da labuta,
Abriu a janela de alumínio do terceiro andar,
Esticou-se sonolento e bocejante,
Ademais,
Por um instante pensou ser aquilo a liberdade.

Sentou-se no sofá
- A devorar bolachas secas que mal matavam a fome -,
Ligou a tevê em mais uma novela de dois lados distintos
- Aqueles que nunca distintos em nós mesmos -,
Aconchegou-se com Manoel no seu colo
E morreu em curto tempo,
Enquanto o vento soprava frio sala adentro.