segunda-feira, 8 de outubro de 2012

512: Ruptura

Quando a esfera começou a apresentar pequenos trincamentos em todo o casco e as pessoas passaram a adoecer, tentaram culpar os antigos, a equipe de projeto, mentindo sobre uma suposta falha de cálculo do diâmetro da esfera de Dyson em relação ao kugelblitz; o ódio nas acusações era tamanho que parecia esquecer esta década astronômica de sobrevida nos dada por aquelas pessoas, ademais, sequer existia função atingir indivíduos mortos havia mais de 50 gerações. Pouco tempo depois já sabíamos que se tratava do limite espacial, que tudo começaria a rasgar-se cada vez mais depressa até que nenhuma cadeia experimentada por nossa existência restasse: as órbitas dos corpos frios ao redor da esfera se distanciavam, a órbitas de suas luas também, tudo se comportava para o rompimento.

As religiões voltavam à tona, algumas delas extintas fazia tanto tempo que se misturavam a outras a partir da interpretação de quem pesquisava nos arquivos da consciência coletiva incessantemente por alguma resposta, quase todas religiões de antes dos saltos transumanos e todos os profetas a culpar a última geração transumana, a geração 78, como se assumissem que a natureza da mesma estava mais distante da suposta obra natural, a obra de Deus. Muitos remanescentes da geração 45, a mais antiga ainda viva, uma população de menos de mil indivíduos, assumiram-se profetas da religião de maior adesão, a Ruptura, que julgava o universo um corpo transitório criado por Deus para a seleção de indivíduos gentis e  distantes de vícios corpóreos, aqueles que presumidamente transcenderiam a um novo universo.