quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A Arte

A arte é a referência pela debilidade dalguém
Que roto se viu no centro deste tecido infinito pela curvidade e,
Em seu delírio de grandeza,
Tentou traduzir um fragmento a aparentes iguais.

A arte é lixo metafísico
Tortuoso e desigual de uns pra poucos
Que se dizem vivos,
Universo revolutivo de ilusões quase real
A repousar em nossos vícios e necessidades.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Aniquilação

Eu, pessimista?
No fim tudo dá sempre zero mesmo!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Mono

Essências reprimem existências por covardia,
Paúra sombria da subordinação em bolha ainda presa,
Louca para fugir,
Mas ainda vívida em alegorias para embotar a fome e a sede,
O mijo e a merda,
O sexo e a permanência.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Final em B

Saudade dela,
Da minha paz
Presa num corpo que jamais supus.

Preso a ela
Sequer menti
Sobre esta fome que me desvanece.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Vila da Dúvida

Tinha gente que morava só
E mesmo só julgava-se
Por medo da repreensão
Na ilusão de si contido.

Tinha gente arrigo de família
Que não entendia o seu desejo
De ser degrau dalguma coisa
Boa e bela que via disforme.

Tinha gente azul de fome,
Verde de sede, amarela de vergonha
E branca de medo
Que empurrava um desejo
Mal nascido consigo,
Bombardeado pela paz,
Mas que insistia a única possibilidade.

Tinha gente sendo o que gente é,
Vendo o que gente vê:
O que não é a não ser gente em si.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O meu é simples, sim xD

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Ситора

Para reproduzir os arcos-íris nos meus cílios
Precisei do sabor mortal da incapacidade
Ululando sem brio sobre a noite e a solidão deste estado decadente:
Adivinhei o lugar de seu borrão na visão enfadonha de quem quase morre.

Para relatar grandezas,
Errei feito você:
As grandezas que supusemos são mais ávidas pela própria extinção.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O galo manco do terreiro

Entre uma coisa e outra, há famílias na rua dormindo em colchonetes e às voltas com os seus hematomas e salário retido na fonte para um senhor declamar virtude em um palácio monumental. Entre uma coisa e outra, a doutrina zela a impotência da voz do povo ante o berro sussurrante de quem se classifica sem o próprio povo para, embriagado, protegê-lo. Entre uma coisa e outra, a arma da fragilidade é a pele esfolada e a esperança de compaixão alheia. Entre uma coisa e outra, não há uma coisa nem outra.

O Estado Amorfo de Ser

Dizia da eficiência de uma suposta trama cooperativa como se o ato de revolução não primasse pelo repúdio e ridicularização do imposto opressor, como se a liberdade de não optar por aquilo próprio ao bem fosse a personificação do mal. Relatava a organização pela vaidade estrita aos entes da mesma, corrupta à egolatria de uma unidade analogicamente definida como o corpo fundador de um clero imundo feito o de qualquer religião. Definia idades, culturas e posições como o mito que se tornou ante os leigos, ironicamente ao acento xucro da classe média estuprada pelo cotidiano do que combate.

Da mesma forma que ingressei, abandono: livre.