terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Da sala de espera ao saguão

Carne dominada, uma presa abatida, foi assim que imaginei a minha irmã quando ouvi Janice tentar me agredir dizendo que o negócio dela era um boa buceta. Passiva como sempre foi, opor-me à sua namorada não me faria vencer aquela discussão que nem me lembro por qual motivo entrei e me traria um desconforto com Amanda, ademais, tão velhas desde quando troquei de cidade, as cicatrizes serviram de segunda pele além do mundo que as causara. Pouco desafiado por um ódio a morrer afogado nas dores reais de um corpo em decadência, calei-me, virei as costas e parti dali a pensar na hora do próximo comprimido de cilostazol enquanto a minha perna enegrecida implorava por um repouso posta à altura de um bom amparo com almofada.

Kuala Lumpur não é muito interessante durante o ano novo, a colônia chinesa em grande parte viaja para a opulência de Hong Kong e os turistas que frequentam a região preferem gastar o tempo na bagunça cultural ou na prostituição barata de Bangkok, mas eu prefiro ficar aqui mesmo, feito uma pedra sendo golpeada até arredondar, às vezes sozinho e outras, como neste verão, recebendo visitas que só aumentam o custo da minha estadia errônea num país que odeio. Saindo do elevador foi bem isso que vi, um saguão vazio que em períodos comerciais vive lotado de pessoas de todo o mundo, ou, no mínimo, de todas as cores, mas, no momento, apenas locais e eu, um acompanhante arrependido para a consulta da cunhada no oftalmologista.