sábado, 5 de novembro de 2011

Tempo XXIX

Corri o calçadão apressado para chegar ao trabalho, esbarrando nas pessoas sem pedir desculpas, acinzentando o horizonte sem querer. Ao dobrar a esquina para a praça de Safo, dei um tropicão numa das malditas pedras portuguesas e derrubei uma criança; fiquei sem jeito e tentei ajudar enquanto uma mulher gritava:

- Pietra!

Reconheci a voz imediatamente, uma antiga namorada de quem me perdi pela vida sem regras de um passado próximo. Levantando a criança, perguntei se a mesma era filha dela após pedir perdão:

-Sim, minha filhota. - respondeu-me.

Ela e eu bestificados a olhar-nos mutuamente, não sabíamos bem o que dizer, trocamos poucas palavras e segui ao trabalho depois de  me retratar novamente... O engraçado é que apesar do monstro que criei a partir da sua falta, a única coisa que eu conseguia pensar era que a gravidez a havia presenteado com os seios que eu sempre desejei sacudindo sobre mim durante as nossas trepadas juvenis.