quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Destempero

Promessa de musa à rispidez de desejos,
Tornou-se velha obesa falando do amor que não lhe chega,
Só deseja ao pincelar de mamilos e toque abaixo de flácidas dobras de pele.

sábado, 27 de agosto de 2011

Doce

Estou mais doce do que o comum,
Flerto com a morte
Desprovido de sentidos
Que julguem a dor
Pronta para corromper
O que acredito fazer parte.

Estou tão doce que não vejo
Com clareza esta escuridão.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Entre o Quinto e o Segundo Andar


Hoje eu não soube dizer
Das carícias que te pertencem,
Sequer menti como de costume;
Observei o mundo convergir-te
Desejoso e desejável
Para além do que eu supunha
Em meu ciúme ignorante
E não sofri,
Deixei-te ir.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Picotando Falsos Sonhos

Seria para desistir dos sonhos,
Destruir o que mais acredito,
Mas a cada talho bem aberto no tecido
Não senti arrependimento pelo amparado.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

La fille du fossoyeur

O homem que acalma as almas criou uma semideusa
Ao som das doutrinas repressivas de canções de ninar
E mal sabe o homem que o monstro divino aguarda
Sedento ao toque dos lábios de quem deseja extinguir.

O homem que viu todo o reino cair diante do tempo
Criou um impulso de vida ao azedume de fim,
Porém não suspeita do tempo revolucionado
À angústia, orgulho e ambição de uma mulher.

L'inconnue avec mon coeur

Do jeito que enxergas demônios a exalar de teu corpo e mundo,
No infinito contido na curteza da vida
E na vida além dos teus sentidos,
Quase creio que creio em ti.

domingo, 21 de agosto de 2011

Feche a Porta

O que posso te dizer
Senão de mim,
Destes reflexos distorcidos,
Destas flores desperdiçadas
Por um inseto que segue ao árido?

sábado, 20 de agosto de 2011

Náusea

Enfeitiçado por esta amazona vulgar,
Adoeci do medo de esperar a sua sede de viver,
O seu impulso por sofrimento.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Mecas Contra Deus

Que singularidade diria
Que nada se aceita artificial,
Que desafiar seu deus é a ousadia
Do espetáculo da sobrevivência?

Pois mesmo que o deus seja uma praga,
Uma ameaça primitiva e cheia de vícios,
O motivo do risco ainda assim seria
Este crer-se o infinito deus natural.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Densidade Relativa

Imagine toda a água da Terra,
Seus rios, lagos, mares e oceanos
Comprimidos no espaço de um dedal:
Uma minúscula fração da densidade de uma anciã.

Perfil Compartilhado

A solidão apodrece a alma,
Cria tantos deuses replicados de si mesma
Que a sua perfeição destronável à carência
De um sussurro qualquer implora pra permanecer,
Ofende sem piedade as tentativas do universo.

A solidão tem a paz das pulsares
Engolidas em sua própria distorção,
Presa na densidade de seu mar morto,
Mas mesmo ardente pra ter o que se manifesta,
Ainda é muito pra si mesma.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Depoimento

- Cuidado no depoimento.

- Relaxa, eles não têm vidente, só um merda de intuitivo, é só limpar a mente.

- É disso que tenho medo, do seu ego inflado!

- Cara, fica calma, se eu me concentrar e ler uma semana de acontecimentos não vou ser surpreendida a não ser que o coletivo mude.

- O problema é que anda mudando mais do que o normal, já era se ele intuir uma previsão sua.

- Se não matarem outro formador de opinião até amanhã acredito que não mude.

- E se mudar?

Fundamento

Sequer conhecia aquele lugar para dizer que me chamava, mas diante da aridez de ideias que me abateu resolvi ir aonde acreditavam ser o repugnante. Talvez eu não seja seletivo, desprezo bom e belo por instinto ou apenas creio no ídolo original, intocado na profundidade das montanhas de lixo vomitado pela ignorância de sabor do cosmo em questão, todavia era para aquilo que eu estava lá, ser golpeado sem perdão pelo fundamento de algo ser.

Pudor Biomecânico

Outro fragmento de obra,
Outra intempérie da regra,
Outro sinal de fumaça,
Outra dança sem graça:
Caminha morto pelo suor dos imbecis
Em sua fração vivente da viagem,
Caminha escasso de criação.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Ficheiros Compartilhados

E se eu te dissesse que sou uma mentira,
Que não sou homem e nem ator,
Que tenho fome e algum pudor,
Que este encanto nasceu da ira
A colher lascas de cotidiano
E cuspi-las doces na face do plano
De viver além da suposta ilha?

Assombro

Inundado do aroma daquela mulher,
Naquela narrativa ávida por tudo,
Aniquilei o mundo faminto por sua luz;
Quero-a inteira
Conduzindo a minha verdade.

Catarina

Ela grita como uma sombra,
Não disfarça a sua essência,
Mas não perde o repouso da alma de atriz
A sonhar o que precisa em si
Rasgando o espectante sem pudor.

domingo, 14 de agosto de 2011

Client Mode Spider

Usando tecnologia alheia para controlar o incontrolável,
A incerteza das vidas e os seus sabores,
Tornamos a observância desejante uma nobreza idiota,
O reconhecimento um clímax xoxo.

ありがとう

Estou perto demais da luz,
Sinto falta dos detalhes.

sábado, 13 de agosto de 2011

Exercício Cognitivo

Engraço-me em dizer não saber
Como aprendi tal idioma duma ilusão,
Coquetel latino de aparente indução ao erro aos olhos de Deus.

Suponho haver civilização
Declinando orgulhosa em meu espírito,
Conversando sozinha por reconhecimento
De quem não faz conhecimento do seu valor amado.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Cuento Vergonzoso

¿Cuántos pecados aún a la espera de su reloj,
Cuántas falsas dolores de envidia?

Tenemos más que pasión,
Ahora más que ilusiones
Mientras quedamos calados.

¿Cuántos embargos tendrán los pasos de Dios?
¿Cuántos amores podrían los actos divinos?

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Rede Derivada de Suporte ou Domínio

Meritocracia é render estrutura aos indivíduos habilitados para a responsabilidade das diretrizes do projeto coletivo; não há direito à herança de usufruto da mesma estrutura. Como tal, não deveria existir a opulência sedentária, pois o conforto social só seria obtido mediante produção reconhecida pela população, mas o engraçado é ter nascido de supostos vagabundos.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Basic Mathematics

Cada música possui entre 2,5 MB e 3 MB de espaço e custa 1 real, portanto, cada GB custa cerca de 400 reais. Quantos reais você já furtou?

Carioca

O paliativo pra paixão foi fechar os olhos e pensar na cura.

Roupa de Ver Deus

Pelos alqueires de quem sou,
Aceitam-me estes vizinhos que chamo de Um.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Algo em Si

Sois vós o povo obcecado pela compulsão egoísta
De quem não é um ao todo - então sequer um todo,
Almeja os olhos invejosos do mundo ou do seu quintal para negá-los,
Suporta a fome pelo nome dos corpos em si,
Insinua virtude na miséria pela sua aceitação,
Reprime o gêmeo pela própria manutenção?

Sois vós a morte de tudo vosso após a vossa morte?
Sois vós algo em si?

Algumas Vezes Antes

Mal me lembro da primeira vida que tirei,
Recordo apenas do nojo que senti pelo sangue que morno me calhava,
Secava a incomodar os meus movimentos e o meu olfato com a sua ferrugem...

...Surpreso pelo prazer que nunca se repetiu.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Streaming Media

Redes iguais a galáxias,
Espreitantes para a fusão
Ou o resfriamento sem gás da menos densa.

Le Vouyer

Tive vergonha de tua curiosidade ardilosa
Colhendo imagens de desejo do objeto de teu ódio...
Tive inveja também,
Pois descobri minha mentira quando entendi o meu recato.

domingo, 7 de agosto de 2011

Até o Dia Acabar

Não acredite em mim,
Eu sou a voz fingindo a sua importância
À luz de sua arrogância
Em um pedido pueril de vingança.

Não se prepare assim
Tão veloz por algo que não entendo;
Ainda nem é setembro
E sempre me surpreendo com esse olhar sutil.

sábado, 6 de agosto de 2011

Problemática

Mulé veia,
Cheia de xilique,
Suco de rícino,
Entupida de probleminhas miúdos que se tornam a minha auto-expulsão.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Érotique III

Se nesta indecisão comum ao sexo
Está longe demais pra roubar
O que tenho aquecido aos calores
Queimando-me o corpo a gritar,
Destes espelhos toque os meus mamilos como só você sabe fazer,
Pressione o meu corpo contra a rigidez do teu
E balbucie sobre a minha nuca os teus sonhos.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Sing a Sign

Sou uma canção mal feita,
De arpejos rasos demais,
Lembranças de pouco tempo,
Futuro de dias atrás.

Sou uma paixão suspensa
Quase a se desprender
Do mito que de mim cessa
Por nunca me convencer.

Mapa Escandaloso

Está salvo na deepweb do cachorro manco e codificado nas marcas d'água de moldura em sequência Thue-Morse das imagens de coprofilia, em ordem decrescente. Impresso em código fonte COBOL, quando compilado cria o programa de geração do binário a ser convertido em ASCII para as linhas finais das instruções C++ de infecção em massa.

Use com moderação.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Brasileiro III

Eu sou filho duma cafuza faladeira,
Você é também:
Ela é carioca e macumbeira,
A gente é feito de gente do bem.
Nós somos o que
Vocês são, mas
Eles são outra coisa.

Brasileiro II

Mudamos tanto a ponto de ser um dialeto ou um punhado deles,
Todos nutridos de tudo que em nada são a nossa matriz isolada,
Separada por um oceano e pela própria decadência.

K8

Se vale toda a vida este momento
Que repetes insistente pela dor que alivia,
Que seja o teu momentum divinorum
Mesmo egoísta à arquitetura que pretendes alcançar.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Da Vilania Épica

Magnífico é o vilão amado,
Despertando desejo pela ruína da estória.

Progressão XXVII

Ele irá voltar crente que não pôde ver os teus olhos a roubar flechas indo encontrar morte quase a escapar fácil do que está a amar frágil a nos controlar táteis nesta inundação rouca de conspirações tortas em densa paixão rasa a purificar sonhos de uma mentira qualquer.

Prazos de Repetência

São exatas trinta translações após o primeiro acontecimento
Numa progressão geométrica de quociente dois mais um terço para cada seguinte
Até o último indivíduo da subespécie em questão.

É exato e de nada diz
Das coalescências de inexatidão elaboradas para a coesão
Ou deste fragmento supervalorizado por especulação.

É infinito
E de fim abrupto.

Continuo furtando o supostamente esquecido sem orgulho próprio

O meu nome é Manoel
A um passo da desilusão,
Quase a crer no meu valor
De não ter valor na ponte que sou.

O meu sentido é ser um réu
Pelo pecado de solidão
E ter matado o meu amor
De não ter amor na gruta que estou.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Morta

Ela caducará antes que venha a supor
Distraída pelo arranjo frio em suas ligações
Torneadas com zelo para evitar a contrariedade,
Pois revolucionar é ascender o lixo.