sábado, 30 de julho de 2011

São estas pernas que não andam mais

Pôs a luva sobre a escrivaninha empoeirada,
Ainda empoeirada pelo desenho efêmero sobre a escrivaninha
E amarrotada pelo pouco uso após décadas de desuso,
Sentindo o calor úmido daquele porão repleto de inutilidades
A balbuciar a canção da infância que mal lhe vinha a letra.

Divagou aos livros de capa de tecido a descolar-lhes as páginas
Presas pelo mofo fedorento a quase rasgá-las não fosse a atenção e paciência
Em desfazer o tempo a partir das unhas por entre as faces
E encarecidamente pedir-lhes a voz com o calor breve e raso do próprio hálito.

Seguiu até o fim de todos os enganos de um passado recente,
Apagou as luzes daquela fome em suposições e,
Irritado pelos ácaros a lhe descerem traqueia abaixo,
Saiu porta afora.