sábado, 30 de abril de 2011

D'Accord

Minta,
Sou suscetível ao sonho.
Creia,
Sou impossível ao surto.

L'Eau Divine et les Soupirs de la Compassion

Quem se prestará ao rito quando esta ajuda apodrecer
E calhar todo o corpo de mácula,
Fundir toda a culpa em nojo?

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Fair as I Can

Amo uma mentira dúbia,
Quase um contratempo vil
Extirpado da ideia rubra
Que nunca me pariu.

Leave me fair as I can,
Keep me horny at this sunday.

Enchanting Sheeps Song

Solve you,
Dissolve me.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Varíola

É clarividente como se apaixonam pelo sucesso,
Guiam as suas xoxotas pulsantes ao sinal de louvor,
À benfeitoria do habitat...
Traem amores,
Afirmam-se amantes.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Improvável

Diga a verdade,
Não cisme do improvável,
Sinta a verdade
E serei o desejo impossível.

domingo, 24 de abril de 2011

Pierre

Pierre não respondia.

Após a morte de Desirée,
O homem passou a viver feito máquina,
Ou melhor,
Feito peça duma geringonça fútil
Que de útil só o reaproveitamento das velharias;
Ele,
A roldana reciclada,
O pedaço de metal escovado pelo fim da ferrugem
E da fadiga,
Posto em encaixe menor para a otimização do que sobrou de si mesmo.

Pierre tinha quebrado.

Sempre que voltava para casa,
Com o pedaço que não conseguia arrancar da sua casa
(A decoração e as suas cores,
Os cosméticos e as suas luzes,
As roupas e o seu cheiro
Marcado nos vestidos e lingerie),
Propunha o seu transe de não existir,
Voltar e não conseguir,
Adiar-se covarde e reprimido em sua letargia.

sábado, 23 de abril de 2011

O Laço Desfeito

Quero-te impossível de entender,
Desgraçada ao vento em tuas questões,
Corrompida à fúria de teu desejo.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Trinity

Hórus é um Jesus mais velho,
Hoje é um amanhã mais manso.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Sofreguidão e Liberdade

Não existe liberdade,
Sofremos apenas pelo tamanho da jaula.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Qual É a Sua Realidade?

Não a tenho em conceito
E talvez não precise,
Ou talvez clame por esse segmento de tempo até a morte
Feito animal que vive adaptado ao cárcere
Maximizado na duração em si ou na abstrata realidade
Que me presenteie como bela.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Corpo

Era um corpo e só
Em sua maldição
Ninguém resistiu
À sua dança vil
Que julgou o amor.

Era um corpo e mal
Podia caminhar.

Era um corpo crível.

sábado, 16 de abril de 2011

A Música

Para ouvir música,
O abrasivo outono sobre as lápides em si,
O destemido entregar-se só,
A covardia dum herói à decadência
E seu permanecer-se ímpio.

Para ouvir música
Apenas se sentou à sombra
E aguardou o pronunciar-se do mundo.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Fragmento de Amor Platônico

Convencido da aparente frieza daquela mulher,
Presente em seus sorrisos semicerrados e atitudes breves,
Vi-a pura emoção à perda,
Quase desesperada,
E percebi ter sido só a sua desconfiança.

sábado, 9 de abril de 2011

Até Qualquer Dia

Nada disses-
Foi por isso...
E então me despedi,
Colhi tudo o que creio
A guardar no infinito
Por tua coragem,
Teu pedido e gana
(Que ainda não podem existir).

Nada disses
E me pus em mim,
Apontando a qualquer frente
Desde que não seja a minha suposta aberração,
Desde que não te seja.

O Aroma do Erro

Sei que é coisa demais pra você,
Cedo demais pra pensar,
Angústia dos outros em si
A esperar o que não pode dar.

Também sei que é o que não se prevê,
Névoa dispersa no ar
A bailar sem a regra que cri
Nestas sinas que quis inventar,
(...)
Mas seu colo sempre ludibria
A tentar contra a minha ironia
Inquietada por meu desespero,
(...)
Mas seu corpo que não me existe,
Visitando-me em cantiga triste,
Sempre deixa o aroma do erro.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Em Cada Esquina Há Solução Igual

Como se fosse uma dádiva,
Repousa em sua significância efêmera,
Em seus peitinhos, calores,
Beijinhos e odores
Dados ao nihil para sempre
Como se nada fossem
E tudo resolvessem.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

A Telenovela

Sim, a telenovela é um fragmento de ditadura,
Mas quem se importa
Com a própria liberdade,
Com a libertação contra uma arquetipada dualidade do ser,
Contra uma fidelidade inanimada e fútil,
Contra uma coesão útil para outrem?

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A Dança

Apareci por um segundo e só te disse o adeus
Que te inspirou este meu desejo fraco,
Ardente de esquálido,
Pungente de manso à bruma que acompanha a tua dança.

Desapareci antes que me notasse por completo,
Que o meu peito repleto de medo se rompesse
Em dúvida do que sinto para mim
E certo da minha cafajestada.

sábado, 2 de abril de 2011

Produto de Falácia

Dos resquícios de vida refletida que recolho para possuir como se fosse presente,
Encarnados sobre o meu corpo tentado,
Contorcidos pela minha ilusão,
Fica a carência de quem falhou em ser sincero.

Volver

Por que sempre acha que nunca voltarei?
Por que crê em minha loucura
Ou numa sensatez burra
Que me redimiria do peso de seu sorriso delicado?

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Braseiro Noturno

Como é bom dormir nos teus braços rasos de carícia,
Quentes de existir,
Fingidores de não ter malícia.

Eu te Amo

Uma semideusa vista em seus trajes vulgares,
Cotidiano crível por ser tão comum,
Desconfiada da verdade em meus olhares
Por ser desejo longe de infinito algum.

Golpe sagrado em meu peito dolorido
Excomungado de tudo o que acreditei
Por ser escravo da redoma, meu abrigo,
Que amedrontado, certo dia, desenhei.

Então me entrego em paz à esta inocência,
À inocência de enfim me arremessar
Aos seios fartos desta pobre elouqüência
Que acreditei por não ter o que buscar.