quarta-feira, 30 de março de 2011

Um Dia Sozinho

Amei o que não existe,
Amei triste por não poder ser
Aquele quem te comporta
Desaguada à fúria de ser uma mulher
Calhada de seus instintos livres,
Sonhos mais vorazes do que eu possa crer.

Amei e sei que eu não te alcanço,
Portanto,
Morto e em leito frio,
Despeço-me da fuga
De um dia sozinho.

segunda-feira, 21 de março de 2011

1976

Por ser parte tua,
A cura e a coragem,
Faz-me a fé em tua vontade
De enganar o tempo,
Calar o contimento,
Criar a impossível saudade
A instigar-me o corpo,
Furtar-me Sol da alma,
Falhar todo o breve imposto
Que julga por supor
O que não deve ser
Calhado na paz dum corpo morto.

domingo, 20 de março de 2011

L'Amour des Saints

Não é mais nada disso e sequer foi,
É só recordação da fantasia
De trapos do que está e se tornou,
De mortos que cumpriu no que criou,

Não é mais essa face condenada
Que jamais existiu ou sorriu
Aos passos do que quis e será,
Mas nunca provocantes por amar.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Qualquer Santo de Interior

Bloqueie tudo que possa vir de novo
Se qualquer santo que habite não importar,
Se qualquer verso que recite excitar,
Pois é menina medrosa,
Calmaria em prosa,
Contorno deste tempo ausente à inquisição.

Victoria

Se quase acreditei na umbra em tua alma
Catequizando o Sol e o meu lugar
Foi medo de esquecer os lábios do sussurro a mim,
A súplica de quem jamais perdi.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Há quem diga que Ana desfaz o futuro das coisas

Os trocadilhos fajutos de Ana não fariam sentido
Se não fosse essa marca aparente em seu pulmão
Afogado de sangue da praga e da urbe cinzenta
Que matando o rompante de si pinta a tentação.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Tons de Cinza Quase Iguais

Abandonei-a contra tudo o que quero
Por poucas migalhas de sinceridade,
A calhar sonhos num muro entre a mesma mentira
Em tons de cinza quase iguais.

terça-feira, 15 de março de 2011

Pernas Semicerradas

Se rejeitada pelo tempo,
Fincada à fúria de permanecer-me,
Propus a angústia de mulher descrendo-me
E clamei tua pena a ter-te alvo deste futuro imbecil.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Sorrisos ao Fundo e Melodia de Interlúdio Circense

Nem se soubesse que vejo a deusa em carne
Que se contorce covarde por libertação,
Nem se quisesse essa bruma que acalma os meus olhos
Braseiros de fome por corpos que nunca toquei,
Nem se entendesse a mentira escorrendo dos lábios
Em prosa sempre repetente por não existir,
Nem se fugisse do medo futuro que clamo
Por ser peça dessa doença que arde em mim...

domingo, 13 de março de 2011

Dieser Hölle

Por cada suspiro de mulher
Livre de apocalipses,
Ululante aos desejos efêmeros de beleza,
Apaixono-me sagrado e santo por cada personagem
De mesmo espírito,
Mesma forja,
Erguendo-me da mortandade que estou e me acostumei.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Fragmento de Nihil

Pari um grito de fome por ter esperado
O teu corpo quase perfeito a cobrir o meu
Dolorido de angústia e solidão,
Colorido de cinza à combustão dos prazeres que imaginei (que não me deste).

Eu,
Envelhecida demais para a tua lembrança,
Desisti,
Decorei o meu ambiente com falsa calmaria e costumes doutrem
Para que me fincasse feito doutrinadora de coisa qualquer.

(...)

Corrompida a minha ganância juvenil e reposta por tal ingenuidade madura,
Percebo quão nauseabundo foi este arrastar-se delicado da minha vida.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Pálida feito uma irmã

O meu amor vazio de chamas não sabe o que quer,
Contempla-se no silêncio - distante - dos que o merecem
E faz dessa dor de não ser a própria continuação.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Não acredito em amor durante o orgasmo

Ela quer que eu seja mais gente e discuta problemas humanos, mas humano para quase toda a gente é transcender ou burlar a essência de si mesmo; o que quase toda a gente é cobra odiosa de quem não tenta alcançar.

Seria eu então, esse humano-eu, gente de só um humano-eu isolado com os demais animais, todos fadados à existência temporal enquanto toda a outra gente transcendente vive imortal no tempo em que a própria gente existir? Pois bem, não quero existir assim, muito menos mistificar o comum em meu corpo; eis-me só.

terça-feira, 1 de março de 2011

Another Way

Calunia-se por hora
A contar cristais
Falsos de âmbar,
Fartos de polimento,
Às vias da deterioração,
E chamas medo o desejo inexistente.