domingo, 27 de fevereiro de 2011

Existir

Existir é desprezar o fato,
Permitir-se à ilusão,
Supor a plateia
E ouvir aplausos num silêncio abissal.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Казаки и Сибирь

Se este universo nasceu da expansão do anterior
Ou se é parte do anterior ligado a fios frágeis de carne humana,
Mesmo assim,
Os imigrantes agora deuses,
Os desvalidos agora reis,
Descrevem-se entre si da mesma forma,
Alcançam o conhecimento mútuo do mesmo jeito,
Sinceramente são ególatras em raios maiores de paz.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Universal ou Único

Em seu mundinho de merda, vive,
Registra,
Apalpa,
Faz qualquer pirraça que o declare universal
Ou único.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Deixei de existir por tudo que acreditei

Curei o tempo perdido com menos tempo pra mim,
A observar outros íntimos a ser as suas decisões:
Deixei de existir por tudo que acreditei.

Tracei infinito adiante por aquilo manifestado em fração,
Pressupondo a foz com arrogância,
Contemplando os ramos previstos,
Aceitando:
Deixei de existir por tudo que acreditei.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Conversa Fiada

Não amas, não,
Só esperas o que a alma não espera,
Só aguardas o toque e o arrepio,
O formigamento dos sentidos,
A droga produzida em ti.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Premonição

Se o teu beijo veio pra ferir,
Que cure a dor dessa paz vil.
Se for só um jeito de mentir,
Sai daqui, esqueça o mar,
Pois a tua ânsia me fugiu
Com o teu amor, o teu lugar.

Eram tantas lembranças que me fiz mortal,
Longe dessas fronteiras que eu não quis;
Perdi o mal que te ensinei.


Quando fores o meu sonho vão,
Deixa-me aqui, solta-me.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Balada da Louca

Tenho tantos nomes e não sei quem sou,
Tantos os desejos e não sei o que é amor;
Do que se repete eu aceito em mim
Feito a verdade desse quieto fim.

Julgo-me o presente dessa redenção
Concretizada em sonho herdado à emoção,
Quase transeunte do que está por vir
Escravizada à fé que se enoja em sorrir.

Quem sabe sabe outra vez uma suposta maldição me fará feliz.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Odontóloga

Quase tudo mente
Por trás da ilusão
Ou somente vende a si mesmo:
Carne suja por felicidade.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Vice-Versa

Mesmo sem vida,
Muda de forma precisa,
Corrompe o empuxo sagrado
Sem molde de bicho ou pensamento,
Une-se aos fragmentos e vai
Desconhecendo-se misturada,
Desimportando-se de singularidade;
Quase tudo em si e vice-versa.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Outra Estória

Não me apaixonei pelo moço,
Apenas pelo esforço que faz para me ver gozar
Ou pelo gozo que me vem só de ter o meu corpo no seu.

Com esse rapaz sou igual a todos eles,
Decepando o que não sou eu após usadas as glândulas,
Resfriado o corpo,
Obumbrado o animal.

Além disso é esta merda que aí está,
Em que nasci,
Enjaulamo-nos sem perceber para a razão,
Enfim,
Outra estória.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Gaudet Veris Addere Falsa

Meus sinceros cascos de Deus rompendo o horror
Do que perco em minha passagem
Por esta lama rachada,
Coas estocadas firmes e craqueladas,
Esfarelam-se de tão viris à busca.

meu e-pau

meu e-pau tah brocha pra vc
naum entendo a fome
desprezo essa fome
meu e-pau naum sobe por t ver.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Era Eu

Ela era eu,
A Carolina do Caetano era eu,
The neuromancer's partner era eu,
Jeanne d'Arc inflamada era eu.

Sim, era eu,
A Maria do Nascimento era eu,
A fulana da esquina era eu
E a Simone do Jean também sou eu.

Era eu dividido em mais
Um conto infeliz de paz
Calado em insatisfação,
Vendido à minha razão.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A Sensação Vulgar

Para desmascarar os mistérios
Desintegrados e respirados por um susto breve,
Uma leve corrupção do todo,
Nada é mais importante do que a inocência,
Esta que é tudo relaxado,
Conforto não o sendo,
Busca sem perícia...

Então,
Desnudo de mistério,
Torna-se tal em passado,
Vulgarizado,
Extinto de si.

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sábado, 5 de fevereiro de 2011

Um Terço de Verão

Quem sabe seja o fim
De todo este bem em mim,
Teu corpo invadindo-me,
Meus seios quase nus,
Teus olhos todos meus,
A vida distraindo-se
Num terço de verão.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Não te Quero

Não te tenho mais,
Não te chamo nem deixo,
Não me permito,
Não te adoro nem te minto,
Não te aprecio de pau duro,
Não te juro amor eterno,
Não te quero.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Ponto Final

Vou desenhar outro plano de vida com menos graça,
Menos paixão,
Fiança pro medo;
Traição de mim.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Silêncio

Um infinito sem teu azul,
Tátil em meus mamilos e gritos sinceros,
Sacrossanto aos nossos murmúrios,
Entalha feito a morte acostumada.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Chato de Doer

Apontando o finito pra que não enxerguem o meu fim,
Sigo letárgico em meu orgasmo triste,
Viril de mentira,
Chato de doer.