quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A Bolha

Ela transa com a máquina,
Goza a impulsos elétricos
Dados por LEDs sádicos
E intervalos de estática.

Apenas Incômoda

Furiosa a romper um amado silêncio das coisas
Na inútil tentativa de centrar-se nesta magnífica solidão,
Ser-se sua por desespero,
Apenas incomoda.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Talvez o Amor

Jamais fui feliz por querer demais,
Querer o que só a morte me daria,
O encanto duma vida sem a minha.

Agora morrendo vejo que nada fiz de importante,
Nem a vida em si é importante...
As paixões,
O ódio,
A culpa,
Os vícios,
A cura também não são,
Mas,
Talvez,
Feito todo clichê medíocre para forjar bebês,
O amor seja.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Ogro de Porcelana

Acontece quem o meu pau endurece só de ouvir o teu nome no que penso
E,
À tua distância infundada à razão e pouco provável à pele,
Faço-te aqui num ritual de acasalamento com o ralo.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Bolero em Cm

Meu suicídio foi apostar em tua fúria,
Teu flamejar por tua tão lida altivez,
Mas feito rato te amedrontas pelos cantos
Provando restos já predados de ilusões.

Queria ser a chave contra a tua angústia,
A alforria para a tua lucidez,
Porém em teus olhos eu não vejo brilho há tempos,
Só há a jaula para as tuas pobres paixões.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Maggotica

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Bigorna

O que acha que faço com a vida que recrio desnuda aos calafrios das tentações?

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Pierogi

Quantas piruetas eu precisaria dar neste azul
Para encontrá-la vil, cheia de vazio e sonhos nus?
Quantos desvarios eu suportaria do que diz ser
Até que o caminho não me conformasse a tê-la doente?
Quanto tempo a busca, a incessante piada, seu corpo dará
Com as presentes fotos, ainda sedutora, para barganhar?
Quantos dinheirinhos, doçuras de brinquedo, mendigará
Com o seu trabalho escravo, tecido sem vergonha, no aconchego do lar?

Quatro Pneus

$ mount -t reisefs -o loop /dev/sdc1 /home/141d
$ adduser -G admin -s /bin/bash -d /home/141d -c Teardrop 141d
$ mkdir /home/141d/control
$ ln -s /home/me /home/141d/control/puppy
$ chown 141d /home/me -R
$ exit

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

1f u c4n r34d th15 u r3411y n33d 70 g37 4 141d, 14mm3r

É engraçado como alguns elementos que respondem a estímulos pré-concebidos tentam copiar uma suposta mística que os difere dos progenitores no que tange a direção da evolução de ocupação: o migrar da criação destrutiva de quem foi derrotado pelo mainstream para a repetição auto-destrutiva de quem se comporta feito uma bactéria benéfica ao mesmo.

Eles gritam a full caps lock como se fossem os genes dominantes daquele marasmo que aceitam como revolução, mas só são os bacilos limpando os intestinos da arquitetura; talvez os mais espertos, mas esperteza, no caso, é conseguir digerir bem a merda que os cerca.

Manual de Comportamento

E lá estava eu sob aquele corpanzil obeso e flácido,
Ferido da sudorese de tenra idade,
Quase me escondendo de mim por vergonha de minha libido.

Dementia

Ela é um exemplo clássico de estupidez.

Quando um indivíduo decide criar uma identidade num ciberuniverso qualquer, a proposta da coisa em si é que este contribua na simbiose entre os universos, mantendo as características particulares de cada um mesmo que - conceitualmente - sejam um só; isto que fica embutido no trabalho do mestre do pseudo-universo hospedeiro para manter a aparência de distinção com o universo de origem do indivíduo pode atiçar a egolatria de qualquer membro com identidade deficitária no universo de origem, fazendo-o investir na cura de suas necessidades de auto-afirmação através do personagem, da personificação de si mesmo em ambiente além de si. Um bom mestre simplesmente o abala, decepa as suas conexões na rede neural para que busque uma alternativa de alimentar o pseudo-universo a partir de seu universo de origem; exige que crie um personagem novo e repense suas atitudes ou simplesmente o põe para fora feito um cão sarnento, visando a saúde de interação entre os universos.

Ela é um exemplo medíocre de estupidez.

Pensara que tudo fora criado para a sua diversão, mas ela mesma e o grupo de usuários a qual pertencia não deu ao pseudo-universo a interação que o mesmo necessitava, aquela que o mantém de pé: capital bruto ou intelectual.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Estéril

Meus nomes nada valem,
São registros sociais repetíveis,
Tentativa do divino pelos meus pais e
- Na loucura da crença no nihil -
Assumida por mim.

Meus nomes não teriam ética
Se esta não fosse falácia para os nomes férteis,
Não me induziriam e proporiam a própria honra
Se a mesma não fosse um insulto,
Um desejo de eternidade com gênese amputada.

Meus nomes não vingam,
São a capa de um livro sem código e originalidade,
A premissa dum fim esquecível.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O amor é lixo

O amor é lixo
Irreciclável,
Coisa de instinto com pompons pra ser
Mal contornável,
Bem maleável
E uma razão que não se possa ter
Reproduzida
Ou absorvida
Por ele mesmo que fingiu nascer.

O amor é ócio,
Um vil negócio,
Alegoria para a posse e o som
Das sapatilhas
Da bailarina
A aparar quase impossível dom
De não ter asas
Nem calafrios;
Tudo encoberto em andamento e tom.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Da Racionalização em Ódio da Culpa

Ela deixou de ser borboleta e flor,
Tornou-se fruta seca sem sementes e função
A desintegrar sobre um punhado de terra
Árida de farta dela.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Deus É um Travesti

A harmonia é de fração tão curta
Que mal vale a pena ser contemplada,
Renova-se destruída por não suportar a si mesma e,
Repetida em harmonias distintas para si em si,
É-se.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Gal

Este ímpeto que presencio em mim,
Esta pretensão profana por suas carícias delgadas,
Seus olhos doentes de gana para a própria suspensão letárgica,
Jamais me curou de alguma coisa,
Apenas me pôs louco em medo;
Perdê-la ou destruir-me,
Destruir o que tinha me tornado.

Cruel feito criança,
Ainda criança,
Calha-me de prisões tentado,
Aguarda o tempo que me esvai aos últimos ciclos
Enquanto só,
Quase a acreditar,
Construo um universo de impossível exibição.

A Vingança do Iludido

É muito fácil tirar dos gananciosos, isto não é nenhuma novidade - chega até ser prazeroso vê-los perder toda uma porção de vida por se debruçarem num braço coberto de anéis dourados que por fim os afoga -, mas quando feito por vingança a um amor enganoso, uma ilusão, uma sedução pela própria ganância convertida em amor incondicional do seduzido, do traído, do idiota vingativo, é amargo a este amante constatar que o ente amado (agora o objeto de ódio), desprovido da soberba do poder, mesmo assim o ignora.

Errado

O que há além de mim aqui
Nesta colcha criptografada
Em poesia do que não vivi
É a lembrança d'alma arruinada.

Neste dois milhares de suspiros
Não existe a minha redenção,
Só fissuras e pouco sorrisos;
A história de um ermitão.

Quem deseja que eu não entenda?
Quem jamais me deixará partir?
Quem não teve a sua voz burlada?
Quem se esquece de existir?

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Mary

Bate as tuas asas em chamas e queima o mundo,
Voa sem medo e culpa pra longe daqui,
Rouba a verdade criada por este deus surdo
E cospe do ventre a cruel coragem em ti.

Quem sabe na conjuração destas tuas curas
Todos os fetos chorosos se ponham a dançar
Hipnotizados com graça por tua penúria
E com o sorriso discreto marcado em teu lar.

Ein Charakter

Não tão bela quanto imaginava ser,
Persistia afogada na feiúra do ócio
E ainda era eu
Cumprindo a sua sina de merda por uma glória imbecil.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Um Bit

É quase março,
Quase nada,
Um desvario que se foi
Com a esperança por tua questão
A enforcar a certeza da tua morfina
Calhando quase cores de outono.

Sou eu quase você
Ou nossa mesma falta
Repleta de sucata a emudecer o sangue,
A não lembrar do tempo,
A ser este segundo esquecido num bit mal tragado.

Bem Vulgar

Para de ser confusão, cadela,
Não tem talento pra ser anjo.
Para de entupir de pó a cara,
Seu papo é mole e eu já manjo.

Larga essa proteção capenga
De quilômetros de cobre
E mostra logo essa coisa pouca
Encarnando a alma pobre.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Castanho e Vermelho

Rasga-me com o mármore de tuas mãos
Antes que me cale
Perante esta agonia de gênese oculta.
Cumpre-me sincera,
Mas minta se quiser
Para que crie ululada o desvario.
Surte,
Conjugue o teu corpo,
Proclame a tua alma,
Ame.

domingo, 12 de dezembro de 2010

A Abnegada ou A Iludida

Perdida na estupidez que sou,
A escassez de busca em bela face definhável,
Talho neste presente a figura dagora
A crer que na angústia tenham o espetáculo doutrora.

Não cedo a esta chama a consumir-me
Por belos paraísos habitando os idiotas
Que moldam esta coisa que venero
E chego a assumir como própria força regente.

Espreito cada elogio em desespero
Fingindo que os suporto em sofrimento,
Calhando podridão nos timbres fartos
De tudo que existe libertário em minha cela.

Estou só
Por algo que desconheço,
Algo mais do mesmo,
Mas só.

Vênus

Para que te despisse colhi outras menos sacanas,
Menos brilhantes,
Sem o enigma vivo de indecifrado.

Para encher do teu espírito o arquétipo,
Roubei mamilos duma judia insípida,
Contornos duma negra grosseira,
Lábios duma índia estúpida
E olhos duma loira arrogante,
Mas a tua vênus,
Completa e distante
Ou próxima e obscura,
Jamais ousei.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Borocoxô

De que serviria o silêncio
Se é este balbuciar que espreito
Feito caçador desarmado,
Estático e confundido às cores da relva?

De que te serviria a deusa
Se te ponho em púlpito de mulher,
Livre para sair dali
E viva para vir ou ficar?

Sê esplêndida como és
E ao resto só me resta a tua treva espelhada.

A Chave

A verdade crua tem vergonha,
Vergonha de não ser tão feia assim.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

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Um Homem de Pés Inchados

Fingindo vigor feito bilhões de idiotas agonizantes,
Proposta a honra,
A revolução,
Seguia a noite feito tempestade.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Brain.sh

- Não é muito complicado, basta bombardearmos o servidor com o envio de pacotes pseudo-aleatórios gerados a partir do algoritmo baseado nas rotinas de interação com o cliente. Na verdade é engenharia reversa, pois, a partir das respostas ao bombardeio, funcionando como um espelho dessas respostas, criaremos uma cópia do servidor por emulação das primeiras estruturas de defesa e comportamento do mesmo, ademais, se tivermos sorte conseguiremos até o fio da meada para desvendarmos o comportamento do cerne, importante para a próxima etapa.

- Próxima etapa?

- Sim, se soubermos como funciona o cerne poderemos ludibriar as detecções de defesa enviadas aos servidores de segurança, senão teremos que ir in loco, fazer engenharia social para coletar essas informações, aumentando um pouco o orçamento e o tempo de conclusão para que você tenha os dados que precisa.

Sem o Tempo

Não deu certo o reparo,
O organismo pifou,
O relógio reapareceu.
Vou gastar o que tenho,
Acender um cigarro,
Deixar a metade fugir,
Esquecer essa febre
E esse sangue enjoado
Que escorre feliz do nariz...

E quem sabe eu esqueça que um dia não pensei
Que parto com o tempo e sem o tempo não sou Deus.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Demônios Anteriores Nada Interessantes

¿Qual destes paraísos te entregou a dor
De ser o próprio abrigo acorrentado ao céu?
¿Quem destes deuses coxos te ensinou a amar
A sede inconsequente que te obriga a ser?

¿Deitada em tua cela, pronta para ti,
Não via nada além do que urgia em mim?

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Quase Imóveis

A irresistível morte neste calor tropical
Seria consequência da tua fuga não fosse
O nosso conhecido ardor sem crítica,
O nosso vício por nós mesmos.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Tenuidade Descrita, Decepcionante e Ignorada

Prepara-te para a solidão,
Para o o convívio com os próprios carinhos,
Com o cortejar a morte,
O revés do sonho.

Consome-te como se te copiasses
Aquém de ti mesmo
Para a cópia degrau prum mundo inexistente,
Para a amada a fugir da tua loucura,
Para Deus de inalcançável visto perto.

Maruim

Por ti cobri o meu corpo de lodo,
A minh'alma de gana daqui;
Vendi-me a teu reino sem saber.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Medíocre Primavera

Nosso segredo é manter a dança
Tênue feito a suposta percepção do mito,
Suspensa à surpresa do que já aconteceu
No que ainda será apreciado.

Nosso mistério é vulgar,
Tão banal que ríamos do riso que amanhã verão;
Estupidez doutrem pela nossa medíocre primavera.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Uma Trepada ou Água Fria

Nada é preciso,
Urgido com ânsia,
Ciente com graça,
Devorado à desnutrição,
São só as suas glândulas flamadas pela falta ou doença.

Livros e Cabelos Rebeldes

Não está no que enxergam,
Não,
Não comporta esse desejo,
Só açoita em vão este suposto mar
De brinquedos impossíveis.