domingo, 5 de setembro de 2010

A Convertida

Era da pior espécie de vagabunda que tenho conhecimento:
Esgueirava-se entre seus elogios bem medidos e carícias cronometradas,
Contornava o repugnante da vítima com falsos fetiches,
Perifraseava a sua exuberância túrgida na moeda afetiva
Por um novo palmo seu de pele que seria o mesmo,
Apenas mais comprimido ou frouxo,
Até que desaparecia
Com a pouca fortuna que queria nas mãos,
Com a pobre miséria que quase toda rameira pleiteia...

E eu amava aquela vira-lata,
Aliás,
Mesmo morta,
Nunca deixei de amar.