domingo, 12 de setembro de 2010

Clown Maléfique pour Âmes Arides

- Quer parar de folhear o meu diário? - disse Hera, arrancando o caderno encardido das mãos de Dani.

- Por que isso agora? Não entendi. - surpresa pela atitude abrupta da amiga por nunca a impor restrição no acesso às suas memórias.

- Já te dei muitas sementes... Cadê as tuas, as que não têm o meu rosto tatuado ou são mera figuração do culto que mantem por mim? Sou doente, feia, frágil, traumatizada; finjo que me despeço de todo este lodo sobre a minha pele naquilo que escrevo, corrompo a verdade deprimente em mim a exorbitá-la em personagens que se tratam do meu sofrimento, dos meus anseios decepcionados, da minha fadiga quase a me permitir a desistência. Tu só vens feito vampira e sugas o meu tumor para cuspi-lo como se me ridicularizasse, a posar de narradora altiva e perspicaz dalgo que não sentes, não vives, apenas te promoves feito multiplicação de ti mesma: minha parasita.

- Calma, diz pra mim quem te machucou de verdade que a gente dá um jeito. - abraçando-a de baixo para cima e conduzindo a cabeça de Hera, um segundo antes do desabar do ódio às lágrimas, para o seu ombro.