quarta-feira, 29 de setembro de 2010

011

Em sua paixão reprimida pela mãe, fazia-me deitar ao lado delas para ouvir as histórias de quando ainda moravam em Maringá, acompanhá-las vendado de experiência até que o sono tomasse a jovem senhora e ela a abraçasse a sentir seu aroma de sais de banho. Com os quadris, em movimentos suaves, atiçava a minha libido para que a tocasse, excitasse-a em sua - digamos - perversão pela progenitora a dormir. Afogada nas melenas loiras e brilhantes, suprimia os gemidos e mantinha o tato capado às mãos percorrendo o corpo do objeto de desejo a um ou dois centímetros de altura.

Das inúmeras vezes em que a ajudei a eliminar a angústia pela porta lateral, percebi que eu mesmo não deveria estar ali para ela, meus impulsos deveriam vir feito vindos do corpo dormido como se estivesse acordado, evitando a brusquidão para que não despertasse; um malabarismo que, mesmo sentindo a minha alma em terceira pessoa, amava-me louco em crueldade.