sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Re: Hora do Pesadelo


À procura de novos desafios na árida e perigosa Lanhaar, conheci um nobre guerreiro chamado Xandor, homem estimado por todos aqueles que me uni para dizimar as perigosas víboras mágicas que assolavam a localidade. Enquanto nos preparávamos para a batalha, Xandor olhou para mim, ressabiado, e perguntou:

- Quem forjou este escudo lendário que usas, guardiã? – surpreendentemente modesto.

- Consegui-o nos domínios de Aidion Neckria, meu Senhor, assim que separei a cabeça de Astaroth, o grão duque do Inferno, de seu corpo. – tentando impressionar o valoroso guerreiro.

- Pela glória de Etain, que ato bravo! Como te chamas, guardiã? – questionou-me.

- Chamo-me Ewa, nobre guerreiro, humilde nordein ao teu dispor.

- Pois bem, Ewa, acreditas que faremos algo bravo agora? – sorrindo ligeiramente.

- Sim, tudo o que procuro é em nome do bom espírito de bravura da União da Fúria, desde que alcei vôo de meu vilarejo natal, Suteron.

- Se é um grande desafio que procuras, Ewa, tenho algo melhor para oferecer.

- Deixaste-me curiosa, do que se trata?

- Já que foste a Aidion Neckria, acredito que viajaste bastante por Keuraijen.

- Sim, conheço bem aqueles domínios.

- Conheces Chaos Ruber, à sudeste daquelas redondezas, próximo ao Covil do Dragão? – assim que a alcunha do lugar foi dita, senti gelidez pelas histórias contadas de geração em geração acerca dos grandes guerreiros mortos naquele calabouço, nordeins míticos que lá encontraram o seu fim.

- Sim, estive bem perto da entrada para o lugar enquanto cumpria uma missão de caça. – encurtando-me nas respostas, pois a honra de uma grande jornada se confundia com o pavor do que Xandor estava prestes a me propor.

- Recebi uma carta de um valoroso oráculo, Aneelim, que repousa no Porto do Exército de Aumeros, e o mesmo me aguarda num prazo de cinco dias para que desvendemos os mistérios daquele calabouço. Se desejas algo magnífico para o teu nome junto à União da Fúria, chamo-te humildemente para que nos acompanhe nesta jornada.

- Senhor, saiba que será um honra!

Logo que aceitei o convite, Xandor convocou os guerreiros presentes e os ordenou que continuassem a batalha contra as víboras sem ele, pois seguiria em missão épica comigo e Aneelim; partimos em seguida enquanto o meu coração palpitava amedrontado com toda a penúria que encontraríamos.

Em Aumeros, conheci o elegante vail Aneelim, oráculo de poucas palavras, mas contundente, rigoroso pela nossa atenção no plano para investigar os tesouros de Chaos Ruber. Em pouco tempo partimos pela rota sul do vilarejo calados, tentando não transparecer o receio e a ansiedade daquilo que poderia ser o caminho para a nossa morte. Assim que chegamos ao portal do temido calabouço, protegido por zumbis, mutantes e espíritos malignos, precisamos deixar o medo para trás a fim de cumprir a saga.

- Entremos. – pediu Aneelim.

Atravessado o portal, dentro do domínio fétido e repugnante, crânios esmagados de vails e nordeins, aparentemente de todas as épocas que eu poderia supor, foi-nos o convite de entrada para o calabouço. Percorremos aquilo que parecia um mundo paralelo, infestado de guerreiros e magos esqueletos, por portais que nos levavam de volta à entrada e nos confundia constantemente, até que atravessamos para uma dimensão que não era a nossa e nos deparamos com uma criatura gigantesca a nos questionar:

- O que fazem aqui, impuros? Este é o domínio da grande mãe, a Rainha Vampira Mago, não é lugar para vocês!

Mal terminou a frase e nos atacou; travamos longa batalha até que o derrotamos e atravessamos mais um portal onde outra criatura exclamou:

- Mataram meu irmão, impuros, não creiam que sairão daqui vivos!

Muito cansados, após percorrer todo aquele submundo, combatemos o ser monstruoso quase sem forças e sem saída para a desistência, quando Aneelim, já cambaleante, foi atingido mortalmente. Amigo de Xandor a décadas, percebi o guerreiro migrar dum pesar profundo para um ódio brutal em instantes, atacando a criatura até que a mesma sucumbiu aos nossos golpes.

- Não podemos continuar. – disse a Xandor.

- Por que não? – perguntou-me, olhando-me num misto de amargor e raiva.

- Quem irá curar nossas sinas?

- O que cura as nossas sinas é a vontade de lutar, guardiã. Um amigo de longa data acabou de morrer, mas não é por isso que deixarei de ser um nordein, não é por isso que abandonarei a União da Fúria.

Envergonhada, estirei meu braço para que ele se levantasse do zelo ao cadáver do amigo e disse:

- Vamos continuar.

Não sabíamos que se tratava do último portal a atravessar e, ultrapassado, deparamo-nos com uma monstruosa vampira, que sorriu e brincou:

- Muito bem, impuros, mateis os meus filhos, mas como ousais enfrentar Mago, a Rainha Vampira, sem um oráculo? Vós sois apenas dois frágeis nordeins.