terça-feira, 31 de agosto de 2010

Néon

Tais estas luzes que vejo em ti
Quais estes gestos a te suportar...
Importar-te-ia serena mulher?
Conformar-te-ia coa morte em paz?
Saberia em que momento parar?

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Brincando com os Pavões

Quem é essa mulher desejada por todos,
Somente conhecida por poucos clarões?
Como se comporta sem a capa de cinza
Protegendo a raridade que jamais se desfaz?
Donde vem o agudo do tom da sua vida
Aguardado em ansiedade por suas paixões?
Quem tem paciência para os seus caprichos
E coragem sincera para o fim da sua paz?

domingo, 29 de agosto de 2010

Cética por Oportunismo

Por amar-te feito todo o teu repúdio,
Desconhecidos um ao outro,
Deixo-te em fios ainda tecidos,
Quase partindo,
Parindo o nihil até que a lembrança cesse-
O que descreio.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Porcelain Shower

Quero a coragem toda
Despedaçada naquilo que só há.
Quero a verdade e a rosa
Despetalada,
Despenteada,
Crua só naquilo em si.
Quero a porta aberta,
Pois sei roubar e transformar
-Não te quero a dor-;
Sou alquimista do que crê teu.
Quero uma luz discreta
-Quase com nojo e dor-
Em vil penumbra a ir-se
Na longa sombra a esticar-se desenhando um quase fim.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Caro para Continuar

Qualquer toque sem fim,
Divino,
Decantado em trauma por redenção,
Bastaria à mentira desavergonhada,
A este sonho vulgar em olhos que exploram sem querer,
Mas é assim
Feito tudo,
A sua alma não tem gosto de sapoti
E o meu disfarce (e o meu desejo) é o mesmo de todos
A desfazer-se ao cessar do seu tempo de ter o que é.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Conselhos

- Não invente que a ama
Para não crer num sofrimento. - disse-me Rubi.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Luna Leve

Quando esperou uma deusa indecifrável,
Um achado de ninguém,
Encontrou-me com as pernas mortas a envergonhar-se de minhas escaras
E só tentou conter o nojo e a decepção.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A Arte

A arte implora o contimento,
A regra zeladora da ausência da própria arte,
A ignição;
O conceitual flatulento,
A mera diarréia prosopopéica dos achados engolidos da forma que seja,
Dizem-me isto mesmo acerca do que vieram.

Saúde

É claro que o aspecto vigoroso do autoritarismo amedronta pelas liberdades individuais amputadas, porém, haja visto que a média harmônica de interesses da democracia se trata dum interesse inexistente, um arquétipo híbrido de moral que dificilmente se traduz em qualquer uma das inúmeras partes que a compõe, o dito horror - cantado e massacrado pelas classes que se julgam humanitárias - é apenas viés de controle ineficaz. Levando em conta a população que não se destina aos fins da saúde do ambiente social, que direitos são estes reclamados só por ser humano? Afinal, qual a vantagem de ser humano a não ser mais uma carcaça de gene a competir pela própria perpetuação em detrimento do uso de recursos raros? Por fim, vendo-nos como estruturas mais complexas do que os vírus por autoduplicar-nos ao mote pseudo-compassivo de arcaicas instituições religiosas, talvez própria indução de nosso endereçamento, mas ainda assim de comportamento semelhante aos tais em relação ao ambiente (lido organismo hospedeiro), abandonar toda uma espécie pelo direito de ser duma única combinação incondizente à mesma espécie é sadio?

Ser

Invento facilmente o amor a nutri-lo sem paz até acreditá-lo.

domingo, 22 de agosto de 2010

Nunca Fui Tua

O que pensas que fazes?
Amo os homens que se apaixonam por mulheres livres.
O que pensas que queres?
Sequer te ofereci o meu corpo
Pela vergonha das minhas partes aleijadas,
Ademais,
Jamais o pediste,
Nunca o cogitaste,
Precisei alcançar a tua alma para que apenas sorrisses
E agora queres amordaçar-me,
Exigir que eu me dispa,
Amaldiçoar-me com o teu choro e os teus punhos cravados na minha honra.

Nunca fui tua
Por um dia ter te quisto.

Tratada Feito Lixo

As flores de minha cabeça perderam o perfume,
Sequer reconhecem as suas cores urgindo no ar,
Mal sabem o motivo sagrado de todo o ciúme
Que ousa, sincero, matar para me perdoar.

Má Resolução

Foda é descarná-la de mim.

Tarde demais para caminhar sobre o asfalto

Se se importasse o mínimo que seja,
Fosse sonho que minto,
Desejo que invento,
Talvez não quedasse tão pesada e fria feito lâmina de vidro estilhaçado sobre mim;
Talvez não exista-
Acho que não.

sábado, 21 de agosto de 2010

En Kvinne

Com as mãos ainda manchadas do azul de teus olhos,
Esqueci-me em teu esconderijo,
Compreendi-me em teu passaporte para a liberdade,
Tua andança aportada
(Enfim andavas).

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Commedia dell'arte

Nada me pediu,
Sequer tornou implícito o desejo
De confiar em sua escuridão,
Dedicar-me aos beijos tênues encontrados num abismo,
Confiar-me os segredos de sua dor mascarada de colombina,
Mas eu persisto.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Hidden Planet

Eu quero um colo para chorar,
O teu,
Para despejar tudo o que eu sinto ser.
Quero as tuas mortes em Cañuelas,
Fileteados às portas do mar.
Quero o terror de tua poesia
Sangrenta em vestes anacrônicas
E sujas por toda heresia
Em pleitear nossa imensidão.

Francamente

Indiferente ao teu espelho anterior,
Sinto ciúmes das brumas,
Anseio o teu pesar,
O teu desejo.

Aprisionado ao teu espelho anterior,
Persisto em tua fúria e afoitamento
De patentes inglórias em matrizes decaídas,
De fortunas volúveis em sonhos estáveis.

Por que amar-te sem brilho em moção neste azul continental?

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Temporais

Eu,
Quem ousou duvidar das genialidades das coisas,
Morri-me em gruta abissal borbulhante d'ideias,
Vi-me estranho em meu discurso eternizado
A lapidar em ciclos os vagabundos e a si próprio.

domingo, 15 de agosto de 2010

A Priori

A personagem que enceno é tão medíocre quanto o que combato;
Pragmatismo maquiado de abstração,
Viés cru em simplicidade.

A personagem que enceno não é o meu endereço,
Mas o caminho do mesmo derrotado,
Seu último suspiro por sobrevivência.

sábado, 14 de agosto de 2010

Nihil Obstat Quominus Imprimatur

Feito um subproduto,
Um resíduo enriquecido,
Cumpria-se aquela alma de retalhos mal costurados
E colhidos sem querer através da paixão em tormenta.

Repetia dúvidas alheias feito sido suas,
A pobrezinha,
Repetia-as a pensar que pensara,
Feito ladainha,
Prece inútil,
Placebo de torrões de açúcar para o próprio suicídio.

Cria-se nada por tudo
E tudo lá fora correndo feliz
À medida do possível,
Ao prazer do improvável,
Enquanto o seu desejo em letargia,
Dopado de solidão,
Sera domado por um vinco seco e inexistente de fato.

Eco

Ela é tão exigente com o mundo
Que transporta a exigência pra si mesma,
Encarcera-se na linha fatigada do tempo.

Moça linda feito nova descoberta,
Arriscada para os brios imbecis;
Névoa rasa disparando-se em suspense ao vento.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Re: Hora do Pesadelo


À procura de novos desafios na árida e perigosa Lanhaar, conheci um nobre guerreiro chamado Xandor, homem estimado por todos aqueles que me uni para dizimar as perigosas víboras mágicas que assolavam a localidade. Enquanto nos preparávamos para a batalha, Xandor olhou para mim, ressabiado, e perguntou:

- Quem forjou este escudo lendário que usas, guardiã? – surpreendentemente modesto.

- Consegui-o nos domínios de Aidion Neckria, meu Senhor, assim que separei a cabeça de Astaroth, o grão duque do Inferno, de seu corpo. – tentando impressionar o valoroso guerreiro.

- Pela glória de Etain, que ato bravo! Como te chamas, guardiã? – questionou-me.

- Chamo-me Ewa, nobre guerreiro, humilde nordein ao teu dispor.

- Pois bem, Ewa, acreditas que faremos algo bravo agora? – sorrindo ligeiramente.

- Sim, tudo o que procuro é em nome do bom espírito de bravura da União da Fúria, desde que alcei vôo de meu vilarejo natal, Suteron.

- Se é um grande desafio que procuras, Ewa, tenho algo melhor para oferecer.

- Deixaste-me curiosa, do que se trata?

- Já que foste a Aidion Neckria, acredito que viajaste bastante por Keuraijen.

- Sim, conheço bem aqueles domínios.

- Conheces Chaos Ruber, à sudeste daquelas redondezas, próximo ao Covil do Dragão? – assim que a alcunha do lugar foi dita, senti gelidez pelas histórias contadas de geração em geração acerca dos grandes guerreiros mortos naquele calabouço, nordeins míticos que lá encontraram o seu fim.

- Sim, estive bem perto da entrada para o lugar enquanto cumpria uma missão de caça. – encurtando-me nas respostas, pois a honra de uma grande jornada se confundia com o pavor do que Xandor estava prestes a me propor.

- Recebi uma carta de um valoroso oráculo, Aneelim, que repousa no Porto do Exército de Aumeros, e o mesmo me aguarda num prazo de cinco dias para que desvendemos os mistérios daquele calabouço. Se desejas algo magnífico para o teu nome junto à União da Fúria, chamo-te humildemente para que nos acompanhe nesta jornada.

- Senhor, saiba que será um honra!

Logo que aceitei o convite, Xandor convocou os guerreiros presentes e os ordenou que continuassem a batalha contra as víboras sem ele, pois seguiria em missão épica comigo e Aneelim; partimos em seguida enquanto o meu coração palpitava amedrontado com toda a penúria que encontraríamos.

Em Aumeros, conheci o elegante vail Aneelim, oráculo de poucas palavras, mas contundente, rigoroso pela nossa atenção no plano para investigar os tesouros de Chaos Ruber. Em pouco tempo partimos pela rota sul do vilarejo calados, tentando não transparecer o receio e a ansiedade daquilo que poderia ser o caminho para a nossa morte. Assim que chegamos ao portal do temido calabouço, protegido por zumbis, mutantes e espíritos malignos, precisamos deixar o medo para trás a fim de cumprir a saga.

- Entremos. – pediu Aneelim.

Atravessado o portal, dentro do domínio fétido e repugnante, crânios esmagados de vails e nordeins, aparentemente de todas as épocas que eu poderia supor, foi-nos o convite de entrada para o calabouço. Percorremos aquilo que parecia um mundo paralelo, infestado de guerreiros e magos esqueletos, por portais que nos levavam de volta à entrada e nos confundia constantemente, até que atravessamos para uma dimensão que não era a nossa e nos deparamos com uma criatura gigantesca a nos questionar:

- O que fazem aqui, impuros? Este é o domínio da grande mãe, a Rainha Vampira Mago, não é lugar para vocês!

Mal terminou a frase e nos atacou; travamos longa batalha até que o derrotamos e atravessamos mais um portal onde outra criatura exclamou:

- Mataram meu irmão, impuros, não creiam que sairão daqui vivos!

Muito cansados, após percorrer todo aquele submundo, combatemos o ser monstruoso quase sem forças e sem saída para a desistência, quando Aneelim, já cambaleante, foi atingido mortalmente. Amigo de Xandor a décadas, percebi o guerreiro migrar dum pesar profundo para um ódio brutal em instantes, atacando a criatura até que a mesma sucumbiu aos nossos golpes.

- Não podemos continuar. – disse a Xandor.

- Por que não? – perguntou-me, olhando-me num misto de amargor e raiva.

- Quem irá curar nossas sinas?

- O que cura as nossas sinas é a vontade de lutar, guardiã. Um amigo de longa data acabou de morrer, mas não é por isso que deixarei de ser um nordein, não é por isso que abandonarei a União da Fúria.

Envergonhada, estirei meu braço para que ele se levantasse do zelo ao cadáver do amigo e disse:

- Vamos continuar.

Não sabíamos que se tratava do último portal a atravessar e, ultrapassado, deparamo-nos com uma monstruosa vampira, que sorriu e brincou:

- Muito bem, impuros, mateis os meus filhos, mas como ousais enfrentar Mago, a Rainha Vampira, sem um oráculo? Vós sois apenas dois frágeis nordeins.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Tristeza

Na arena voltam as mortes por dribles,
A criança quer virar tentação,
O palhaço posará de acadêmico,
A gigante só dá tiro no pé,
Esse Deus não liga mesmo pra nós,
O Demônio é baladeiro feliz,
A vidraça não existe de fato
E o respeito concretiza a alma,
Mas eu não deixarei você entristecer-se em mim.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Débeis Agregamentos para a Coesão do Todo Implodido

A mulher precisa de um idiota submisso,
Um ser asqueroso e espezinhável
Que alie a beleza máscula à devoção aos atos femininos,
Ao ser mulher.

A mulher deve ser livre.

Zumbido

A gente chega pro almoço
Meio-dia,
Tudo em cima,
Comemos,
Não descansamos,
Vamos numa rapidinha
No banho mesmo por não dar tempo
E dizemos um ao outro com um sorriso forçado,
Pesando quase a Estaiada:
- Até a noite!

Bela

Silenciosamente linda,
A minha mestra entorpece
Em seu arquétipo de Bettie Page
Num desviar-se dominador.

Tendenciosamente nua,
A minha deusa ilude
Às preces desesperadas,
Aos sonhos catequizados.

¿Porventura quem a tocaria
Irônica e anacrônica
Ao sabor de seu alto contraste?

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Parasitas do Medo

Que não abandonemos a nossa viés primitiva
Mergulhada em bucetas, picas, tragédias.
Que nos surremos presos ao corpo intacto
Do vício esculpido por nossas matrizes de coesão.
Que sejamos parasitas do medo,
Lixo emborcado em projeto de jardim.

domingo, 8 de agosto de 2010

Lusa

Eu queria falar da portuguesa
Que surge em fato vil
Suja e linda,
Magnífica,
Hábil feiticeira,
Mas sequer se descontrola,
Move-se da sua mentira,
Permite-se.

Eu queria falar da portuguesa,
Contudo,
A alma rochosa em detrimento do espírito pirracento
Mantem-me cego;
Fazer o que?

sábado, 7 de agosto de 2010

Hierarquia de Necessidades: Segurança

A automática apontada para a cara do infeliz enegreceu a sala,
Deliu a empáfia de ser humano,
Apodreceu as almas até apenas cordeirinhos
Arremessando-se debaixo de mesas,
Detrás de prateleiras
E enfiando-se em buracos perto de portas ou qualquer biombo que lhes salvasse a vida.

Aquela senhora de meia idade e cheia de fúria ao instante anterior,
A que exigia direitos de camadas invisíveis à gente mas de gente,
Era só mais uma presa,
Porém presa gorda e atabalhoada,
Uma coisa esdrúxula que de coisa dantes nada lembrava.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A Saga do Homem Invisível contra a Débil Humanidade

A penitência do idiota era ficar calado,
Iluminar-se de sorriso pela escuridão
Ornamentada por si mesmo de jeito impossível,
Paramentada da astúcia que jamais terá.

Desprezíveis Desalumiações Internas

Para o fim dum movimento literário de fundo de quintal,
Apagaram-se as fronteiras,
Pois fronteiras tornam mortes mais singelas
Ou repugnantes.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A Transição Virtual

Quando percebemos o abrandar-se duma violenta repressão física para que coexistisse com uma brutal e nutrida opressão midiática em prol do mesmo existir medíocre de um virtual e compassivo bem comum, também notamos que a transição para a tal hipotética democracia apenas se tratava de um acordo entre compadres pelo novo desenho de testas de ferro e possibilidades, pois o verdadeiro poder se manteve intacto sob as tampas das mesmas caixas de charuto. Aos antigos inimigos massacrados, aqueles que não morreram embriagados pelas correntes alternadas a fim de poucas palavras que tornar-se-iam um prejuízo futuro, a glória no achismo da divindade foi o bastante; seus egos inchados não resistiram.

Solavancos de Ser em Si

Ela desconfia dos astros como não podem ser,
Desafia-os cantando mentiras sobre si e a paixão,
Diz-se toda na parte que a cabe em sua escala de cinzas,
Cala-os a espernear na sua birra senil,
Faz-se voz santificada em açoites do carrasco em si,
Tenta-os perdida em arquétipos para colorir,
Cai-se pluma neste vácuo medroso habitado por nós,
Vai-se nada no tudo que importa pra vivermos em paz,
Mas é só falsa guerra na paz que não podemos acreditar,
É só pulso manco nos solavancos de ser em si.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Engenharia Reversa de Mim

Por multiplicar-me indefinidamente,
Dar-me os sabores que nunca assumi,
Estou-me ódio e veneno nas páginas de mim.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Rise and Fall

Aquela repórter que
Com 25 era um anjo delicioso,
30 uma harpia audaciosa,
35 uma loba arisca
E 40 uma deusa mestiça,
Dá-me sono das porcarias que acompanha
A acreditar em si passada agora.

O Colapso

Após a glória,
O colapso...

Dito em regra seria a voracidade dos atos que se tangiam voluptuosos diante da ideia paranoica de tempo corrente em absurdo - triplo, quíntuplo, décuplo (a depender da falta que sentia) -, mas as bonecas de cabelo desgrenhado, as roupas sujas pelo chão, os rabiscos pelas paredes, as janelas fechadas, a porta trancada e a nudez coberta de cascões de feridas do autoflagelo sobre o colhão e os lençóis fétidos de sangue e suor, mesmo a conduzir-me algemada para um diagnóstico factual da coisa, cumpriam a coisa em si com espiritualidade, algo que denegria a podridão e miasma do ambiente em valor abrasivo, repleto de luz.

domingo, 1 de agosto de 2010

Perfil Falso

Para que acreditassem no homúnculo,
Furtei fotografias daquele que coubesse no que cri ser masculino,
Dei a voz de próximos sem poder usá-la,
Instiguei o veneno da livre transição entre valores,
Concedi a forma frágil mas ainda de homem
Para mascarar meus próprios espasmos
E brinquei de Deus por entre esta arquitetura erguida para a minha escravidão.

Dubito

Escrava
Serviçal de cama e mesa
Sou
E desenhando-me em águas vou
Descobrindo a falácia em mim.

Rendida
Ao bom e belo que não escolhi,
À progressão a fim de seduzir,
Repito-me antes de mim
A crer que um dia satisfiz.