sábado, 31 de julho de 2010

Manifesta


Não há mares nem embarcações,
Mas dragões nesta urbe em si.

A Campanha Altruísta

Todos contraídos ao clamor averídico
Na pujança quase de pressão de quadril de jovem a espreitar fim de sequidão
Aglomeravam-se parque adentro pela própria imagem universalizada,
Vinculada à suposta nobreza de quem carregava a também suposta gloriosa ideia
Contra enguiços e feitiços,
Pestes e males fundamentais,
Mas só se compunham feito bucetas no cio
Enfileiradas para inseminação.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Mal pela Raiz

Um destemido irrevelado,
Para o cosmo um estrupício com expectativa de vida menor do que a média masculina,
Maior do que a média do sítio;
Um lugar comum alvejado à abreviação.

Um ponto de encurvamento
Venenoso ou nutritivo,
Saboroso ou lancinante;
Proporcionais entre si.

Um leito marginal,
¿Anarquia lúbrica ou ludibriante?,
Um instante de proposta mutação.

Memismo

Quero o teu meme agora,
Brotado de toda esta prosa envernizada e regular que vomita,
Fundido a partir dos fragmentos de colisões entre estas estafermas pseudo-intelectualóides.

Quero o teu meme nu,
Virgem e louco para trepar com tudo que aí está,
Ligar-se ao mundo para persistir-se,
Compor-se aos demais a fim de dominância.

Quero o teu meme no tom que venha,
A tua existência ratificada,
O teu motivo pra tanto lixo,
A tua verdade desconstruída.

Precisa-se de Nodos

Precisa-se de nodos bipolares ou esquizofrênicos para a rede neural;
Nodos com múltipla personalidade ou emulação de rede neural própria também são apreciados.

Nodos
Puramente nodos
Já abastecem todas as funções regulares e não são requeridos.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Archaeopteryx

Posso ser seu risco e fracasso,
Futuro em descaso,
Paixão esfriada,
Lugar infeliz.

Posso ver tod'os seus defeitos,
Vergonhas e medos
Tombarem de fome
Assim que a porta se abrir.

Posso ter a sua desgraça
Numa média pela manhã
Enganando o sono por uma hora
E a fome por um minuto,
Mas só posso.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Deus Falido

O carteado egoísta com o divino ao fundo,
Calcificado na água turva,
Irreparável sequer à chuva,
Boia inocente e laxo de densidade da margem ao leito
E do leito à margem
Pronto para ser rio todo duro,
Seco,
Mas de divino só o mote,
Nem a crença.

Por dentro de seu corpo fibroso,
Ululantes no espaço entre tais fibras,
A revolução ou reforma,
A ordem mutável só em cerne das distribuições
Do novo crupiê pela morte do antigo,
Não da morte dum Deus falido.

Dever

Acho q se assustou com o dragaum,
Fez q foi e voltou;
Naum fez naum.
Acho que se vingou da coragem
De ter plenitude asquerosa de livre
E assumiu a riqueza da jaula,
A beleza do rito,
O princípio.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Des Fleurs Dans Mes Cheveux

Quiçá abraçaremos um ao outro,
Divinos ou flagelados.
Loucos ou ratificados,
Antes que a peste me leve
Ou te cure.

domingo, 25 de julho de 2010

Pulsar

Tropecei numa estrela,
Uma anã branca ressentida que,
Desgostosa do próprio caminho,
Fugiu de si em paralelo,
Simplesmente a abandonar-se,
A ser-se outra que não estrela-
Fora de todo este lugar...

Tropecei num resto de caminho abandonado,
Numa origem de aporte
Ou no fim do que eu cria.

sábado, 24 de julho de 2010

Estória d'Amour

Eventos trágicos que terminam bem são muito chatos,
Desejo os sonhos do microcosmo falidos
E as tripas da mocinha esparramadas no asfalto.

From this moment

De tão velho
Mal se cabia no mundo,
Mal se cabia,
Mas ia conformado com as ferrugens
E avoado em panaceias de colorir.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Technical Issues

É de piche e pedra,
Apoiado em vergalhões,
Que ergo a Ode aos Trouxas,
Pois me divirto com os provérbios dos homens-engrenagem.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Não Tenho Metrônomo

Não tenho metrônomo,
Ademais,
Não adiantaria neste clima bruto e doido de variante,
Nesta memória a mergulhar na percepção por escorregar-se
(E uma na outra, e outra na uma),
Nesta urbe debaixo de fluidos viscosos.

Não tenho metrônomo,
Que meça algum desocupado depois feito-
Se feito,
Metrado em corpo de aparar,
E disposto a quem dê sentido.

Não tenho metrônomo,
Não,
E nem sei pra que quero isso:
Não!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Berros, Clamores e Covardias

Um momento de mãos dadas no finito
Para acalmar o ego feito a solidão do artista
Por imposição só,
Sonhando uma previsão de glória
Mesmo morto e ainda destacado dos bailes de carnaval.

terça-feira, 20 de julho de 2010

O Som do Sono

Límpida e sincera
Vai
Balbuciando gentilmente as quimeras
E os desejos enrustidos
Até o arranhar da confusão.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Ma Majorité Sexuelle

Minhas descrições recém-púberes,
Convencendo-me e tornando-o letárgico pelas turgidezes aparentes,
Imploravam a hora,
Ardiam
Tentadas,
Enquanto eu,
Medrosa,
Aguardava o impulso de bicho daquele homem
Que,
Tentando ser gentil,
Chamou-me de menina a pedir-me alguns anos mais de maturidade...

Sem ele pensei que me tornara mulher com outro,
Menos arisco de fato
Pelo afoitamento egoísta;
Púbere feito eu.

domingo, 18 de julho de 2010

Dos Desejos da Sombra

Apesar de rumos nada compassivos,
O que me separa de uma assassina é discernimento e medo de causa e efeito,
São as demasiadas possibilidades para suportar a atitude gélida,
O receio egocêntrico de uma possível auto-denúncia
Voluntária ou não,
Inglória ou estrelada.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Pink Dahlia

Por estar morta num depósito de flores sem valor comercial,
Fincou-se poesia ao furdunço esquecível a contento,
Extinguível às novas pela briga de foices.

Pelo paradeiro nascituro,
Entre andaimes e poeira,
Aço gritando a cuspir faíscas
E gente a abrigar-se feito o próprio concreto,
Livrou-se da heresia que a tornava bela até as treze punhaladas.

ps: o lugar comum é a chave de abertura.

Urna de Sonhos Patéticos

Apesar do transporte ou aporte de vida,
Recalhados e recatados a renegar o simulacro,
Em nada cri,
Pois compressões e alívios opiáceos nunca me trataram bem,
Quem diria emulativos.

Les Circles, le Cirque et le Pauvre Amour

Je m'appelle illusion,
Tu m'appelles païen
Et c'est tout aveugle pour notre confort.

Acidez de Momento Eterno

Para a dependência de emoções pragmáticas,
Usei a substituição;
Engano,
Engodo,
Solidão.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Conveniências, Consentimentos e Convencimentos

Para dispor-se em ponto não amigável
E indispor-se à espiral logarítmica da trança da seda,
Só quase sendo-se
Ou aceitá-la para ser-se em curto percentual.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Melhor Que Nada ou Pior Que Tudo?

Depois dos
Neandertais extintos,
Hebreus perseguidos,
Cristãos engolidos,
Pagãos incinerados,
Ameríndios decapitados,
Africanos chicoteados,
Judeus massacrados,
Comunistas desaparecidos,
Vietnamitas bombardeados,
Iraquianos esfomeados
E americanos humilhados
Não me pergunte onde vamos parar.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Desmembramento de Padrão Pseudoaleatório

Dos feitios efêmeros nos pigmentos ungueais,
Da transcriptase voraz nos nodos de vida que a abstração da vida raiz não considera,
Às vezes permito que se esvaiam de uma concentração para o desconhecido fim,
Mas inda me habitam tortuosos e incômodos,
Dizendo-se e sendo desditos.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Michê

Eu vou me perder,
Eu vou
Nos braços de meus ídolos amaldiçoados,
Carente de fato pelo estigma de ostra,
Contente com a via de obscuração.

Eu vou invadir,
Eu vou
Na ladainha prosaica de uma mulher iludida por si,
As decadentes cidades eternas
Para responder-me e ao mundo que nasci.

Eu vou explodir de raiva
Gotejando felicidade em testas de gente amordaçada feito eu.

domingo, 11 de julho de 2010

Ecoreprodução

Quietava o meu rito obumbrado de desinteressante,
Afinado ao som entorpecente
Das gotas d'água quedadas do teu chuveiro no outro extremo da casa.

Calava-me também
Para ouvir-te dançar às águas:
Sequer respirava,
Palpitação atrapalhava;
Cada gesto reagido era o Deus em mim faminto
Recriando-te sedenta
E completando os teus pedaços trevosos com o que me parecia tua gana...

E estavas lá
Antes de estar,
Um minuto antes da surpresa.

sábado, 10 de julho de 2010

Demérito

Engole a porra amarga
Pois o mundo lá fora nos rege;
Não deixe vestígios,
Seja quem se preze.

Oculta este cheiro
De quem se despedaçou
E cobre a sua cara,
A cara de amor.

Suporta a suspeita
Dos sabores seus no lixo
E segue a sua vida,
Não ligue pra isso!

Ponto de Difusão

Tudo é treva ao seu redor,
Até onde posso ver
É treva,
Mas dela em si
É pura nudez;
Sombrio desmascarado,
Brilhante ou incinerado.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Brincando de Bandido

Para antes
Pois não possuo caráter,
Traio o eu que considero o mundo.

Cérbero

Quebradas as arrebentações,
Urgia a placidez com o seu som de amparo,
Condição a astrolábios
Dormidos no ventre de tudo.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Cessado por Fustigação

Parti sem paz,
Feridas abertas,
Tormentas expostas
A ninguém que quis ouvir.
Fora medo de livre
Ou d'algemado à vida
Amada louca para se pronunciar.
Fora de natalidade,
Donde inda há saudade
Da repulsa que na fuga obstruí
Calejando horrores
Pelas próprias virtudes,
Pelo belo insolúvel do meu seio.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Peça de Popularização Alheia

Estou morto,
Tudo é fim ou começo
Estatelado no fim ou começo,
Impossível de corrompimento,
Inviável ao procedimento de cura d'alma
Exposta rica em exemplares de mim no que quis.

Estou fácil,
Não sou colheita,
Mas grão armazenado às provas ou fungos,
Adão calcificado em pedra neogênica
E colado aos quartos esmagados de Eva;
Esmagados por suposto soterramento
(Não vimos
Nem sentimos).

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Ciúmes do Significante Traduzido

Desejo-te assim
Para que saibas além de quão oneroso é pensar e escrever fora de minha natividade,
Pois teu brio por prazeres,
Estampado no baile de tuas formas abstratas,
Merecem tradução,
Sei,
Mas o que sinto
Merece mais.

domingo, 4 de julho de 2010

Tableless

A sua página tá quebrada de tanta labuta
Das coisas que se combinam sem combinar,
Tá troncha do lado que caiu aos pés,
Mas ainda é sua
E é isso que importa.

Gentil Fusão


Gentil fusão de coisa em gente,
Suprassumo do abuso recheado em fato,
Ato divino de ninguém,
Mulher.

Corrimentos da Urbe

Não tô com saco pra te ver,
Pra te pescar na literatura,
Combinar com o teu prazer
Um momento pra tua cura.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Vê se aprende

Vê se me acontece assim
De repente a me apetecer
Vê se se confronta em mim
A tentar se libertar de vez
Vê se aprende
Vê se aprende
Vê se aprende a amar.

Les Sincéres Mensonges d'un Observateur

Não te pedirei pra que nasças em paz,
Não te corromperei jamais.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Teias Integradas

Ela me disse que quer ficar
Por um favor a todas ela
Que não suporta transcender
Para além dos livros de cabeceira.