quarta-feira, 30 de junho de 2010

Le Même

Enquanto isso,
Na masmorra,
A donzelinha continua a devanear em abstrações profundas sobre a urticária hipertérmica em seus erótopos.

Uma Trepada por Duas Quimbas

Nós somos Sílvia calhada de cinza:
Caras de pau,
Sujeita medíocre.
Botamos fé em minha forma agressiva;
Somos mulher,
Sou a luz dos sentidos.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Eu, o Espantalho

O sorriso na ponta dos dedos
Ligados à vida desligada da face
Desvenda a repugnância imediata dos camelos que se creem leões
Acorrentados ao lodo da máquina como se fosse a flor,
Rastejando indignos de si através dos biombos de suas próprias edificações.

Se me cedo feito meretriz às personalidades,
Visto-as às limitações das armaduras medievais até que se tornem colãs para o balé das vivências,
Sofreria eu dalgum mal incurável n'alma feito as desprezíveis sinais mortais que possuo;
Meus filtros cegos e periferias putrescentes?

Não,
Creio eu,
Porque não escrevo um diário do definhar,
Mas sim de qualquer luz,
Mesmo que pareça breu.

Print Screen

- Não faça isso contigo! - avisava a consciência estuprada pela sombra do rapaz sobre a moça que, amaldiçoada pelo íncubo em si, contia sem querer a fresta alumiada no mesmo.

- Não fa...! - interrompida bruscamente a consciência pela sombra que gritava sobre a estupidez da moça, sobre quão magnífico aparentava o plano ardiloso, o rapaz, então íncubo, prosseguia sorrindo em sua solidão, instigando a liberdade da pobre infeliz para aprisioná-la em sua diversão egoísta.

domingo, 27 de junho de 2010

Espelho de Vida Real

*beija a minha boca enquanto rebola para teus sentidos
*arqueia a corpo pra trás pra q eu te beije os seios
*o colo
*pescoço
*orelha
*isso, garota, deixa seu ser aflorar
*deixa teu corpo falar

sábado, 26 de junho de 2010

Complexe de Martyr

Elle espère trop longtemps,
Mais je suis le point de déformation,
Le parfait idiot.

Tortura

Penso em teu cheiro, nas texturas tenras de teu corpo enquanto o beijo e deslizo trêmula língua por ouvir-te os pulsos e suspiros.

Esquece

Esquece a boçalidade duma narrativa épica,
Sê desmontada,
Invaria-se solta,
Dize por sentido da sua coisa ardente
Erodindo a paciência.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Le Sage, le Prophète et l'Idiot

Feeling so mellow as after joint,
Ia cantarolando tal cantiga vil
Sem algum sentido aparente,
Versada da prosa pura,
Da gíria de impacto fonético,
Do traquejo entre vagabundos...
Ia,
Destinando duas ou três voltas pelo quarteirão de brincadeiras doutrora,
Cantarolando a própria história.

Luz

Se queres meu desejo, saibas, ardes puramente diluída em minha pele, derramada em mim.

Não Acredite

Não acredite,
Pois todo cafajeste é um hipócrita abençoado,
Nasceu para ser um sincero pseudo-dionisíaco,
Combate a própria casca de abstrações pela carência,
Teme-se pela falta de si no que se toca,
Cumpre-se sem fim na mansidão do próprio desespero.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Meio Ano

Pedirei pra que me roubes o furor que não te pertence,
Mas se faz quase obumbrado em teu nome
Por teu jeito e forma,
Sonhos e desejo.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Iyamaé

Assim, derretido, teu corpo derramado em mim, esculpido d'aromas, destemido em murmúrios, meu. Assim, até quando, quando será ou bastará, não sabemos; temo-nos abrasados, suados, nus d'alma, deselegantes ao cosmos de tudo que não importa.

Os Olhos da Casa

Você,
Que é um feitiço sem querer,
Relutância que clama,
Distante.

Se eu...,
Se tu...,
Quiçá.

terça-feira, 22 de junho de 2010

A Falta do Novo

Levar-me-á às últimas aspirações,
Aos males que me cativam,
Às dores que me confortam.

Conter-me-á quieta,
Absoluta
À pureza da distorção
Que se desprende do grito que me desencorajei.

Respirar-me-á com nojo,
Quase pela obrigação
De ter definido a própria piada,
(...)
Mas a piada é a falta do novo.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Comportar-se

Ela toda comportadinha,
Comportando-se à risca dos malcomportados,
Não me dizia nada de novo,
Mas tinha uma bundinha genial.

Linguagem Orientada a Objetos ou Papo Egoísta

O endereço sobrevivente,
Crido vencedor pela urbe,
Suspirava sobre a decadência da própria urbe
Que construíra a urbe de si pela própria glória e independência,
Mas era casca do endereço.

domingo, 20 de junho de 2010

Canção de Ninar

Tentei ter meu peito nu
Diante da confusão
De todos estes destinos feitos de ilusão,
Mas só por te conhecer
Tudo se tornou igual
Às vidas que se escondem do bem e do mal.

Quiçá te veja crescer,
Amar muito mais que eu,
Sofrer quando o teu peito revolucionar,
Tentar conduzir o céu
Nas mãos de tua opção,
Viver qualquer devaneio como o teu lugar.

sábado, 19 de junho de 2010

Raíces

Às vestes deste olhar sereno
Reconheci-me em tua gana
A ramificar-se céu acima,
A mistificar-se aos pedintes,
A putrificar-se ao teu próprio monstro,
Contudo,
Encadeada à liberdade dos ares,
Desfeita do humo a esnobá-lo,
Não havia mais prole;
Fugiras descrente da mesma,
Furtaras o meu passo em falso.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Quase um Tom Zé

O ruído
Onipresente,
Um chiado entre borbulhante e crepitante,
Não incomodava àquelas alturas,
Integrava-se ao zumbido do tímpano danificado
Em sinfonia de vanguarda,
Quase um Tom Zé.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Falácia dos Tempos

Pois teu fim é ser mulher,
Desfeita da semidivindade,
Esclarecida ao mundo,
Corrompível a tudo.

Falácia dos Tempos

És esculpida por orvalho, falácia dos tempos,
Portanto permito que me rejas,
Ansioso pelo teu fim.

terça-feira, 15 de junho de 2010

A Desgraça

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Paixão

domingo, 13 de junho de 2010

Dudas

- ¿Cuando tendrás la duda? - persistia
Comprimindo os seios contra a minhas coxas.

Ansiava por um problema semidivino
De drástica resolução ainda não conspirada
Para que assumíssemos a condição de talvez suicidas,
Talvez amorais,
Talvez mexilhões desincrustados e encaixotados.

- ¡Dime cuando! - como se eu soubesse,
Como se eu pudesse escolher dentre inúmeras,
Como se eu quisesse abandonar o momento.

sábado, 12 de junho de 2010

Daqui a Três Anos

Por aquele corpo delicado e miúdo
Criou-se o cosmo das coisas contidas,
Do desejo dilacerante pelo toque naquela estrutura delgada,
Melenas caídas sobre a doçura pernicruzada,
Sorriso encontrado de tanto ensaio,
Semblante a nove graus,
Olhar oblíquo,
Viés de casta perversa.

Por aquele timbre doce de quase rouco
Disparo,
Cegueira,
Morte por renascimento,
Beleza por tendenciosismo à eternidade
Até um fim
Que há por quem o estabeleça.

Água de Esculpir

Um dia desejei migrar de corpos,
Evitar o fim da minha aspereza aos solavancos desta margem menos bonita,
Impedir o meu próprio fim,
Pois quando pela tormenta fui brutalmente extirpada da minha mãe solidificada fazia milênio,
Vi-me uma e só,
Porção corrompível de coisa em vida útil para algo ou alguém desconhecido,
Rodando aos ventos e tempestades até esta fonte
Que me consumiu menos do que moveu,
Dedicou o seu século recente a todas estas feito eu.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Vila Dúbia

As pessoas,
Nascidas dos Tupinambás ou filhos das misturas com culturas imigrantes,
Viviam do prover opulento da verdura do lugarejo
A trepar em duplas até quartetos e fazendo mais gente que quase toda ia embora antes de adulta.
Os líderes,
Velhos exilados por disfunção social,
Organizavam as festanças de quitutes para a coesão em nome de alguém amedrontador,
Mas que juravam todos amar apesar de nunca o terem visto.
O Administrador,
Um glutão pançudo primo do Coronel que o indicou para que o Prefeito o indicasse,
Deixava as coisas acontecerem feito o urbanismo da cidade,
Na formalização das vias que as mulas traçavam sonolentas e dos espaços que a miséria reclamava.
Eu,
Lá de visita,
Tentava fingir ter clara a verdade deles para evitar a estranheza,
Mas combater a estranheza com afagos é tão estranho que me tornava um cafajeste para qualquer que fosse o lado,
Até o meu.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Pausa

Goze para que não morramos de tédio,
Canse antes que a diversão acabe,
Durma repleta de desejos sinceros
E esteja pronta para surgir furiosa.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Arrisca

Não leve ao pé da risca,
Não marque riscas,
Corra o risco!

Sem Vida

Não te esperarei, amor,
Pois nada está pronto;
Perdemos nossa vida
Encantando o futuro.

Adormecida em Papiro

Por consultar os deuses,
Tornei-me pedaços distintos de que sou
Espalhada por cada sonho que me carregara:
Beijei derrotados em guerras tribais,
Dor de casa saqueada,
Afago em misticismo envergado,
Fugitivos famintos,
Mercadores sedentos,
Ladrões astutos.

Por consultar os deuses,
Converti-me noutra sob a mesma alcunha.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A Peste

A marca profunda,
Ainda a cuspir fragmentos ígneos,
Corava o transe coletivo em destemor ao calor insuportável...
O ermitão doutrora,
Então popstar dos miseráveis vagabundos,
Regia a ignorância na mansidão vigorosa de seus sussurros
Claros e bem postados até a fresta mais longínqua de sua gruta.

Prosseguiram,
Assim,
Acovardados perante os gafanhotos.

domingo, 6 de junho de 2010

Questão de direito
A tudo
Ser tudo
Tudo amar
Tudo amor
Qualquer lar
Tudo sofre.

sábado, 5 de junho de 2010

Dos Fragmentos Acumulados à Vida

Eu te declaro viva,
Ou melhor,
Reconheço-te parte de minha existência,
Desejo-me porção da tua.

Eu me declaro espantado,
Pois como pude exacerbar minha falta em sonhos
Cegando-me diante dos teus?

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Inocência de Assassino

Meus olhos me sustentam pobre,
Miserável para quem padece de opulência:
Provam mundos desprezando seus venenos.

Abandonos

Pois é na esperança ao esforço iludido
Que a gente se enforca,
A gente se estranha,
Desperta gemidos de outras jornadas,
Assume os bandidos há muito esquecidos
E finge viver.