segunda-feira, 3 de maio de 2010

O Covarde

- Ah, são tantas as vidraças! - escolhia
Entre as mais belas,
Deduzia a que,
Quebrada,
Tornar-se-ia eterna,
Supunha o dano reativo em si,
O coice do mundo,
O próprio corpo reintegrado
À fonte da gana da alma,
Estilhaçado feito o alvo.

- Ah, quem me dera todas numa só badocada! - pensava
Alto
E supremo na sua insânia,
Sombra,
Id
Ou ele mesmo medroso
- Que seja! -
Do tapa na cara,
Revide
Com as estrelas nas mãos
Doloridas pelas memórias dos trocentos chulapos da mesma palmatória.

Parou,
Respirou fundo,
Pensou na mãe em prantos,
Nos irmãos achincalhando-o pela idiotice,
No pai severo pronto a cuspi-lo daquela terra cheirando a sangue
Dele mesmo
E tornou o corpúsculo ao caminho donde viera.