sexta-feira, 16 de abril de 2010

É Lama

Se recorremos ao imbecil cotidiano,
Aos arquétipos mundanos,
Talvez vimos luz nestes moinhos.

Há quem diga que não desejamos a lama glorificada,
Tornada massa para as belas artes,
Fincada em púlpito, luz e brancura para o avanço dela mesma em seu estado cru,
Mas é lama,
Lama-Regina distraída por si mesma
Assim que bordas consideradas significantes a incorporam por inteiro
No medíocre que é
De lama.

Há quem ouse torná-la infinita
Como se o universo se resumisse aos ciclos imperceptíveis
Da lama aparentemente parada,
Aguardando chuva e Sol
Como se não houvesse chuva e Sol
Por ser só a lama a alimentar-se da lama em si,
Mas é só lama
Indefesa:
Passageira absorvente, nutriente e migratória.

Declarada tudo e nada pela fragmentação de almas em um único corpo de lama,
O que escolher senão a lama?
Viva e vívida pede por mais,
Pretendendo-se flores,
E insetos,
E pássaros,
E céus
Todos servidos por ela
Que se julga mais do que o pulso primordial de todas as coisas,
Porém é lama.