sexta-feira, 30 de abril de 2010

O Fim do Sexo

O fim do sexo tem muito da tragédia,
Um 'that's all' que desanima.

Nova Velharia

Descrever tal sítio em meu idioma alienígena,
Feito o cosmonauta num além-mar socrático
Ou o malandro num paraíso dionisíaco,
É puro refinamento dos câmbios despercebidos,
Deificação das miudezas desprezadas.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

A Renda e os Bilros

Nossa renda melhor tramada,
Mais propensa à incorreção
Nos balcões de escravatura
E ombros de classe média,
Não existe para o pavão,
A borboleta
E o leão
(...)
Mas
O que seria o erro?

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Azar

Da curva perfeita à mais tensa distorção,
Era fato,
Tornava-se vivo,
Composto de carnes,
E pulso,
E impulsos à sangria desatada de um desejo.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Slots

À identidade cumpliciável,
Não fadaria o gênero assumido
Pois há coração que bate e abrasa corpo e espírito.

Canção de Ninar Escravos

É grave,
Mas não é sério:
Um dia ela acorda
E mostra o seu sorriso
Manchado detrás da porta.
É simples,
É importante,
É feito de gente crente
Na sorte que há na vida
E no gozo de um demente.
É canto desfalecido,
É jeito apropriado
De sermos um impossível
Vestido de renegado.
É luz quase definhante,
Banquete de maltrapilhos
E voz quase afogada
Pedindo amor aos filhos.

9 de Setembro

Fellini pra quem se quer,
Pois Nietzsche me deixaria cego
Não fosse Sartre a poli-lo
E Veloso a ornamentá-lo do que combateu,
Ademais,
Kant me dá raiva
Pois Platão é um chato,
Chato de galocha,
Chato de Sócrates,
Chato de tudo...

E a chave entregue pra quem um dia pensei ter amado:
Puta que o pariu,
É coisa desses trouxas! -.-

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A Borboleta, o Pavão e a Cidade de Silício

Por mais que não haja a forma,
Não vejamos a vida dispersa em gotas de cores distintas ao manto da dissimulação,
Destemidamente as tuas asas não erram
Mesmo sendo presa vencida.

Eu quero
Teu baile suspeito,
Tudo a teu respeito;
Tudo me encanta,
Espanta-me em cio,
Rege-me ébrio de calores.

Eu quero
Teu leque de tocatas,
Tua excomunhão exata
Por erros não previstos:
Isto, isto,
Pinta o teu espírito,
Fotografa a tua libido!

Reflejo

Eu sou bruxa
Cansada de correr:
Qual é o tipo de você
Que não quer me suportar?

12 de Maio

Idiota,
Quero a explicação
Ou ao menos entendê-la
Mesmo sendo afago contra a carência,
Mentira convincente.

Imbecil,
Quero crer em Deus
Ou que Ele creia em mim:
Trajado de balangandãs,
Vou,
Sim,
Executá-lo do que sou.

sábado, 24 de abril de 2010

Da Liberdade

O que é a liberdade senão a medida conservadora de conveniência?
O que é ser livre senão proteger-se numa urbe de sons significantes tornados em concreto?

Eis que me preocupo,
Preocupo-me em ser agredido por uma névoa de nihil
Para que eu seja livre,
Para que o meu nada também se desamarre.

A Chuva

- Quando não apenas desejar,
Mas também quiser,
Tudo verás! - prosseguia o escondido em sua prece de nostalgia vulgar
A fim de convencer a rapariga dalgo que o pequeno corpo explodido faria
Mesmo obrigado à gélida remodelagem.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O Anti-Platão (Nosso Próprio Umbigo)

A partir da retroação
Da matéria percebida,
Reconstruída em simulacro,
Armazenada em organismo,
Recuperada em memória
E impulsionada em rematerialização interferida pelo agora
Para o agora mesmo ou o futuro,
Temos:

Caso 1



Estão todas separadas, juntem-se em uma, ideias!

Caso 2



Está tudo junto, discrimine-se em tudo, ideia!

O Som Que Desperta o Sonho

O uso que é o que profundamente é
E realmente quer,
Apesar da raiz concreta - decepada ao tesão abstrato.

A Arte

Qualquer coisa que valha,
Mesmo que emporcalhada;
A arte é uma chanchada
Significante (nada!).

Qualquer que seja o valor,
Na arte não tem amor:
O vagabundo e a sua tralha,
O destemido e a sua falha.

Qualquer que seja o lance
Embasbacado em transe,
A arte é peça fajuta,
Coisa de fela da puta.

Qualquer que seja a massagem
Nos olhos da veadagem,
A arte é coisa de homem:
Com o tal,
Um dia ela some.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Cravada em Coral

Desconheço o que desejas
Serpenteando neste céu
De compaixão às avessas no cerne - a rara dita cuja de verdade (mentira de tão esporádica),
Dadaísmos imortais,
Porém te quero assim - ululando,
Desejo-te Tu
Sacrificada dos compêndios para esta ética miúda,
Nada exposta,
Transmutando o teu tumor em raridade.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Brumas de Existência

Mesmo a alimentar a mentira em teus olhos,
Desmamando o meu filho para salvar a tua monstruosidade,
Não me descreio viva,
Pois fumo sem desprezo o teu ventre
Por qualquer entendimento,
Qualquer enganação sobre o que sou.

domingo, 18 de abril de 2010

Ponto de Emissão

Não é a morte que se opõe à vida,
Mas o processo abortado,
A retranca validada,
A censura dum pai doutrinador.

Não é o silêncio em seguida que obumbra o sonho,
Mas o escapar-se do estrondo,
Do pesadelo permanecendo acordado,
Do destempero a cobrir próprio instinto.

Acode

Dum microcosmo ignorado àquele surgiu a garota
Toda borrada,
Coberta de merda e trapos desfiados à força,
Semblante de horror tapado por bosta,
Fedendo a cocô e à estranha liberdade.

- Acode a menina! - gritavam só por gritar,
Sem acudir,
Sem se ousar. - Acode, faz alguma coisa!

sábado, 17 de abril de 2010

O Mito, a Lei, o Tempo e os Olhares Punitivos

Temerosa pela muralha que me cercava,
Poleiro de arqueiros
Com os seus arcos e bestas
Todos apontados para mim,
Ordenados a desfazer-me da carne
Assim que eu me pronunciasse,
Calei-me.

Temerosa pela muralha que me cercava,
Poleiro de arqueiros
Com os seus arcos e bestas
Todos apontados para fora,
Ordenados a desfazê-lo da carne
Assim que me convencesse,
Calei-me.

Temerosa pela muralha que me cercava,
Poleiro de arqueiros
Com os seus arcos e bestas
Todos apontados para nada,
Preparados a se desfazerem da carne
Assim que eu me ordenasse,
Calei-me.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

É Lama

Se recorremos ao imbecil cotidiano,
Aos arquétipos mundanos,
Talvez vimos luz nestes moinhos.

Há quem diga que não desejamos a lama glorificada,
Tornada massa para as belas artes,
Fincada em púlpito, luz e brancura para o avanço dela mesma em seu estado cru,
Mas é lama,
Lama-Regina distraída por si mesma
Assim que bordas consideradas significantes a incorporam por inteiro
No medíocre que é
De lama.

Há quem ouse torná-la infinita
Como se o universo se resumisse aos ciclos imperceptíveis
Da lama aparentemente parada,
Aguardando chuva e Sol
Como se não houvesse chuva e Sol
Por ser só a lama a alimentar-se da lama em si,
Mas é só lama
Indefesa:
Passageira absorvente, nutriente e migratória.

Declarada tudo e nada pela fragmentação de almas em um único corpo de lama,
O que escolher senão a lama?
Viva e vívida pede por mais,
Pretendendo-se flores,
E insetos,
E pássaros,
E céus
Todos servidos por ela
Que se julga mais do que o pulso primordial de todas as coisas,
Porém é lama.

Já Faz Muito Tempo

Um negócio engraçadinho,
Pequenino e bonitinho,
Pleno de processos vis,
Toma corpo,
Vira monstro,
Ganha algemas
E compostos
Para os vermes e afins.

Um trocinho inocente,
Sem destino,
Sem patente,
De desejos juvenis,
Envelhece,
Chama os velhos,
Suas muletas,
Seus baralhos
E suas ganas senis.

O Inesgotável Anterior

A angustiante porta entre palavras,
Fechada de vergonha
Ou entreaberta de receio,
Jamais ressentiu a sua mágoa.

Usada para além de porta,
Feito máscara,
Canção para dançarinos,
Implante,
Jogo para assassinos,
Fim concreto durante um desvario,
Também não a pressentira (qualquer que fosse a mágoa).

Permaneceu porta
Fechada,
Calada,
Deixando-se.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Que Seja

Pelos inúmeros pecados a estufar a minha algibeira,
Os demasiados pecados não concebidos como tal
Por amor ou paixão,
Luxúria, loucura ou razão,
Piso em marcas de bailarina sobre esta tênue fronteira de lugar comum,
Divisória de convencionada verdade,
Ilusória maldade:
Um previsível tropeço para o crime ou para o romantismo.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A Mesma Tecla

Sim,
Você diz que me ama,
Eu sei,
Ou é tudo isso o que eu sei,
Ou são esses edifícios,
Zoada,
Luz desordenada
Refletindo cinza
Em nossa moral.

Sim,
Você diz que me entende,
Eu sei,
Ou é pouco aquilo o que eu sei,
Ou são essas passeatas
De gente pelada
Em pleno inverno
Pedindo conforto
E a pura freedom.

Sim,
Você diz que me sente,
Eu sei,
Ou é nada disso o que eu sei,
Ou são esses desvarios
Sadios
De massa obumbrada e descolada
Que quer ser feliz.

Sim,
Você sabe que eu não sou feliz,
Você sabe que não é feliz:
Nós tentamos ser chacretes,
Vedetes
E, enfim,
Piriguetes,
Mas nunca funfou...

Então vou sair daqui. =/

terça-feira, 13 de abril de 2010

Minto Estar Bem

Que o corpo estampado pra mim,
Distante aos milhares,
Desnudo aos passos
Letárgicos,
Pedinte dos atos
Nostálgicos
Aniquila-me,
Nada a negar.

Prendo-me às barreiras,
Expando-me à imaginação,
Retardo-me à ausência
E minto,
Minto estar bem.

Ciberburlesco

Esta porra de toalha curta demais,
Merda de janela escancarada,
Caralho de pó-de-arroz empastelado
E rabo de arrastão rasgado
Não me deixam em paz,
Não me permitem quem sou
Aos jornais,
Aos banais,
Aos sutis.

Piscadela

Quase esvaneci com o seu sopro abrupto
Em meu cangote
Enquanto,
Vestido de escuridão,
Prosseguia em seu eterno meio caminho de despudor.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Diluído

Compararei tudo ao que me embasbaca,
Seguindo o grosseiro mote de uma nação qualquer;
A que eu puder
E me quiser-
Se é que quer.

domingo, 11 de abril de 2010

Até o Fim

Contido aos lábios rachados pelo sintoma,
Encalacrando-se pela vergonha de si mesmo,
Traçava caminhos presentes em seu espírito,
Rotas de um universo que não o absorvera.

Reprimido às pressões no peito e nos desejos,
Penitenciando-se pelo anseio de si mesmo,
Rompia alicerces feito causo de assombração,
Dissecando-os sem corromper qualquer algo que os mantinha de pé.

(...)

Assim ia sem o toque,
Acreditando concretizar o triplo distante,
Mesmo descrente dos próprios feitos,
Mesmo insistente no contracrido.

Dos Mecanismos de Alívio

Assim que depôs a mulher da flor,
Sem flor e sem mulher,
Refez a natureza desprovido da porção demonizada por si próprio,
Portanto,
Do todo outrora mistificado por escassez induzida a ilusão,
Acreditava sentenciar à pena capital o amor.

Dos calores que protegem em afago
Aos complôs contra o desconforto do nada existente,
Foi um salto
Inevitável.

sábado, 10 de abril de 2010

Prelúdio da Tremere

Linda de descrita,
Rota de abstrata,
Quase toda feita de desgraça.

Vil de infeliz,
Sã de chamariz,
Sempre desvivida do que enlaça.

Nua em despedida,
Nua em toda a vida,
Bem apresentada em cicatrizes.

Voz de uma harpia
Em partitura sépia
Assassinando todos seus algozes.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

traceroute

Keep my pursuit warm,
Grab it,
Suck it,
Take it to your lovely run.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Rubi's Poetry Explanation

O que me dá tesão é a rapidez,
A contundência,
O soco no rim;
Essas tentativas pseudo-profundas
De um forçoso idioma anacrônico e piriguético sem motivo,
Como se se prestasse à prova criminal de quem não se comunica com o mundo,
Dão-me náuseas de banir-me daqui.

Álibi

Calhando a rua com complementares,
Vai
Distraindo a vista,
Matando a pista em horizontais,
Vai.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Upa Neguinho

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=SLINkVOR7VE&hl=pt_BR&fs=1&rel=0&border=1]

Hiato

Ao hiato pela contemplação,
Doença
Ou conspiração,
Vi-me mais frio do que o fonema,
Menos torpe do que a crença.

sábado, 3 de abril de 2010

A Delicada Rudeza de um Expressionista

Após desconstruí-la no impossível
Sobre os cacos de uma suposta verdade,
Disse-me o mestre:
- Isso,
Seu caminho,
Mostre-se se lhe angustia!

Periferias Mortas e Filtros Displicentes

Prometeram-me que se eu fosse sempre reto passaria dos 90,
Não fui:
Surpreenderam-se pelos 30,
Mas assim não haverá 40.

Coexistência

Destemidamente,
Presos à encenação dos setentrionais para a glória dos arquétipos dos próprios umbigos,
Sugeríamo-nos aos ecos cambaleados entre aquelas estátuas de brancura angustiante,
Sofreguidão luminescente,
Enojamento do que podemos ser ou meramente somos.

Se de nós às alturas descrevíamos os nossos arquétipos-protagonistas,
Virulentamente cunhados pelas nossas naturezas livres da própria sina - a morte,
O exercício de ver-nos naquela mão pesada e porcamente digna de opulenta
(Opulenta de escravocrata)
Pareceu-nos,
A priori,
Trabalho inútil,
O próprio tripalium,
Porém,
Em poucas luas,
Vimo-nos regentes de nós mesmos por janelas distintas de verdade:
Coexistíamos.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Ligar, Desligar

Espalmado em teu colo me ligo,
Desliga-me à tua renúncia,
Religo-me em um esboço de riso,
Redesliga-me à tua angústia.

Ligar, desligar,
Ligar, desligar,
Ligar, desligar,
Ligar, desligar...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

A Janela

Toda vez que volto àquela janela dá um descompasso no coração,
Um desejo de desmentir-me,
Denegrir-me.
Toda vez que redecoro aquela janela há um estímulo de indulgência,
Prepotência,
Ilusão.