quarta-feira, 31 de março de 2010

Por Incerta

Não deixes o presente inibir a tua deusa,
Minha deusa
Profana,
Pois esta engrenagem não te serve,
Este desvario não contenta a tua verve
Sacana.

Arremessa o teu corpo contra o tempo,
Sem dias
E noites,
Por um momento que se arraste infinito-
Ferido,
Ferindo,
Amando.

Toma o Picadeiro!

Vamos,
Mineira,
Vamos ao circo,
Desenraíze-se destas celtas velhas e sem graça,
Mortas há muito tempo pelo intolerável,
Pois tento não me importar
Com a 'patafísica que o tempo trás
Enchendo as banheiras do que criei
Ou apenas senti sem saber.

terça-feira, 30 de março de 2010

Pobrecita

Qual é o sonho mais apavorado?
Quem se entalou com o brado?
Qual é a mentira mais convincente?
O que é que masturba a gente?
Por que não sinto o teu corpo aqui?
O que diabos falta em mim?
Quem te plantou a tua verdade?
Quem te ensinou a maldade?
Quantos tropeços pro fim do mundo?
Quem me roubou tal segundo?

Nihil Obstat

Por desfazer a embriaguez após o espanto admirado,
Assassinamos um a um os deuses.

Deseos Reiterados

En las ilusiones que nos dimos,
Mojadas por la lluvia de la fe,
Tracionadas por la nuestra queda,
No hay nada de nuevo.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Um Beijo e um Murro, Próximos e Distintos

Para dizer-te,
Enfim,
Que a paz jamais nos bastaria,
Nunca nos encantaria;
Desejamos o sangue do algoz borrando a própria face,
Seus dentes no chão
E o chão para si,
Assim,
Num final feliz de verdade.

domingo, 28 de março de 2010

Las Rosas

Teu beijo
E seu fim,
Teu seio
Sem paixão,
Meu medo
Tentam desaparentar existir só para haver.

sábado, 27 de março de 2010

Fala de Rubi em Economia de Livre Mercado

Ó, jovens abnegados,
Ajudai os abastados idosos,
Pois entre eles é pura letargia!

Tara

Ter-te por mais tempo,
Ver-te
Crida por ti mesma-
Infinda.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Da Deprimente Censura Democrática

É atraente?

É.

Amedronta?

Sim.

E se se trata de ti?

Cala a boca.

quarta-feira, 24 de março de 2010

O Anticristo

Para utilizar-se do sistema contra quem o criou,
Melhor após os primeiros processos pseudo-aleatórios de caos-
A essência do opositor,
Melhor convencer o filho a matar o pai-
Seu Deus,
Melhor o Anticristo-
Um verdadeiro fruto de transformação.

...

Medéia acordou sensível:
Dolorida nos mamilos,
Impaciente nos afazeres,
Descontente do presente.

Banhou-se xingando o mundo,
Vestiu-se urgindo a vida,
Catou todas as coisas-
As coisas necessárias,
Desfez-se ou se refez a romper a porta,
Retirou-se hall afora aos seus cumprimentos automáticos.

Sei

Tô pra desmaquilar a descrição,
Tornar-te feia como crês,
Esplêndida como vejo.

Tô aqui,
Voando faz dez horas,
Caindo até agora,
Surtando de desejo.

Tô infeliz
Feito as mídias que gravei,
As telas que pintei,
As vertigens que estanquei,
Os sonhos que esqueci.

Não é o momento,
Sei,
Tu sei la donna,
Sei,
Mas já namoro a minha ausência pobre.

Sonhos de Taverna

Abatido pela velha lesão no joelho direito, voltei a absorver o título medieval que algum tempo não me satisfazia; eu, um personagem de bem na inocente e sangrenta trama maniqueista, compunha um novo nome e novas características no reino rival. Dos clãs de mesmo idioma e costumes, desde sempre nenhum para os meus; vez ou outra um nativo dos meus e com este sonhos de taverna por um clã imortal, mas apenas sonhos de taverna.

terça-feira, 23 de março de 2010

A Vertigem

Para atear fogo na vertigem iniciada,
No desejo inalcançável,
Não basta o silêncio,
O manter-se à parte,
A substituição
Ou o novo desvario.

Para torná-la pó,
A tal vertigem agarrada aos sentidos,
Aos palpitares pela falta do que a mesma poderia ou deveria ser,
Não sei o que basta,
Talvez o tempo.

Perturbação

Então te busco em qualquer lugar,
De qualquer maneira,
Pelo mesmo motivo.

Então te creio mesmo tu descrente-
Ou aparentemente,
Pela tua verdade,
Pela essência do teu sorriso.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Hasta los Ojos Negros de Santa Fe

Yo creía que la respuesta,
Oscurecida de olvidada,
Podría contestarme casi digno,
Casi hecho.

domingo, 21 de março de 2010

Entonação

Por que a ciranda perdeu a graça com o tempo,
Os olhos não têm nada de alma
E a coisa em si que é a alma não tem nada a ver com a vida?
Por que não parei antes da tontura,
Do desespero tesudo,
Da impotências das dores?
Por que me obriguei por minha imagem em um totem,
Uma carícia post-mortem,
Um elogio sem mim?
Por que me privo de nada
E a ilusão - do dever de filha - é imune?
Por que sou luz apagada
Para uma noite de amor?

sábado, 20 de março de 2010

Paixão pela Estranheza

Sou um cafajeste,
Almejo o sentimento de romper com o horizonte
Em um sotaque ou idioma distante,
O mais longínquo possível,
Para gritar-me nu sobre a terra.

Delirium

O meu destemor cadente,
A minha fala,
Desencarnou a dor que me afagava sem querer,
A tentativa dos deuses para a minha delusão suicida...

Passava das duas e era só destempero:
Fronte ao teto enquanto eu,
Desprovido da tua embriaguez,
Surtava em treva de morto-vivo,
Partia-me em névoa de iniquidade.

sexta-feira, 19 de março de 2010

O Abandono

- O dono da virtude é o melhor dos mentirosos,
O mais hábil dos canalhas,
O senhor dos cafajestes. - afirmou antes de partir, Lorena.

Talvez por moral tão rígida,
Tão pouco abstrata que assim se assemelhava à própria lei vigente-
Uma lei a perseguir-se feito um cão à caça do próprio rabo,
Desiludiu-se pela falta de entrelinhas degustáveis,
De jogos de poder,
De sinas de amor.

Cálice e Rosa

Não tenho medo
Pois só a nossa vida pode despencar,
Desabar com tudo dela e dos outros a si amados,
Conformar-se com o risco ocorrido-
O abismo para que descubramos como deixar de cair.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Hazard

Quero comer o teu corpo,
O teu gesto,
O teu gosto,
Cada centímetro das tuas madeixas.

Quero lamber a tua vida,
Teus seios,
Feridas
E o suor da tua contemplação.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Iguais

Deita-se,
Não queira esta força,
Sofre-me;
Sim,
Arrependemo-nos.

Olha-me,
Esquece as minhas melenas
Castanhas,
Desperta os meus instintos
Comuns;
Não hei de separar esta alma crua das demais.

terça-feira, 16 de março de 2010

Merda

Como pôde dizer isso?

- Pega uma piriguete qualquer!

Viu a merda feito a merda que é,
O resto,
O dejeto,
A incapacidade de fé,
Mas eu quero uma atriz,
Uma interpretante da vida
Submergida no asco
A usufrui-lo,
Desfrutá-lo!

segunda-feira, 15 de março de 2010

O Que Aconteceu

Se me refiz regente de mim mesma,
Pretensão esquecida por desnecessidade,
Estrela cadente numa atmosfera árida-
Lugar inóspito este,
Criança doente aos 5,
Estaria feliz por toda esta podridão
Ainda que livre?

domingo, 14 de março de 2010

Dó de Peito

Se é assim,
Com você,
Sozinho
E você,
Jamais saberei se morri.

sábado, 13 de março de 2010

Dove Hai la Medusa?

Ela já não está tão cuidadosa:
Quando preocupada com os trísceles de todas as coisas,
Repousava antes do primeiro passo - de tanto arquitetar,
Porém,
A descobrir que a arte é quase suicídio,
É desfazer-se dos males do pressuposto e já realizado movimento irremediável,
Propiciou-se errônea,
Devorou os caracteres não se importando vomitá-los.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Estações Perdidas

Ainda em botão
A rosura desprendida da sépala rompida te declara
Rara.

Tema do Trapezista

Assim,
Quase desistindo,
Todo cambaleante,
Chega sem querer onde ninguém viveu.

O fim
Não há e nem começo,
Faço-te e te esqueço
Para admirar o seu bailar no céu.

Tem vez
Que é puro desespero,
Seu corpo abraça a morte,
Beija os seus seios e volta a voar.

Vocês,
Calados por encanto,
Dos sorrisos e prantos,
Debruçam o seu desejo no espetacular.

Mas quando desce do trapézio a tenebrosa saudade,
O açoite é tão covarde que nem consegue dormir.

El Cazador

Talvez,
Por indispor-me às impressões de um passado alheio
E glorificar-me aos olhos cerrados para o meu simulacro,
Eu esteja morto pela tua ausência.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Lágrimas Secretas e Sorrisos Discretos

Estamos presentes,
Mas quase esquecidos
Nas vias de sempre,
Na fé,
No motivo
Urgido com nojo,
Bandido por ser
Farelo de vida
Ou sina sem solução aparente.

terça-feira, 9 de março de 2010

Retorno

Num lugarejo infeliz,
Meu
Ou absorvido
Todo ou em parte,
Dançava às ricas cantigas de pobres rimas
E me entorpecia a aceitar as composições inexistentes acerca da carne
(Deus exalava da carne)
Por nenhum sentido;
Talvez algum abrigo.

domingo, 7 de março de 2010

O Suicídio

Se se entrega ao sono implorado pelo espírito,
O hibernar da própria selvageria amedrontadora,
Chamaríamos de coragem o sonho?

De toda esta mortandade reunida,
Organizada instintivamente a fim da atenção alheia,
Quase sem querer e a combater-se dos guias regulares,
Chamaríamos de coragem a vida?

sexta-feira, 5 de março de 2010

O Libertino

Não saia daqui,
Não mais,
Resguardar-te-ei assim
Serena e virgem como se não fosse só pra mim.

Não tente fugir:
Não vai!
Preservar-te-ei sem fim;
Retardo a morte por não poder ver de onde vim.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Lullaby

Deus e Diabo são dois marqueteiros de quinta:
Sinta a vontade que vem para te embalar.
Os semideuses vomitam suas pragas no limbo,
Mas lindo é ver tua alma tentando fugir.

Derramada em Seu Solo

Que a minha usura chegue a si ainda a tempo,
Mas não se ame louco por mim,
Anti-herói;
Eu sou Deméter ausente.

quarta-feira, 3 de março de 2010

O Suposto Opositor

Ao décimo quinto dia,
O calor da cor de dentro das tuas coxas,
Agarradas à minha cintura-
Virilhas sobre o ventre
E pés travados ao dorso,
Golpeava sem esmero e fome,
Debandava os rascunhos pelo controle absoluto do suposto opositor.

O Motivo

Creu não haver tempo antes do fim,
Dispensou desejos meus de deidade,
Contaminou vontades suas de amor,
Desprezou a voz contando os segredos,
Bebeu todo o mar revolto nas mãos,
Sofreu a escuridão da felicidade,
Achou a ilusão despretensiosa,
Relampejou paixões em sua estória,
Crucificou o herói em sua memória,
Repousou sobre baratas durante o verão,
Enalteceu a fome da iniquidade,
Glorificou a inocência da vagabundagem,
Ululou secreto nas próprias lacunas,
Devorou os cadeados contra lugar nenhum,
Porém,
Para a própria surpresa,
Não se quedou podre da maldita doença.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Resposta Existencialista à Dialética Metafísica

Manter a tampa da latrina fechada é uma questão moral ou sensorial?

Depende dos organismos em questão.

Organismos?

Sim, o sensor que rechaça e o defecante que esquece.

Dos Tripés Mancos

Cheia de ti,
Completa de ti em qualquer fibrilação d'alma,
Prosseguia em meu desespero pela compaixão sacrossanta do universo;
Ouvia-me ensurdecida,
Abortava-me assombrada.

Os Minutos Finais

Sorrindo,
A madrugava cheirava feito a luz
Arroxeada do que viria romper de vez a nossa ordem;
Um pouco mais brando - o cheiro,
Um tanto mais triste - o tempo.