quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Da Verdade

Ele poderia ser claro, pedindo-a desde o princípio:

- Faça-me feliz que eu te faço rica!

Todavia, encantado pelo resgate de épocas empoeiradas na própria alma, sequer tocou no assunto, deixou-o implícito e subentendido, esquecido na língua da ninfeta percorrida pelo seu corpo enrugado e cadavérico de heptagenário e da falta de sol que o câncer o obrigara.

Deitada,
Cansada pelas cavalgadas noturnas,
Sussurrava:

- Eu te amo!

Ele tentava crer,
Ela também tentava;
Talvez fosse verdade.