terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Confissão da Pobreza de um Nobre

Explorado exaustivamente pela arte, religião e ciência, o encontro afetivo é, obviamente, supervalorizado no que tange a sua organização ou arquitetura. Não há nada mais abstratamente ambicioso do que o ser humano e, por tal característica, não há nada mais frágil do que o mesmo: a descobrir tal ambição não saciada, a que urge ao próximo passo a fim do despenhadeiro da utopia, torno-me Deus se me converto em possibilidade de ponte para a querela medíocre de qualquer que seja o indivíduo.

Ela,
Carente de irritar,
Permitiu-me a própria confiança,
Seduziu-se por dinheiro e carinho,
Por poder.

Ela,
Doente de ideais,
Encalacrada nas sofreguices do que julgam alma,
Separou-se de si mesma a tentar encontrar-se.

Dos procedimentos finais,
O meu prazer pleno,
Sempre os mesmos.

(...)

A incisão horizontal no ventre da mulher em pé, entorpecida por carbamazepina, talvez seja o clímax, a redenção de minha própria busca: as entranhas escorridas até o relvado são a lembrança de uma primeira vez jamais alcançada novamente, mas perseguida na minha debilidade pela parecença; aquilo cheio de significados a metamorfosear-se num significante crido - por ele mesmo - menor do que o anterior.