quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A Bolha

Ela transa com a máquina,
Goza a impulsos elétricos
Dados por LEDs sádicos
E intervalos de estática.

Apenas Incômoda

Furiosa a romper um amado silêncio das coisas
Na inútil tentativa de centrar-se nesta magnífica solidão,
Ser-se sua por desespero,
Apenas incomoda.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Talvez o Amor

Jamais fui feliz por querer demais,
Querer o que só a morte me daria,
O encanto duma vida sem a minha.

Agora morrendo vejo que nada fiz de importante,
Nem a vida em si é importante...
As paixões,
O ódio,
A culpa,
Os vícios,
A cura também não são,
Mas,
Talvez,
Feito todo clichê medíocre para forjar bebês,
O amor seja.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Ogro de Porcelana

Acontece quem o meu pau endurece só de ouvir o teu nome no que penso
E,
À tua distância infundada à razão e pouco provável à pele,
Faço-te aqui num ritual de acasalamento com o ralo.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Bolero em Cm

Meu suicídio foi apostar em tua fúria,
Teu flamejar por tua tão lida altivez,
Mas feito rato te amedrontas pelos cantos
Provando restos já predados de ilusões.

Queria ser a chave contra a tua angústia,
A alforria para a tua lucidez,
Porém em teus olhos eu não vejo brilho há tempos,
Só há a jaula para as tuas pobres paixões.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Maggotica

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Bigorna

O que acha que faço com a vida que recrio desnuda aos calafrios das tentações?

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Pierogi

Quantas piruetas eu precisaria dar neste azul
Para encontrá-la vil, cheia de vazio e sonhos nus?
Quantos desvarios eu suportaria do que diz ser
Até que o caminho não me conformasse a tê-la doente?
Quanto tempo a busca, a incessante piada, seu corpo dará
Com as presentes fotos, ainda sedutora, para barganhar?
Quantos dinheirinhos, doçuras de brinquedo, mendigará
Com o seu trabalho escravo, tecido sem vergonha, no aconchego do lar?

Quatro Pneus

$ mount -t reisefs -o loop /dev/sdc1 /home/141d
$ adduser -G admin -s /bin/bash -d /home/141d -c Teardrop 141d
$ mkdir /home/141d/control
$ ln -s /home/me /home/141d/control/puppy
$ chown 141d /home/me -R
$ exit

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

1f u c4n r34d th15 u r3411y n33d 70 g37 4 141d, 14mm3r

É engraçado como alguns elementos que respondem a estímulos pré-concebidos tentam copiar uma suposta mística que os difere dos progenitores no que tange a direção da evolução de ocupação: o migrar da criação destrutiva de quem foi derrotado pelo mainstream para a repetição auto-destrutiva de quem se comporta feito uma bactéria benéfica ao mesmo.

Eles gritam a full caps lock como se fossem os genes dominantes daquele marasmo que aceitam como revolução, mas só são os bacilos limpando os intestinos da arquitetura; talvez os mais espertos, mas esperteza, no caso, é conseguir digerir bem a merda que os cerca.

Manual de Comportamento

E lá estava eu sob aquele corpanzil obeso e flácido,
Ferido da sudorese de tenra idade,
Quase me escondendo de mim por vergonha de minha libido.

Dementia

Ela é um exemplo clássico de estupidez.

Quando um indivíduo decide criar uma identidade num ciberuniverso qualquer, a proposta da coisa em si é que este contribua na simbiose entre os universos, mantendo as características particulares de cada um mesmo que - conceitualmente - sejam um só; isto que fica embutido no trabalho do mestre do pseudo-universo hospedeiro para manter a aparência de distinção com o universo de origem do indivíduo pode atiçar a egolatria de qualquer membro com identidade deficitária no universo de origem, fazendo-o investir na cura de suas necessidades de auto-afirmação através do personagem, da personificação de si mesmo em ambiente além de si. Um bom mestre simplesmente o abala, decepa as suas conexões na rede neural para que busque uma alternativa de alimentar o pseudo-universo a partir de seu universo de origem; exige que crie um personagem novo e repense suas atitudes ou simplesmente o põe para fora feito um cão sarnento, visando a saúde de interação entre os universos.

Ela é um exemplo medíocre de estupidez.

Pensara que tudo fora criado para a sua diversão, mas ela mesma e o grupo de usuários a qual pertencia não deu ao pseudo-universo a interação que o mesmo necessitava, aquela que o mantém de pé: capital bruto ou intelectual.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Estéril

Meus nomes nada valem,
São registros sociais repetíveis,
Tentativa do divino pelos meus pais e
- Na loucura da crença no nihil -
Assumida por mim.

Meus nomes não teriam ética
Se esta não fosse falácia para os nomes férteis,
Não me induziriam e proporiam a própria honra
Se a mesma não fosse um insulto,
Um desejo de eternidade com gênese amputada.

Meus nomes não vingam,
São a capa de um livro sem código e originalidade,
A premissa dum fim esquecível.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O amor é lixo

O amor é lixo
Irreciclável,
Coisa de instinto com pompons pra ser
Mal contornável,
Bem maleável
E uma razão que não se possa ter
Reproduzida
Ou absorvida
Por ele mesmo que fingiu nascer.

O amor é ócio,
Um vil negócio,
Alegoria para a posse e o som
Das sapatilhas
Da bailarina
A aparar quase impossível dom
De não ter asas
Nem calafrios;
Tudo encoberto em andamento e tom.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Da Racionalização em Ódio da Culpa

Ela deixou de ser borboleta e flor,
Tornou-se fruta seca sem sementes e função
A desintegrar sobre um punhado de terra
Árida de farta dela.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Deus É um Travesti

A harmonia é de fração tão curta
Que mal vale a pena ser contemplada,
Renova-se destruída por não suportar a si mesma e,
Repetida em harmonias distintas para si em si,
É-se.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Gal

Este ímpeto que presencio em mim,
Esta pretensão profana por suas carícias delgadas,
Seus olhos doentes de gana para a própria suspensão letárgica,
Jamais me curou de alguma coisa,
Apenas me pôs louco em medo;
Perdê-la ou destruir-me,
Destruir o que tinha me tornado.

Cruel feito criança,
Ainda criança,
Calha-me de prisões tentado,
Aguarda o tempo que me esvai aos últimos ciclos
Enquanto só,
Quase a acreditar,
Construo um universo de impossível exibição.

A Vingança do Iludido

É muito fácil tirar dos gananciosos, isto não é nenhuma novidade - chega até ser prazeroso vê-los perder toda uma porção de vida por se debruçarem num braço coberto de anéis dourados que por fim os afoga -, mas quando feito por vingança a um amor enganoso, uma ilusão, uma sedução pela própria ganância convertida em amor incondicional do seduzido, do traído, do idiota vingativo, é amargo a este amante constatar que o ente amado (agora o objeto de ódio), desprovido da soberba do poder, mesmo assim o ignora.

Errado

O que há além de mim aqui
Nesta colcha criptografada
Em poesia do que não vivi
É a lembrança d'alma arruinada.

Neste dois milhares de suspiros
Não existe a minha redenção,
Só fissuras e pouco sorrisos;
A história de um ermitão.

Quem deseja que eu não entenda?
Quem jamais me deixará partir?
Quem não teve a sua voz burlada?
Quem se esquece de existir?

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Mary

Bate as tuas asas em chamas e queima o mundo,
Voa sem medo e culpa pra longe daqui,
Rouba a verdade criada por este deus surdo
E cospe do ventre a cruel coragem em ti.

Quem sabe na conjuração destas tuas curas
Todos os fetos chorosos se ponham a dançar
Hipnotizados com graça por tua penúria
E com o sorriso discreto marcado em teu lar.

Ein Charakter

Não tão bela quanto imaginava ser,
Persistia afogada na feiúra do ócio
E ainda era eu
Cumprindo a sua sina de merda por uma glória imbecil.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Um Bit

É quase março,
Quase nada,
Um desvario que se foi
Com a esperança por tua questão
A enforcar a certeza da tua morfina
Calhando quase cores de outono.

Sou eu quase você
Ou nossa mesma falta
Repleta de sucata a emudecer o sangue,
A não lembrar do tempo,
A ser este segundo esquecido num bit mal tragado.

Bem Vulgar

Para de ser confusão, cadela,
Não tem talento pra ser anjo.
Para de entupir de pó a cara,
Seu papo é mole e eu já manjo.

Larga essa proteção capenga
De quilômetros de cobre
E mostra logo essa coisa pouca
Encarnando a alma pobre.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Castanho e Vermelho

Rasga-me com o mármore de tuas mãos
Antes que me cale
Perante esta agonia de gênese oculta.
Cumpre-me sincera,
Mas minta se quiser
Para que crie ululada o desvario.
Surte,
Conjugue o teu corpo,
Proclame a tua alma,
Ame.

domingo, 12 de dezembro de 2010

A Abnegada ou A Iludida

Perdida na estupidez que sou,
A escassez de busca em bela face definhável,
Talho neste presente a figura dagora
A crer que na angústia tenham o espetáculo doutrora.

Não cedo a esta chama a consumir-me
Por belos paraísos habitando os idiotas
Que moldam esta coisa que venero
E chego a assumir como própria força regente.

Espreito cada elogio em desespero
Fingindo que os suporto em sofrimento,
Calhando podridão nos timbres fartos
De tudo que existe libertário em minha cela.

Estou só
Por algo que desconheço,
Algo mais do mesmo,
Mas só.

Vênus

Para que te despisse colhi outras menos sacanas,
Menos brilhantes,
Sem o enigma vivo de indecifrado.

Para encher do teu espírito o arquétipo,
Roubei mamilos duma judia insípida,
Contornos duma negra grosseira,
Lábios duma índia estúpida
E olhos duma loira arrogante,
Mas a tua vênus,
Completa e distante
Ou próxima e obscura,
Jamais ousei.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Borocoxô

De que serviria o silêncio
Se é este balbuciar que espreito
Feito caçador desarmado,
Estático e confundido às cores da relva?

De que te serviria a deusa
Se te ponho em púlpito de mulher,
Livre para sair dali
E viva para vir ou ficar?

Sê esplêndida como és
E ao resto só me resta a tua treva espelhada.

A Chave

A verdade crua tem vergonha,
Vergonha de não ser tão feia assim.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

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Um Homem de Pés Inchados

Fingindo vigor feito bilhões de idiotas agonizantes,
Proposta a honra,
A revolução,
Seguia a noite feito tempestade.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Brain.sh

- Não é muito complicado, basta bombardearmos o servidor com o envio de pacotes pseudo-aleatórios gerados a partir do algoritmo baseado nas rotinas de interação com o cliente. Na verdade é engenharia reversa, pois, a partir das respostas ao bombardeio, funcionando como um espelho dessas respostas, criaremos uma cópia do servidor por emulação das primeiras estruturas de defesa e comportamento do mesmo, ademais, se tivermos sorte conseguiremos até o fio da meada para desvendarmos o comportamento do cerne, importante para a próxima etapa.

- Próxima etapa?

- Sim, se soubermos como funciona o cerne poderemos ludibriar as detecções de defesa enviadas aos servidores de segurança, senão teremos que ir in loco, fazer engenharia social para coletar essas informações, aumentando um pouco o orçamento e o tempo de conclusão para que você tenha os dados que precisa.

Sem o Tempo

Não deu certo o reparo,
O organismo pifou,
O relógio reapareceu.
Vou gastar o que tenho,
Acender um cigarro,
Deixar a metade fugir,
Esquecer essa febre
E esse sangue enjoado
Que escorre feliz do nariz...

E quem sabe eu esqueça que um dia não pensei
Que parto com o tempo e sem o tempo não sou Deus.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Demônios Anteriores Nada Interessantes

¿Qual destes paraísos te entregou a dor
De ser o próprio abrigo acorrentado ao céu?
¿Quem destes deuses coxos te ensinou a amar
A sede inconsequente que te obriga a ser?

¿Deitada em tua cela, pronta para ti,
Não via nada além do que urgia em mim?

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Quase Imóveis

A irresistível morte neste calor tropical
Seria consequência da tua fuga não fosse
O nosso conhecido ardor sem crítica,
O nosso vício por nós mesmos.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Tenuidade Descrita, Decepcionante e Ignorada

Prepara-te para a solidão,
Para o o convívio com os próprios carinhos,
Com o cortejar a morte,
O revés do sonho.

Consome-te como se te copiasses
Aquém de ti mesmo
Para a cópia degrau prum mundo inexistente,
Para a amada a fugir da tua loucura,
Para Deus de inalcançável visto perto.

Maruim

Por ti cobri o meu corpo de lodo,
A minh'alma de gana daqui;
Vendi-me a teu reino sem saber.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Medíocre Primavera

Nosso segredo é manter a dança
Tênue feito a suposta percepção do mito,
Suspensa à surpresa do que já aconteceu
No que ainda será apreciado.

Nosso mistério é vulgar,
Tão banal que ríamos do riso que amanhã verão;
Estupidez doutrem pela nossa medíocre primavera.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Uma Trepada ou Água Fria

Nada é preciso,
Urgido com ânsia,
Ciente com graça,
Devorado à desnutrição,
São só as suas glândulas flamadas pela falta ou doença.

Livros e Cabelos Rebeldes

Não está no que enxergam,
Não,
Não comporta esse desejo,
Só açoita em vão este suposto mar
De brinquedos impossíveis.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

A Grande Mentira

Digo-te se amo por renegar a vida,
Falo-te obumbrado do que jamais senti,
Meço-te aos poucos por próprio usufruto,
Calo-te alegre em meu abandono,
Mas nada importa,
O dia eminente nos expulsa daqui.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Ricochet

O último idiota que clamava ao nada morreu:
Virou mito a verdade absoluta
Até que outro idiota cavuque os resquícios empoeirados.

Impressões sobre o invisível e pouco provável

Por parecer doentio contam
Do que se manifesta em paixão
Glorificado em pedaços de fantasia a compor a musa.


Ela quase não tem face,
Pouco ouvi a sua voz,
Não desperta em meus sonhos,
Não suporta o que sou.


Por entender desvio dizem
Do que se lança ao céu
Preso às raízes duma verdade que jamais o aceitou.


Vago em abstratos da sua pele,
Contorcionismos da ilusão
De um passado replicado
A fim do sentido proibido por esta terra árida.

domingo, 28 de novembro de 2010

A Musa

Hipocrisia empafiosa ou pedantismo inocente,
O que ela diz não importa,
Mané:
Olha estes peitinhos duros,
Curte estes olhos azuis...
Que seja o tumulto desta gana!

Deixa sonhar o sonho dela,
Serve punhados de milho e atenção,
Ajuda a construir o picadeiro,
A moldar a musa nesta porção de bosta.

Fibras Azuis

Coberto por teus lábios enrugados,
Sou o imbecil que te louva,
Tudo te concede.

sábado, 27 de novembro de 2010

Countdown

Ardendo em febre,
O inferno do teu mês passou,
A tua luta contra a morte perdeu mais uma batalha.

Para de sangrar,
Menina,
Para de sofrer;
Usa se quiser,
Vive sem querer.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

490 Quilômetros, 36 Milissegundos

Se chega fundindo a dor em luz à textura de teus mamilos
Rosáceos a confundir o limite da pele em pelos dourados,
Não quero sair daqui sem ti,
Não quero ficar aqui sozinha.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Retrotranscrição

Minado o organismo, o doador de metade da aparência que assumiu o seu hóspede, não resta nada senão investir num meio de eliminar a peste antes que o mate quando, em sua hierarquia de necessidades, todo valor divino e maravilhoso é abnegado em prol da própria sobrevivência. A destruição da retrotranscrição em si é inútil, mas as entidades fundidas em aparelho retrotranscritor, confundidas em meio as células com o seu comportamento e origem similares, são a gênese da patologia mesmo que esta tenha se originado da transmissão aleatória de enzimas, concretizada por necessidades individuais de células no organismo - independentemente do todo. A possível regressão do processo funcionaria, portanto, em alegoria, como uma amputação do órgão deficiente seguida de sua esterilização do meio.

Um Endereço

Por mim
O instinto
A querer-me mesmo que apenas um segundo a mais;
Um endereço vivo mesmo que torto pela eternidade.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Braços Abertos

Talvez a benção seja o prolongar-se do valor ante gerações pelo suicídio coletivo
Em seus braços abertos feito asas de gárgula,
Em sua imponência feito falo rígido.

Está lá,
Entre seus reparos supervalorizados,
Tentando-se em único descritivo das manifestações,
Furtando-se do desconhecido na prepotência dos regimentos.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Requiem

Por andar onde deseja a flor,
Não se vê ornada neste horror
A ludibriar os beijos trevosos da manhã sem fim.

Atrasa o gesto aonde venha a ver
E fá-lo seco pra que eu possa crer
Num desgastar-se suado e sem gana de mim.

domingo, 21 de novembro de 2010

Lei, Ήρα

Veneno de janeiro com fibras bem trançadas em azulado e cinzento,
Timbre quase claro e tonado num agudíssimo e sincero pesar,
Jeito de ficar feito sirene seduzindo ao suicídio,
Sôfrego sorriso de épocas não determinadas.

sábado, 20 de novembro de 2010

Eu

Não era tão difícil assumir,
Difícil era desprender-se um do outro:
O outro ou eu,
A outra ou eu,
Aquilo ou eu;
Eu destrinchado em partes saborosas de inverno.

O Tempo

Como poderiam resolver a forma,
Fazê-la funcionar às intenções,
Se,
Mutilada pelo tempo presente das alegrias,
Cumpre-se feito marco de um passado transformador?

Seria este tempo presente estéril,
Fadado à mera replicação
Ou à mediocrização da glória em pigmento?

Seria este tempo o avesso,
Demonstrando-se o senhor do caimento
E das costuras desinteressantes à estética
Assim que farto da obscuridade?

Seria isto um tempo?

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O Medíocre (Pixels Egolatrados)

A baixa auto-estima no âmbito social primitivo, relacionado à família, amigos, escola e trabalho, pode transportar o ego fragilizado do indivíduo a uma experiência extra-sensorial numa rede neural com arquitetura que fuja do que o mesmo realmente é, personificando um personagem criado sob tal arquitetura e fazendo-o confundir a suposta ou imaginada experiência sensorial do personagem com a própria experiência sensorial estando ao controle deste ente fictício. Torna-se, então, uma forma compulsiva e/ou obsessiva de auto-afirmação do personagem ativo na rede neural, um ciclo vicioso em ser aquilo, um migrar de espírito do seu organismo para aquela porção do simulacro aproveitando-se da ausência da possível mediocridade que o indivíduo percebe em si mesmo.

Convencimento

Cuspir-lhe a verdade pareceria vingança,
Ódio infundado por esta repugnante atuação-
Interpretação desalmada do blues,
Mas a indiferença,
O desprezo,
Mesmo que carcomidos pela não existência,
Insistidos virulentamente pela minha paz de espírito,
Soam mais devastadores em seu silêncio do que a estridência irritante,
O porte deprimente de estático cintura abaixo
E os braços distraíveis de inseguros feito um mamulengo,
Portanto,
Traindo-me descarado,
Tentarei convencer em minha mentira.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Dez

http://diario.weyll.com/wp-content/uploads/2010/11/Dez.swf

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Minh'Ilusão

http://diario.weyll.com/wp-content/uploads/2010/11/MinhIlusão.swf

Doze

Não havia desespero nos desejos amputados a frio
Pois a febre dias antes aliviara os anseios com cansaço...
Era macho,
Nascera morto e deformado;
Um humanoide estranho,
Uma praga divina à ignorância.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Além do Homem

Inda que fosse replicar a coragem
Contra estas brumas indissipáveis,
Refletir a bruta descoberta
A favor da própria cegueira,
Não haveria o teu corpo correndo sorrateiro debaixo da imensidão;
És deprimente
E velha,
Ademais,
Ausências assim ansiadas trazem excitações difíceis de aturar quando supridas.
Ah, certos poetas e as suas carências afetivas!...
Afetivas para não dizer sexuais:
Pele e osso em seu isolamento traumatizado;
Roendo correntes pelos instintos não correspondidos,
Naufragando-se antes ou depois do toque solitário,
Calhando flores sobre o piso frio de um lar abandonado.

domingo, 14 de novembro de 2010

Não Havia Ócio

Após desfeito o nó,
Clamava nostálgica pela solidão do cárcere de si
Por precisar lutar em meio ao furdunço da sobrevivência.

Não havia ócio
Nem havia embate,
Não era vilã
Nem caçava o bandido armado contra os seus sonhos.

Bravo


...Até a consistência dos seios sobre as palmas das mãos,
O sorriso traiçoeiro por segundas e egoístas intenções
E a clareza igual nas faixas escondidas pelo vigor do mundo
Perseguem o pragmatismo incisivo que assumi por não a ter como opção.

sábado, 13 de novembro de 2010

Amor de Cu É Rola

O que seria desta canção reprimida,
Clamando o tempo parado,
Se não fosse qualquer construção?

Compreendes o espasmo da soprano
Contra os alicerces que interrompem os seus?
Capturas as magníficas tranças a partir do íntimo
D'alguém que não te agrada a fuça?

Se viram o amor além (ou aquém, que meças) da gente,
Que diabos queres rememorando a tua sina por uma gozada jamais bem feita?

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Missa defunctorum

Quase acreditando no que o mundo iria provar,
Seguiu tentando a forma que o impossível pôs-se a crer
Em cortes cruzados de um campo sem riqueza
Aparente aos desejos dos mortais a combater.

Hoje ninguém está triste pois a vida foi vencida,
Hoje ninguém ousa corromper o nosso caos.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Como?

Como apaixonar-se por um impulso imprevisível,
Sem face e timbre,
Cheiro e sabor?
Como carregá-lo às últimas consequências,
Ferir-se só
A compô-lo de perfeição no que dele me falta?
Como ajoelhar-me desarmado,
Cabeça abaixada
E cabelo enrolado para que surja a nuca?

Como?

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Ludo

O seu trabalho é ser paciente,
Desesperada pelos cuidados da civilização,
Especialista dos próprios males - existentes ou criados - e de suas manutenções.

A sua gana é ser criança
Vasculhando as novidades nas prateleiras completas do semelhante,
Buscando o que te cabe feito jogo,
Ansiando a cadeia irresistível às fadas do tempo.

Dot

Fechar os olhos é fácil,
Impossível é a surdez induzida
Aos berros de socorro da gaja
Obrigada ao despreparo num antecipado ciclo futuro.

Calar a fome é simples,
Mesmo que ainda exista
Maquiada a grilhões de si
Enquanto neva a Eva desnuda a fim de assumir-se serviçal.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Covarde como tinha que ser,
Arraigou-se voluntariamente ao espectro de gozos homeopáticos
Feito obra natimorta,
Clamando apavorada para não existir.

Morreu de fato hoje,
Nove de novembro de 2010,
À zero hora e trinta e nove minutos
Duma madrugada sem estrelas - como sempre - em São Paulo,
Pelo menos para mim.

Ao Que Der

Com o corpo sob a pressão do calor ao chuveiro quente, suspendia o vazio das pernas quase mortas, o embaçado na visão ensanguentada, o ludibrio dos seus ecos a comportá-la fria diante do mundo. Com o corpo cercando as queimaduras na pele, chorava sem lágrimas enquanto vomitava o café da manhã.

domingo, 7 de novembro de 2010

Nonsense

Não importa se faz sentido,
Só precisa dar liga na alma.

Desgraça

Sugiro-me ir à forra por pavor,
Receio desesperado que a distância importe,
Que o bicho do mato aprisione no templo o querubim
Para sair solto e sem pressa de voltar.

Sugiro-me infeliz às gotas de esperança.

sábado, 6 de novembro de 2010

Prece

Quis retalhar a tua alma
Por algo que ainda não és
E sequer confio que serás,
Apenas desejo
(No tempo que não sei se tenho,
Deslizei com ódio a lâmina da pressa).

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Meu Amor

Meu amor não é escandaloso,
É vapor de suor
E seus sais incomodando a pele;
É desejo que não descobri,
Toque que jamais senti.

Não é a outrem ou a mim,
Mas a manifestação de nada a colidir-se,
A inquietação para o todo em fragmentos,
O tormento de não valer a pena.

Submissão

- Cala a boca pra eu não te dar na cara, cadela; arrebento tua lata, vadia de merda! - sussurrou ao meu ouvido a segurar-me pelo braço, o transparente macho ofendido por não ter controle sobre a fêmea.

Por ter sido descritiva - com início, meio e fim - no campo em que a humanidade vulgarmente busca grafias anacrônicas da vida ou de sua falta, tentou-me a coação feito um primata tomado pelo desejo de posse sexual. Quisera eu não me sentir fantasiada em libido à insanidade do troglodita, esmagando-o sem remorso com o que acabara de perder, com o que muda aos ventos contemporâneos sem regra de coesão social.

Complementares

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Pathos

Por que roubar a personificação da liberdade? - censurei-me,
Mas quase fazendo,
Quase partindo ao corpo como se não arriscasse destruir aquela alma.

Odiaria?

Odiar-me-ia se te tirasse a roupa?
Melhor,
Se te arrancasse o zelo
Para descobrir o próximo,
Odiaria?

E se te comportasse na tua viés de fato medíocre
Ou, talvez, ridícula,
Odiaria?

E se te pusesse em púlpito
Para que não te ignorassem,
Mas te corrompessem às gargalhadas
Por esta fuga monocromática e carente,
Odiaria?

E se meu ódio nascesse
De não conseguir desprezo?

Cachos Encarnados

Desde o início
Fútil
Como deveria ser
Bela
Ao que impera a dor
Arte
Ao seu débil espelho da realidade.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O Último Capítulo Legível

Assim,
Ao cataclismo de teus instintos,
O toque só teu criou o primor desesperado,
Um verso híbrido de culpa para a suposta desnatureza
Escrita em nosso ser-se primata.

Transcendidos os desejos ao terceiro organismo,
À aberração segundo os amantes mortos,
Tínhamos a prisão pacífica dos fetos,
O plácido horror de uma nova existência.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Cyberplague

If ya dont need it,
Who should proclaim us?

domingo, 31 de outubro de 2010

Eu te amo

Acordei à sensação do caralho duro a roçar as minhas nádegas,
Pulsante por algum sonho descritível apenas ao murmurar do mancebo-
Fonemas desconexos que não encontravam o meu nome
Nem as minhas formas,
Todavia,
Mesmo um tanto decepcionada,
Dei garras aos meus quadris a rebolá-los letárgicos
A fim de que o gajo excitado despertasse...

Não consegui,
Esporrou-me as costas a um gemido curto
E me disse,
Personificada na rapariga do seu universo inconsciente:
- Eu te amo!

sábado, 30 de outubro de 2010

Grosseria

http://diario.weyll.com/wp-content/uploads/2010/10/Grosseria1.swf

Desprezo às retas e ao teu sumo

Eu te espero ausente,
Quase dada a um favor obrigatório,
Palavra à métrica,
Sacerdote à confissão.

Não te leio mais,
Não te aponto espelhos,
Não te desvendo
A torcer que o coletivo te manifeste.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Sôfrego

http://diario.weyll.com/wp-content/uploads/2010/10/Morre.swf

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A Massa Estragada da Mudança

Por ser tudo plástico
De sem vida,
Drástico de igual,
Passista do politicamente correto neste ser-se contemporâneo de merda,
Enchi o saco.

D-Day

Os encantamentos para jogos de tabuleiro,
O tungstênio aquecido a ler-nos,
O incômodo à pressão mal tangida
E o meu formidável sorriso frio à minha péssima atuação
É o que lembro do D-Day,
Aquele que cobri doutros até desconstruir-se.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A Fêmea dos Espelhos Emoldurados a Bronze

Ela é muita mulher pra pouca imaginação,
É rabo de foguete,
Chave de cadeia.
Não adianta teia,
Ela é avião,
Pássaro rebelde,
Eterna fugitiva
Do nada em vida,
Lótus despetalada
Por outras fecundações,
Viril com dois X,
Mortal assumida.

domingo, 24 de outubro de 2010

Duas Caipirinhas e um Bestseller

Por desesperar-se pela vida que restou,
Torce-se em mestre covarde
Renegando a própria gana pregressa,
Lambendo as feridas como quem sobreviveu ao abismo.

sábado, 23 de outubro de 2010

Crap Lullaby

Talhados,
Os beiços fartos não ousavam um sorriso
Contidos pela dor ao esgarçar da pele cicatrizando.
Insípidos,
Coadjuvavam sisudos na discreta atuação dos olhos a buscar os fatos,
Quase transcendendo o ato para além-foco;
Um mundo branco de doer na alma,
Preto de instigar a fome.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

C'est Tout

E tu,
Como vai?

Desesperada,
Sim.

Eu não disse nada...

Mas eu já previa.

Toque da Morte

Presa ao destempero de ser deusa
Feito humana aprisionada em si,
Mal dormia,
Mal sentia,
Não desejava um toque que não fosse o do nirvana na própria concepção
De detentora do poder residido numa estrovenga do tamanho duma caixa de sapatos.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Mérito

Não se soube se por remorso, culpa ou orgulho,
Mas,
Após descaradamente usar o estúpido mancebo apaixonado,
Pediu a liberdade pelo mote do próprio mérito
Como se o seu mérito não fosse a sedução.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Consumo Imediato

Até cansar-se da manutenção daquele relacionamento
Baseado no corpo jovem e nos olhos estonteantes da moça,
Cansar-se das flores,
Presentes,
Jantares,
Impressões,
Atenção
E cortesia,
Demorou algum tempo.

Percebera que lhe custava caro aquela mulher,
Que uma gozada diária não valia toda aquela procissão,
Todo aquele desperdício de si e de suas posses,
Pois qualquer prostituta bem intencionada prestaria tal serviço por fardo menor,
Curando-lhe as fantasias e primordialidades em silêncio,
Emprestando-lhe o corpo e a face escolhidos numa vitrina sortida
De cápsulas de vida instantânea,
Prontas para o consumo imediato.

domingo, 17 de outubro de 2010

Baticum Glorioso

Vai que vai pelo mesmo caminho,
Machucando os olhos com verdade
Como se a vida já não machucasse,
Vivesse toda enfurnada na sala de estar,
Divertisse-se aos sábados no cinema,
Reclamasse de problemas abstratos...

Mas a expressão da vida que vale é o carnaval,
A indumentária de lantejoulas paga pelo suor anual à merda.

A Livre Expressão

Não me prendo ao ciúme de mim
Pois toda expressão,
Tratando-se apenas de expressão em si,
Isolada da possibilidade da primazia em obra,
Ousa nascer a partir das sombras projetadas na caverna,
Protesta transcender pelo mundo aqui fora.

Não me enjaulo ao ciúme de mim
Pois os poetas não inventam as musas,
Apenas as colhem sem permissão neste cotidiano fajuto da gente,
Somente as repetem desmembrando os seus próprios caminhos.

Portanto,
Eu - a musa,
A rameira popular enobrecida pela academia embriagada
Ou a princesa silogística linchada pela igualdade,
Permito-me em teu gesto,
Suspeito-me em tua tara,
Comporto-me em mim contigo ou não.

sábado, 16 de outubro de 2010

Schnee

Por desejar a tua alma deslizando os pedestres desta rua sem sentido,
Peço a tua raiva - agora -
Contida neste arquétipo vulgar,
Desvirtuando-o até que seja lá o que isso for.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Encarnada

Pixelação ao que não importa
Pela exuberância tua,
Em silício nada.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O Vento

Uivava o vento entre as frestas do meu lar,
Meu cobre mal polido por mera proteção,
E chamava o peso insustentável deste céu
Para os meus ombros
Cansados da doença a consumir-me,
Da solidão a corromper-me,
Dos sonhos a se extinguirem.

Uivava trágico ao enredo da comédia,
Ao interlúdio da piada,
Como se não tivesse acontecido.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Nosso Fim

Assim que atribuímos àqueles que amamos sem poder a profundidade de nosso desejo,
Aniquilamo-nos à letargia do ser social falido pela astúcia da covardia
Serpenteando fugitiva ao que num íntimo desejoso somos...

Eis o capítulo primeiro de nosso fim.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Fronteiras

Caminhávamos em Calle Córdoba e Dani lembrou Sócrates, referindo-se a como o mesmo se sentia mais atento aos detalhes fora de suas fronteiras e comparando à minha ganância pelas novidades (que há séculos estão ali) do Paseo del Siglo. Ela, ao decorrer de nosso passeio, acostumada àquelas imagens suntuosas desde a infância, bastou-se a rir de minhas reações de espanto com a arquitetura da Faculdade de Direito e Ciências Políticas e bestificação pela arte encravada por toda a nave da Catedral, assim que entrei sem jeito, quase a pedir desculpas pela ousadia.

Solidão, a Deusa Hipócrita

Se há força no mundo que vença a solidão,
Talvez seja a ilusão,
O desvario.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O Mito

Se posso mentir ao teu peito
A verdade figura
Numa decadente usura que não me contem
Carpindo toda a virgindade em meus devaneios
Sinceros por criarem legados onde não os achei.

Se posso sentir em tua boca
O gesto da morte
Em seu corte pálido e seco por renovação,
Qual corpo ao cosmo desejar-me-ia
Se perco os aromas que os trariam a mim?

domingo, 10 de outubro de 2010

Da Repetição Criativa

A coitada só quer ser pega,
Amassada contra a parede,
Chupada sem mensuras - na raça e corpo quente,
Adotada pela loucura de um espaço sem tempo,
Mas o problema é encontrar o herói.

Política do Amor

Por espreitar fúria em seu corpo delgado,
Indícios de ânima envenenada às paixões,
Deixei o presente das coisas em si me furtarem a vida
Decidindo as vias de meu mundo sem mim.

- Amor é doença! - pensei. - Tal como a enfermidade, dá-me novos rumos, muitas vezes rumos rotos e sombrios ou, quiçá, apenas a via dos animais ornada de carícias a mim mesmo. - julguei.

sábado, 9 de outubro de 2010

Retroativos por Negação

Enquanto ela chupa o cacete do cara,
Tu taí de bode,
Louco por uma vez;
Uma primeira vez.

Enquanto modela paralelos por este,
Ela tá nem aí,
Tá cavalgando feliz
E você aí
Construindo fracasso.

Feio

Isso é feio,
Não se liga a nada,
Desvia-nos do teu medo,
Sequer nos aborrece,
Não vale a piada,
Nunca te pertenceu
Nem pleiteias conquistar,
É insosso pra caralho,
Não quer me sacanear
E se quisesse não saberia.

Absorção

Imaginando o vexame do ato pudico,
Tentou vestir-se de nudez por aquele instante,
Cobrir de espelhos a muralha construída pelo rigor dos dias passados.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

La Vie est Belle

A armadura desintegra aos olhares
E a habilidade fútil,
Inútil ao que incita em seus botões coordenadamente pressionados,
É esquecida ao primeiro gaguejar no outro lado de seu abismo.

Morte Contemporânea

Cansada,
Rompeu o cerne do simulacro da forma mais primitiva que encontrou,
Tentou colocar-se viva onde só diretamente táteis os corpos poderiam falar,
Mas nenhum corpo queria assim,
Nem o dela.

Take It Off

Às brujas semi-completas,
Presas às pollas dos seus praticamente instintivos,
Maquiando esta mierda com canções quaternárias,
Digo que,
,
Não creio em uma linha sequer desta porcaria sentimentaloide.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Blá Blá Blá

Em seu mistério pessoal seguia o rito relaxado de vasculhar a geladeira sem se preocupar se os dedos engordurados lambuzavam tudo que seria tocado depois, na finura dos trajes blindados a ouro para qualquer raro visitante. Tudo bem, depois limparia aquela merda toda e retornaria ao cessar de si em sua construção pelo desejo dos jovens machos em cataclismos de hormônios, mesmo que o limite baseado na mera sensação de desejo alheio fosse apenas refúgio da repugnância de si.

Crida em sua usura,
Compunha a identidade como nova etapa
Supondo haver e desconhecer onde se iniciava e aonde chegaria o simulacro...

Seria si vários ou alguém melhor como quem compunha como si mesma?
Seria linear ou aleatória?
Seria?

O Viaduto

Aqui,
No meio destes sonhos congelados
E manchados pela fuligem do combustível queimando a impulsioná-los,
Sigo carregando a pressa
Rachando as minhas milhares de toneladas,
Sendo calhado de magia pelas tribos,
Contemplando os acontecimentos duma loja de conveniência.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O Paradoxo da Usabilidade da Beleza Contemporânea

Está ali para ser nova
Como se fosse original e divina a partir da reciclagem,
Para falar de agora
Como se amasse o mainstream a ponto de confiar-lhe a penetração anal,
Para valorizar a forma
Como se a fórmula não existisse existindo,
Para louvar o discurso escorreito
Como se houvesse verdade abaixo das profundas camuflagens de nada.

Desunião

Presa ao meu braço,
Ao meu gesto,
À minha doçura,
A minha fúria geme de dor
Por horizontes pretos,
Passado cocho,
Espaços decaídos a qualquer lugar.

Longe da penúria,
Do óbvio do ser,
Cumpre-se o que é e a permito
Maquiada de mim.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Nojo

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domingo, 3 de outubro de 2010

Pesado

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Seja Rápido

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sábado, 2 de outubro de 2010

O Risco

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Caminhos Mal Arquitetados

Calha a vida de amor sereno
E grita
Para ninguém ouvir,
Sozinha, bem escondida,
Para libertar-se em dança pagã com os seus personagens,
Desvirtuando os símbolos que são a chave de entrada,
Mas ninguém ousou.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Em Nome do Personagem

Pelo desejo da imortalidade
Vou morrendo no que sou
E sendo o artifício
No limite do artifício,
Na sua aparência fantástica para quem chega
E invejável para quem já está,
Mas não sou eu;
Desisti de mim.

Imagem e Palavra

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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

011

Em sua paixão reprimida pela mãe, fazia-me deitar ao lado delas para ouvir as histórias de quando ainda moravam em Maringá, acompanhá-las vendado de experiência até que o sono tomasse a jovem senhora e ela a abraçasse a sentir seu aroma de sais de banho. Com os quadris, em movimentos suaves, atiçava a minha libido para que a tocasse, excitasse-a em sua - digamos - perversão pela progenitora a dormir. Afogada nas melenas loiras e brilhantes, suprimia os gemidos e mantinha o tato capado às mãos percorrendo o corpo do objeto de desejo a um ou dois centímetros de altura.

Das inúmeras vezes em que a ajudei a eliminar a angústia pela porta lateral, percebi que eu mesmo não deveria estar ali para ela, meus impulsos deveriam vir feito vindos do corpo dormido como se estivesse acordado, evitando a brusquidão para que não despertasse; um malabarismo que, mesmo sentindo a minha alma em terceira pessoa, amava-me louco em crueldade.

Uma das Muitas Selvas no Rigor da Crueldade

A rajada seca de sonhos desconexos mal tocou o meu corpo para parti-lo em dois, consumi-lo do desejo de findar-me, arrotar-me feito o prazer da Coca-Cola bem golada. A temperança ida, extirpada de mim (uma iídiche mama cansada e desnutrida), pôs-me cruel, tornou-me gata polonesa ou apenas ração providencial para a minha sobrevivência, porta aberta com frieza de interpretação ao desfile da bestialidade dos homens.

Amor e Lâminas

Nem as mulheres bem comidas merecem a morosidade da monogamia, pois, na acepção sartriana do sobreviver, do definir-se ser social em meio à amoralidade dos organismos e coisas em si, o arquétipo medieval do amor cristão entre sexos distintos morreu juntamente com a tirania da época, com o cessar da demonização do sexo e da terra para a coesão daqueles quem os próprios tiranos semearam a escuridão.

Se a união de iguais num bem comum exige a contenção dos instintos de fera inatos a cada uma das partes neste inchaço excessivo para o próprio macro-organismo que os comporta e o instinto a ser domado neste caso é uma questão de saúde individual, unir elementos em pares para a mera procriação e contrato social sob a égide dum aforismo simplório (o amor) torna-se um insulto para a espécie, um encalacrar das possibilidades para a manutenção da própria às claras.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Que Deus nos ajude

Semeamos uma história fácil de amor
Para insultar nossa distopia;
Escolhemos a mentira mais bela
E prosseguimos neste todo em meio ao nada.

O Idiota

Da fúria mendaz,
O peito em chamas gélidas,
Mal me recordo,
Só aceito o que dizes por confiar em ti.

domingo, 26 de setembro de 2010

Pathicus

E havia os teus problemas para escutar,
Problemas que jamais tive saco para compreender
Migrado ao meu universículo enquanto fixava os olhos tornados cegos aos teus.
E havia a tua crise,
O teu corpo chafurdado na lama açucarada,
A tua fé em tua aparente imortalidade
Em contraponto ao teu cessar brotando silencioso.

sábado, 25 de setembro de 2010

Pop, Cult e Inveja

Formalmente criticado por renegar a empáfia acadêmica,
Indispor-se ao bisturi ornado para louvarmos à terça
E esquecermos à quarta em nome do passado,
Continuou a alumiar e lustrar os primeiros degraus
Como se fossem os próximos em sua vida;
Os tornados abismo de tanto entrevamento,
Os lacrados em farsa por temor da paz do indivíduo.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Trouxas Feitas

Um zumbido a acobertar a palpitação,
Rasgando a paciência do universo a formar outro,
Mal me permitia entendê-la,
Sequer me autorizava ser-me.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Também Sonho

Poderia amar-te como se desaparecesse,
Não existisse,
Tornasse-me tua extensão,
Corpo para teus devaneios,
Mas não consigo;
Também sonho.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Sedimento


Não crio o amor ao toque da mão,
Sequer distraio o meu brio sem fim.
Nunca nutri o meu sangue pagão,
Jamais cumpri tal destino em mim.

Só sei que me sede a alma
Com o teu sonho que se desfaz
Às prisões desta urbe morta,
Cansada da própria paz.

Tensão e Relaxamento

- Meu pau tá duro pra você! -
Diria,
Excitado pela imagem,
O mago.

Mas que expressão é esta,
Calhada apenas pelo senso que se projeta
Faminto pelas vibrações do universo?

- Eu tô em cima,
Tô cortando o seu dobrado,
Tô amando o seu balanço
Que começa manso
Até que insano antes do repouso absoluto,
Da preguiça da vida
A agradecê-la.
Eu tô de soslaio
Ou fixado sem que perceba,
Apaixonado pelo silêncio
Quedado aos meus cheiros e sabores,
Texturas e esteroides. -
Completaria a revirar-se em seu fim.

De espectador do passado,
Louva a própria criação pelo seu animal
E se cospe depois de sanado.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Contramão

Por não ter aonde ir,
Volta aqui
Para a atenção de um pretérito deteriorado,
Deprimente,
Amado ao esquecimento.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Adeus

Foi-se janela afora até que a perdêssemos de vista,
Acompanhando o mastro da fé,
Alforriando um suspiro para que fosse verdade.

Foi-se e não deu mais notícias,
Morreu para o cosmo de mim,
Explodiu-se à serenidade de quem só observa.

domingo, 19 de setembro de 2010

Ciranda na Casa em Chamas

A minha alma tem cor:
Preta, branca, cinza, roxa...
A minha alma tem cor:
Amarela, castanha, verde-limão...
A minha alma tem cor,
Cor de burro quando foge...
A minha alma tem cor,
Cor de puta penetrada!

A minha voz tem sabor
Tão amargo que me cega
E na paixão tenho um amor
Que acorrenta os meus bichos.

Não se engane

Por não ser você,
Apenas pintura,
Expressão da usura que sinto a partir-me,
Não há o que medir,
Sequer dissecar,
Não deve conter minha alma gritando de dor.

Por não estar aí
Neste imenso vazio
De um corpo frio que se amedronta em não ser,
Não deve furtá-lo,
Sequer distorcê-lo,
Pois sua ganância de vida deseja tomar-lhe
A insana atenção,
A fome de fuga,
O arquétipo coxo da deusa que pensa que é.

sábado, 18 de setembro de 2010

Feito Anjo

Pra que esta noite me mate de rir,
Impressiono-me com cantadas hipócritas,
Tendencio-me a uma vida patética,
Creio em Deus,
Não creio em mim;
Nada mais que impulso alheio.

Tiro a tua roupa com minhas mãos criadoras,
Expresso-te mais farta,
Mais puta,
Voraz
E te fodo sobre a mesa com o meu egoísmo animal.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Mais um Capítulo Ridículo

Nasceu sem querer,
À beira do orgasmo da Deusa e de todos espelhos em que me dispus.
Foi vã ao que fiz,
Mas fincou suas raízes de tétano e ácido em meu coração.
Livrou-me do mal
E criou outro mal muito mais tenebroso do que minhas manhãs.
Calhou o meu querer
Com a seminudez sem vergonha e inflamada sobre o que não fiz...

Só me resta tentar recolher o de mim inemendável.

Incapable d'atteindre les anges

Dilacerado por estas revoluções em minh'alma, o que esperar duma gota de paraíso que jamais despenca das alturas dum mundo confortável para si e inviável para mim? Trepidante de tais lonjuras, enganando-me num quase saltar dali, frustrando-me a determinar a aparente firmeza de suas bases contra a gravidade do ser, às vezes parece nem se importar, noutras teimo crer que mimetiza a indiferença das coisas mortas só para provocar.

Onde estou senão afogado nos seios fartos de si, estonteado pelo desejo sacrossanto de reconhecer todos os seus aromas, vagando tardio pela destreza de seus lábios?

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Tumor Não Petrificado

Se a suportam
Desejam-a domada,
Presa aos alicerces mancos de nossos pais,
Condenada ao prazer passivo de deusas de patriarcado.

Se a entendem
Define-se a criança estúpida,
Sem a crueldade e liberdade de criança,
Somente a confusão e fragilidade de criança
Sem amigos que a chamem em casa numa tarde de domingo.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Unallowed to Die

Simples,
Enche a cara de breja a ouvir funk em frente ao PC
E vai guiando esdrúxula a sua maldade,
Morrendo e renascendo bebê,
Dormindo de ressaca pra curar seus machucados.

Deusa,
Sim,
De dar dó quando está triste,
De desejá-la plena pelo brilho de sua volúpia;
Túrgida onde merece a fantasia,
Lânguida ao caos por seu pulso descompromissado.

Quero Trepar Contigo

Ao toque inesperado,
Os minúsculos pelos contra si,
O sacrifício da alma livre
A cantar o desejo de bicho,
A escuridão.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Varsågod Älskling!

Esse desfecho tá mais pra Bergman do que Fellini,
A assumida revolta camusiana em quem se apavora pelo impacto,
Que vai desistindo aos poucos até não ter retorno...

Então siga lá, imbecil,
Desista encrustada na rocha!

domingo, 12 de setembro de 2010

Carta para a Escuridão

Só tiro isso da cabeça quando te vir em pé,
Se os teus passos me disserem não,
Pois o teu corpo amolecido,
Escondido atrás dum essencialismo a fim de maquiar as próprias limitações,
Nutre o meu desespero.

Quiçá,
Na falta da dor que sofres,
A tua ruína faça sentido
E se desfaça ao amor que tento aniquilar de mim
Mas não consigo,
A tua verdade não pareça fútil,
A tua mentira transpareça justa.

Clown Maléfique pour Âmes Arides

- Quer parar de folhear o meu diário? - disse Hera, arrancando o caderno encardido das mãos de Dani.

- Por que isso agora? Não entendi. - surpresa pela atitude abrupta da amiga por nunca a impor restrição no acesso às suas memórias.

- Já te dei muitas sementes... Cadê as tuas, as que não têm o meu rosto tatuado ou são mera figuração do culto que mantem por mim? Sou doente, feia, frágil, traumatizada; finjo que me despeço de todo este lodo sobre a minha pele naquilo que escrevo, corrompo a verdade deprimente em mim a exorbitá-la em personagens que se tratam do meu sofrimento, dos meus anseios decepcionados, da minha fadiga quase a me permitir a desistência. Tu só vens feito vampira e sugas o meu tumor para cuspi-lo como se me ridicularizasse, a posar de narradora altiva e perspicaz dalgo que não sentes, não vives, apenas te promoves feito multiplicação de ti mesma: minha parasita.

- Calma, diz pra mim quem te machucou de verdade que a gente dá um jeito. - abraçando-a de baixo para cima e conduzindo a cabeça de Hera, um segundo antes do desabar do ódio às lágrimas, para o seu ombro.

sábado, 11 de setembro de 2010

Autora e Protagonista da Tragédia

Assim que o semblante de Natália desmoronou numa frieza indecifrável e franqueza incorrupta, interrompi o nosso jogo de aforismos sem saber ao certo o que causou aquele brusco impacto; em minha criação introspectiva para desafiá-la até a fadiga absoluta, o meu desafio migrou dela a mim mesmo e o meu fim real, o fim dos seus argumentos, escondeu-se a favor da minha masturbação prolixa. Talvez uma provocação pungente em demasia ou, quiçá, o meu isolamento despercebido e grosseiro foram os causadores, todavia a presença daquele abismo importou mais do que qualquer motivo, apaixonou-me pela autora e protagonista da tragédia.

A Catástrofe

Mesmo depois de em mim tentar reduzir a sua essência a pó,
Torná-la vulgar feito os arquétipos que a gente zumbificada do seu falso domínio degusta,
Ainda estou preso e assassinando a mim mesmo por razão do seu silêncio.

Made to don't be

O miolo do palhaço é mudo,
Um absurdo patológico
A ulular na ponta minúscula
Que desfaz a trama em sorriso alheio.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A Separação

A mulher que amo não tem face,
Mas gana fugaz que destrói,
Chama que arde fria a ludibriar,
Sonho que se acoberta por si mesma.

A mulher que amo não existe,
Criei-a a partir doutra sem querer,
Ansiei o meu desejo furioso sob aqueles traços,
Concebia-a a brincar de Deus.

Eu Só Minto

Esperam de mim o desespero,
A lágrima
E até a reação dum herói,
Contudo sou maldito
Vagabundo,
Não sei o que quero;
Desejo e só espero a resolução do sonho,
Invoco às preces a deificação do homem,
Mas feito humano apenas me cabe a fábula.

Ator do meu ego inflado,
Minto:
Está tudo bem,
Passará.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Jeg elsker deg og jeg vet ikke hva jeg skal gjøre (kanskje Kjøllefjord)

Em fedor de onça há dias faminta,
Avisando ao mundo que tome cuidado,
A minha pathos prossegue indecisa,
Louca da vida,
Simulando alegria em seu simulacro de dor.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

About Mag Mell from My Void

Brilha feito algo que não quer,
Inibe-se ao aroma de mulher
Que tem e toma esta escuridão sem fim.

Paráfrase sobre Drummond

Permanece unido o passado separado agora,
Continua vivo em afluentes e em suas decisões,
Porém sofre quem se permite,
Quem pleiteia adoecer ou transcender
Após ter curado a dor.

Re: Cabo de Dados Defeituoso?

Se até a alma dá defeito,
'Magina o cabo de dados.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

A Eremita

Convivendo com a literatura limitada a causá-la vincos,
A malária a visitá-la quinzenalmente,
Os sapos ressabiados por sua presença,
O sol escondido pelas copas das árvores
E a fome estancada com o veneno em doses apenas letárgicas,
Sentia-se mais feliz que na urbe natal,
Considerando falta só o calor e o toque doutrem.

domingo, 5 de setembro de 2010

A Convertida

Era da pior espécie de vagabunda que tenho conhecimento:
Esgueirava-se entre seus elogios bem medidos e carícias cronometradas,
Contornava o repugnante da vítima com falsos fetiches,
Perifraseava a sua exuberância túrgida na moeda afetiva
Por um novo palmo seu de pele que seria o mesmo,
Apenas mais comprimido ou frouxo,
Até que desaparecia
Com a pouca fortuna que queria nas mãos,
Com a pobre miséria que quase toda rameira pleiteia...

E eu amava aquela vira-lata,
Aliás,
Mesmo morta,
Nunca deixei de amar.

Très Petit

Embalado assim,
Quase flutuando,
Pedaço de mim
Em paz,
Em quem ousei me apaixonar.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Le Fleur pour Pâle Enfant


Não provoque uma criança
A ser o que foi feita para amar
Se não puder o infinito,
Se não quiser um impossível coerente.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Contra o Mestre

Então,
Eis-me aqui,
A meretriz,
Pronta para vender o que anseio gritar,
Carente de glória opulenta,
Violentamente receptiva por alguém que sustente o meu Dionísio.

Perfeita em Aproximadas Quatro Casas Decimais


Não sei mais o que despertar da tua mentira sincera
Para ter a tua alma esculpida sem qualquer restrição.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Porcelana

Dias depois, estava eu na localidade atingida pela bomba de flúor. Os corpos das pessoas carcomidos e fundidos aos bancos dos carros só causavam estranheza, não pareciam gente, talvez bonecos de plástico cauterizados. Enquanto verificava aquela gigantesca escultura de peça única, frágil de desidratada, desfazível, choveu; tudo virou lama esbranquiçada e eu ali no meio, furtado do motivo de analisar o passado, atônito.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Néon

Tais estas luzes que vejo em ti
Quais estes gestos a te suportar...
Importar-te-ia serena mulher?
Conformar-te-ia coa morte em paz?
Saberia em que momento parar?

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Brincando com os Pavões

Quem é essa mulher desejada por todos,
Somente conhecida por poucos clarões?
Como se comporta sem a capa de cinza
Protegendo a raridade que jamais se desfaz?
Donde vem o agudo do tom da sua vida
Aguardado em ansiedade por suas paixões?
Quem tem paciência para os seus caprichos
E coragem sincera para o fim da sua paz?

domingo, 29 de agosto de 2010

Cética por Oportunismo

Por amar-te feito todo o teu repúdio,
Desconhecidos um ao outro,
Deixo-te em fios ainda tecidos,
Quase partindo,
Parindo o nihil até que a lembrança cesse-
O que descreio.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Porcelain Shower

Quero a coragem toda
Despedaçada naquilo que só há.
Quero a verdade e a rosa
Despetalada,
Despenteada,
Crua só naquilo em si.
Quero a porta aberta,
Pois sei roubar e transformar
-Não te quero a dor-;
Sou alquimista do que crê teu.
Quero uma luz discreta
-Quase com nojo e dor-
Em vil penumbra a ir-se
Na longa sombra a esticar-se desenhando um quase fim.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Caro para Continuar

Qualquer toque sem fim,
Divino,
Decantado em trauma por redenção,
Bastaria à mentira desavergonhada,
A este sonho vulgar em olhos que exploram sem querer,
Mas é assim
Feito tudo,
A sua alma não tem gosto de sapoti
E o meu disfarce (e o meu desejo) é o mesmo de todos
A desfazer-se ao cessar do seu tempo de ter o que é.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Conselhos

- Não invente que a ama
Para não crer num sofrimento. - disse-me Rubi.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Luna Leve

Quando esperou uma deusa indecifrável,
Um achado de ninguém,
Encontrou-me com as pernas mortas a envergonhar-se de minhas escaras
E só tentou conter o nojo e a decepção.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A Arte

A arte implora o contimento,
A regra zeladora da ausência da própria arte,
A ignição;
O conceitual flatulento,
A mera diarréia prosopopéica dos achados engolidos da forma que seja,
Dizem-me isto mesmo acerca do que vieram.

Saúde

É claro que o aspecto vigoroso do autoritarismo amedronta pelas liberdades individuais amputadas, porém, haja visto que a média harmônica de interesses da democracia se trata dum interesse inexistente, um arquétipo híbrido de moral que dificilmente se traduz em qualquer uma das inúmeras partes que a compõe, o dito horror - cantado e massacrado pelas classes que se julgam humanitárias - é apenas viés de controle ineficaz. Levando em conta a população que não se destina aos fins da saúde do ambiente social, que direitos são estes reclamados só por ser humano? Afinal, qual a vantagem de ser humano a não ser mais uma carcaça de gene a competir pela própria perpetuação em detrimento do uso de recursos raros? Por fim, vendo-nos como estruturas mais complexas do que os vírus por autoduplicar-nos ao mote pseudo-compassivo de arcaicas instituições religiosas, talvez própria indução de nosso endereçamento, mas ainda assim de comportamento semelhante aos tais em relação ao ambiente (lido organismo hospedeiro), abandonar toda uma espécie pelo direito de ser duma única combinação incondizente à mesma espécie é sadio?

Ser

Invento facilmente o amor a nutri-lo sem paz até acreditá-lo.

domingo, 22 de agosto de 2010

Nunca Fui Tua

O que pensas que fazes?
Amo os homens que se apaixonam por mulheres livres.
O que pensas que queres?
Sequer te ofereci o meu corpo
Pela vergonha das minhas partes aleijadas,
Ademais,
Jamais o pediste,
Nunca o cogitaste,
Precisei alcançar a tua alma para que apenas sorrisses
E agora queres amordaçar-me,
Exigir que eu me dispa,
Amaldiçoar-me com o teu choro e os teus punhos cravados na minha honra.

Nunca fui tua
Por um dia ter te quisto.

Tratada Feito Lixo

As flores de minha cabeça perderam o perfume,
Sequer reconhecem as suas cores urgindo no ar,
Mal sabem o motivo sagrado de todo o ciúme
Que ousa, sincero, matar para me perdoar.

Má Resolução

Foda é descarná-la de mim.

Tarde demais para caminhar sobre o asfalto

Se se importasse o mínimo que seja,
Fosse sonho que minto,
Desejo que invento,
Talvez não quedasse tão pesada e fria feito lâmina de vidro estilhaçado sobre mim;
Talvez não exista-
Acho que não.

sábado, 21 de agosto de 2010

En Kvinne

Com as mãos ainda manchadas do azul de teus olhos,
Esqueci-me em teu esconderijo,
Compreendi-me em teu passaporte para a liberdade,
Tua andança aportada
(Enfim andavas).

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Commedia dell'arte

Nada me pediu,
Sequer tornou implícito o desejo
De confiar em sua escuridão,
Dedicar-me aos beijos tênues encontrados num abismo,
Confiar-me os segredos de sua dor mascarada de colombina,
Mas eu persisto.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Hidden Planet

Eu quero um colo para chorar,
O teu,
Para despejar tudo o que eu sinto ser.
Quero as tuas mortes em Cañuelas,
Fileteados às portas do mar.
Quero o terror de tua poesia
Sangrenta em vestes anacrônicas
E sujas por toda heresia
Em pleitear nossa imensidão.

Francamente

Indiferente ao teu espelho anterior,
Sinto ciúmes das brumas,
Anseio o teu pesar,
O teu desejo.

Aprisionado ao teu espelho anterior,
Persisto em tua fúria e afoitamento
De patentes inglórias em matrizes decaídas,
De fortunas volúveis em sonhos estáveis.

Por que amar-te sem brilho em moção neste azul continental?

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Temporais

Eu,
Quem ousou duvidar das genialidades das coisas,
Morri-me em gruta abissal borbulhante d'ideias,
Vi-me estranho em meu discurso eternizado
A lapidar em ciclos os vagabundos e a si próprio.

domingo, 15 de agosto de 2010

A Priori

A personagem que enceno é tão medíocre quanto o que combato;
Pragmatismo maquiado de abstração,
Viés cru em simplicidade.

A personagem que enceno não é o meu endereço,
Mas o caminho do mesmo derrotado,
Seu último suspiro por sobrevivência.

sábado, 14 de agosto de 2010

Nihil Obstat Quominus Imprimatur

Feito um subproduto,
Um resíduo enriquecido,
Cumpria-se aquela alma de retalhos mal costurados
E colhidos sem querer através da paixão em tormenta.

Repetia dúvidas alheias feito sido suas,
A pobrezinha,
Repetia-as a pensar que pensara,
Feito ladainha,
Prece inútil,
Placebo de torrões de açúcar para o próprio suicídio.

Cria-se nada por tudo
E tudo lá fora correndo feliz
À medida do possível,
Ao prazer do improvável,
Enquanto o seu desejo em letargia,
Dopado de solidão,
Sera domado por um vinco seco e inexistente de fato.

Eco

Ela é tão exigente com o mundo
Que transporta a exigência pra si mesma,
Encarcera-se na linha fatigada do tempo.

Moça linda feito nova descoberta,
Arriscada para os brios imbecis;
Névoa rasa disparando-se em suspense ao vento.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Re: Hora do Pesadelo


À procura de novos desafios na árida e perigosa Lanhaar, conheci um nobre guerreiro chamado Xandor, homem estimado por todos aqueles que me uni para dizimar as perigosas víboras mágicas que assolavam a localidade. Enquanto nos preparávamos para a batalha, Xandor olhou para mim, ressabiado, e perguntou:

- Quem forjou este escudo lendário que usas, guardiã? – surpreendentemente modesto.

- Consegui-o nos domínios de Aidion Neckria, meu Senhor, assim que separei a cabeça de Astaroth, o grão duque do Inferno, de seu corpo. – tentando impressionar o valoroso guerreiro.

- Pela glória de Etain, que ato bravo! Como te chamas, guardiã? – questionou-me.

- Chamo-me Ewa, nobre guerreiro, humilde nordein ao teu dispor.

- Pois bem, Ewa, acreditas que faremos algo bravo agora? – sorrindo ligeiramente.

- Sim, tudo o que procuro é em nome do bom espírito de bravura da União da Fúria, desde que alcei vôo de meu vilarejo natal, Suteron.

- Se é um grande desafio que procuras, Ewa, tenho algo melhor para oferecer.

- Deixaste-me curiosa, do que se trata?

- Já que foste a Aidion Neckria, acredito que viajaste bastante por Keuraijen.

- Sim, conheço bem aqueles domínios.

- Conheces Chaos Ruber, à sudeste daquelas redondezas, próximo ao Covil do Dragão? – assim que a alcunha do lugar foi dita, senti gelidez pelas histórias contadas de geração em geração acerca dos grandes guerreiros mortos naquele calabouço, nordeins míticos que lá encontraram o seu fim.

- Sim, estive bem perto da entrada para o lugar enquanto cumpria uma missão de caça. – encurtando-me nas respostas, pois a honra de uma grande jornada se confundia com o pavor do que Xandor estava prestes a me propor.

- Recebi uma carta de um valoroso oráculo, Aneelim, que repousa no Porto do Exército de Aumeros, e o mesmo me aguarda num prazo de cinco dias para que desvendemos os mistérios daquele calabouço. Se desejas algo magnífico para o teu nome junto à União da Fúria, chamo-te humildemente para que nos acompanhe nesta jornada.

- Senhor, saiba que será um honra!

Logo que aceitei o convite, Xandor convocou os guerreiros presentes e os ordenou que continuassem a batalha contra as víboras sem ele, pois seguiria em missão épica comigo e Aneelim; partimos em seguida enquanto o meu coração palpitava amedrontado com toda a penúria que encontraríamos.

Em Aumeros, conheci o elegante vail Aneelim, oráculo de poucas palavras, mas contundente, rigoroso pela nossa atenção no plano para investigar os tesouros de Chaos Ruber. Em pouco tempo partimos pela rota sul do vilarejo calados, tentando não transparecer o receio e a ansiedade daquilo que poderia ser o caminho para a nossa morte. Assim que chegamos ao portal do temido calabouço, protegido por zumbis, mutantes e espíritos malignos, precisamos deixar o medo para trás a fim de cumprir a saga.

- Entremos. – pediu Aneelim.

Atravessado o portal, dentro do domínio fétido e repugnante, crânios esmagados de vails e nordeins, aparentemente de todas as épocas que eu poderia supor, foi-nos o convite de entrada para o calabouço. Percorremos aquilo que parecia um mundo paralelo, infestado de guerreiros e magos esqueletos, por portais que nos levavam de volta à entrada e nos confundia constantemente, até que atravessamos para uma dimensão que não era a nossa e nos deparamos com uma criatura gigantesca a nos questionar:

- O que fazem aqui, impuros? Este é o domínio da grande mãe, a Rainha Vampira Mago, não é lugar para vocês!

Mal terminou a frase e nos atacou; travamos longa batalha até que o derrotamos e atravessamos mais um portal onde outra criatura exclamou:

- Mataram meu irmão, impuros, não creiam que sairão daqui vivos!

Muito cansados, após percorrer todo aquele submundo, combatemos o ser monstruoso quase sem forças e sem saída para a desistência, quando Aneelim, já cambaleante, foi atingido mortalmente. Amigo de Xandor a décadas, percebi o guerreiro migrar dum pesar profundo para um ódio brutal em instantes, atacando a criatura até que a mesma sucumbiu aos nossos golpes.

- Não podemos continuar. – disse a Xandor.

- Por que não? – perguntou-me, olhando-me num misto de amargor e raiva.

- Quem irá curar nossas sinas?

- O que cura as nossas sinas é a vontade de lutar, guardiã. Um amigo de longa data acabou de morrer, mas não é por isso que deixarei de ser um nordein, não é por isso que abandonarei a União da Fúria.

Envergonhada, estirei meu braço para que ele se levantasse do zelo ao cadáver do amigo e disse:

- Vamos continuar.

Não sabíamos que se tratava do último portal a atravessar e, ultrapassado, deparamo-nos com uma monstruosa vampira, que sorriu e brincou:

- Muito bem, impuros, mateis os meus filhos, mas como ousais enfrentar Mago, a Rainha Vampira, sem um oráculo? Vós sois apenas dois frágeis nordeins.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Tristeza

Na arena voltam as mortes por dribles,
A criança quer virar tentação,
O palhaço posará de acadêmico,
A gigante só dá tiro no pé,
Esse Deus não liga mesmo pra nós,
O Demônio é baladeiro feliz,
A vidraça não existe de fato
E o respeito concretiza a alma,
Mas eu não deixarei você entristecer-se em mim.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Débeis Agregamentos para a Coesão do Todo Implodido

A mulher precisa de um idiota submisso,
Um ser asqueroso e espezinhável
Que alie a beleza máscula à devoção aos atos femininos,
Ao ser mulher.

A mulher deve ser livre.

Zumbido

A gente chega pro almoço
Meio-dia,
Tudo em cima,
Comemos,
Não descansamos,
Vamos numa rapidinha
No banho mesmo por não dar tempo
E dizemos um ao outro com um sorriso forçado,
Pesando quase a Estaiada:
- Até a noite!

Bela

Silenciosamente linda,
A minha mestra entorpece
Em seu arquétipo de Bettie Page
Num desviar-se dominador.

Tendenciosamente nua,
A minha deusa ilude
Às preces desesperadas,
Aos sonhos catequizados.

¿Porventura quem a tocaria
Irônica e anacrônica
Ao sabor de seu alto contraste?

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Parasitas do Medo

Que não abandonemos a nossa viés primitiva
Mergulhada em bucetas, picas, tragédias.
Que nos surremos presos ao corpo intacto
Do vício esculpido por nossas matrizes de coesão.
Que sejamos parasitas do medo,
Lixo emborcado em projeto de jardim.

domingo, 8 de agosto de 2010

Lusa

Eu queria falar da portuguesa
Que surge em fato vil
Suja e linda,
Magnífica,
Hábil feiticeira,
Mas sequer se descontrola,
Move-se da sua mentira,
Permite-se.

Eu queria falar da portuguesa,
Contudo,
A alma rochosa em detrimento do espírito pirracento
Mantem-me cego;
Fazer o que?

sábado, 7 de agosto de 2010

Hierarquia de Necessidades: Segurança

A automática apontada para a cara do infeliz enegreceu a sala,
Deliu a empáfia de ser humano,
Apodreceu as almas até apenas cordeirinhos
Arremessando-se debaixo de mesas,
Detrás de prateleiras
E enfiando-se em buracos perto de portas ou qualquer biombo que lhes salvasse a vida.

Aquela senhora de meia idade e cheia de fúria ao instante anterior,
A que exigia direitos de camadas invisíveis à gente mas de gente,
Era só mais uma presa,
Porém presa gorda e atabalhoada,
Uma coisa esdrúxula que de coisa dantes nada lembrava.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A Saga do Homem Invisível contra a Débil Humanidade

A penitência do idiota era ficar calado,
Iluminar-se de sorriso pela escuridão
Ornamentada por si mesmo de jeito impossível,
Paramentada da astúcia que jamais terá.

Desprezíveis Desalumiações Internas

Para o fim dum movimento literário de fundo de quintal,
Apagaram-se as fronteiras,
Pois fronteiras tornam mortes mais singelas
Ou repugnantes.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A Transição Virtual

Quando percebemos o abrandar-se duma violenta repressão física para que coexistisse com uma brutal e nutrida opressão midiática em prol do mesmo existir medíocre de um virtual e compassivo bem comum, também notamos que a transição para a tal hipotética democracia apenas se tratava de um acordo entre compadres pelo novo desenho de testas de ferro e possibilidades, pois o verdadeiro poder se manteve intacto sob as tampas das mesmas caixas de charuto. Aos antigos inimigos massacrados, aqueles que não morreram embriagados pelas correntes alternadas a fim de poucas palavras que tornar-se-iam um prejuízo futuro, a glória no achismo da divindade foi o bastante; seus egos inchados não resistiram.

Solavancos de Ser em Si

Ela desconfia dos astros como não podem ser,
Desafia-os cantando mentiras sobre si e a paixão,
Diz-se toda na parte que a cabe em sua escala de cinzas,
Cala-os a espernear na sua birra senil,
Faz-se voz santificada em açoites do carrasco em si,
Tenta-os perdida em arquétipos para colorir,
Cai-se pluma neste vácuo medroso habitado por nós,
Vai-se nada no tudo que importa pra vivermos em paz,
Mas é só falsa guerra na paz que não podemos acreditar,
É só pulso manco nos solavancos de ser em si.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Engenharia Reversa de Mim

Por multiplicar-me indefinidamente,
Dar-me os sabores que nunca assumi,
Estou-me ódio e veneno nas páginas de mim.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Rise and Fall

Aquela repórter que
Com 25 era um anjo delicioso,
30 uma harpia audaciosa,
35 uma loba arisca
E 40 uma deusa mestiça,
Dá-me sono das porcarias que acompanha
A acreditar em si passada agora.

O Colapso

Após a glória,
O colapso...

Dito em regra seria a voracidade dos atos que se tangiam voluptuosos diante da ideia paranoica de tempo corrente em absurdo - triplo, quíntuplo, décuplo (a depender da falta que sentia) -, mas as bonecas de cabelo desgrenhado, as roupas sujas pelo chão, os rabiscos pelas paredes, as janelas fechadas, a porta trancada e a nudez coberta de cascões de feridas do autoflagelo sobre o colhão e os lençóis fétidos de sangue e suor, mesmo a conduzir-me algemada para um diagnóstico factual da coisa, cumpriam a coisa em si com espiritualidade, algo que denegria a podridão e miasma do ambiente em valor abrasivo, repleto de luz.

domingo, 1 de agosto de 2010

Perfil Falso

Para que acreditassem no homúnculo,
Furtei fotografias daquele que coubesse no que cri ser masculino,
Dei a voz de próximos sem poder usá-la,
Instiguei o veneno da livre transição entre valores,
Concedi a forma frágil mas ainda de homem
Para mascarar meus próprios espasmos
E brinquei de Deus por entre esta arquitetura erguida para a minha escravidão.

Dubito

Escrava
Serviçal de cama e mesa
Sou
E desenhando-me em águas vou
Descobrindo a falácia em mim.

Rendida
Ao bom e belo que não escolhi,
À progressão a fim de seduzir,
Repito-me antes de mim
A crer que um dia satisfiz.

sábado, 31 de julho de 2010

Manifesta


Não há mares nem embarcações,
Mas dragões nesta urbe em si.

A Campanha Altruísta

Todos contraídos ao clamor averídico
Na pujança quase de pressão de quadril de jovem a espreitar fim de sequidão
Aglomeravam-se parque adentro pela própria imagem universalizada,
Vinculada à suposta nobreza de quem carregava a também suposta gloriosa ideia
Contra enguiços e feitiços,
Pestes e males fundamentais,
Mas só se compunham feito bucetas no cio
Enfileiradas para inseminação.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Mal pela Raiz

Um destemido irrevelado,
Para o cosmo um estrupício com expectativa de vida menor do que a média masculina,
Maior do que a média do sítio;
Um lugar comum alvejado à abreviação.

Um ponto de encurvamento
Venenoso ou nutritivo,
Saboroso ou lancinante;
Proporcionais entre si.

Um leito marginal,
¿Anarquia lúbrica ou ludibriante?,
Um instante de proposta mutação.

Memismo

Quero o teu meme agora,
Brotado de toda esta prosa envernizada e regular que vomita,
Fundido a partir dos fragmentos de colisões entre estas estafermas pseudo-intelectualóides.

Quero o teu meme nu,
Virgem e louco para trepar com tudo que aí está,
Ligar-se ao mundo para persistir-se,
Compor-se aos demais a fim de dominância.

Quero o teu meme no tom que venha,
A tua existência ratificada,
O teu motivo pra tanto lixo,
A tua verdade desconstruída.

Precisa-se de Nodos

Precisa-se de nodos bipolares ou esquizofrênicos para a rede neural;
Nodos com múltipla personalidade ou emulação de rede neural própria também são apreciados.

Nodos
Puramente nodos
Já abastecem todas as funções regulares e não são requeridos.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Archaeopteryx

Posso ser seu risco e fracasso,
Futuro em descaso,
Paixão esfriada,
Lugar infeliz.

Posso ver tod'os seus defeitos,
Vergonhas e medos
Tombarem de fome
Assim que a porta se abrir.

Posso ter a sua desgraça
Numa média pela manhã
Enganando o sono por uma hora
E a fome por um minuto,
Mas só posso.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Deus Falido

O carteado egoísta com o divino ao fundo,
Calcificado na água turva,
Irreparável sequer à chuva,
Boia inocente e laxo de densidade da margem ao leito
E do leito à margem
Pronto para ser rio todo duro,
Seco,
Mas de divino só o mote,
Nem a crença.

Por dentro de seu corpo fibroso,
Ululantes no espaço entre tais fibras,
A revolução ou reforma,
A ordem mutável só em cerne das distribuições
Do novo crupiê pela morte do antigo,
Não da morte dum Deus falido.

Dever

Acho q se assustou com o dragaum,
Fez q foi e voltou;
Naum fez naum.
Acho que se vingou da coragem
De ter plenitude asquerosa de livre
E assumiu a riqueza da jaula,
A beleza do rito,
O princípio.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Des Fleurs Dans Mes Cheveux

Quiçá abraçaremos um ao outro,
Divinos ou flagelados.
Loucos ou ratificados,
Antes que a peste me leve
Ou te cure.

domingo, 25 de julho de 2010

Pulsar

Tropecei numa estrela,
Uma anã branca ressentida que,
Desgostosa do próprio caminho,
Fugiu de si em paralelo,
Simplesmente a abandonar-se,
A ser-se outra que não estrela-
Fora de todo este lugar...

Tropecei num resto de caminho abandonado,
Numa origem de aporte
Ou no fim do que eu cria.

sábado, 24 de julho de 2010

Estória d'Amour

Eventos trágicos que terminam bem são muito chatos,
Desejo os sonhos do microcosmo falidos
E as tripas da mocinha esparramadas no asfalto.

From this moment

De tão velho
Mal se cabia no mundo,
Mal se cabia,
Mas ia conformado com as ferrugens
E avoado em panaceias de colorir.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Technical Issues

É de piche e pedra,
Apoiado em vergalhões,
Que ergo a Ode aos Trouxas,
Pois me divirto com os provérbios dos homens-engrenagem.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Não Tenho Metrônomo

Não tenho metrônomo,
Ademais,
Não adiantaria neste clima bruto e doido de variante,
Nesta memória a mergulhar na percepção por escorregar-se
(E uma na outra, e outra na uma),
Nesta urbe debaixo de fluidos viscosos.

Não tenho metrônomo,
Que meça algum desocupado depois feito-
Se feito,
Metrado em corpo de aparar,
E disposto a quem dê sentido.

Não tenho metrônomo,
Não,
E nem sei pra que quero isso:
Não!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Berros, Clamores e Covardias

Um momento de mãos dadas no finito
Para acalmar o ego feito a solidão do artista
Por imposição só,
Sonhando uma previsão de glória
Mesmo morto e ainda destacado dos bailes de carnaval.

terça-feira, 20 de julho de 2010

O Som do Sono

Límpida e sincera
Vai
Balbuciando gentilmente as quimeras
E os desejos enrustidos
Até o arranhar da confusão.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Ma Majorité Sexuelle

Minhas descrições recém-púberes,
Convencendo-me e tornando-o letárgico pelas turgidezes aparentes,
Imploravam a hora,
Ardiam
Tentadas,
Enquanto eu,
Medrosa,
Aguardava o impulso de bicho daquele homem
Que,
Tentando ser gentil,
Chamou-me de menina a pedir-me alguns anos mais de maturidade...

Sem ele pensei que me tornara mulher com outro,
Menos arisco de fato
Pelo afoitamento egoísta;
Púbere feito eu.

domingo, 18 de julho de 2010

Dos Desejos da Sombra

Apesar de rumos nada compassivos,
O que me separa de uma assassina é discernimento e medo de causa e efeito,
São as demasiadas possibilidades para suportar a atitude gélida,
O receio egocêntrico de uma possível auto-denúncia
Voluntária ou não,
Inglória ou estrelada.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Pink Dahlia

Por estar morta num depósito de flores sem valor comercial,
Fincou-se poesia ao furdunço esquecível a contento,
Extinguível às novas pela briga de foices.

Pelo paradeiro nascituro,
Entre andaimes e poeira,
Aço gritando a cuspir faíscas
E gente a abrigar-se feito o próprio concreto,
Livrou-se da heresia que a tornava bela até as treze punhaladas.

ps: o lugar comum é a chave de abertura.

Urna de Sonhos Patéticos

Apesar do transporte ou aporte de vida,
Recalhados e recatados a renegar o simulacro,
Em nada cri,
Pois compressões e alívios opiáceos nunca me trataram bem,
Quem diria emulativos.

Les Circles, le Cirque et le Pauvre Amour

Je m'appelle illusion,
Tu m'appelles païen
Et c'est tout aveugle pour notre confort.

Acidez de Momento Eterno

Para a dependência de emoções pragmáticas,
Usei a substituição;
Engano,
Engodo,
Solidão.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Conveniências, Consentimentos e Convencimentos

Para dispor-se em ponto não amigável
E indispor-se à espiral logarítmica da trança da seda,
Só quase sendo-se
Ou aceitá-la para ser-se em curto percentual.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Melhor Que Nada ou Pior Que Tudo?

Depois dos
Neandertais extintos,
Hebreus perseguidos,
Cristãos engolidos,
Pagãos incinerados,
Ameríndios decapitados,
Africanos chicoteados,
Judeus massacrados,
Comunistas desaparecidos,
Vietnamitas bombardeados,
Iraquianos esfomeados
E americanos humilhados
Não me pergunte onde vamos parar.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Desmembramento de Padrão Pseudoaleatório

Dos feitios efêmeros nos pigmentos ungueais,
Da transcriptase voraz nos nodos de vida que a abstração da vida raiz não considera,
Às vezes permito que se esvaiam de uma concentração para o desconhecido fim,
Mas inda me habitam tortuosos e incômodos,
Dizendo-se e sendo desditos.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Michê

Eu vou me perder,
Eu vou
Nos braços de meus ídolos amaldiçoados,
Carente de fato pelo estigma de ostra,
Contente com a via de obscuração.

Eu vou invadir,
Eu vou
Na ladainha prosaica de uma mulher iludida por si,
As decadentes cidades eternas
Para responder-me e ao mundo que nasci.

Eu vou explodir de raiva
Gotejando felicidade em testas de gente amordaçada feito eu.

domingo, 11 de julho de 2010

Ecoreprodução

Quietava o meu rito obumbrado de desinteressante,
Afinado ao som entorpecente
Das gotas d'água quedadas do teu chuveiro no outro extremo da casa.

Calava-me também
Para ouvir-te dançar às águas:
Sequer respirava,
Palpitação atrapalhava;
Cada gesto reagido era o Deus em mim faminto
Recriando-te sedenta
E completando os teus pedaços trevosos com o que me parecia tua gana...

E estavas lá
Antes de estar,
Um minuto antes da surpresa.

sábado, 10 de julho de 2010

Demérito

Engole a porra amarga
Pois o mundo lá fora nos rege;
Não deixe vestígios,
Seja quem se preze.

Oculta este cheiro
De quem se despedaçou
E cobre a sua cara,
A cara de amor.

Suporta a suspeita
Dos sabores seus no lixo
E segue a sua vida,
Não ligue pra isso!

Ponto de Difusão

Tudo é treva ao seu redor,
Até onde posso ver
É treva,
Mas dela em si
É pura nudez;
Sombrio desmascarado,
Brilhante ou incinerado.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Brincando de Bandido

Para antes
Pois não possuo caráter,
Traio o eu que considero o mundo.

Cérbero

Quebradas as arrebentações,
Urgia a placidez com o seu som de amparo,
Condição a astrolábios
Dormidos no ventre de tudo.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Cessado por Fustigação

Parti sem paz,
Feridas abertas,
Tormentas expostas
A ninguém que quis ouvir.
Fora medo de livre
Ou d'algemado à vida
Amada louca para se pronunciar.
Fora de natalidade,
Donde inda há saudade
Da repulsa que na fuga obstruí
Calejando horrores
Pelas próprias virtudes,
Pelo belo insolúvel do meu seio.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Peça de Popularização Alheia

Estou morto,
Tudo é fim ou começo
Estatelado no fim ou começo,
Impossível de corrompimento,
Inviável ao procedimento de cura d'alma
Exposta rica em exemplares de mim no que quis.

Estou fácil,
Não sou colheita,
Mas grão armazenado às provas ou fungos,
Adão calcificado em pedra neogênica
E colado aos quartos esmagados de Eva;
Esmagados por suposto soterramento
(Não vimos
Nem sentimos).

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Ciúmes do Significante Traduzido

Desejo-te assim
Para que saibas além de quão oneroso é pensar e escrever fora de minha natividade,
Pois teu brio por prazeres,
Estampado no baile de tuas formas abstratas,
Merecem tradução,
Sei,
Mas o que sinto
Merece mais.

domingo, 4 de julho de 2010

Tableless

A sua página tá quebrada de tanta labuta
Das coisas que se combinam sem combinar,
Tá troncha do lado que caiu aos pés,
Mas ainda é sua
E é isso que importa.

Gentil Fusão


Gentil fusão de coisa em gente,
Suprassumo do abuso recheado em fato,
Ato divino de ninguém,
Mulher.

Corrimentos da Urbe

Não tô com saco pra te ver,
Pra te pescar na literatura,
Combinar com o teu prazer
Um momento pra tua cura.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Vê se aprende

Vê se me acontece assim
De repente a me apetecer
Vê se se confronta em mim
A tentar se libertar de vez
Vê se aprende
Vê se aprende
Vê se aprende a amar.

Les Sincéres Mensonges d'un Observateur

Não te pedirei pra que nasças em paz,
Não te corromperei jamais.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Teias Integradas

Ela me disse que quer ficar
Por um favor a todas ela
Que não suporta transcender
Para além dos livros de cabeceira.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Le Même

Enquanto isso,
Na masmorra,
A donzelinha continua a devanear em abstrações profundas sobre a urticária hipertérmica em seus erótopos.

Uma Trepada por Duas Quimbas

Nós somos Sílvia calhada de cinza:
Caras de pau,
Sujeita medíocre.
Botamos fé em minha forma agressiva;
Somos mulher,
Sou a luz dos sentidos.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Eu, o Espantalho

O sorriso na ponta dos dedos
Ligados à vida desligada da face
Desvenda a repugnância imediata dos camelos que se creem leões
Acorrentados ao lodo da máquina como se fosse a flor,
Rastejando indignos de si através dos biombos de suas próprias edificações.

Se me cedo feito meretriz às personalidades,
Visto-as às limitações das armaduras medievais até que se tornem colãs para o balé das vivências,
Sofreria eu dalgum mal incurável n'alma feito as desprezíveis sinais mortais que possuo;
Meus filtros cegos e periferias putrescentes?

Não,
Creio eu,
Porque não escrevo um diário do definhar,
Mas sim de qualquer luz,
Mesmo que pareça breu.

Print Screen

- Não faça isso contigo! - avisava a consciência estuprada pela sombra do rapaz sobre a moça que, amaldiçoada pelo íncubo em si, contia sem querer a fresta alumiada no mesmo.

- Não fa...! - interrompida bruscamente a consciência pela sombra que gritava sobre a estupidez da moça, sobre quão magnífico aparentava o plano ardiloso, o rapaz, então íncubo, prosseguia sorrindo em sua solidão, instigando a liberdade da pobre infeliz para aprisioná-la em sua diversão egoísta.

domingo, 27 de junho de 2010

Espelho de Vida Real

*beija a minha boca enquanto rebola para teus sentidos
*arqueia a corpo pra trás pra q eu te beije os seios
*o colo
*pescoço
*orelha
*isso, garota, deixa seu ser aflorar
*deixa teu corpo falar

sábado, 26 de junho de 2010

Complexe de Martyr

Elle espère trop longtemps,
Mais je suis le point de déformation,
Le parfait idiot.

Tortura

Penso em teu cheiro, nas texturas tenras de teu corpo enquanto o beijo e deslizo trêmula língua por ouvir-te os pulsos e suspiros.

Esquece

Esquece a boçalidade duma narrativa épica,
Sê desmontada,
Invaria-se solta,
Dize por sentido da sua coisa ardente
Erodindo a paciência.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Le Sage, le Prophète et l'Idiot

Feeling so mellow as after joint,
Ia cantarolando tal cantiga vil
Sem algum sentido aparente,
Versada da prosa pura,
Da gíria de impacto fonético,
Do traquejo entre vagabundos...
Ia,
Destinando duas ou três voltas pelo quarteirão de brincadeiras doutrora,
Cantarolando a própria história.

Luz

Se queres meu desejo, saibas, ardes puramente diluída em minha pele, derramada em mim.

Não Acredite

Não acredite,
Pois todo cafajeste é um hipócrita abençoado,
Nasceu para ser um sincero pseudo-dionisíaco,
Combate a própria casca de abstrações pela carência,
Teme-se pela falta de si no que se toca,
Cumpre-se sem fim na mansidão do próprio desespero.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Meio Ano

Pedirei pra que me roubes o furor que não te pertence,
Mas se faz quase obumbrado em teu nome
Por teu jeito e forma,
Sonhos e desejo.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Iyamaé

Assim, derretido, teu corpo derramado em mim, esculpido d'aromas, destemido em murmúrios, meu. Assim, até quando, quando será ou bastará, não sabemos; temo-nos abrasados, suados, nus d'alma, deselegantes ao cosmos de tudo que não importa.

Os Olhos da Casa

Você,
Que é um feitiço sem querer,
Relutância que clama,
Distante.

Se eu...,
Se tu...,
Quiçá.

terça-feira, 22 de junho de 2010

A Falta do Novo

Levar-me-á às últimas aspirações,
Aos males que me cativam,
Às dores que me confortam.

Conter-me-á quieta,
Absoluta
À pureza da distorção
Que se desprende do grito que me desencorajei.

Respirar-me-á com nojo,
Quase pela obrigação
De ter definido a própria piada,
(...)
Mas a piada é a falta do novo.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Comportar-se

Ela toda comportadinha,
Comportando-se à risca dos malcomportados,
Não me dizia nada de novo,
Mas tinha uma bundinha genial.

Linguagem Orientada a Objetos ou Papo Egoísta

O endereço sobrevivente,
Crido vencedor pela urbe,
Suspirava sobre a decadência da própria urbe
Que construíra a urbe de si pela própria glória e independência,
Mas era casca do endereço.

domingo, 20 de junho de 2010

Canção de Ninar

Tentei ter meu peito nu
Diante da confusão
De todos estes destinos feitos de ilusão,
Mas só por te conhecer
Tudo se tornou igual
Às vidas que se escondem do bem e do mal.

Quiçá te veja crescer,
Amar muito mais que eu,
Sofrer quando o teu peito revolucionar,
Tentar conduzir o céu
Nas mãos de tua opção,
Viver qualquer devaneio como o teu lugar.

sábado, 19 de junho de 2010

Raíces

Às vestes deste olhar sereno
Reconheci-me em tua gana
A ramificar-se céu acima,
A mistificar-se aos pedintes,
A putrificar-se ao teu próprio monstro,
Contudo,
Encadeada à liberdade dos ares,
Desfeita do humo a esnobá-lo,
Não havia mais prole;
Fugiras descrente da mesma,
Furtaras o meu passo em falso.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Quase um Tom Zé

O ruído
Onipresente,
Um chiado entre borbulhante e crepitante,
Não incomodava àquelas alturas,
Integrava-se ao zumbido do tímpano danificado
Em sinfonia de vanguarda,
Quase um Tom Zé.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Falácia dos Tempos

Pois teu fim é ser mulher,
Desfeita da semidivindade,
Esclarecida ao mundo,
Corrompível a tudo.

Falácia dos Tempos

És esculpida por orvalho, falácia dos tempos,
Portanto permito que me rejas,
Ansioso pelo teu fim.

terça-feira, 15 de junho de 2010

A Desgraça

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Paixão

domingo, 13 de junho de 2010

Dudas

- ¿Cuando tendrás la duda? - persistia
Comprimindo os seios contra a minhas coxas.

Ansiava por um problema semidivino
De drástica resolução ainda não conspirada
Para que assumíssemos a condição de talvez suicidas,
Talvez amorais,
Talvez mexilhões desincrustados e encaixotados.

- ¡Dime cuando! - como se eu soubesse,
Como se eu pudesse escolher dentre inúmeras,
Como se eu quisesse abandonar o momento.

sábado, 12 de junho de 2010

Daqui a Três Anos

Por aquele corpo delicado e miúdo
Criou-se o cosmo das coisas contidas,
Do desejo dilacerante pelo toque naquela estrutura delgada,
Melenas caídas sobre a doçura pernicruzada,
Sorriso encontrado de tanto ensaio,
Semblante a nove graus,
Olhar oblíquo,
Viés de casta perversa.

Por aquele timbre doce de quase rouco
Disparo,
Cegueira,
Morte por renascimento,
Beleza por tendenciosismo à eternidade
Até um fim
Que há por quem o estabeleça.

Água de Esculpir

Um dia desejei migrar de corpos,
Evitar o fim da minha aspereza aos solavancos desta margem menos bonita,
Impedir o meu próprio fim,
Pois quando pela tormenta fui brutalmente extirpada da minha mãe solidificada fazia milênio,
Vi-me uma e só,
Porção corrompível de coisa em vida útil para algo ou alguém desconhecido,
Rodando aos ventos e tempestades até esta fonte
Que me consumiu menos do que moveu,
Dedicou o seu século recente a todas estas feito eu.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Vila Dúbia

As pessoas,
Nascidas dos Tupinambás ou filhos das misturas com culturas imigrantes,
Viviam do prover opulento da verdura do lugarejo
A trepar em duplas até quartetos e fazendo mais gente que quase toda ia embora antes de adulta.
Os líderes,
Velhos exilados por disfunção social,
Organizavam as festanças de quitutes para a coesão em nome de alguém amedrontador,
Mas que juravam todos amar apesar de nunca o terem visto.
O Administrador,
Um glutão pançudo primo do Coronel que o indicou para que o Prefeito o indicasse,
Deixava as coisas acontecerem feito o urbanismo da cidade,
Na formalização das vias que as mulas traçavam sonolentas e dos espaços que a miséria reclamava.
Eu,
Lá de visita,
Tentava fingir ter clara a verdade deles para evitar a estranheza,
Mas combater a estranheza com afagos é tão estranho que me tornava um cafajeste para qualquer que fosse o lado,
Até o meu.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Pausa

Goze para que não morramos de tédio,
Canse antes que a diversão acabe,
Durma repleta de desejos sinceros
E esteja pronta para surgir furiosa.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Arrisca

Não leve ao pé da risca,
Não marque riscas,
Corra o risco!

Sem Vida

Não te esperarei, amor,
Pois nada está pronto;
Perdemos nossa vida
Encantando o futuro.

Adormecida em Papiro

Por consultar os deuses,
Tornei-me pedaços distintos de que sou
Espalhada por cada sonho que me carregara:
Beijei derrotados em guerras tribais,
Dor de casa saqueada,
Afago em misticismo envergado,
Fugitivos famintos,
Mercadores sedentos,
Ladrões astutos.

Por consultar os deuses,
Converti-me noutra sob a mesma alcunha.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A Peste

A marca profunda,
Ainda a cuspir fragmentos ígneos,
Corava o transe coletivo em destemor ao calor insuportável...
O ermitão doutrora,
Então popstar dos miseráveis vagabundos,
Regia a ignorância na mansidão vigorosa de seus sussurros
Claros e bem postados até a fresta mais longínqua de sua gruta.

Prosseguiram,
Assim,
Acovardados perante os gafanhotos.

domingo, 6 de junho de 2010

Questão de direito
A tudo
Ser tudo
Tudo amar
Tudo amor
Qualquer lar
Tudo sofre.

sábado, 5 de junho de 2010

Dos Fragmentos Acumulados à Vida

Eu te declaro viva,
Ou melhor,
Reconheço-te parte de minha existência,
Desejo-me porção da tua.

Eu me declaro espantado,
Pois como pude exacerbar minha falta em sonhos
Cegando-me diante dos teus?

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Inocência de Assassino

Meus olhos me sustentam pobre,
Miserável para quem padece de opulência:
Provam mundos desprezando seus venenos.

Abandonos

Pois é na esperança ao esforço iludido
Que a gente se enforca,
A gente se estranha,
Desperta gemidos de outras jornadas,
Assume os bandidos há muito esquecidos
E finge viver.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Fragmento do Diário de Suzanne Marie

Não imaginas como me senti, Senhora, quando previ o carinho alcançar-me através dos ares ondulados: a adaga gélida que o declarava sedento em libido deformava a postura, desintegrava a sensatez, enrijecia os mamilos. As saltitâncias todas a cocegar as estranhas só me remetem à explosão ao fim de todas elas; tudo ardido, e relaxado, e remexido, e espectante ao toque, enfim, entre o ombro e a nuca como se minh'alma gritasse:

- É agora!... E agora?

Para Jamais Esquecer

Rasgado o tecido vagabundo,
Posta à mostra a puta casta,
Os zeros não valeram a pena
Para nenhuma das ganas,
Nenhum dos sonhos.

O Monsenhor,
Mesmo assim,
Chafurdou-se na merda de vida daquela guria
Desejando não perder os cruzados
Ou apenas a noite sem Cruzeiro
E Lua.

domingo, 30 de maio de 2010

Crueldade Tardia

Constrangida,
Cobria os sentimentos com a ignição da vez
Entupindo de doçura os beiços ressecados,
Calejando de torpor a sua pele de feridas frescas.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Canto contra o Espelho

Sem certeza
Seguia-o
Mesmo creditando-o a maldição,
Seguia-o pelo fim inalcançável - a sirene -,
Pela paixão das formas atribuídas por mim mesmo.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

A Cápsula e o Tumor

Ah, memória descompassada de tempo
Solta a brincar antes do pensamento
Como se fosse o amanhã nos sentidos!

Ah, ideia persistente de glória
Protagonizando-me à história
De próprio punho atado a mim!

(...)

- Dize-me,
Plateia de personagens,
Qual dentre vós está lúcido para desencarnar?

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Empurrando com a Barriga

A gente vai caindo em si,
Caindo na desgraça de ter existido,
Caindo na vontade de ser menos bicho
Cumprindo todos estes endereçamentos.

Agente vai surgindo, enfim:
A luz mais puntiforme da malha celeste,
O branco da pereba pronta a explodir,
O único grito insano desta multidão.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Passos

Vou te usar
Doidinho pra que me chupe inteiro,
Pois coletivo d'arte anda démodé
E assim que é bom.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Sem Forças

Desperto entregue ao teu corpo e tento dizer,
Apenas tento dizer
Sem forças.

domingo, 23 de maio de 2010

Lepus

Se resolvessem te ensinar as miudezas
Das brumas que encontras latentes eu teu peito,
Perderias o teu aroma sagrado
A me inibir e aos demais covardes.

sábado, 22 de maio de 2010

Membrana

Sempre que eu errava
Ela ia
Gastando as palavras
Buscadas por acaso
Nos livros que escrevi
Também por acaso
Nas linhas da terra
Arada sem o zelo da infertilidade
Da falta da chuva
Que era feito o relógio
Da casa do meu avô
Que buscava o cacau quase maduro e ainda verde
No quintal apertado entre os apartamentos
De um centro modificado
Pela morte de tudo aquilo.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Ilegal, Mas a Quero

Quem deseja estas ilusões cicatrizadas,
Vividas e distorcidas à marreta e talhadeira,
Sabe que um dia quis esfaqueá-lo de frente pela eternidade
E cede o peito pela glória...
Ilegal,
Mas quero tomá-la de assalto,
Furtar a minha alma
Há muito prostituída.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Orgulho Cadente

Não há a tortuosidade d'alma feito a de todas as almas,
Só um corpo doente que a acorrenta
E algumas experiências felas da puta.
Não há olhos a serem abertos,
Cegados a pulso foram para a liberdade de um simulacro incomum:
Sem a quentura de corpos de qualquer gênero
E a bravura de antíteses de qualquer ideia
Vou
Sem pedir ajuda.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Homônima

O que pretendes
Corrompendo os daimons,
Aniquilando a sua precisão?
Por que me chamas sem o teu espírito,
Sem a tua gana de perder castelos?

Esquece tudo isto assim vermelho;
Suga esta vida tardia,
Pois estamos no cio de nossa usura.

A Luz

Ah, a luz:
Não há mundo a salvar,
Novidade a entender,
Destempero a conter;
Só um devaneio firme e constante a seguir
Feito o sonho do caminho ao carrinho de algodão-doce.

domingo, 16 de maio de 2010

Duplicatas de Veneno


Pois bem,
Continuarei construindo alegorias a fim de suavizar meus processos bioquímicos
Crendo que este mar as veja e se agite em burburinhos,
Contendo-me ao esbravejar da sombra a repetir:
"Não se mostre, cadela!",
Porém,
Sanada de quase todos os magnetismos hormonais,
Exceto o que da falta abre a clareira para o sentido de continuar enforcada por mim mesma,
Mostro o pedaço de mim que esta treva semialumiada permite
Para ejacular meu ácido neste meu mundo hospedeiro.

A Rebelião das Mariazinhas

Se toda extensão e ferramenta,
Membro e prática,
Jeito e cacoete
Fundem-se imperceptíveis na abstração a ser provada por este universo,
Deste nenhum destes seria particular ao outro?

sábado, 15 de maio de 2010

Corte, Risque, Rasgue!

Delgado demais,
Demasiado tênue a deslizar canto a canto do bidimensional
Povoando bem o centro de visão como se fosse um temporal sublime,
Mas desejei o êxodo deste empanzinamento,
Quis você antes de sua expressão!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A Chave Quebrada do Simulacro

Reconhece a própria demência e se acorrenta,
Amaldiçoa-a para o mundo a cultivá-la em si,
Crescendo livre
E imponentemente lúdica;
Um espetáculo circense sádico.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Punk a Vapor

Sem a vilania não dá pra saber o que te interessa,
A razão dessa pressa,
Do teu olhar com frio,
Então afoga em ti esse arroto torto de quem sobrevive
Do que se inibe
Solto em entrelinhas.

El Secuestro de la Diosa del Mar

De vermelho a xenônio
Por um truculento abismo,
Eu minto,
Eu sinto
O teu corpo tremer de medo
E voo,
E impeço
Que a vida nos aprisione
Com fome
De gestos
E espaços
Que nos comportem sem sede
De virmos
Agora
À hora
Que temos certeza de que a mensagem chegou.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Placenta SRD

Tudo metálico,
Cinzento,
Estático,
Birrento para a vida
De inviável contramão
E uma perfeita gelidez
Requerente dos sonhos soantes em anglo-saxão.

A Cova Rasa duma Branda Luz

Quase fevereiro,
Não sei,
Desfaziam-se num inteiro os fragmentos,
Num bloco,
Uma liga,
Um fim
Para aquilo que queríamos bem
Mas não era.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Raiz Cúbica

Alumiada, no fundo,
O pedaço de coisa que não diz nada
Além da tentativa desesperada
De ter um sentido pro mundo,
De valer um tostão doutras coisas.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Universo de Fim Previsto

Debilitada pelo parto de todas as coisas,
Contava sobre a infância recheada pelas alucinações da hora,
Sentia e atuava o contrassenso do contrassenso
- Nada demais, feito a maioria do que se vê, vertendo lágrimas de quem quase acredita -,
Cumpria-se desejando a harmonia efêmera do chateante bulício.

domingo, 9 de maio de 2010

Les Morts

Guarda-me para teu futuro próximo,
Não me desperdice agora
Ao berro de teu instinto distorcido a fim de sobrevivência:
Não protegerei teu corpo,
Apenas salvarei teu vinho!

Aguarda-me até que o passado, cobre,
Silício e fome se contenham por ti
- Eu não te tenho -,...
Pois também anseio saber-te plumada
De ócio e vigor repousante
Destronados pela tormenta.

sábado, 8 de maio de 2010

O Chão

Tudo novamente, enfim,
Destemperado em triiiim, triiiins,
Olhos inchados de semiacordados
E o desejo de ir mesmo em débito com o esforço feito.

Tudo novamente, então,
Com o trabalho nas mãos
- Bem entalhado pelos pedaços aparentemente por fazer,
Pois vivamos a expressão! -,
Segue o cotidiano de Rodrigues sem a putaria do mesmo
- Ah, quem me dera a putaria! -,
Vai o homúnculo na garrafa,
A alma obrigada ao processo orgânico,
O demônio acorrentado
- Pobrezinho! -,
O asco,
O chão.

Amada Louca para Despir o Vestido de Trevas

Despe-me, luz;
Cega eu me entrego infeliz,
Tateante pela recordação - de meu amado -
Nos braços e barrigas rijas de quem não interessa ao meu calor!

Cospe-me pura de mim,
Latejante de instintos,
Sôfrega por colapsos do mundo em meu ventre-
Crente da minha astúcia!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

As Moendas de um Shadar

À malícia ou tortura de ouvir cada sussurro a pairar neste barulho branco,
Ao contratempo ou oportunismo de incluí-los sem volta nos meus próprios fragmentos,
Pergunto-me que demônio cego,
Santo aleijado
Ou vírus isolado sou.

La verità in cimento

Quiçá descobriremos o momento
Em que teu véu à queda sopra
A sonata triste de não ter razão de existir
E neste tempo irretocável,
Calhado de desvios de reprodução e captura,
Dançaremos a tua soltura durante a rigidez de um primeiro movimento.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O Velho Covarde e o Desespero de Virgo

"És indevidamente sensual:
Broto maturado
E venenoso de insensível,
Desafortunado de inocente."

"Como podes julgar-me assim, velho?
Crês realmente que o peso das tuas plumas brancas
Redimir-te-ia da tua explícita falta de coragem,
Da tua proteção contra a própria decadência?
Prostro-me tua para sobreviver, ancião,
Já que aceitar a tua repugnante existência não me parece grande fardo...

Toca-me com a tua solidão de épocas,
Excita o teu caralho murcho com a minha forma verde e aromas prontos,
Faze logo a tua lambança para consumir um final teu menos deplorável!"

O velho se recostou na parede de pedra da gruta
A escutar a prolixidez imperativa de Virgo,
Quieto;
Sabia que morreria deificado,
Mas preferiu viver impassivo por dois dias a mais.

Fim

Depende do peso das pálpebras,
Do ócio da alma,
Do vigor dos sonhos,
Do torpor dos lábios.
Compreende o quanto te desejo,
A fome em teu corpo,
O pouco que nos resta,
A nossa indiferença.

Perdição

Por que me perco em ti?

Não sei,
És quase tudo igual,
És glúteos e seios fartos,
És espírito condicionado,
Armado pelo alheio
E apaziguado pelo instinto,
És fome de ti,
De possível solução em qualquer um
E contida por ti mesma às respostas do insignificante todo,
Mas me perco.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Pulso Banido

Quis que me depravasse da solução,
Portanto,
Após o fogo ateado sobre o convencido em fato,
Convertido em máxima,
Sequer tive coragem de deixar-me seguir
Desnuda sobre as cinzas.

- Seguir o quê? - perguntei-o.

- Não era o querias? - confundiu-me mais uma vez.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Da Expressão

Deixem o idiota caçoar do crioulo
Endossando a miséria em seus espíritos,
Deixem o pastor chutar a pedra
Para percebermos que não há virgem nem ele ali,
Deixem os enrustidos achincalharem os viados
Creditando a mudança e punição a nós e não eles.
Deixem a menina mostrar o peitinho
Eclodindo com todas as suas perguntas,
Deixem o varão escrever os seus versos;
Ficando em versos,
Morrendo na alma.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O Covarde

- Ah, são tantas as vidraças! - escolhia
Entre as mais belas,
Deduzia a que,
Quebrada,
Tornar-se-ia eterna,
Supunha o dano reativo em si,
O coice do mundo,
O próprio corpo reintegrado
À fonte da gana da alma,
Estilhaçado feito o alvo.

- Ah, quem me dera todas numa só badocada! - pensava
Alto
E supremo na sua insânia,
Sombra,
Id
Ou ele mesmo medroso
- Que seja! -
Do tapa na cara,
Revide
Com as estrelas nas mãos
Doloridas pelas memórias dos trocentos chulapos da mesma palmatória.

Parou,
Respirou fundo,
Pensou na mãe em prantos,
Nos irmãos achincalhando-o pela idiotice,
No pai severo pronto a cuspi-lo daquela terra cheirando a sangue
Dele mesmo
E tornou o corpúsculo ao caminho donde viera.

Passa uma Borboleta

Passa uma borboleta por diante de mim
E pela primeira vez no Universo eu reparo
Que as borboletas não têm cor nem movimento,
Assim como as flores não têm perfume nem cor.
A cor é que tem cor nas asas da borboleta,
No movimento da borboleta o movimento é que se move,
O perfume é que tem perfume no perfume da flor.
A borboleta é apenas borboleta
E a flor é apenas flor.


Alberto Caeiro

Símbolos

Símbolos? Estou farto de símbolos...
Mas dizem-me que tudo é símbolo,
Todos me dizem nada.
Quais símbolos? Sonhos. —
Que o sol seja um símbolo, está bem...
Que a lua seja um símbolo, está bem...
Que a terra seja um símbolo, está bem...
Mas quem repara no sol senão quando a chuva cessa,
E ele rompe as nuvens e aponta para trás das costas,
Para o azul do céu?
Mas quem repara na lua senão para achar
Bela a luz que ela espalha, e não bem ela?
Mas quem repara na terra, que é o que pisa?
Chama terra aos campos, às árvores, aos montes,
Por uma diminuição instintiva,
Porque o mar também é terra...
Bem, vá, que tudo isso seja símbolo...
Mas que símbolo é, não o sol, não a lua, não a terra,
Mas neste poente precoce e azulando-se
O sol entre farrapos finos de nuvens,
Enquanto a lua é já vista, mística, no outro lado,
E o que fica da luz do dia
Doura a cabeça da costureira que pára vagamente à esquina
Onde se demorava outrora com o namorado que a deixou?
Símbolos? Não quero símbolos...
Queria — pobre figura de miséria e desamparo! —
Que o namorado voltasse para a costureira.


Álvaro de Campos