quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Fogos de Artifício

Quando viu o fogo pela primeira vez,
A chama brotada dum pé-de-pau a partir dum raio de Iansã,
O macaquinho ficou assustado,
Cismado,
Não sabia se ia ou se ficava,
Se amava ou se corria de medo.

Encucado,
Mais contagiado de curiosidade do que de contimento,
Chegou perto,
Tentou tocar,
Queimou-se,
Porém ainda tentava labutar com aquele troço sem sentido para ele.

No chão havia um ramo grosso em brasa incandescida
E outros ramos menores alimentando aquela luz rubra que o encantara:
O macaquinho tentou catar um ramo menor,
Um que a quentura não fosse severa o bastante para criar-lhe novas bolhas nas palmas das mãos,
E,
Após algumas novas bolhas nas palmas das mãos,
Segurava um pequeno ramo com a extremidade em brasa cinzenta de findar-se o calor.

Catucou o tronco do pé-de-pau com o ramo
E viu a nova coisa mais linda de toda a sua vida:
O ramo e o pé-de-pau cuspiam faíscas de Sol assim que se tocavam
E o macaquinho,
Hipnotizado pelo fruto de Iansã,
Batia o ramo no pé-de-pau cada vez mais depressa
E cada vez mais forte
Até que se fatigasse o ramo em dois pedaços;
Um em tantos flocos de cinzas que nem dava para contar,
O outro num preto pedaço tão curto que não dava mais para brincar.