terça-feira, 10 de novembro de 2009

Antes Asas

Conheceu-a numa viagem de metrô quase vazio
E puxou uma conversa sem graça,
Talvez insuportável,
Na curiosidade mórbida da descoberta
De uma moça tão bela sentada em uma cadeira de rodas.
Falou de coisas simples
Que sempre acontecem por aí.
Falou de clima e de pessoas conhecidas,
Desconhecidas também.
Falou da vida.

O metrô reduzia e a moça disse:
- Tá na minha hora, foi um prazer te conhecer! - sorrindo e beijando-o no rosto.
(...)
Do desvio ao matrimônio, dez dias,
Dez dias de aguardo e receio.

(...)

Ela,
Vestida na camisola do dia,
Alva feito a sua pele,
Semi-transparecendo a roupa de baixo - alva feito a sua pele,
Exibindo a direção harmoniosa dos pelos pubianos abaixo de toda a alvadia,
"Seria perfeita não fosse a cadeira", pensou,
Todavia esqueceu a asneira ao canto de Thelxiepia.

Despiu-a.
Despiu-se.
Tocou-a como se não acreditasse no que observava,
Sentia:
Os pelos dourados às pontas dos dedos,
Os murmúrios ofensivos ao pé do ouvido,
As unhas agarradas ao dorso.

Desintegrou-de si,
Pois ela o possuíra
Antes que este descrevesse a intenção de dar,
Antes do medo das pernas zumbificadas,
Antes mesmo de satisfeito e sonolento.