sábado, 31 de outubro de 2009

Brinquedos Vagabundos

Like a warm breeze,
Assim,
Doce de tão comum;
Quase desintegrada ao nada,
Apontando o jeito ao nada,
Interrompendo-o em alguma coisa,
Assim,
Rendendo o pouco que conheço.

Adagio Ma Non Troppo

A letra perneta,
Capenga, de muleta,
Tropeçou na calçada
Irregular da Angélica,
Quebrou a cabeça
E morreu.

Bloqueando Protocolos

Reação estranha, a minha,
Reativa em demasiado a esta respiração,
A esta rabugice barulhenta de brônquios doentes,
A este próprio pesar pela corrupção do silêncio.

Se não é honesta, pressuponho;
De que honestidade é feita a civilização,
Excetuando-se a mátria continuidade?

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Futebol

Outrora circo,
Hoje campo de batalha...
Do fascínio dionisíaco do dithyrambu
À sangria apolínea do Colosseum:
Que merda!

Qu'est-ce que l'amour?

Eu te gosto, amor,
Paradiso dei debole,
Dulce calabozo.
Não te julgo, amor,
Não há sequer lei;
Fato há, talvez,
Se nos distraímos.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Filhos: Eu, Eles

Queremos saber o que nossos filhos fazem,
Mas nossos filhos não querem nem saber.
Queremos errar menos que nossos pais,
Porém faz muito tempo que fora erro.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A observada, as crianças e o caçador

À verdade, perco-me em tua mesmice,
Teu canto triste de qualquer um - impotente,
Tua chaga carente por um rasgo maior - irreversível,
Tua ânsia em ser terra explorada,
Dizimada até outra natureza.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Inverno

Não sei em que mentira acreditar...
Deste-me as fibras do lugar,
Todas que conseguiste ver,
E até que percebesses as tecidas até tudo o que cremos,
O barulho branco que seguimos sem questões,
Já te enforcaras sem querer;
Morrias linda em nossa teia.

Enquanto todos calam a ouvir

- Eu dizia! - intercedeu-me
Como se fosse maioria,
Mas era eu;
Tenho certeza!
Sentia a ânsia vibrando,
Os rigores da raiva viviam,
Eu me denunciava naquele momento.

- Nada de ti ali surgia:
Nenhum indício,
Ditas falhas de caráter,
Trejeitos ou desejos de redenção. - afirmei.

- Quisera tu tal unicidade,
Compreensão de onde me rastejo,
Esgueiro-me sedenta por vida,
Transformo o todo em um impulso pequeno. - calou-me,
A súcubo.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Herança

Encaixotamos as roupas e brinquedos,
Os quadros, relógios, espelhos e tudo preso às paredes,
Os diários, cadernos, rabiscos e tudo de escrever ou ser escrito,
A tevê, rádio, livros, computador e todos os escambos de espírito,
A caixinha de música, fotografias, estátuas de massinha e todos os bibelôs de sofrer,
Mas o vinho do Porto,
Ah,
Esse carregamos!

domingo, 25 de outubro de 2009

Viva o Dia!

Sei que é azedo este aroma de dúvida:
Insuportável para quem passa
E nauseabundo (até o hábito-
então doce por desvendar-se claro)
Para quem fica.

sábado, 24 de outubro de 2009

Lua e Fome

Devorada pela tua respiração,
Insistia em sentir-me enojada pelos meus arrepios,
Apodrecida por guiar-me a ti,
Obumbrada por não haver lado para a minha escora.

Era menos do que uma mão esticada
Até o teu peito,
À tua fome,
Teu pau duro,
Minhas asas,
Todavia seguia temerosa,
Maquinando alçapões,
Decifrando um futuro feito de pretérito,
Cobrindo o que cria vergonha.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Timão

Não entendi falha na névoa após o alcance,
Na lâmina de Tsunetomo,
No fragmento esquecido com o tempo,
Nos garranchos de Picasso,
Nos sulcos neperianos da tez,
Na voz trêmula de Drummond,
No barulho até a surdez,
Nas pernas longas de Sócrates,
Na ilusão pra ser feliz,
No amor - com outros laços - de Simone,
Na morte.

Entenda, bem;
Bem não creio,
Acompanho.

Simples

Não é profundo, não,
Nem tem abismo, não;
É tão humano,
Passível à aceitação,
Que se parte em fractais até voltar a tudo tão simples,
Simples de irritar.

Não tem caminho, não,
Nem direção,
Mas vem que a gente encontra,
E se não der a gente inventa,
Assim,
Simples de doer.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Petra

Um menino encardido,
Bastardo dos sonhos dispostos sem querer em qualquer mesa de jantar,
Ia cantando apressado,
Denunciando a carência maculada em um afago doentio:
Esse menino se via
E questionava a ironia dum covarde ser gentil.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

As Matrizes

Cabisbaixo em meu grilhão pacífico,
Distante do maná,
Ausente na tormenta,
Desencontrei-me no plantio destas verbenas prestes a florir.

A porção que se daria,
Mínima que fosse,
Faria pai o meu demônio,
Assustaria a minha vida.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Perdidos

Não acredito muito em saudade;
A vida é breve para resgates de si mesma,
O incômodo ama desescurecer.

O Passo

Aonde conduzirá o passo que escolheste,
Ademais, o que denunciava e implorava antes de assumi-lo?
Propõe algo novo nestas quatro dimensões?
Esperas que alguém o desconstrua, redefina-o, copie-o, enterre-o ou o ressuscite?

sábado, 17 de outubro de 2009

A Aranha e a Vassoura

Na condição temporária em nosso idioma
Latino,
Você,
Louca para pisar na lama,
Doida para decompor-se,
Reunir-se deformada,
Continua a varrer ídolos para dentro;
Nem ídolos seus,
Sua quase certeza.

Na ação momentânea em nosso código
Sagrado,
Ido e vindo de resgates e profecias,
Perde-se neste bolo biodigital,
Genético a bits e empacotado a enzimas,
A varrer ídolos para dentro;
Nem ídolos seus,
Sua quase certeza.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Não Basta Ser Vivo

Era desejo inconsciente
Marcado na volúpia daqueles lábios,
No caminhar procurante a querer-se procurada
E nos pequeninos peitos tocados por encanto.

Era sofreguidão adolescente,
Impulso quente e formigado,
Sexo imantado - preso à corrente,
Estação para os amantes.

Jardineira

Para aguardar a escuridão,
Preparou outro arranjo floral
De hortênsias a um dia da morte
E margaridas recém-brotadas,
Desenhou uma rota a partir de memórias
E a desconstruiu calhada-
Cobriu as faltas com mentiras,
Salvou as dores num diário
E cantou a fome que o guiava,
Despertou o monstro que criou
E o atingiu de uma só vez no peito.

Desesperadamente,
Não havia tempo e razão para a treva,
Mas uma luz sem sentido aparente.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O Ator e a Bailarina da Caixinha

Guardarei neste pequeno sempre,
Cercado ou composto de todos estes desejos chinfrins,
Exposto para quem me visita,
Disposto à tua fome,
Desprovido da tua alcunha,
Cheio de ti que eu cria incerto.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Pupa

Chegou dez minutos atrasada
E exigiu uma pose-
Uma que não a era.
Cobriu os pés,
Descobriu-os ao meu pedido
E suplicou para que eu não os julgasse daquele jeito.

Colhi as pelancas,
Rugas,
Olheiras,
Joanetes,
Joelhos escuros,
Peitos caídos
E afirmei ter desistido,
Mas havia encontrado.

Fração Querida

Eu quero ser a Doris Day
A interpretar a Calamity
Que interpretava o Wild Bill
Num fim de vida deprimente.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Merda

Perde-se,
Não grita;
Sussurra claramente cada sílaba
E transforma a sentença em adaga
Para cortar o meu tórax de baixo para cima,
Tira-me a vida a destronar a minha redoma de nada,
Torna-me puta,
Xucra,
Pouco,
Gente!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O Vilão

Não resisto a um vilão classudo e poderoso;
O Satanás de Milton é um charme,
O Deus de Nietzsche uma delícia.

domingo, 11 de outubro de 2009

Folie à Deux

Xingavam-se pelo elogio ao momento:
O ego, o trauma, o açoite ou a possibilidade
Importaria?

sábado, 10 de outubro de 2009

Fibrismo

Não quero a margem de erro para acertar,
Não quero o acerto;
Desejo a satisfação da falta de guias,
A alumiação sem querer,
O mar pelo vinco surgido do golpe
Até o mar escapulido pelo mar dalguma coisa.

Desejo ser,
Pois ser-se não se trata de mesura.

Não quero vírgulas e bases numéricas,
Preciso de todo o espectro;
Todos os elétrons orbitando pela luz que for,
Todos os sentidos possíveis a fim de sentir o que não há,
Todas as vozes, doenças e curas.

Desejo ser,
Pois ser-se não se é sozinho.

Movimento

Para desvendar-me em natureza sartriana,
Feito os elementos para sempre indivisíveis em nossas almas-
Indivisíveis por se comporem alma,
Abandono-te agora.

Distâncias

Traço em feitura de bicho,
Distraído no espaço,
Pigmento borrado tortuoso na pedra ou papel,
Fundido em fração de certeza no bronze ou aço,
Talhado no espaço mutável e nu,
Ingrato à beleza do nada,
Complexo e impossível horizonte,
Couro de búfalo ornamentado após o frio sanado,
Amado e odiado em descrição post mortem,
Abstrato por intervenção,
Casto.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Maria Gadu

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=bD0YGQTBBgM&hl=pt-br&fs=1&border=1]

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Comuns Amanhã

A tua ordem amarrada a mim,
O teu desejo guiando o meu tédio,
A tua boca abraçada ao meu pau, pedra e espinho.

Clara

Aproveitante da exuberância de sua velhice,
Conduzia-nos assumindo-a orgulhosa,
Decepando os pedaços de tempo fragmentados na memória
Com o vigor de atualidade preenchido pela clareza de timbre e espírito.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Transparente de Fato

No desiquilíbrio das coisas,
Apodrecimento da carne,
Deturpação das ideias
E condição ao instinto,
Minto,
Finjo que está tudo bem,
Proclamo um Deus para dissolver
E até disfarço não viver em mim.

Mas o porquê destas flores quebrando o concreto
Insiste em contrariar-me,
Retorna-me límpido,
Puro que dói,
Transparente de fato.

O Luxo da Cegueira

Não me guies aonde vais,
Meu Asmodeus sem garras,
Preciso-te nebuloso,
Impiedoso em minhas especulações,
Sagrado.

A Comodidade

Atiça a morte feito estopim de fissão,
Assim, entubada aos tonéis de sonhos e doçuras,
Lavada a bucha umedecida,
Isolada do pranto, da pena e da satisfação.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Banheiro de Avião

Eu me sinto, enfim,
Tudo nu
Em mim
Não há nada a ser perdido.

Vidinha Fela da Puta

Diante da minha janela,
Coçando as bieiras entre as pernas,
Escondendo os espelhos ou escolhendo as poses,
Falando de amor como se eu fosse o alvo sendo,
Sonhando,
Tentando calar sem sucesso,
Determino o grotesco.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

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Caipira Cosmopolita

Lá vai ela subindo a rua,
Saia rodada de cigana e botoque de yanomami,
Passos de bailarina e pé de barriga de bêbeda,
Impacto de Caymmi e cabelos de serafim.

Lá vai ela dobrando a esquina,
Imortal para as crianças,
Para mim,
Solfejando a nona aos interlúdios de Sepultura,
Cortejando a noite,
Devorando-me.

Links

Atada a um passado reluzente
Por um futuro aparente,
Revidava aos golpes
Marcando e sendo marcada,
Parindo um rio de sangue contigo.

Esqueci-me e reneguei o hilariante,
O assumir-me feia,
O depurar-me pouco,
O reivindicar da própria vergonha exposta por asas maiores;
Passei por ali guiando outros aos outros,
Sofrendo de outros por mim.

Travestidos de Maria

Travestidos de Maria,
Momentâneas Marias para o seu salvador,
Cobriam os seios outrora dispostos ao aluguel em vitrines encardidas,
Fingiam a timidez no quase sempre eficaz sorriso pela metade.

Travestidos de Maria,
Eternas e impossíveis Marias,
Iam aonde desejaram desde o princípio,
Antes de consumidos pelas calçadas e sonhos alheios,
Desde a própria Maria absorvida.

domingo, 4 de outubro de 2009

O Plebeu

Outono no meu peito,
Que tal sorrir agora?

sábado, 3 de outubro de 2009

Boca Suja com Classe

Se corriam aprisionados quando putos,
Apaixonados pelos bordões sobre a conquista,
Por que agora os corpos presos?
Não querem novas jaulas d'espírito, os putos,
As barras lhe parecem áureas,
O chão abrasivo,
O espaço infinito.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Descompasso

Não me toque ainda,
Dê-me a ânsia por teu carinho morno diante deste frio paulistano,
Sê-me o arrepio,
O segundo que não chega,
O descontrole de mim.

Jambo

Para sanar a quizumba,
O busto sob a seda,
Animando-a;
E nisto tudo,
Então à mostra,
O colo lustroso e colorido de quem namora a luz para incitar.

- Vem, Sabiá, prova-me, carrega o meu corpo!

Linha Reta

Sim, olhava para a mineira mequetrefe que,
Pinada após tudo berrar sem caminhos de lisonja,
Retornava ao estado de fruta pêca
Devorada no desespero de fome até o passar-me mal.

Palhaço sem Pó-de-Arroz

Vai de mal,
De mala e cuia,
De destempero,
E ninguém sabe direito o motivo da revolta.

Tem o seu jeito
Meio sem jeito,
Mas é o jeito que tudo o espera;
A cicatriz
E a tal feiura,
De tão marcantes são imortais.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Sou

Sou,
Sim,
Animal dotado de fala e trapos,
Fado bem resolvido de não,
Mentira contra o fato,
Livro aberto - em branco em parte
E colado doutras gentes noutra
(Difícil leitura da tão fácil
Carência de porra nenhuma),
O medo da morte em vão,
Do limite com limitação,
A sina de gritar pela mãe ou sê-la,
O contorcer-se por mais um segundo,
O mundo
Refletido em mim para mim.