sábado, 26 de setembro de 2009

Confins

Assim que adentrou o cômodo, reconheceu na maltrapilha senhora, a única ainda viva dos dezesseis rebelados, a face marcante de Sara, a inesquecível cortesã. Por conseguinte, curioso, ordenou aos seus homens que saíssem do lugar para que a interrogasse em nome de Deus. Acuada e enfurecida por tanto, cobria as feridas e cerrava o semblante como se não quisesse admitir a subjugação, o que não causava efeito aparente no comportamento de seu suposto mestre, a arrastar languidamente um caixote de madeira por metade do ambiente sujo e ensanguentado a fim de sentar-se à sua frente.

- O que o nome Sara de Confins te diz, bruxa?

- Falas a ela, impuro.

- Impossível, bruxa, Sara está morta há trinta anos.

- As marcas que vês neste rosto são os trinta anos que perdeste. - tornando a face para o homem, atônito.