quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Alarde Sincero

A boca podre que me consome receptiva,
Repetitiva em minha lamúria de carência,
Não é máscara,
Não tem graça;
Não pode ser despida.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Loucas para viver, prontas a morrer

Os suportes de madeirite sobre os cavaletes,
Os papéis e telas nuas que nestes cabem,
As paredes de vidro a vomitar a Angélica,
As colunas de aço a aprisionar sem alpiste e capim-estrela,
O narizinho arrebitado de Deméter,
A corrida ao terraço contra a contravenção,
A couraça de mentiras,
O não:
Tudo residido em uma sala onde o chão acolhe estendidas as ilusões.

Ainda Eras

Não perdoei a luz a apagar os teus pigmentos;
Fria na imensidão de nada,
Rígida,
Estatelada.

Corrompido
E instigado,
Tomei para mim no meu atraso de tempo e te refiz:
Esculpida,
Modelada;
Da maneira que fosse ainda eras,
Em pedaços ainda eras.

domingo, 27 de setembro de 2009

Convencida e Convenção

Quiçá corpos apaixonados pela falta de alcunha,
Livres de um terror místico - seus guias e patuás,
Prontos para morrer sem paz.

A Vingança

Amo-me maluca se saires por esta porta,
Se disseres que estamos mortos,
Se fingires o desespero.

Dispo-me fajuta se entrevares as minhas lembranças,
Se se opuseres ao que sinto,
Se eu sentir que me enganas.

sábado, 26 de setembro de 2009

Confins

Assim que adentrou o cômodo, reconheceu na maltrapilha senhora, a única ainda viva dos dezesseis rebelados, a face marcante de Sara, a inesquecível cortesã. Por conseguinte, curioso, ordenou aos seus homens que saíssem do lugar para que a interrogasse em nome de Deus. Acuada e enfurecida por tanto, cobria as feridas e cerrava o semblante como se não quisesse admitir a subjugação, o que não causava efeito aparente no comportamento de seu suposto mestre, a arrastar languidamente um caixote de madeira por metade do ambiente sujo e ensanguentado a fim de sentar-se à sua frente.

- O que o nome Sara de Confins te diz, bruxa?

- Falas a ela, impuro.

- Impossível, bruxa, Sara está morta há trinta anos.

- As marcas que vês neste rosto são os trinta anos que perdeste. - tornando a face para o homem, atônito.

Entre São Paulo e Brasília


Espero por um jeito,
Ou não;
Amedronto-me em tudo assim,
Acovardo-me por futuros também sombrios,
Choro declarando impotência,
Calo-me ausente do todo.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O Ódio das Fadas

Deste lugar em mim,
Por que julgar?
Enfim,
Tudo se separou:
Sofreguidão e amor,
Luz e destemperança,
Horror e ilusões...

E só resta um sopro vulgar a dizer que sim.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Mais ou Menos Dois Metros

Sábado irei ao mestre
Pedir uns conselhos,
Calar meus impulsos
Por outros renutridos,
Mudar de discurso,
De ideia,
De espelho.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Cacimba d'Água Turva

Meu ego:
Melhor pessoa para denegrir-me.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Primavera Confusa

Por estancar aromas de alegria
E mimetizar distrações dispersivas em gana,
Perdi-te, razão,
Deixei-te, amor.

Quarenta e Sete

Meu pulso doía,
Pulsava a ponto de tornar insensíveis as extremidades dos dedos,
Bravejava tanto que ocultara a gravidade do meu ato de minutos atrás;
Machuquei-me
Estocando o chão assim que eu trespassava o objeto d'amor,
Olvidando os limites da vida explodida em ódio.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Boneca de Pano

Boneca de pano a conduzir a dança,
Vai malemolente feito criança;
Desenha no espaço firulas de sonho
E assusta o infinito de um dia comum.

Após a Diáspora dos Bruxos

Quiçá estaríamos leves de anulados,
Por agora, de ignotos, impassíveis.
Quiçá render-no-íamos às lunações
Cultivando a gravidade dos sentidos,
Contemplando a destreza dos instintos,
Rindo
Livres.

domingo, 20 de setembro de 2009

Resgate Impossível ou Todos Mortos

Ter-me-ia consumido a existência por duas horas
E retornado à mesma num salto exato,
Sem soluço;
Até duvidei das engrenagens de nossa comparação nodada,
Dependurada na parede da sala de estar!

Se a alma vagava sem meu perdão:
Vagabunda, onde estava?

Tocada

Dominante, em ré forte,
Imponente de frágil,
Pedinte de ágil,
Sacrifício à semana,
Desperdício e glória ao seu fim.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Mentiras na Rio Branco

Vou perder o teu tom salafrário,
Debruçar-me em novo itinerário,
Esquecer-te ao silêncio em mim,
Açoitar-me a um novo sim.

Vou jogar o teu nome no lixo,
Persistir no que sempre insisto:
Treparei com quem não te quer bem,
Voltarei para mim sem ninguém.

Vou deixar de contar os minutos,
Afogar no meu sangue os insultos,
Decifrar os desejos por vir,
Acordar para tentar sorrir.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Feito Água

Então, assim que me compus sereno
Dos horrores ocultos nas minhas Mistresses de Varsóvia,
Tanto pavor encadeado em couraça de Reginas de mim,
Desejei estender-lhes a fantasia fecundada numa mãe zumbi.

A Barca do Nada

Ao andamento do Jazz,
Sonhando alto pra ser,
No creía en las diosas adoradas
Mientras se olvidava de si mismo.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Camadas transparentes, talvez inexistentes

Morte e praga a conter deuses esquizofrênicos,
Anarco-capitalismo a coexistir em condomínios e favelas,
Seduções e tentações a orientar rasuras até a superfície,
Arrastamentos e sofreguidões a ver.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A Sincera Imperfeição nos Graves Calibres

Da clareza maior no espanto
Por ranhuras de herança do seco,
Vão vibrantes,
Quase afogantes,
As primárias de extração por via de golpes
Ignorantes dos desmembramentos delas...

Unem-se separadas numa chacina do belo,
Despem-se escandalosamente os passos,
Sobrevivem do primeiro traço até enquanto houver sonho.

Escala sem marcas e extremos sem polos

Desde o tempero rude, jamais tristeza vívida;
Prosseguimos
Entrevados se se ocultam vias,
Felizes se nos destememos.

sábado, 12 de setembro de 2009

A Xícara de Porcelana, o Chocolate e o Martelo

Seria mais fácil,
Sei,
Se não fosse a herança nas alcunhas,
Mas conhecemos o gigante,
Conhecemos a sua preguiça.

My Dear Nosser

O teu sinal de verdade,
Lembrança de infância,
Um dia me apaixonou,
Abestou-me,
Acalmou o bicho em mim.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Eu te Amo

Distante desta frigidez a tornar-se Arábia da noite pro dia,
Invito tudo o que reclama a vida afogada em teus poucos sentidos.

As Curandeiras

Presas por tiara,
Linhas feito foice na curva até os ombros;
Livres por paixão,
Eu não saberia definir este cotidiano se não tivesse visto.

Um dia cedi,
Outro menti estafado da espera.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Amplificação da Luz por Emissão Estimulada de Radiação

Hoje tudo vira super,
Nem é preciso raio laser.

Pulso e Alma Soltos

Não te preocupes tanto aonde chegar;
A questão irrespondível,
Irresponsável,
De como chegaste ao absurdo emanando-se coerente
Faz mais sentindo aos nossos olhos de gente.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Glória

Glória rodeada de lama;
Frágil Glória caçadora de vida,
Glória ágil nos escombros de luz.

Os Santos Nem Nasceram

Se é que posso oferecer-vos,
Tomai o universo de meu sinhô;
Bebei aos poucos:
Agride as mucosas
E o espírito triste,
Se é de tristeza que fazeis os vossos.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Sixth Sense

Tilintando infinitos possíveis,
Fagulhando impossibilidades finitas,
Desenho os teus nomes de analfabeto que sou.

Disorderly Me

Quem de nós outrora se lamuriou
Perante esta insustentável compaixão?

Bem,
Admitidos nesta natureza primitiva,
Não há coragem ou força para tomá-la,
Vontade ou consciência suficientes para mantê-la.

domingo, 6 de setembro de 2009

Caipirinha

Futuquei sem saber o que queria encontrar;
Talvez quisesse um reflexo para algo dizer,
Não te permitir desinteressar-se,
Dispersar o incômodo silêncio.
Cavuquei entre inúmeros pigmentos que não eram teus
A fim de assim fazê-los, teus
Lápis-lazúli e âmbar,
Jaspe e turmalina.

sábado, 5 de setembro de 2009

As Últimas Mulheres da Minha Primeira Vida

Tratadas feito obras de arte em construção,
Crianças infelizes;
Nem as mães são felizes.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Plural de Doidice

O arco que a tua boca faz
Quando está séria,
Toda pensativa,
É o arco que nos deixa sempre divididos.

O brilho que os teus olhos são
Quando está fula,
Toda pê da vida,
É o brilho a alumiar-nos sobre o tal perigo.

E não me importa se esquecer-me
Daqui a uma ou quatro estações,
Porque fui eu quem desassossegou;
Eu não esqueço, não.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Viagem de Cristais Quebrados

Aconteceu iludida num sonho que julgamos tangível:
A beleza crível por transe
E o destemor da sapiência fugaz
A aloprar os instintos e medos.