sexta-feira, 31 de julho de 2009

Pupi



Pela ilusão da eternidade,
Dos resquícios de carbono ao nihil,
Humanizemo-nos,
Morramos sem tralalá.

As Marés

Os tais nomes esquecidos,
Intocáveis de imersos no que me sufocaria,
Nem mais suspeitam dos meus ciclos não mais síncronos...
Eu,
Também,
Sequer imagino do que ousam viver,
Ou para quê,
Mesmo incendiante de curiosidade.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Carambola

Joeirei um não garboso
Pela questão sob a pergunta inconcebível,
Mas nunca confiei em meu deus demonizado,
Esculpido por retalhos de gente comum,
Calhado das mentiras que fingiu viver,
Cansado da astúcia para um fim em vão.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Introdução

Chegamos atrasados, durante a hora a mais que congelou toda a rua, portanto, afoitos, pedimos um espaço na sala de aquecimento, em meio à fila imensa, e fomos atendidos com gentileza pelo aspecto azulado de nossas peles. Recuperados, agradecemos a todos os que cederam o lugar à frente e nos encaminhamos ao bar.

- Ichiju-sansai, por favor! - pedi ao garçom.

- Uísque duplo e sem gelo, garoto. - pediu Roco.

- Não sabia que é permitido álcool em Ganimedes. - espantado, pois a maioria das colônias de terraformação fracassada não permite o comércio de substâncias que alteram o comportamento.

- Você marca comigo nesse fim de mundo e nem conhece o lugar? Por que não fizemos isso pela rede? - irritado com o desencontro na chegada ao satélite.

- Calma, Roco, eu só não confio na rede.

- Está dizendo que o nosso protocolo é falho? - recebe o copo com uísque e dá um trago generoso.

- Não falo do sistema de Europa; a Lua é muito perto da Terra.

- Aquele buraco de corruptos é, realmente, algo a se preocupar.

- Pelo menos somos democráticos, não é?

- Foi pra criticar a política do lado frio do Sistema Solar que me chamou?

- Não, claro, não foi pra isso!

- Então desembucha, lunar!

- Como você sabe, a terraformação da Terra será votada no concílio terrestre...

- E não sei se é redundante ou irônico. - sorrindo, após interromper.

- Eu sei, é uma falácia.

- Como assim?

- Algumas fontes descobriram que a maioria dos membros do concílio está investindo alto em empresas de pesquisa e produção de reatores de grávitons de hidrogênio.

- Para a terraformação?

- Não, são reatores de tamanho mínimo, próprios para espaçonaves.

- Isso muda a coisa de figura... O que sabe mais?

- Temos códigos de lançamento em massa previstos para pouco mais de um ano terrestre, seis semanas antes do início do processo de terraformação. - recebi o ichiju-sansai com dashi e reclamei ao garçom: - Não é dashi, quero misoshiru!

- Mas o Ichiju-sansai da casa é com dashi, Senhor! - retrucou o garçom.

- Engole essa porcaria assim mesmo, Gavin! - reclamou Roco. - Vai embora, moleque! - ordenou ao garçom, gesticulando vigorosamente. - Continua. - pediu-me.

- Eu não vou comer isso! - avisei.

- Fala primeiro e come depois! - demonstrando interesse pelo o que eu tinha a dizer.

- Tudo bem... As coordenadas de lançamento, por serem em massa e partirem de pontos distintos, não denunciam o destino, mas acreditamos que, pela capacidade dos reatores, podem alcançar até o nó de Netuno.

- Isso é muito interessante, mas não creio que vão tão longe.

- Também pensamos nisso; Tritão não comporta a população que especulamos.

- Quantos seriam?

- Quatro milhões.

- É um número alto.

- Pode acreditar.

- E o que você quer?

- Possivelmente, a terraformação é uma tentativa de levantar recursos para matar a população e retomar de um satélite.

- Isso é óbvio, mas o que quer?

- Eu te vendo as coordenadas de lançamento para que possa capturar as naves fora da zona de proteção terrestre.

- Para quem se diz um democrata, está me saindo um excelente anarco-capitalista!

- Parece, mas não perguntou o meu preço.

- Já que se antecipou, pode dizer.

- Durante a operação, desejo proteção total da biosfera lunar e, depois, dez por cento dos recursos pilhados.

- E a Terra?

- Creio que, sem recursos para alimentar as cidades subterrâneas, morrerão todos em menos de um ano.

O Nó

Minha pergunta é:
O que um nó?

Dado firme numa trança das madeixas ruivas de Elga,
De tantos nós celulares e tonais,
Atômicos e sensoriais,
Parece desistir da existência-nó por tantos,
Ou sequer fora avisado pelo maestro.

Se nó por uma aldeia que sabe fazer fogo,
Uma espécie predadora e pedante,
Uma rocha incandescente por dentro e resfriada por fora,
Dado o nó não se desata sem mesmo tivera dado?

Repara só esta menina,
Parece até que dorme
Debruçada em seus desejos,
Acordada em paraísos.

Percebe só o quase sorriso,
O segundo anterior à redenção
De não ser mais menina,
Sendo.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Do Limite Sensível

Aos olhares vacilantes,
Vagantes aonde permitira o sono,
Nuvens de concreto pintadas de silício
Travaram a batalha contra o impossível:
Não há o toque,
Ainda não há,
Diluído a tantas sensações.

domingo, 26 de julho de 2009

Tigela d'Arroz

Por teu sorriso que jamais fugiu-
Lábios, olhos, cores e caminho,
Não acredito nesta insistência
Se à luz se esconde qualquer desatino,
À luz se extingue qualquer desnudado.

sábado, 25 de julho de 2009

Fixado a Óleo

De musa, o mendigo
Maltrapilho de sonho dourado,
Andarilho de um mal consumado,
Domicílio das vidas em si.

Fragmento Inteiro

O par de óculos gigantesco cobria as olheiras profundas e a figuração de ebriedade,
Apesar do caminhar e sorriso letárgicos.
As melenas louras,
Ralas feito a de uma anciã,
Dançavam à brisa incomum à costa sul,
Serpenteavam em direção ao pleno azul e faleciam suaves sobre o rosto esquálido.

Dous Descoñecidos

Amárom pola vez primeira esta ambiçom cagamerdeira
A matar-nos dos soños derriba de nossos filhos.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Anã Branca

Antes de seca a tez,
Vestida estava a composição que julguei minha-
Sanada de meus calores ia;
Alguma nebulosa,
Algum medo qualquer,
Um findamento impossível de mim.

Clamei sem voz,
Inundada de desejo nas poses,
Convencendo-me sem convencer,
Sorrindo-me,
Apagando-me até a completa escuridão.

Geraldinos Açoitados II

Viscosidades solúveis aos rumos concretados pela exclusão,
Feito placenta e porra,
Erosão e vida.

Geraldinos Açoitados

Acampadas nas paredes da urbe,
Cores de socorro
(Quiçá anarquia,
Quem sabe ironia),
Não remarcam fronteiras,
Limitam o sangue nos olhos
E constrangem o frio na barriga.

Destemem-se da Roma derrocada os mergulhadores,
Distintos e peritos dos aquedutos e anfiteatros,
Vorazes e famintos de si.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Têmpera

Contorcível feito verdade,
Intangível que nem ideal,
Mas quebrável ao mar aberto de um sussurro:
Assim partia desesperada,
Separando-se de mim mesma,
Indecisa por qual chamado.

Azurre

A cada nova volta estou pior que antes,
Mais débil que outrora,
Mais fraca que agora,
Porém a mesma casta em pele de jaguatirica.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Ιθάκη

Do sorriso singelo à gargalhada,
E esta, então, desesperada,
E isto, assim, desfalecido ao tremor dum entristecer-se magoado...
Quem entenderia a tecelã?
Se a reptaram à distopia da aniquilação,
Dignidade usurpada e filho escravizado,
Quem entenderia, tecelã?

Ciberebó

Não há pente que me penteie,
Calafrio que me amanse,
Mas não deixe a tua nega,
Não me deixe, amor,
Esquecer-te nesta vala rasa.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Glowing Particles

A Esperança.
Desorientada em meio a balas de borracha e gás lacrimogêneo,
Não desejou Calipso açoitada por amar demais o herói,
Apenas o lembrou do I'll wait for you e todo aquele borogodó,
Recordou-o antes que quedasse mutilado.

sábado, 18 de julho de 2009

Desmiolado

Como tu vias antes das leituras a fio,
Da frieza cirúrgica,
Desta tonelada de nada?
Eis-te feto:
O que enxergavas no que não podia,
No que sentias sem perguntas
por amedrontar-se,
Na ameaça do proclamar-se?

Ruínas

De volta,
Exaurida;
Aruanda me observa a questionar sobre afazeres.

Quieta,
Renegada:
Quantas giras, amor?
Oxalá que eu possa por gestos.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Arruda e Guiné

Nua de mim,
Cansada de embates,
Desilusões.
Surpresa por nós,
Desmistificados nós.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Romance Possessivo

chown -R rubi:users /home/weyll && chmod 700 /home/weyll -R

Pro Santo... e pra Copa


A FIFA assinou um contrato rechonchudo com a Budweiser que, entre outras medidas, prevê a venda de bebidas nos estádios até 2014 (fim do contrato). O comitê organizador da Copa do Mundo já avisou aos representantes das cidades-sede sobre uma possível modificação da medida que impede o consumo da referida droga durante competições esportivas.

Bem, se com o bico seco já tem gente morrendo espancada, imagina só...

Leia sobre no sítio da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead).

Vai

Vai procurar a tua turma,
Vê se alguém te reconhece!
Vai lambuzar a tua rua,
Humanizar os teus próprios crimes!

Vai fazer um filho,
Tirá-lo da forca,
Amá-lo à força,
Deixá-lo ao léu,
Instigá-lo a criar!

Vai, vive,
Morre infeliz ou quase feliz,
Entope os teus vasos com flores lisérgicas,
Desengana este ritmo estóico,
Aniquila este andor sonolento,
Chega!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Moscow

Tudo bem,
Vemo-nos em Moscow,
Cobertos de plumas até o talo,
Sujeitos à nossa própria maldição.

Tudo bem,
Que seja Moscow,
Que seja Idaho!

terça-feira, 14 de julho de 2009

Fissão

Após o namoro aparentemente incessante com a sombra,
O malabarismo desengonçado a comprometer o andamento,
A virtude na máscara do luto e quietude,
O zelo ao respeito,
O caminho da mão esquerda,
Desintegrei-me do uno em mil pedaços.

Descobri o momento de cessar o sofrimento que precede a dor,
Ademais,
Soube distingui-lo do ressentir-me...

Findado tanto amor por mim,
Deslocado de mim,
Amei por mim.

Tudo o Que Platão Despreza

De tantos raios de luz,
Refratados neste sereno artificial,
Sobreviveu quem se cegou antes de qualquer passo,
Mas somos humanos, senhor,
Pleiteamos transgredir o que construíste.

domingo, 12 de julho de 2009

Anátema

Perder-me-ia a solfejar neste intervalo afora,
A aproveitar o emudecimento
A aguçar a percepção,
Porém ainda não sei por que me trouxe aqui.

Se da nostalgia anacrônica pouco se aproveita
E este medo de si exposto se denuncia nas redes neurais,
Por que insiste em considerar meu corpo sob teu domínio?

Uma Mulher Quase Honesta

Perdi o teu carinho,
Não sei por onde anda,
E a fúria em meus temores mentiria se possível.

Munida de esperança,
Rendi-me a outro afago,
Mas tu,
Meu homem,
É menos honesto do que eu.

Quiçá,
Aguardando um primeiro sorriso,
Seja nosso.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

A Dama

Calou a todos durante a chegada:
Mostrando dois terços das voluptuosas mamas,
Túrgidas,
Magníficas,
Importava-se em proclamar-nos a sua naturalidade;
Ousou ainda exibir poucos milímetros das divinas aréolas tonalizadas ao padrão da cútis.

Enquanto as demais fêmeas cochichavam irritadas,
Puxavam invejosas os seus acompanhantes,
A dama continuou tornando cinza a exposição fovista.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Trufas Óbvias

Emula o teu veneno,
Converte-o saboroso,
Espalha-o sem a chave em meio a esta força bruta,
Engana estas hordas que não crêem ser falta de classe nossa.

Ecos

Não tenho paciência para o que escreve,
Mas a danada liga bem tudo a si mesma;
Melhor vampira do que deusa,
Empresto as baforadas de depois da minha consumição.

Não tenho paciência para o verso prolixo e redundante,
Revolvendo-se numa epopéia a dissecar um grão de milho,
Mas se se multiplica para explicar a mediocridade dos comportamentos fragmentados,
Que se importe à sua maneira.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Vaidade

Segui atordoada,
Desesperada pelo sacramento
Ou pela iluminação representante,
Mas a felicidade não é uma etapa,
Talvez um susto.

Acompanhada pela vaidade, então,
Aquela a camuflar as minhas sinas e monstruosidades
Através dos nós bem atados para catar os ventos da vida,
Persegui a eternidade até não suportar a mim mesma
E ser consumida por sede imprevisível.

Democracia

Oligarquia periodicamente selecionada,
Demagogia hermeticamente fechada,
Hipocrisia academicamente atenuada
Ou conversinha pra engabelar xibungo;
Tanto faz,
Dá no mesmo.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Decisão

Fez um fuzuê da porra e,
Como se portasse o antídoto para todas as pragas do mundo,
Afirmou-se neutro em seguida.

Muitos disseram que viver é partido,
Aceitar também,
Ademais,
Decidir a relevância das coisas não o eximiria da condução medíocre do universo aceitado,
Mas preferiu fazer-se de rogado,
Espreitando brechas e descuidos.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Cripto Vulgar

Esquecerei a piada acerca da legisragia,
A sobre o acento em cu também.

1950

Desejo ver-te longe das esquinas do mundo
Antes que nasça,
Antes que se torne uma fuga.
Pretendo amar-te coberta dos destinos ruins
Que nos seduzem,
Amarram-se aos meus sonhos vis.

domingo, 5 de julho de 2009

Páginas sem Grampo

Arteira, a percepção desconcatenada do fato;
Inato só parece o medo
Até que eu aprisione a surpresa.

Enquanto falas,
Deitas-te em discursos sacais sobre este sentimento sublime de segundo caderno,
Ditongos deslocam luzes
E hiatos são o segredo do universo.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Depoimento

Mal me perguntara se haveria função:
Entrou no quarto enquanto eu me montava,
Quase me cegou de rímel a agarrar o meu pulso com violência,
Esbofeteou-me como se me conhecera rapariga aprisionada,
Exigiu-me explicações...

Matei,
Não tive dúvida,
Tirei das forças de um menino que nunca morreu
E da gana de uma mulher em que me projeto;
Arranquei-lhe a garganta,
Quebrei uma unha.

L'Eruzione

Ainda a perseguir o ícone que desprezei,
Tomou o seio de minha composição
A fim de envenenar os próprios rebentos;
Esticou-o pelo mamilo até os labiosinhos dos miúdos raquíticos,
Deu-me a eles como se os fosse salvar dalguma coisa.

Entorno

E pela pressa deste tempo novo
- Há tanto tempo assim,
Engessado de tão novo -,
Desentorto a minha própria indiferença
Só para saber como esta se contorce.

Mas como poderia, Deus meu?
A natureza não é reta
Nem dá curvas;
Tenta alcançar,
Defender-se.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Vidas Medíocres

Das tantas viagens sem volta,
Que permanecessem em resquício ou seqüela,
Torpe é o trato que dou a esta adequação,
A domesticação do demônio-eu.

Das tantas vidas medíocres,
De questões e deuses distintos e desconhecidos,
Raso é desvivê-las,
Deixá-las sem resposta.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Mídia Mista

Diante das astúcias da percepção,
Calejada pela labuta de oferecer-te um universo incontestável,
Dobro os sinos até que te ensurdeças,
Faço a vida até que te cegues.

Se toda esta aparência repousante,
Convergida em ti para a confusão,
Maquiada de dispersa para a minha conclusão,
Reage a qualquer poro como se iniciasses,
Voltas-te aonde nasceste a te resignares com o que em tal tempo não se cria sofrimento?