sábado, 30 de maio de 2009

O Fragmento

Não posso eu ser o todo
Se o todo isso não dá as caras por aqui;
Sou fragmento,
Pedaço de coisa nenhuma que segue igual galáxia e vírus,
Espaço delimitado que se expande sem mim por raiva e amor.

Não posso eu ser o universo
Se um multiverso me chuta para lá e para cá
Feito papel de bala no calçadão às nove horas da manhã;
Faço parte sem fazer,
O invólucro do prazer e da cárie.

Não posso eu ser o inteiro
Se a curva se encurva para todas as dimensões
Enquanto prossigo sob hipnose àquela do orgasmo,
Da gozada cicciolínica,
Dos interlúdios homéricos,
Dos subterrâneos eclesiásticos,
Rumando-me ao suicídio ou à eternidade.

Integro-me feito espoleta de fissão,
Desconhecendo que diabos há de acontecer
E despadecendo-me do que nunca hei de prever,
Feito fragmento
De coisa nenhuma.