sábado, 18 de abril de 2009

Fragmento de Ana Dodói

Déia:

Pensou sobre a Ana?

Tito:

Sim.

Déia:

E o que decidiu?

Tito:

Se ela se predispor a fazer um exame toxicológico semanal, recebe o dinheiro.

Déia - surpresa e repreensiva:

Tiiito!

Tito:

O que queria? Depois do que ela fez, é o mínimo que posso fazer!

Déia:

Isso é crueldade, Tito!

Tito:

Crueldade será se eu der essa grana toda na esperança que ela estude e, ao invés disso, eu tenha que ir buscar o corpo no IML.

Déia:

Ai, para! Você fala assim, com essa calma, mas esquece que é sua irmã! O que ela vai pensar quando...

Tito - interrompendo:

Como? O que ela vai pensar? Déia, acorda! Quantas vezes internamos a Ana depois de quase morrer? Quatro? Cinco? Me lembra porque tô esquecido!

Déia:

Esquece isso, não vou brigar com você, mas não tenho coragem de ir dizer isso pra ela.

Tito:

Não foi ela que pediu ajuda? Vai te procurar... E eu não quero brigar.

Déia:

É o que tá parecendo. Se bem sabe como é a nossa irmã, vai vir aqui pra cuspir a raiva.

Tito:

Eu sei.

Déia:

Sabe e se comporta feito criança!

Tito:

Não, quero o melhor para a Ana.

Déia:

Você tá querendo passar por pai com cabeça de irmão mais velho; só isso.

Tito:

Déia, se ela continuar explodindo por qualquer coisa, nunca vai saber se virar.

Déia - irônica:

E você sabe.

Tito:

Você quer me comparar?

Déia:

Nunca parou pra imaginar que a Ana chegou onde chegou com a sua ajuda?

Tito:

Fui eu quem subiu o morro e colocou o cachimbo de crack nos beiços da Ana?

Déia:

Não, mas fomos nós que a impedimos de cursar o mesmo curso que você está pretendendo pagar agora... Cuidado com o que considera melhor pra ela!

Tito:

Déia, me deixa trabalhar!

Déia:

Tá bom, patrão!