terça-feira, 31 de março de 2009

Doçura de Vida

O herói absurdo na mesa de jantar
Já não janta mais em casa,
Arrumou uma melindrosa para o happy hour
Enquanto eu,
A heroína a carregar duas rochas colina acima,
Tive que ouvir o desaforo:

- Mulher, faz um café!

Café é o diabo que lhe carregue,
Filho de uma quenga!
Não sou eu que vou passar a mão na cabeça dum Apolo bancando o Dionísio,
Fedendo a cana enquanto as crianças dormem;
Pega as suas tralhas e vai dormir no sofá!

Fico puta com essa ladainha de grande propósito das coisas,
Pois não posso fazer justiça às próprias coisas se não alcanço a coisa em si:
Cantada desavergonhada no trabalho,
A caçula não aprende matemática,
O mais velho tá virando maconheiro
E agora essa...

Deixa estar,
Não me sentirei culpada,
A culpa cospe mais chumbo do que qualquer lado,
Só para um lado;
Aleja ou mata.