quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Fogos de Artifício

Quando viu o fogo pela primeira vez,
A chama brotada dum pé-de-pau a partir dum raio de Iansã,
O macaquinho ficou assustado,
Cismado,
Não sabia se ia ou se ficava,
Se amava ou se corria de medo.

Encucado,
Mais contagiado de curiosidade do que de contimento,
Chegou perto,
Tentou tocar,
Queimou-se,
Porém ainda tentava labutar com aquele troço sem sentido para ele.

No chão havia um ramo grosso em brasa incandescida
E outros ramos menores alimentando aquela luz rubra que o encantara:
O macaquinho tentou catar um ramo menor,
Um que a quentura não fosse severa o bastante para criar-lhe novas bolhas nas palmas das mãos,
E,
Após algumas novas bolhas nas palmas das mãos,
Segurava um pequeno ramo com a extremidade em brasa cinzenta de findar-se o calor.

Catucou o tronco do pé-de-pau com o ramo
E viu a nova coisa mais linda de toda a sua vida:
O ramo e o pé-de-pau cuspiam faíscas de Sol assim que se tocavam
E o macaquinho,
Hipnotizado pelo fruto de Iansã,
Batia o ramo no pé-de-pau cada vez mais depressa
E cada vez mais forte
Até que se fatigasse o ramo em dois pedaços;
Um em tantos flocos de cinzas que nem dava para contar,
O outro num preto pedaço tão curto que não dava mais para brincar.

É Lindo

É porque a ilusão é crida literalmente,
O amor é tão doentio que se desamou
E não desmamou,
A falha está nos gestos mais sinceros,
A dor se refletiu nas asneiras,
O choro se evaporou do travesseiro
E o Proibidão é canto territorial
Que eu tô pouco me fodendo!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Ato Romântico

(...)
Mas quando abocanhou meu corpo,
Comprimindo-o e sugando-o por entre língua e céu da boca,
Recolhendo lábios sobre dentes a percorrer-me,
Desfiz-me,
Aniquilei a personagem.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O Chão dos Teus Ramos

Duplo clique em mim para que te sintas feliz,
Para que eu te minta partindo do óbvio:
A construção do meu ser feito só para ti,
Este tal dos impulsos nunca surpreendentes,
Jamais mentiria,
Enganar-te-ia,
Pois pisas folgado sobre o chão dos teus ramos!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Eu, Ọṣun

Farei Obá cortar as próprias orelhas
Para meu orixá viver só pra mim,
Calando o meu calor, as minhas mazelas,
Tateando a sina que há de me matar.

Palavra ou Amo Fonemas

Palavra,
Palavra,
Palavra;
Pra que se use
E entenda,
Palavra.

Palavra,
Palavra,
Palavra;
Pra que se curse
A verdade,
Palavra.

domingo, 27 de dezembro de 2009

071

Por qualquer coisa
É fato,
Coisa que não importa.
É inato
Livrar-se pelo incômodo,
Comum.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Fantástico, debatendo-se para não morrer!

Assim que começou a contar acerca do seu passado,
Eme não me pareceu muito confortável,
Porque,
Apesar da aparente satisfação diante da liberdade,
Do alívio de uma vida resgatada - a redenção,
Percebi como se questionava nas entrelinhas do relato.

Foi torturante o seu romance pregresso,
Pois,
Sentindo-se mãe do miserável flagelo que sugava latas e cachimbos debaixo de marquises,
Permitia o apodrecimento da própria alma,
Vagava entre uma internação e outra
Feito o zumbi que aquele rapaz se tornara.

Até que permitisse um mundo de possibilidades derramado sobre si,
Tentou a partir da ignorância semelhante a do mancebo,
Tentou livrá-lo de algo que estaria até as suas mortes,
Porém a doença findar-se-ia num mal irremediável;
Eme se alumiara tanto que o pobre verme só seguia o calor,
Feito um inseto medíocre, só seguia o calor.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Wakizashis Destruídas

É difícil encontrar a velha honra do hagakure ou catingueiro,
Aquela que o respeito a si mesmo prevalece sobre o respeito de outrem;
Sozinhos,
Desonrados pelas próprias falhas,
Vejo indivíduos famintos por lavouras passadas,
Covardes de mudança,
Ladrando a morte do novo feito um cão manco e sarnento,
Contendo os espíritos gritantes em seus corpos apodrecidos.

Sou Tinta

Feito a prostituta experiente e desiludida,
Na mecânica e expressão perfeitas para o gozo menos tardio,
Fujo do nojo que há muito sumiu;
Sou atriz por desespero
E,
De perto,
Apenas tinta.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Amanhecer

Não sou a folha de papel em branco,
Mas a mim canta a lama pegajosa,
Entontece-me a fim de mudar-me à direção deste rio fantasma
Tão parecido quanto onde fui.

Não sou mais a iniciada,
Nem desejo a ressurreição:
Eu quero neste planeta;
No outro,
Não!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Linguagem Linear ou Papo Reto

Parece até um amigo próximo
Com as suas estórias repetidas,
Os poucos clímax de sua vida-
Exacerbados aonde não seja fábula,
Ou quase isso,
Ou nada disso.

A Mensagem

Preciso dormir para recriar-te
Tão descompassada quanto o que impões sem querer,
Mas voltas,
Insistes nas sentenças de longos hiatos entre si
E espero;
Indeciso do tempo até a obturação da luz,
Espero.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Epitáfio

Dos rebentos degolados no que deveria ser berçário
Mal me lembro;
Talvez das mães e irmãs estupradas antes do dia de visita,
Dos pais renegando a aberração que criam desviar o universo,
Das fornalhas que os queimavam a lembrar um dia feliz de domingo
Eu me lembre,
Vagamente,
Por rotina abstraído.

Talhada neste pequeno bloco de pedra pobre,
Resumem-se as 77 translações de nada findado por mim mesmo para,
Enfim,
Nihil para sempre.

Fadinha de Açúcar


Não fugirei daqui, não,
Pois te espero,
Ratazana,
Com os sapatos nas mãos.

E se lembre que é sonho,
Que a ilusão é Clara,
Que é epopeia em russo,
Que o bandido nasce em alguém para ser esmagado.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Da Convenção

Não tão afoito, garoto,
Pois é vilão o do pior merchandising.

O Músico Pragmático e o Matemático Criativo

Desapega-te dos códigos,
Pois seus limites não são os teus.

Quando Ela Aponta na Porta

Ela é burra de doer,
Fala mal e odeia ler,
É fluxível feito a grande maioria-
Vende todo o alheio cobrindo-se do mesmo e sem si mesma,
É altruísta em excesso-
Uma egoísta idiota feito qualquer altruísta,
É pintada para ser medíocre-
Cumprindo a amplitude que a indústria oferece,
É fácil,
Volátil,
Milimetricamente infeliz,
Mas quando aponta na porta,
Meu amigo,
Quando ela aponta na porta,
Cala o mundo e sabe disso!

A Mensageira

Ele,
Do couro de fêmea túrgida de fértil,
Tinha aportado para a fonte do desejo até que suou feito homem,
Fétido e grosseiro feito homem:
Foi escalpelado em praça pública para que os demais afirmassem o próprio pseudocontramor,
Mas o titã já havia se destronado à doce voz da harpia tímida e infeliz.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Fim de Semana no Circo

Comemorar-te-ei desde o princípio,
Mesmo eu morto,
Amor previsto,
Pois verá sonhos demais a extinguir-se,
Anátemas eclodidas após o esquecimento,
Surpresas aguardadas, espectáveis, falidas,
Você mesmo a render-se para que não se comprometa.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Mistress of the Processes ou O Feto

Olha para a deusa, olha:
Fica embasbacado enquanto ela te masturba!

Luiza

Ela está lá pra todo mundo ver,
Caindo em si acerca da ilusão
De uma pouca certeza presa à compaixão;
Quase cansada de tanto morrer.

Ela está lá pra tentar existir
Mesmo numa essência resgatável ao suor,
Na ausência pelo aborto no dia anterior,
Na lágrima naquela paz.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Doença Nova

Porque calar sem medo seria lastimável,
Uma promessa descabida,
Uma falácia num hiato da vida.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Até parece que um não sabe do outro

Amo phishing;
Fisga-me,
Tô facinho e cheio de tesão pra embolar esta linha.

Idolatro a mentira,
Daquelas que arrebentam a razão dos animais;
Mente,
Endosso-te.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Dos Pesados e Desfuncionais Mecanismos de Defesa

ATO I


A tua vida embaçada num caco de vidro:
O risco acontecido,
O vício do medo;
Um pouco de nada estilhaçado.

ATO II


Quebrar a cara é muito fácil,
Custa mui caro,
Mas é só assim.

ATO III


Segue, enfim,
Viral humano,
Boiando leito à foz,
Comprimindo-se na muvuca da Estação da Sé,
Desfazendo-se da criança.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Pobre Eugênia

A loucura não é bonita, nem opção é; aparece de repente e estupra. Tentei namorá-la várias vezes, cortejei-a animado pela possibilidade de tornar-me único, gritei, sussurrei, chorei para que me carregasse, porém, ainda quando a buscava, a infeliz já me tomara o corpo e a alma, a crença em mim e no mundo.

Não há por que atuar se não existe a realidade que me admire, afinal, tudo se tornou, decepcionantemente, atuação. Se quase louco atuei até o último segundo, agora não sobrou muita coisa além de um estúpido primata que só não morre pelos instintos que o privam desta graça, mesmo que o desarranjo da insânia quase sempre tente isto desfazer.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Chavão Nº 12

Caminhei descalça a exigir as minhas pouquidões;
Queria tudo ou quase tudo,
Queria o mundo ou quase isso,
Queria-me fora de tanto doer.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Nega

A dona da minha rua nem sabe que é;
Ansiosa por uma mudança, nem sabe o que é.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Os Tipos da Doida

O signo por uma gama infindável de emoções,
Todas que brilham os olhos,
Todas que findam as dores,
Vêm consigo adolescente
Em seus ultimatos por segundo.

¿Quem se habilita?, ¡Briga jamais! e ¡Estou ocupado!

Ela,
A feiosa filtrada pelos cinzas - sem muito resultado,
Continuava a ladainha errante e os golpes no vazio,
Porém,
No desprezado lugar comum,
Com um pouquinho de endorfina, calor e suor
A gorda pensaria em coisa mais interessante.

Um Borrão

Fazer-se entender mesmo marcada pelo aroma do berço?
Menos hipócrita,
Claro!
Chamego de gente:
Cusparada no insípido,
No morto,
Na rede sem povo,
No borrão.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Receita de Bobo

Decorou Vozes d'África,
Castro Alves,
Vestiu-se de palhaço e declamou aos quatro cantos do colégio
Como se fosse a coisa mais importante do mundo.

Apesar dos comentários que não mais se importavam com o disfarce,
Só os doidos são felizes!

Mitra

Se não parei a tormenta urgida aos meus berros,
Foi por não ser mais minha,
Ter rebentado a própria alma.

Mas não posso mentir,
Para ti não posso:
Foi saboroso o absurdo da morte,
Cada uma das fragilidades desnudadas,
Toda a peste cobrindo as divindades!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Respostas Possíveis

Porque nunca soube amar,
Sequer pretendi;
Tentava capturar todas as sinas enquanto a minha besta não sussurrava.

Porque me distraí caçando mariposas encegueiradas pelo dia,
Estas tais que se criam borboletas vagabundas;
Apenas mariposas, traças...
Perdi bons anos descrevendo hábitos tão estúpidos quanto os meus.

Porque você não vai ao inferno,
Ou vem.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Azar num Nó

Visto que as feridas estão mais expostas do que a própria libido,
Eu consentiria as vestes sobre a alma envergonhada,
Mas por que não dançar sobre as fronteiras?

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Quid Pro Quo

Diante de tanta magniloquência por um
"Vamo ali, me alivia!?",
Eu já tinha acendido e fumado um, dois, três cigarros bem guardados na algibeira,
Sorrido acerca do desfecho de uma, duas, três piadas resgatadas da memória
E me agarrado ao bom sono que aquela prosa chata me causava.

Ogum Traído

Eu tô Ogum traído pelo irmão,
Preso a tudo que nunca estimei.
Eu tô amarelo, verde e violeta
Destemperados aos ventos felizes.
Eu tô ao centro do que quis falar,
Mas sou segundo plano de nós.
Eu tô ao centro,
Escondido,
A chorar.
Eu tô Ogum
Acuado a matar-te de mim.

Tempo Estimado de Sobrevida

Foste tu que me possuíste,
Juiz meu e por minh'alma declarado,
Porém,
De tudo conotado à pluralidade,
Definhaste,
Foste obumbrado a desvio de prima inspiração;
Logo tu que a nutriste até as cópias de nós mesmos.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Quarup

Não chute o morto, Zé,
Ele tá morto, Zé!
Diz uma mentira, Zé,
Que eu nunca ouvi,
Pois se eu quisesse pintar estes sonhos
Usaria ânima em pó
Diluída em baba de moça ou demônio.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Negue

O Diabo é um Ernesto
E Castro foi Deus,
São Paulo é fúnebre
E a Sapucaí é o puteiro mais chique e democrático do mundo.

Capítulo Próximo

Para que te prendesse por um segundo,
Devorasses-me sem perceber,
Armei-me de medo inconho à fome,
Amei-me desmedida às dentadas, unhadas, grunhidos e espasmos.

Tavas lá, tu,
Mal-ajambrado e aos brados de vitória,
Gotejando-se sobre a minha carcaça fresca.
Tavas lá, tu,
O dono do fim:
O seguinte.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Existe?

No simulacro,
Aos predeterminados limites amplitudinais e fracionais,
Ao predeterminado algoritmo para a potência pseudo-aleatória,
A nascente de processos pensa,
Acredita até ser verdade o que pensa e vive,
Porém depende de uma predeterminada semente,
Anteriormente potenciada em outra nascente ou não,
E depende também da nova semente retroagida a partir da anterior nesta cadeia de nascentes:
A nascente respeita a arquitetura universal a crer-se, ilusoriamente, independente.

domingo, 29 de novembro de 2009

Göttin der Traum

Se eu desejasse paz,
Não geraria filhos.

Macho Capado

Com um pinscher sentado no antebraço, o senhor entrou no posto de conveniência. Enquanto o cachorro aparentava assombro pelo ambiente inóspito, o gordo nanico comprimia os olhos por trás do fundo de garrafa na direção dos salgadinhos e geladeiras. Foi até uma das prateleiras e pegou um Elma Chips, abriu uma geladeira e carregou uma Coca-Cola. Guiou-se à vendedora e pediu:

- Um maço de Marlboro, por favor.

Enquanto vasculhava uma das gavetas do móvel que amparava a caixa registradora, a moça, sorridente, tentou romper a sisudez do homem:

- Ai, que bonitinho! É um menininho ou uma menininha? - referindo-se ao cão.

- É um macho capado. - respondeu, o indivíduo, com frigidez.

- Ah, então é quase uma menina! - ainda tentando motivar um sorriso do idoso, exclamou a rapariga assim que retirava um maço de cigarros de um pacote recém-inaugurado ao varejo.

- Não é subtraindo que se torna fêmea.

Ovelhas

Cala a boca, cadela,
Não trema,
Não chore,
Não morra!

Desvenda a rua, puta,
Recria a tua culpa,
Engole a porra,
Recebe o pagamento
E toma um porre!

sábado, 28 de novembro de 2009

Pelo Caminho

Talvez, se pudesse esperar
O desenlaçado da tua vida enlaçar-se em sentido,
Não esperaria;
É tanto horizonte que esqueço o resto.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Híbrida

Sigo calada, vil,
Pois esqueço se sou a outra da carícia que lhe cabe,
Aquela que des
caminha outrem imersa em si mesma.

Aguardo
sonolenta, suja
Pela aurora trepidante, largada
Sem pena
ao sereno, cumprindo
A ordem nenhuma do
vazio.

Precinto-me amarga, volvida
À castidade, breve
Aos chama
dos, louca
Em qualquer um dos
meus versos.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Renda do Norte

Rumores de luta,
De sangue às avessas,
De medo,
De fome,
De sonho planando em outro.

Dolores ocultas,
Rompidas ao mito
Sereno
E prolixo
De um povo que há muito se foi.

Tudo se despia enquanto eu,
Aqui,
Neste mesmo lugar,
Trêmula ao tom grave e timbre rouco a pulsar sobre o meu colo,
Não preferia por não pensar a respeito.

A Moça

Ela chegou vestida de azul,
Aniquilando o marasmo,
Constrangendo a feiura.
Prosseguiu tão clara quanto o dia,
Mas sem o horizonte cinzento,
Sem os berros do aço.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Fim do Mundo

É tanto rebuliço por essa lama preta
Que nem mais me importo com a nossa decadência.
Não é o fim do mundo,
É o do nosso, sei,
Portanto,
Pelo tempo de um,
Roubo o tempo de todos.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Deselegância

Assim,
Sufocados por um paraíso inalcançável,
Furtamo-nos suicidas,
Cumprimo-nos sem prazer.

Então
Descobrimos a mentira
E mentíamos pretensiosamente por qualquer alívio,
Mesmo que alívio curto e aparente:
De tantas curtidões outra mentira;
Fundia-se outro lastro de nada.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Der Übermensch

Talvez nem tenha o que montar,
Pois o meu homem perfeito é uma bicha enlouquecida,
Desconstruído ou puro.

domingo, 22 de novembro de 2009

Transparente à Camisola

Cheguei a sorrir,
Mas doía...
Tentei não a permitir que pisasse neste mundo
E outro construí;
Chegou a ser habitável até que eu o inflamasse banhado a óleo,
Tornasse-o um irresistível chamado à dúvida.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Arcano XIII

Quando pensei estar segura,
Aninhada à alma de minha usura,
Havia me cansado:
A alma,
O corpo,
Os toques,
A fome;
Previa tudo,
Não queria.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Imbécile

Pois,
Disse-te que faria;
Farei.

"Pourquoi travailler ?": perguntei-me, então...
Acho que te amo,
Sei que te quero.

Vórtice

- Os trabalhos estão fechados! - avisou a cafetina velha
a coçar por entre os seios fartos e caídos.

Senti-me num sítio banal às pornochanchadas setentistas
Ou aos contos crus-de-fechar-o-livro de Bukowski,
Porém fiquei mais um tempo,
Busquei indefinida brilhância,
Afoguei-me naquela mesmice.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

The Big Deal

Preciso levar-te a determinado lugar
Com determinadas pessoas
Para falar-te algo que seja, ou só pareça, espontâneo.

O Monstro

Desintegrou partes até que restassem ossos
Como se ossos fossem cerne do que buscava,
Buscou a própria alma num toque delicado
Como se espelho não se tratasse de grosseria,
Vasculhou o desespero no seu reflexo comum
Como se tais retalhos nos dissessem alguma coisa,
Adornou fonemas e superfícies já usadas
Com uma falta triste e quase sua,
Mas ainda era monstro.

Jamais Montada

Quando Anete chegou,
Mal sabia sorrir e muito menos esquecer,
Não tinha as roupas certas
E andava à tortuosidade;
Os pés apontados para fora
E os joelhos deformados para dentro
Envergonhavam as demais garotas
Por estas, de alguma forma,
Sentirem-se iguais,
Convencionarem-se plausíveis a uma pressuposta medida mínima de pureza.

Todavia,
Enquanto sussurravam entre elas acerca do desleixo e do incabível,
Tudo aquilo bicho se voltava desejoso à maneira xucra de Anete,
Todas aquelas feras se esgueiravam ao compasso evasivo da prenda então presa;
Caía o mundo das putas.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Hipócrita e Dissimulado

Feito o germinar de qualquer em terra rossa,
Vinga facilmente,
Suporta quase tudo que não seja gente,
Abriga-te fresca,
Acolhe-te à sequência e à sobrevivência.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Demonova

Cabia-te o sereno,
As estradas vazias
E a sede de mim.
Dizia-te, a saudade,
Que o menor segredo seria mortal.

As tuas mãos de pele flácida e enrugada,
Que passeavam egoístas sobre o meu corpo,
Machucando os meus seios,
Arroxeando as minhas pernas,
Mais me serviram de medo;
Tornaram-me tu.

domingo, 15 de novembro de 2009

Pales


Se tudo conspira para que não sejamos uma ilha sombria,
Mas cantantes harpias cansadas de matar,
Olha-nos, agora, antes que comecemos a copiar a nossa própria alma,
Toca-me,
Aflora o teu ódio,
Semeia o ventre declarado seco por Zeus.

sábado, 14 de novembro de 2009

Eu testo mentindo
Ou minto que testo;
Eu falo cantando,
Meu bem,
Eu não presto.

A Aparição


O meu pulso pintado de dúvida,
Íntimo a desvencilhar-se dos agasalhos,
A degolar afagos lúcidos de quem finge não estar perdido,
Não te criou,
Salomé,
Não preenche em suposição os teus vazios em minh'alma,
Rende-se a instigar os teus limites.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Silêncio e Fuga

Seria para agora
Se eu te aprisionasse às amarras inexistentes da memória,
Se ao corrompimento deste crime perfeito não definhássemos ante o amor.

Não sei se adiante
Todos estes sepulcros poderão explicar-nos acerca desta ânsia,
Sobre esta renitência fantasiosa que suplicamos real,
Portanto,
Jamais julgaria a tua autoproteção, silêncio e fuga.

Controle

Sim, a cozinha nos fez humanos,
O controle sobre o que só o medo e o amor podem fazer.
Sim, o desejo nos fez profanos,
O controle sobre o que nada poderia responder.

O Ritual

Após deixá-los de molho em uma bacia com água por pouco mais de dez minutos, antes do fim da novela das oito, punha cada um dos pés por vez sobre o colo, coberto por toalha, da esposa e se desligava de toda a podridão enquanto ela esfoliava a recorrente camada de pele morta com as pontas das unhas. A cada grande pedaço dependurado por uma tênue película, o senhor aguardava o puxão seco da cônjuge para um suspiro curto de prazer, porém, às vezes extirpado antes do tempo, o pedaço de tez ressecada, abria-se uma sina acompanhada da dor aguda e do grito: "Caralho, mulher!" E esta torcia os lábios numa careta para repreender. "Quer que eu pare?": sempre a perguntar ao marido, e o mesmo, resmungando algo inteligível, concluía o código para que o ritual prosseguisse.

Ponto sem retorno

- Incomoda-te, amor,
Para que tenha valido a pena!
Anos a fio desejando queimar a própria obra
É que a faz ter valido a pena...
- instigou-me Rubi.

Vivamos

Buscaremos o problema,
O vértice de nossa estreitura,
Para catapultar o betume em flamas a quaisquer que sejam os castelos,
Mesmo que não planejemos deixá-los até a morte;
Sejamos heróis de bisnetos,
Afinal,
Vivamos.

Engrenar-nos-emos nesta compaixão meticulosa,
Ejacularemos o nosso ácido nesta peça podre
Para que digamos a nós mesmos que a manteremos viva;
Sejamos ladrões de nós mesmos,
Afinal,
Vivamos.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A Rapariga

A rapariga não é gira,
Não sabe cantar
E nem escrever;
Não,
A rapariga não é morta
E não é como se fosse,
É só uma rapariga.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Óbvio

Tá tudo assim meio qualquer coisa,
Teatro, japonês, trânsito e você sobre mim até dormir.
Tá tudo assim feito fluoxetina,
Novela, futebol, faxina e você sobre mim até dormir.
Tá tudo assim que nem a Rua Augusta,
Cinema, travestis, viciados e você sobre mim até dormir.
Tá tudo assim tão chato de matar,
Cacofonias, colisões, ecos e você sobre mim até dormir.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Antes Asas

Conheceu-a numa viagem de metrô quase vazio
E puxou uma conversa sem graça,
Talvez insuportável,
Na curiosidade mórbida da descoberta
De uma moça tão bela sentada em uma cadeira de rodas.
Falou de coisas simples
Que sempre acontecem por aí.
Falou de clima e de pessoas conhecidas,
Desconhecidas também.
Falou da vida.

O metrô reduzia e a moça disse:
- Tá na minha hora, foi um prazer te conhecer! - sorrindo e beijando-o no rosto.
(...)
Do desvio ao matrimônio, dez dias,
Dez dias de aguardo e receio.

(...)

Ela,
Vestida na camisola do dia,
Alva feito a sua pele,
Semi-transparecendo a roupa de baixo - alva feito a sua pele,
Exibindo a direção harmoniosa dos pelos pubianos abaixo de toda a alvadia,
"Seria perfeita não fosse a cadeira", pensou,
Todavia esqueceu a asneira ao canto de Thelxiepia.

Despiu-a.
Despiu-se.
Tocou-a como se não acreditasse no que observava,
Sentia:
Os pelos dourados às pontas dos dedos,
Os murmúrios ofensivos ao pé do ouvido,
As unhas agarradas ao dorso.

Desintegrou-de si,
Pois ela o possuíra
Antes que este descrevesse a intenção de dar,
Antes do medo das pernas zumbificadas,
Antes mesmo de satisfeito e sonolento.

Tempero Insosso

Sou vagante, vagabunda,
Porém ainda vassala do rei;
Virago guapa,
Mas afável,
Prestativa,
Transeunte de uma vida
Suplicante por cores primárias.

Sou hortelã
Exalante ao meio-dia,
E a chuva depois disso,
E o ocaso,
E a noite,
E o sorriso.

Sou o meu fim
E o fim da tua ânsia:
Eu sou menina,
Sou lá fora,
Morta antes de redentora.

Temperance

Por ninguém abrir mão,
Vamos matando os felas da puta
Que precisam comer e morar,
Vamos doando aos profetas e poetas
A semente e a ignição para a prole e a sedução.

domingo, 8 de novembro de 2009

Umbilicus Urbs Paulistana

Não irei falar de mim,
Não serei o que eu sou,
Rendo-me a esta umbra e a esta luz que jamais se misturaram.

sábado, 7 de novembro de 2009

Não ligue pra bagunça

Entre o queixo e o pescoço,
O magnífico golpe cego,
Imprevisível,
Um retrato do reflexo de um espasmo
Casto, se é possível,
Vasto, se em cada ramo de direção.

Big Freeze

Quando Deus se cansou da vida que levava,
Rodeado da mais perfeita solidão
E do seu ócio criativo de quinta,
Ou melhor, domingo,
Tentou o suicídio.

Pelejou,
O danado,
Mas a sua imortalidade era um defeito-
Descobria,
Portanto esperou,
Aguardou endoidecido pela morte de quem realizaria a última extremunção.

Congelando Beijos

O presente,
Morto antes que eu perceba,
Não me falta;
O limite é meu
E,
Por engessar perigos,
Sou mais frágil do que sonho.

Pactum Sceleris

A minha atrocidade padeceria,
Enfim,
Se eu te fosse toda fogosa,
Dispensando o horizonte até mim,
O salto de tudo na energia do vazio,
Porém,
Cansada deste conversê de tias velhas-
Cascudas de futucar feridas facilmente estancáveis
E animadas a cada novo mililitro de pus fedorento,
Procuro outro rumo,
Otário!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Calcinha Vermelha e Violão

O áspero tilintar confundia, traía,
Porém me quedava imbecil à tortura sarcástica da boca,
O arquear-se vaidoso das sobrancelhas:
Não haveria julho, dois ou três,
Pernambuco esparramado à marina
Ou a chaga para nos amarmos loucos à solução.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Pedacinhos

- Deu-se quando tentei ultrapassar sem sucesso a porta do meu lar... Não sentia as mãos, pareceram-me pedras enquanto esmurrava as paredes a fim de notar qualquer formigamento; quebraram-se não sei quando, em algum momento da progressiva imposição de força, e os pulsos cambaleavam livres ao redor dos antebraços ornados por sinas pavorosas. Por um instante brinquei, retornei ao jardim de infância a sacudir os membros como malabares em minha fantasia. Inflamados seriam lindos, pensei, e assim ficaram; ateou-se do desejo a flama que consumiu tudo, corpo e lugar. Eu e tudo, então, éramos casca, e feito casca fomos erodidos pelo vento, uma brisa, digo, que separava lentamente alguns pedacinhos de mim, ou do tudo, ou de nós.

- Desapareceste, então?

- Não sei ao certo, não enxergava ou dispunha de qualquer dos sentidos corpóreos, mas me sentia aqui e ali: migalhas comidas por engano por terem caído num prato de feijão, outras a contar automóveis por estarem pregadas ao asfalto ardente de uma cosmópole que não reconheci, e ainda havia aquelas que apenas planavam, de um lugar para outro, sem direção.

A Coisa Hilária de Triste

- Pim, pim, pim! - sem dar trégua ao martelo
E à corda também...
Confeitada pela caganeira pseudo-epistemológica,
A torta, toda torta, só servia àquilo mesmo,
Peça de cenografia,
Clímax de pastelão.

Assim,
Seguindo a feiura sem dor de Federico,
Tinha que ter a gorda medonha a crer-se Rapunzel ou Juliet,
Aquela que toda fé é crida no simulacro da atabalhoada ventura,
Pois somos gente e cultivamos a nossa própria miséria
Em troca de uma gargalhada libertadora.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A Prenda e o Caudilho

A cara de nojenta,
O caos,
A mentira a guiar-me médico,
O sonho a enforcar-me cético,
O amor na inconstância vil,
A camarilha sem um velho ator,
O fulguroso repetente transe
E a voz
Esturrando tudo o que se move.

Camadismos, Fibrismos e Ululismos

Tu te traías
E eu a mim por permitir-te,
Porém não havia traição mais doce,
Complemento melhor à vida;
Destruir-se livre.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Os fios soltos da rede neural

É senhorita do marasmo,
Caraminholando sobre ícones rabiscados em pedras polidas-
Mortos feito aquela gente e a sua tríade
(As suas vilas e necessidades).

domingo, 1 de novembro de 2009

Semitom

Quando desarmei o sabor da lágrima,
Tão ou mais livre do que o grito,
Entendia-a em qualquer estação,
Animando-se a todo amor completo.

Mas amor é imprevisível,
Distorce verdades convencidas e factuais,
Torna-as nojentas por proteção
E,
Talvez,
Faz da mentira redenção.

sábado, 31 de outubro de 2009

Brinquedos Vagabundos

Like a warm breeze,
Assim,
Doce de tão comum;
Quase desintegrada ao nada,
Apontando o jeito ao nada,
Interrompendo-o em alguma coisa,
Assim,
Rendendo o pouco que conheço.

Adagio Ma Non Troppo

A letra perneta,
Capenga, de muleta,
Tropeçou na calçada
Irregular da Angélica,
Quebrou a cabeça
E morreu.

Bloqueando Protocolos

Reação estranha, a minha,
Reativa em demasiado a esta respiração,
A esta rabugice barulhenta de brônquios doentes,
A este próprio pesar pela corrupção do silêncio.

Se não é honesta, pressuponho;
De que honestidade é feita a civilização,
Excetuando-se a mátria continuidade?

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Futebol

Outrora circo,
Hoje campo de batalha...
Do fascínio dionisíaco do dithyrambu
À sangria apolínea do Colosseum:
Que merda!

Qu'est-ce que l'amour?

Eu te gosto, amor,
Paradiso dei debole,
Dulce calabozo.
Não te julgo, amor,
Não há sequer lei;
Fato há, talvez,
Se nos distraímos.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Filhos: Eu, Eles

Queremos saber o que nossos filhos fazem,
Mas nossos filhos não querem nem saber.
Queremos errar menos que nossos pais,
Porém faz muito tempo que fora erro.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A observada, as crianças e o caçador

À verdade, perco-me em tua mesmice,
Teu canto triste de qualquer um - impotente,
Tua chaga carente por um rasgo maior - irreversível,
Tua ânsia em ser terra explorada,
Dizimada até outra natureza.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Inverno

Não sei em que mentira acreditar...
Deste-me as fibras do lugar,
Todas que conseguiste ver,
E até que percebesses as tecidas até tudo o que cremos,
O barulho branco que seguimos sem questões,
Já te enforcaras sem querer;
Morrias linda em nossa teia.

Enquanto todos calam a ouvir

- Eu dizia! - intercedeu-me
Como se fosse maioria,
Mas era eu;
Tenho certeza!
Sentia a ânsia vibrando,
Os rigores da raiva viviam,
Eu me denunciava naquele momento.

- Nada de ti ali surgia:
Nenhum indício,
Ditas falhas de caráter,
Trejeitos ou desejos de redenção. - afirmei.

- Quisera tu tal unicidade,
Compreensão de onde me rastejo,
Esgueiro-me sedenta por vida,
Transformo o todo em um impulso pequeno. - calou-me,
A súcubo.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Herança

Encaixotamos as roupas e brinquedos,
Os quadros, relógios, espelhos e tudo preso às paredes,
Os diários, cadernos, rabiscos e tudo de escrever ou ser escrito,
A tevê, rádio, livros, computador e todos os escambos de espírito,
A caixinha de música, fotografias, estátuas de massinha e todos os bibelôs de sofrer,
Mas o vinho do Porto,
Ah,
Esse carregamos!

domingo, 25 de outubro de 2009

Viva o Dia!

Sei que é azedo este aroma de dúvida:
Insuportável para quem passa
E nauseabundo (até o hábito-
então doce por desvendar-se claro)
Para quem fica.

sábado, 24 de outubro de 2009

Lua e Fome

Devorada pela tua respiração,
Insistia em sentir-me enojada pelos meus arrepios,
Apodrecida por guiar-me a ti,
Obumbrada por não haver lado para a minha escora.

Era menos do que uma mão esticada
Até o teu peito,
À tua fome,
Teu pau duro,
Minhas asas,
Todavia seguia temerosa,
Maquinando alçapões,
Decifrando um futuro feito de pretérito,
Cobrindo o que cria vergonha.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Timão

Não entendi falha na névoa após o alcance,
Na lâmina de Tsunetomo,
No fragmento esquecido com o tempo,
Nos garranchos de Picasso,
Nos sulcos neperianos da tez,
Na voz trêmula de Drummond,
No barulho até a surdez,
Nas pernas longas de Sócrates,
Na ilusão pra ser feliz,
No amor - com outros laços - de Simone,
Na morte.

Entenda, bem;
Bem não creio,
Acompanho.

Simples

Não é profundo, não,
Nem tem abismo, não;
É tão humano,
Passível à aceitação,
Que se parte em fractais até voltar a tudo tão simples,
Simples de irritar.

Não tem caminho, não,
Nem direção,
Mas vem que a gente encontra,
E se não der a gente inventa,
Assim,
Simples de doer.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Petra

Um menino encardido,
Bastardo dos sonhos dispostos sem querer em qualquer mesa de jantar,
Ia cantando apressado,
Denunciando a carência maculada em um afago doentio:
Esse menino se via
E questionava a ironia dum covarde ser gentil.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

As Matrizes

Cabisbaixo em meu grilhão pacífico,
Distante do maná,
Ausente na tormenta,
Desencontrei-me no plantio destas verbenas prestes a florir.

A porção que se daria,
Mínima que fosse,
Faria pai o meu demônio,
Assustaria a minha vida.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Perdidos

Não acredito muito em saudade;
A vida é breve para resgates de si mesma,
O incômodo ama desescurecer.

O Passo

Aonde conduzirá o passo que escolheste,
Ademais, o que denunciava e implorava antes de assumi-lo?
Propõe algo novo nestas quatro dimensões?
Esperas que alguém o desconstrua, redefina-o, copie-o, enterre-o ou o ressuscite?

sábado, 17 de outubro de 2009

A Aranha e a Vassoura

Na condição temporária em nosso idioma
Latino,
Você,
Louca para pisar na lama,
Doida para decompor-se,
Reunir-se deformada,
Continua a varrer ídolos para dentro;
Nem ídolos seus,
Sua quase certeza.

Na ação momentânea em nosso código
Sagrado,
Ido e vindo de resgates e profecias,
Perde-se neste bolo biodigital,
Genético a bits e empacotado a enzimas,
A varrer ídolos para dentro;
Nem ídolos seus,
Sua quase certeza.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Não Basta Ser Vivo

Era desejo inconsciente
Marcado na volúpia daqueles lábios,
No caminhar procurante a querer-se procurada
E nos pequeninos peitos tocados por encanto.

Era sofreguidão adolescente,
Impulso quente e formigado,
Sexo imantado - preso à corrente,
Estação para os amantes.

Jardineira

Para aguardar a escuridão,
Preparou outro arranjo floral
De hortênsias a um dia da morte
E margaridas recém-brotadas,
Desenhou uma rota a partir de memórias
E a desconstruiu calhada-
Cobriu as faltas com mentiras,
Salvou as dores num diário
E cantou a fome que o guiava,
Despertou o monstro que criou
E o atingiu de uma só vez no peito.

Desesperadamente,
Não havia tempo e razão para a treva,
Mas uma luz sem sentido aparente.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O Ator e a Bailarina da Caixinha

Guardarei neste pequeno sempre,
Cercado ou composto de todos estes desejos chinfrins,
Exposto para quem me visita,
Disposto à tua fome,
Desprovido da tua alcunha,
Cheio de ti que eu cria incerto.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Pupa

Chegou dez minutos atrasada
E exigiu uma pose-
Uma que não a era.
Cobriu os pés,
Descobriu-os ao meu pedido
E suplicou para que eu não os julgasse daquele jeito.

Colhi as pelancas,
Rugas,
Olheiras,
Joanetes,
Joelhos escuros,
Peitos caídos
E afirmei ter desistido,
Mas havia encontrado.

Fração Querida

Eu quero ser a Doris Day
A interpretar a Calamity
Que interpretava o Wild Bill
Num fim de vida deprimente.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Merda

Perde-se,
Não grita;
Sussurra claramente cada sílaba
E transforma a sentença em adaga
Para cortar o meu tórax de baixo para cima,
Tira-me a vida a destronar a minha redoma de nada,
Torna-me puta,
Xucra,
Pouco,
Gente!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O Vilão

Não resisto a um vilão classudo e poderoso;
O Satanás de Milton é um charme,
O Deus de Nietzsche uma delícia.

domingo, 11 de outubro de 2009

Folie à Deux

Xingavam-se pelo elogio ao momento:
O ego, o trauma, o açoite ou a possibilidade
Importaria?

sábado, 10 de outubro de 2009

Fibrismo

Não quero a margem de erro para acertar,
Não quero o acerto;
Desejo a satisfação da falta de guias,
A alumiação sem querer,
O mar pelo vinco surgido do golpe
Até o mar escapulido pelo mar dalguma coisa.

Desejo ser,
Pois ser-se não se trata de mesura.

Não quero vírgulas e bases numéricas,
Preciso de todo o espectro;
Todos os elétrons orbitando pela luz que for,
Todos os sentidos possíveis a fim de sentir o que não há,
Todas as vozes, doenças e curas.

Desejo ser,
Pois ser-se não se é sozinho.

Movimento

Para desvendar-me em natureza sartriana,
Feito os elementos para sempre indivisíveis em nossas almas-
Indivisíveis por se comporem alma,
Abandono-te agora.

Distâncias

Traço em feitura de bicho,
Distraído no espaço,
Pigmento borrado tortuoso na pedra ou papel,
Fundido em fração de certeza no bronze ou aço,
Talhado no espaço mutável e nu,
Ingrato à beleza do nada,
Complexo e impossível horizonte,
Couro de búfalo ornamentado após o frio sanado,
Amado e odiado em descrição post mortem,
Abstrato por intervenção,
Casto.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Maria Gadu

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=bD0YGQTBBgM&hl=pt-br&fs=1&border=1]

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Comuns Amanhã

A tua ordem amarrada a mim,
O teu desejo guiando o meu tédio,
A tua boca abraçada ao meu pau, pedra e espinho.

Clara

Aproveitante da exuberância de sua velhice,
Conduzia-nos assumindo-a orgulhosa,
Decepando os pedaços de tempo fragmentados na memória
Com o vigor de atualidade preenchido pela clareza de timbre e espírito.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Transparente de Fato

No desiquilíbrio das coisas,
Apodrecimento da carne,
Deturpação das ideias
E condição ao instinto,
Minto,
Finjo que está tudo bem,
Proclamo um Deus para dissolver
E até disfarço não viver em mim.

Mas o porquê destas flores quebrando o concreto
Insiste em contrariar-me,
Retorna-me límpido,
Puro que dói,
Transparente de fato.

O Luxo da Cegueira

Não me guies aonde vais,
Meu Asmodeus sem garras,
Preciso-te nebuloso,
Impiedoso em minhas especulações,
Sagrado.

A Comodidade

Atiça a morte feito estopim de fissão,
Assim, entubada aos tonéis de sonhos e doçuras,
Lavada a bucha umedecida,
Isolada do pranto, da pena e da satisfação.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Banheiro de Avião

Eu me sinto, enfim,
Tudo nu
Em mim
Não há nada a ser perdido.

Vidinha Fela da Puta

Diante da minha janela,
Coçando as bieiras entre as pernas,
Escondendo os espelhos ou escolhendo as poses,
Falando de amor como se eu fosse o alvo sendo,
Sonhando,
Tentando calar sem sucesso,
Determino o grotesco.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

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Caipira Cosmopolita

Lá vai ela subindo a rua,
Saia rodada de cigana e botoque de yanomami,
Passos de bailarina e pé de barriga de bêbeda,
Impacto de Caymmi e cabelos de serafim.

Lá vai ela dobrando a esquina,
Imortal para as crianças,
Para mim,
Solfejando a nona aos interlúdios de Sepultura,
Cortejando a noite,
Devorando-me.

Links

Atada a um passado reluzente
Por um futuro aparente,
Revidava aos golpes
Marcando e sendo marcada,
Parindo um rio de sangue contigo.

Esqueci-me e reneguei o hilariante,
O assumir-me feia,
O depurar-me pouco,
O reivindicar da própria vergonha exposta por asas maiores;
Passei por ali guiando outros aos outros,
Sofrendo de outros por mim.

Travestidos de Maria

Travestidos de Maria,
Momentâneas Marias para o seu salvador,
Cobriam os seios outrora dispostos ao aluguel em vitrines encardidas,
Fingiam a timidez no quase sempre eficaz sorriso pela metade.

Travestidos de Maria,
Eternas e impossíveis Marias,
Iam aonde desejaram desde o princípio,
Antes de consumidos pelas calçadas e sonhos alheios,
Desde a própria Maria absorvida.

domingo, 4 de outubro de 2009

O Plebeu

Outono no meu peito,
Que tal sorrir agora?

sábado, 3 de outubro de 2009

Boca Suja com Classe

Se corriam aprisionados quando putos,
Apaixonados pelos bordões sobre a conquista,
Por que agora os corpos presos?
Não querem novas jaulas d'espírito, os putos,
As barras lhe parecem áureas,
O chão abrasivo,
O espaço infinito.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Descompasso

Não me toque ainda,
Dê-me a ânsia por teu carinho morno diante deste frio paulistano,
Sê-me o arrepio,
O segundo que não chega,
O descontrole de mim.

Jambo

Para sanar a quizumba,
O busto sob a seda,
Animando-a;
E nisto tudo,
Então à mostra,
O colo lustroso e colorido de quem namora a luz para incitar.

- Vem, Sabiá, prova-me, carrega o meu corpo!

Linha Reta

Sim, olhava para a mineira mequetrefe que,
Pinada após tudo berrar sem caminhos de lisonja,
Retornava ao estado de fruta pêca
Devorada no desespero de fome até o passar-me mal.

Palhaço sem Pó-de-Arroz

Vai de mal,
De mala e cuia,
De destempero,
E ninguém sabe direito o motivo da revolta.

Tem o seu jeito
Meio sem jeito,
Mas é o jeito que tudo o espera;
A cicatriz
E a tal feiura,
De tão marcantes são imortais.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Sou

Sou,
Sim,
Animal dotado de fala e trapos,
Fado bem resolvido de não,
Mentira contra o fato,
Livro aberto - em branco em parte
E colado doutras gentes noutra
(Difícil leitura da tão fácil
Carência de porra nenhuma),
O medo da morte em vão,
Do limite com limitação,
A sina de gritar pela mãe ou sê-la,
O contorcer-se por mais um segundo,
O mundo
Refletido em mim para mim.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Alarde Sincero

A boca podre que me consome receptiva,
Repetitiva em minha lamúria de carência,
Não é máscara,
Não tem graça;
Não pode ser despida.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Loucas para viver, prontas a morrer

Os suportes de madeirite sobre os cavaletes,
Os papéis e telas nuas que nestes cabem,
As paredes de vidro a vomitar a Angélica,
As colunas de aço a aprisionar sem alpiste e capim-estrela,
O narizinho arrebitado de Deméter,
A corrida ao terraço contra a contravenção,
A couraça de mentiras,
O não:
Tudo residido em uma sala onde o chão acolhe estendidas as ilusões.

Ainda Eras

Não perdoei a luz a apagar os teus pigmentos;
Fria na imensidão de nada,
Rígida,
Estatelada.

Corrompido
E instigado,
Tomei para mim no meu atraso de tempo e te refiz:
Esculpida,
Modelada;
Da maneira que fosse ainda eras,
Em pedaços ainda eras.

domingo, 27 de setembro de 2009

Convencida e Convenção

Quiçá corpos apaixonados pela falta de alcunha,
Livres de um terror místico - seus guias e patuás,
Prontos para morrer sem paz.

A Vingança

Amo-me maluca se saires por esta porta,
Se disseres que estamos mortos,
Se fingires o desespero.

Dispo-me fajuta se entrevares as minhas lembranças,
Se se opuseres ao que sinto,
Se eu sentir que me enganas.

sábado, 26 de setembro de 2009

Confins

Assim que adentrou o cômodo, reconheceu na maltrapilha senhora, a única ainda viva dos dezesseis rebelados, a face marcante de Sara, a inesquecível cortesã. Por conseguinte, curioso, ordenou aos seus homens que saíssem do lugar para que a interrogasse em nome de Deus. Acuada e enfurecida por tanto, cobria as feridas e cerrava o semblante como se não quisesse admitir a subjugação, o que não causava efeito aparente no comportamento de seu suposto mestre, a arrastar languidamente um caixote de madeira por metade do ambiente sujo e ensanguentado a fim de sentar-se à sua frente.

- O que o nome Sara de Confins te diz, bruxa?

- Falas a ela, impuro.

- Impossível, bruxa, Sara está morta há trinta anos.

- As marcas que vês neste rosto são os trinta anos que perdeste. - tornando a face para o homem, atônito.

Entre São Paulo e Brasília


Espero por um jeito,
Ou não;
Amedronto-me em tudo assim,
Acovardo-me por futuros também sombrios,
Choro declarando impotência,
Calo-me ausente do todo.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O Ódio das Fadas

Deste lugar em mim,
Por que julgar?
Enfim,
Tudo se separou:
Sofreguidão e amor,
Luz e destemperança,
Horror e ilusões...

E só resta um sopro vulgar a dizer que sim.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Mais ou Menos Dois Metros

Sábado irei ao mestre
Pedir uns conselhos,
Calar meus impulsos
Por outros renutridos,
Mudar de discurso,
De ideia,
De espelho.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Cacimba d'Água Turva

Meu ego:
Melhor pessoa para denegrir-me.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Primavera Confusa

Por estancar aromas de alegria
E mimetizar distrações dispersivas em gana,
Perdi-te, razão,
Deixei-te, amor.

Quarenta e Sete

Meu pulso doía,
Pulsava a ponto de tornar insensíveis as extremidades dos dedos,
Bravejava tanto que ocultara a gravidade do meu ato de minutos atrás;
Machuquei-me
Estocando o chão assim que eu trespassava o objeto d'amor,
Olvidando os limites da vida explodida em ódio.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Boneca de Pano

Boneca de pano a conduzir a dança,
Vai malemolente feito criança;
Desenha no espaço firulas de sonho
E assusta o infinito de um dia comum.

Após a Diáspora dos Bruxos

Quiçá estaríamos leves de anulados,
Por agora, de ignotos, impassíveis.
Quiçá render-no-íamos às lunações
Cultivando a gravidade dos sentidos,
Contemplando a destreza dos instintos,
Rindo
Livres.

domingo, 20 de setembro de 2009

Resgate Impossível ou Todos Mortos

Ter-me-ia consumido a existência por duas horas
E retornado à mesma num salto exato,
Sem soluço;
Até duvidei das engrenagens de nossa comparação nodada,
Dependurada na parede da sala de estar!

Se a alma vagava sem meu perdão:
Vagabunda, onde estava?

Tocada

Dominante, em ré forte,
Imponente de frágil,
Pedinte de ágil,
Sacrifício à semana,
Desperdício e glória ao seu fim.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Mentiras na Rio Branco

Vou perder o teu tom salafrário,
Debruçar-me em novo itinerário,
Esquecer-te ao silêncio em mim,
Açoitar-me a um novo sim.

Vou jogar o teu nome no lixo,
Persistir no que sempre insisto:
Treparei com quem não te quer bem,
Voltarei para mim sem ninguém.

Vou deixar de contar os minutos,
Afogar no meu sangue os insultos,
Decifrar os desejos por vir,
Acordar para tentar sorrir.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Feito Água

Então, assim que me compus sereno
Dos horrores ocultos nas minhas Mistresses de Varsóvia,
Tanto pavor encadeado em couraça de Reginas de mim,
Desejei estender-lhes a fantasia fecundada numa mãe zumbi.

A Barca do Nada

Ao andamento do Jazz,
Sonhando alto pra ser,
No creía en las diosas adoradas
Mientras se olvidava de si mismo.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Camadas transparentes, talvez inexistentes

Morte e praga a conter deuses esquizofrênicos,
Anarco-capitalismo a coexistir em condomínios e favelas,
Seduções e tentações a orientar rasuras até a superfície,
Arrastamentos e sofreguidões a ver.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A Sincera Imperfeição nos Graves Calibres

Da clareza maior no espanto
Por ranhuras de herança do seco,
Vão vibrantes,
Quase afogantes,
As primárias de extração por via de golpes
Ignorantes dos desmembramentos delas...

Unem-se separadas numa chacina do belo,
Despem-se escandalosamente os passos,
Sobrevivem do primeiro traço até enquanto houver sonho.

Escala sem marcas e extremos sem polos

Desde o tempero rude, jamais tristeza vívida;
Prosseguimos
Entrevados se se ocultam vias,
Felizes se nos destememos.

sábado, 12 de setembro de 2009

A Xícara de Porcelana, o Chocolate e o Martelo

Seria mais fácil,
Sei,
Se não fosse a herança nas alcunhas,
Mas conhecemos o gigante,
Conhecemos a sua preguiça.

My Dear Nosser

O teu sinal de verdade,
Lembrança de infância,
Um dia me apaixonou,
Abestou-me,
Acalmou o bicho em mim.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Eu te Amo

Distante desta frigidez a tornar-se Arábia da noite pro dia,
Invito tudo o que reclama a vida afogada em teus poucos sentidos.

As Curandeiras

Presas por tiara,
Linhas feito foice na curva até os ombros;
Livres por paixão,
Eu não saberia definir este cotidiano se não tivesse visto.

Um dia cedi,
Outro menti estafado da espera.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Amplificação da Luz por Emissão Estimulada de Radiação

Hoje tudo vira super,
Nem é preciso raio laser.

Pulso e Alma Soltos

Não te preocupes tanto aonde chegar;
A questão irrespondível,
Irresponsável,
De como chegaste ao absurdo emanando-se coerente
Faz mais sentindo aos nossos olhos de gente.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Glória

Glória rodeada de lama;
Frágil Glória caçadora de vida,
Glória ágil nos escombros de luz.

Os Santos Nem Nasceram

Se é que posso oferecer-vos,
Tomai o universo de meu sinhô;
Bebei aos poucos:
Agride as mucosas
E o espírito triste,
Se é de tristeza que fazeis os vossos.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Sixth Sense

Tilintando infinitos possíveis,
Fagulhando impossibilidades finitas,
Desenho os teus nomes de analfabeto que sou.

Disorderly Me

Quem de nós outrora se lamuriou
Perante esta insustentável compaixão?

Bem,
Admitidos nesta natureza primitiva,
Não há coragem ou força para tomá-la,
Vontade ou consciência suficientes para mantê-la.

domingo, 6 de setembro de 2009

Caipirinha

Futuquei sem saber o que queria encontrar;
Talvez quisesse um reflexo para algo dizer,
Não te permitir desinteressar-se,
Dispersar o incômodo silêncio.
Cavuquei entre inúmeros pigmentos que não eram teus
A fim de assim fazê-los, teus
Lápis-lazúli e âmbar,
Jaspe e turmalina.

sábado, 5 de setembro de 2009

As Últimas Mulheres da Minha Primeira Vida

Tratadas feito obras de arte em construção,
Crianças infelizes;
Nem as mães são felizes.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Plural de Doidice

O arco que a tua boca faz
Quando está séria,
Toda pensativa,
É o arco que nos deixa sempre divididos.

O brilho que os teus olhos são
Quando está fula,
Toda pê da vida,
É o brilho a alumiar-nos sobre o tal perigo.

E não me importa se esquecer-me
Daqui a uma ou quatro estações,
Porque fui eu quem desassossegou;
Eu não esqueço, não.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Viagem de Cristais Quebrados

Aconteceu iludida num sonho que julgamos tangível:
A beleza crível por transe
E o destemor da sapiência fugaz
A aloprar os instintos e medos.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

ابتسامة

Ela mora no deserto,
Alegra-se quando vê nuvens,
Entristece-se pelo mundo não desaguar em seu peito,
Anoitece-se feito as flores que cultiva a respirar do avesso,
Ama-se sem saber e precisar,
É-se.

Rara Felicidade

Não perdeste as nuvens,
Ainda hão de chorar em teu céu desértico.

Após o Costume

As assassinas têm mais peito,
São mais fartas,
Fartas de tudo;
Revelam-se frágeis debaixo da pintura monstruosa que a convenção as impôs,
Suportam-se hábeis na sobrevida de deusas demonizadas,
Permanecem.

domingo, 30 de agosto de 2009

Vagabunda

Não mais te quero,
Não mais te sinto,
Amor,
Não mais te busco a dor
Para fazer-te em mim.

Não obrigada!

Se é só por isso:
Um cerne de feromônio,
Uma caixinha de porra,
Uma marca vaidosa;
Não, obrigada!

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Después del Burro Muerto

Chegou, assim
Como quem não quer nada, assim
Golpeando-me em desculpa, assim
Roto por uma briga, assim
Fedendo a cachaça, assim
Bem distante de mim.

Oscuridad

Nesta voz em que só há inverno,
Esta voz de roucos timbres nus,
Esqueci-me por tudo o que quero,
Esqueci-me,
Meu bem,
Devaneado num lugar qualquer.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Los Amores Grises

Tenha em mim a fé
De tudo à sede de viver,
Dos laços atados para sermos,
Da gana insensível por esta luz dolorosa.

Моя сладкая иллюзия

Seduzido,
Repetia feito bobo os jargões que eu encenava,
Tentava tocar a minha semideusa mesmo diante do perigo,
Sofria para sempre em um minuto - feito um homem qualquer.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Sem tempo para a fúria

Se precisei morrer todos os dias,
Parir todas as noites
E nascer à fome,
Isso não me bastaria se ainda há esses olhinhos ressecados de falta de tudo,
Que nem lágrima vertem;
Essa expressão renitente,
Insistente feito o vento a talhar,
Afogando-se em si necessária.

Resolução

Não é preciso,
Nada é preciso,
Não há resolução:
Tudo já é resolvido.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Mesmo Eu

Torno os meus olhos cegos
À direção dos sons e aromas provindos de quem congratulo.

Be Right Back

Mesmo que me entenda só,
Caminhando só,
Espero te reconhecer em meus contratempos;
Sacrificada por ti mesma,
Adornada por teus caprichos.

trojanlib

Pedi para vê-la durante o dia,
Distante das benfeitorias guiadas pela Lua,
E,
Sim,
Beirava a perfeição.

domingo, 23 de agosto de 2009

Rojos y Morados

Rendeu-me os lábios,
Morosa,
Quase a prosa em verso,
Sempre ao que peço no instinto:
Doçura, enfim, num rito.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Apaguinho

Onde esteve este pedaço de tempo,
Aconteceu?
Tão pouco tempo,
Quase nada,
Aonde a vida fugiu acordada.

Onde esteve a palavra que faria sentido?
Não me senti,
Não caí,
Não acordei:
Avancei sem mim
Ou apenas reapareci.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Austera até que se torne criança

Não nego,
Senti estranhamento:
Aquela mulher temida,
Sisuda de tudo,
De porte,
De ordens,
Metamorfoseava-se em feto sobre o meu colo,
Nascia chorando e crescia em pedidos até antes de si feito gênero.
Chamaria de estupenda atuação
As vozes agudadas e diversas,
Mas acredito na minha crueldade;
Era aquilo mesmo, meu Deus!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Meine Succubus

Dissimulada em sua bruma
Vermelha,
Quase um arrepio,
O prazer do suicídio.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Miúdos

Eles apelidam feito um miúdo,
Com o génio agressivo dos miúdos,
A tentar fazer pensar não serem miúdos
Desejosos pelo aconchego e pela ponte com a mãe,
Mas são.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Estímulo

Contra a minha vontade,
Tomou o meu corpo feito bicho;
Com os dedos rombudos marcou as minhas coxas,
Com os dentes pronunciados arranhou os meus caprichos.

Pela minha temperança,
Traí-a aos golpes pelo vazio ou bloqueados,
A esvair todo o motivo,
Tateando a escuridão de mim assim que me entregava.

Tentei repugná-lo,
Atrair toda memória pelo nojo,
Mas até isso o cansaço me tirou:
Por um momento,
Para que me envergonhe,
Quase adormecida,
O estímulo me encantou.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Coração de Manteiga

Estamos bem chatos,
Um porre:

Demonizando demônios românticos,
Aniquilando anti-heróis charmosos
E censurando pragas destemidas,
Sem o aporte,
Nenhuma redenção da sagrada bondade mentirosa que sugere a nossa crítica nauseabunda,
Estamos chatos,
Sacais!

Contradições Necessárias

Disse-me ser necessária a vastidão para a devassidão dos arcaísmos e dos métodos mecânicos adquiridos, mas até no Olimpo havia mais deuses do que árvores onde a mesma se alimentava. Embora cada árvore ser ramo de três ou quatro córregos, intersecção de uma ou duas centenas de aves e oito ou nove milhares de invertebrados, de toda aquela primitividade nutritiva se enojava, devorando apenas o rubor da carne que cobria os frutos de mesma espécie.

João e Maria

Se nem tudo que merece alcunha existe,
São meras migalhas de pão
Esparramadas à relva para que não nos desgarremos duma sobrevivência abstrata,
Por que dar nome às bruxas?

Ademais, por que bruxas?

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Amostras

Ruas frias e de gente quente, congeladas;
Salas quentes e de gente fria, acaloradas.

Epitáfio de um Cibercangaceiro

Você,
Meu rubi de alicerces frágeis,
Minha pequena porção de sonho,
Não precisa me pedir a imortalidade:
Transpira-lhe,
Condena-me.

sábado, 8 de agosto de 2009

Antes da Noite

Ainda morno,
O sangue envenenado da grande dama era distribuído a todos:
Muitos ainda tentaram sentir o aroma frugal da profetisa no pouco que lhes coube,
Porém não havia tempo e,
Antes que cessasse o encanto,
Entrevaram-se.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Assassina

Há que quase vê-la, Senhor,
Dissolvendo-se em qualquer cenário,
Corrompendo-se aos chamarizes,
Acalmando com o seu flerte as sombras zangadas pela réstia de luz.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Animal Comum

Para saber se te arde o corpo,
Corrompe-te a suavidade da dança um murmúrio,
Enrijece-te a pele imaginar passos seguintes,
Voos sem quedas por mandá-las ao inferno,
Lápides de aflição,
Animal comum.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Destemer

Ri e se envolve,
Revolve a vida,
Devolve o caos,
Pertence-se.

Il Lupo

Pronta para fugir do risco de ser mulher,
Permaneço desfazendo o calor absoluto a tudo o que conheço,
Desafio o instante de putrefação das minhas extremidades de verbena.
Reclamante da minh'alma,
Fugida com um desafio alheio por alguns trocados,
Peço-a ao Sol por tanto luzir
E à morte por tanto parir-me,
Mas,
Sim,
Jamais te pediria este encontro.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Pragma

Percebendo estreitar-se o mundo,
Caindo aos golpes da embriaguez ia.
Quase desejando desfazer-se do primeiro,
Contrapondo-o pelo segundo e urgente,
Observava os cantos por um jeitoso
Apesar de qualquer coisa parecê-lo...
Poderia deitar e dormir,
Mas tinha sonhos ressentidos,
Uma coragem descomunal
E nenhuma fé no erro.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Árvore

Ainda reclamam dos rumos,
Os tais Narcisos das traças,
Esperneando soluções impossíveis e inseduzíveis à nossa gana primata,
Produzindo cascões horrorosos sobre feridas bem feitas,
Daquelas de aleijar ou matar.

Ainda proclamam um resgate,
Os tais Apolos de merda,
Duma dignidade floreada pelo desejo de arranhar os céus com a cabeça enfiada no esgoto,
Duma idolatria aos arquétipos descritos em cadáver que também batem tambor em terreiro.

Ainda se mijam de medo,
Os trogloditas adestrados,
De cambiarmos facilmente a paniscos munidos de alavancas,
Rodeando o que interessa para nos mantermos vivos.

domingo, 2 de agosto de 2009

Fragmento de Velório

Achei aquilo uma falta de vergonha! A comadre debruçada no caixão, chorando a morte do esposo, e o povo pedindo pra se adiantar porque tinha outro morto na fila. Vê se pode? Nem morto escapa da tal da fila: pelo menos, depois de passar a vida toda atrás da fila, o compadre Josias conseguiu ficar na frente; morto, mas na frente.

Pra variar, quando voltava pra minha casa, depois de tentar consolar a comadre lá no fim do mundo onde ela mora, me aparece aquele rapagote metido a besta que sempre me olha dos pés à cabeça. O danado me chegou e, pela primeira vez, resolveu falar alguma coisa: contou que sempre me via passar por ali, que não me conhecia, que o nome dele era Amarildo, que era solteiro, que me achava bonita... Então me diga aí: Eu, Maria da Anunciação Sá Pereira, baiana, do lar, mãe de três galalaus e viúva do único macho que me tocou, me prestaria a um serviço desse? Soltei um "cê me respeite, pivete" e quase lhe esbolachei a cara, mas sabe lá quem era o tal? Àquelas horas e naquele escuro, não confio em ninguém, nem na minha valentia.

Traidora de Mim

O terror anacrônico,
O parto,
A efígie presa aos sentidos,
Os mortos todos ao redor,
A desconfiança,
A minha estupidez:
Feito antes que eu pensasse,
Concordasse com o silêncio,
A paz,
Nutrisse-me de um amor primitivo.

Pu-los em risco por mim,
Por eles,
Por qualquer diabo que nos parta,
Grito que nos salve.

sábado, 1 de agosto de 2009

Dança dos Mudos

O processo pai não é o profeta
Nem o profetizado,
Mas a profecia:
Do tom ao andamento.

Agonia VI

Olho para cima;
Minha cara,
Meu corpo,
Minh'alma,
Tudo!

Olho para cima
E minto para não ver,
Mas está lá,
Pronto para me conceber,
Assíduo em suas caraminholas orgânicas,
Impregnado em meus destemperos e traços.

Olho,
Só olho:
Conformo-me?
Há vezes que sim,
Noutras compito contra mim mesmo,
Há ainda aquelas que penso em dar-me o ar da honra,
Porém prossigo,
Vendo-me repetido.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Pupi



Pela ilusão da eternidade,
Dos resquícios de carbono ao nihil,
Humanizemo-nos,
Morramos sem tralalá.

As Marés

Os tais nomes esquecidos,
Intocáveis de imersos no que me sufocaria,
Nem mais suspeitam dos meus ciclos não mais síncronos...
Eu,
Também,
Sequer imagino do que ousam viver,
Ou para quê,
Mesmo incendiante de curiosidade.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Carambola

Joeirei um não garboso
Pela questão sob a pergunta inconcebível,
Mas nunca confiei em meu deus demonizado,
Esculpido por retalhos de gente comum,
Calhado das mentiras que fingiu viver,
Cansado da astúcia para um fim em vão.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Introdução

Chegamos atrasados, durante a hora a mais que congelou toda a rua, portanto, afoitos, pedimos um espaço na sala de aquecimento, em meio à fila imensa, e fomos atendidos com gentileza pelo aspecto azulado de nossas peles. Recuperados, agradecemos a todos os que cederam o lugar à frente e nos encaminhamos ao bar.

- Ichiju-sansai, por favor! - pedi ao garçom.

- Uísque duplo e sem gelo, garoto. - pediu Roco.

- Não sabia que é permitido álcool em Ganimedes. - espantado, pois a maioria das colônias de terraformação fracassada não permite o comércio de substâncias que alteram o comportamento.

- Você marca comigo nesse fim de mundo e nem conhece o lugar? Por que não fizemos isso pela rede? - irritado com o desencontro na chegada ao satélite.

- Calma, Roco, eu só não confio na rede.

- Está dizendo que o nosso protocolo é falho? - recebe o copo com uísque e dá um trago generoso.

- Não falo do sistema de Europa; a Lua é muito perto da Terra.

- Aquele buraco de corruptos é, realmente, algo a se preocupar.

- Pelo menos somos democráticos, não é?

- Foi pra criticar a política do lado frio do Sistema Solar que me chamou?

- Não, claro, não foi pra isso!

- Então desembucha, lunar!

- Como você sabe, a terraformação da Terra será votada no concílio terrestre...

- E não sei se é redundante ou irônico. - sorrindo, após interromper.

- Eu sei, é uma falácia.

- Como assim?

- Algumas fontes descobriram que a maioria dos membros do concílio está investindo alto em empresas de pesquisa e produção de reatores de grávitons de hidrogênio.

- Para a terraformação?

- Não, são reatores de tamanho mínimo, próprios para espaçonaves.

- Isso muda a coisa de figura... O que sabe mais?

- Temos códigos de lançamento em massa previstos para pouco mais de um ano terrestre, seis semanas antes do início do processo de terraformação. - recebi o ichiju-sansai com dashi e reclamei ao garçom: - Não é dashi, quero misoshiru!

- Mas o Ichiju-sansai da casa é com dashi, Senhor! - retrucou o garçom.

- Engole essa porcaria assim mesmo, Gavin! - reclamou Roco. - Vai embora, moleque! - ordenou ao garçom, gesticulando vigorosamente. - Continua. - pediu-me.

- Eu não vou comer isso! - avisei.

- Fala primeiro e come depois! - demonstrando interesse pelo o que eu tinha a dizer.

- Tudo bem... As coordenadas de lançamento, por serem em massa e partirem de pontos distintos, não denunciam o destino, mas acreditamos que, pela capacidade dos reatores, podem alcançar até o nó de Netuno.

- Isso é muito interessante, mas não creio que vão tão longe.

- Também pensamos nisso; Tritão não comporta a população que especulamos.

- Quantos seriam?

- Quatro milhões.

- É um número alto.

- Pode acreditar.

- E o que você quer?

- Possivelmente, a terraformação é uma tentativa de levantar recursos para matar a população e retomar de um satélite.

- Isso é óbvio, mas o que quer?

- Eu te vendo as coordenadas de lançamento para que possa capturar as naves fora da zona de proteção terrestre.

- Para quem se diz um democrata, está me saindo um excelente anarco-capitalista!

- Parece, mas não perguntou o meu preço.

- Já que se antecipou, pode dizer.

- Durante a operação, desejo proteção total da biosfera lunar e, depois, dez por cento dos recursos pilhados.

- E a Terra?

- Creio que, sem recursos para alimentar as cidades subterrâneas, morrerão todos em menos de um ano.

O Nó

Minha pergunta é:
O que um nó?

Dado firme numa trança das madeixas ruivas de Elga,
De tantos nós celulares e tonais,
Atômicos e sensoriais,
Parece desistir da existência-nó por tantos,
Ou sequer fora avisado pelo maestro.

Se nó por uma aldeia que sabe fazer fogo,
Uma espécie predadora e pedante,
Uma rocha incandescente por dentro e resfriada por fora,
Dado o nó não se desata sem mesmo tivera dado?

Repara só esta menina,
Parece até que dorme
Debruçada em seus desejos,
Acordada em paraísos.

Percebe só o quase sorriso,
O segundo anterior à redenção
De não ser mais menina,
Sendo.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Do Limite Sensível

Aos olhares vacilantes,
Vagantes aonde permitira o sono,
Nuvens de concreto pintadas de silício
Travaram a batalha contra o impossível:
Não há o toque,
Ainda não há,
Diluído a tantas sensações.

domingo, 26 de julho de 2009

Tigela d'Arroz

Por teu sorriso que jamais fugiu-
Lábios, olhos, cores e caminho,
Não acredito nesta insistência
Se à luz se esconde qualquer desatino,
À luz se extingue qualquer desnudado.

sábado, 25 de julho de 2009

Fixado a Óleo

De musa, o mendigo
Maltrapilho de sonho dourado,
Andarilho de um mal consumado,
Domicílio das vidas em si.

Fragmento Inteiro

O par de óculos gigantesco cobria as olheiras profundas e a figuração de ebriedade,
Apesar do caminhar e sorriso letárgicos.
As melenas louras,
Ralas feito a de uma anciã,
Dançavam à brisa incomum à costa sul,
Serpenteavam em direção ao pleno azul e faleciam suaves sobre o rosto esquálido.

Dous Descoñecidos

Amárom pola vez primeira esta ambiçom cagamerdeira
A matar-nos dos soños derriba de nossos filhos.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Anã Branca

Antes de seca a tez,
Vestida estava a composição que julguei minha-
Sanada de meus calores ia;
Alguma nebulosa,
Algum medo qualquer,
Um findamento impossível de mim.

Clamei sem voz,
Inundada de desejo nas poses,
Convencendo-me sem convencer,
Sorrindo-me,
Apagando-me até a completa escuridão.

Geraldinos Açoitados II

Viscosidades solúveis aos rumos concretados pela exclusão,
Feito placenta e porra,
Erosão e vida.

Geraldinos Açoitados

Acampadas nas paredes da urbe,
Cores de socorro
(Quiçá anarquia,
Quem sabe ironia),
Não remarcam fronteiras,
Limitam o sangue nos olhos
E constrangem o frio na barriga.

Destemem-se da Roma derrocada os mergulhadores,
Distintos e peritos dos aquedutos e anfiteatros,
Vorazes e famintos de si.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Têmpera

Contorcível feito verdade,
Intangível que nem ideal,
Mas quebrável ao mar aberto de um sussurro:
Assim partia desesperada,
Separando-se de mim mesma,
Indecisa por qual chamado.

Azurre

A cada nova volta estou pior que antes,
Mais débil que outrora,
Mais fraca que agora,
Porém a mesma casta em pele de jaguatirica.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Ιθάκη

Do sorriso singelo à gargalhada,
E esta, então, desesperada,
E isto, assim, desfalecido ao tremor dum entristecer-se magoado...
Quem entenderia a tecelã?
Se a reptaram à distopia da aniquilação,
Dignidade usurpada e filho escravizado,
Quem entenderia, tecelã?

Ciberebó

Não há pente que me penteie,
Calafrio que me amanse,
Mas não deixe a tua nega,
Não me deixe, amor,
Esquecer-te nesta vala rasa.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Glowing Particles

A Esperança.
Desorientada em meio a balas de borracha e gás lacrimogêneo,
Não desejou Calipso açoitada por amar demais o herói,
Apenas o lembrou do I'll wait for you e todo aquele borogodó,
Recordou-o antes que quedasse mutilado.

sábado, 18 de julho de 2009

Desmiolado

Como tu vias antes das leituras a fio,
Da frieza cirúrgica,
Desta tonelada de nada?
Eis-te feto:
O que enxergavas no que não podia,
No que sentias sem perguntas
por amedrontar-se,
Na ameaça do proclamar-se?

Ruínas

De volta,
Exaurida;
Aruanda me observa a questionar sobre afazeres.

Quieta,
Renegada:
Quantas giras, amor?
Oxalá que eu possa por gestos.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Arruda e Guiné

Nua de mim,
Cansada de embates,
Desilusões.
Surpresa por nós,
Desmistificados nós.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Romance Possessivo

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Pro Santo... e pra Copa


A FIFA assinou um contrato rechonchudo com a Budweiser que, entre outras medidas, prevê a venda de bebidas nos estádios até 2014 (fim do contrato). O comitê organizador da Copa do Mundo já avisou aos representantes das cidades-sede sobre uma possível modificação da medida que impede o consumo da referida droga durante competições esportivas.

Bem, se com o bico seco já tem gente morrendo espancada, imagina só...

Leia sobre no sítio da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead).

Vai

Vai procurar a tua turma,
Vê se alguém te reconhece!
Vai lambuzar a tua rua,
Humanizar os teus próprios crimes!

Vai fazer um filho,
Tirá-lo da forca,
Amá-lo à força,
Deixá-lo ao léu,
Instigá-lo a criar!

Vai, vive,
Morre infeliz ou quase feliz,
Entope os teus vasos com flores lisérgicas,
Desengana este ritmo estóico,
Aniquila este andor sonolento,
Chega!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Moscow

Tudo bem,
Vemo-nos em Moscow,
Cobertos de plumas até o talo,
Sujeitos à nossa própria maldição.

Tudo bem,
Que seja Moscow,
Que seja Idaho!

terça-feira, 14 de julho de 2009

Fissão

Após o namoro aparentemente incessante com a sombra,
O malabarismo desengonçado a comprometer o andamento,
A virtude na máscara do luto e quietude,
O zelo ao respeito,
O caminho da mão esquerda,
Desintegrei-me do uno em mil pedaços.

Descobri o momento de cessar o sofrimento que precede a dor,
Ademais,
Soube distingui-lo do ressentir-me...

Findado tanto amor por mim,
Deslocado de mim,
Amei por mim.

Tudo o Que Platão Despreza

De tantos raios de luz,
Refratados neste sereno artificial,
Sobreviveu quem se cegou antes de qualquer passo,
Mas somos humanos, senhor,
Pleiteamos transgredir o que construíste.

domingo, 12 de julho de 2009

Anátema

Perder-me-ia a solfejar neste intervalo afora,
A aproveitar o emudecimento
A aguçar a percepção,
Porém ainda não sei por que me trouxe aqui.

Se da nostalgia anacrônica pouco se aproveita
E este medo de si exposto se denuncia nas redes neurais,
Por que insiste em considerar meu corpo sob teu domínio?

Uma Mulher Quase Honesta

Perdi o teu carinho,
Não sei por onde anda,
E a fúria em meus temores mentiria se possível.

Munida de esperança,
Rendi-me a outro afago,
Mas tu,
Meu homem,
É menos honesto do que eu.

Quiçá,
Aguardando um primeiro sorriso,
Seja nosso.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

A Dama

Calou a todos durante a chegada:
Mostrando dois terços das voluptuosas mamas,
Túrgidas,
Magníficas,
Importava-se em proclamar-nos a sua naturalidade;
Ousou ainda exibir poucos milímetros das divinas aréolas tonalizadas ao padrão da cútis.

Enquanto as demais fêmeas cochichavam irritadas,
Puxavam invejosas os seus acompanhantes,
A dama continuou tornando cinza a exposição fovista.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Trufas Óbvias

Emula o teu veneno,
Converte-o saboroso,
Espalha-o sem a chave em meio a esta força bruta,
Engana estas hordas que não crêem ser falta de classe nossa.

Ecos

Não tenho paciência para o que escreve,
Mas a danada liga bem tudo a si mesma;
Melhor vampira do que deusa,
Empresto as baforadas de depois da minha consumição.

Não tenho paciência para o verso prolixo e redundante,
Revolvendo-se numa epopéia a dissecar um grão de milho,
Mas se se multiplica para explicar a mediocridade dos comportamentos fragmentados,
Que se importe à sua maneira.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Vaidade

Segui atordoada,
Desesperada pelo sacramento
Ou pela iluminação representante,
Mas a felicidade não é uma etapa,
Talvez um susto.

Acompanhada pela vaidade, então,
Aquela a camuflar as minhas sinas e monstruosidades
Através dos nós bem atados para catar os ventos da vida,
Persegui a eternidade até não suportar a mim mesma
E ser consumida por sede imprevisível.

Democracia

Oligarquia periodicamente selecionada,
Demagogia hermeticamente fechada,
Hipocrisia academicamente atenuada
Ou conversinha pra engabelar xibungo;
Tanto faz,
Dá no mesmo.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Decisão

Fez um fuzuê da porra e,
Como se portasse o antídoto para todas as pragas do mundo,
Afirmou-se neutro em seguida.

Muitos disseram que viver é partido,
Aceitar também,
Ademais,
Decidir a relevância das coisas não o eximiria da condução medíocre do universo aceitado,
Mas preferiu fazer-se de rogado,
Espreitando brechas e descuidos.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Cripto Vulgar

Esquecerei a piada acerca da legisragia,
A sobre o acento em cu também.

1950

Desejo ver-te longe das esquinas do mundo
Antes que nasça,
Antes que se torne uma fuga.
Pretendo amar-te coberta dos destinos ruins
Que nos seduzem,
Amarram-se aos meus sonhos vis.

domingo, 5 de julho de 2009

Páginas sem Grampo

Arteira, a percepção desconcatenada do fato;
Inato só parece o medo
Até que eu aprisione a surpresa.

Enquanto falas,
Deitas-te em discursos sacais sobre este sentimento sublime de segundo caderno,
Ditongos deslocam luzes
E hiatos são o segredo do universo.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Depoimento

Mal me perguntara se haveria função:
Entrou no quarto enquanto eu me montava,
Quase me cegou de rímel a agarrar o meu pulso com violência,
Esbofeteou-me como se me conhecera rapariga aprisionada,
Exigiu-me explicações...

Matei,
Não tive dúvida,
Tirei das forças de um menino que nunca morreu
E da gana de uma mulher em que me projeto;
Arranquei-lhe a garganta,
Quebrei uma unha.

L'Eruzione

Ainda a perseguir o ícone que desprezei,
Tomou o seio de minha composição
A fim de envenenar os próprios rebentos;
Esticou-o pelo mamilo até os labiosinhos dos miúdos raquíticos,
Deu-me a eles como se os fosse salvar dalguma coisa.

Entorno

E pela pressa deste tempo novo
- Há tanto tempo assim,
Engessado de tão novo -,
Desentorto a minha própria indiferença
Só para saber como esta se contorce.

Mas como poderia, Deus meu?
A natureza não é reta
Nem dá curvas;
Tenta alcançar,
Defender-se.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Vidas Medíocres

Das tantas viagens sem volta,
Que permanecessem em resquício ou seqüela,
Torpe é o trato que dou a esta adequação,
A domesticação do demônio-eu.

Das tantas vidas medíocres,
De questões e deuses distintos e desconhecidos,
Raso é desvivê-las,
Deixá-las sem resposta.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Mídia Mista

Diante das astúcias da percepção,
Calejada pela labuta de oferecer-te um universo incontestável,
Dobro os sinos até que te ensurdeças,
Faço a vida até que te cegues.

Se toda esta aparência repousante,
Convergida em ti para a confusão,
Maquiada de dispersa para a minha conclusão,
Reage a qualquer poro como se iniciasses,
Voltas-te aonde nasceste a te resignares com o que em tal tempo não se cria sofrimento?

terça-feira, 30 de junho de 2009

Descrição

Definimos em cada, debatemos e sintetizamos
Definimos em todos, tudo e nada
Morremos
Ressuscitamos e nos auto-nomeamos
Clonamo-nos
Entristecemo-nos opulentos e deprimidos
Morremos numa gaveta crida tempo e lugar
Clonaram-nos.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Logos ao Mito

Está tão morto que é necessário protegê-lo,
Defender a sua honra da ignorância de nós todos,
Enforcar aqueles a cuspir em suas escrituras,
Degolar quem ousa violar os afrescos de Miguel Ângelo.

Antes revoltados,
Agora, novamente, voltados ao nada.

Zazá

Quem iria adivinhar
A cor das próximas meias brilhantes de Isaura?
Marcada por seqüências soberbas-
Afinal, nunca é má a matemática da realidade no conjunto correto,
A iluminada Zazá escreve um caractere e um terço a cada saída à rua,
Dizendo o que pensa mesmo que só os analfabetos ame.

sábado, 27 de junho de 2009

Liguanea

Não havia nada de peculiar em sua técnica:
Conduzia o galo adentro para trancá-lo,
Espalhava um punhado de grãos pelo chão e capturava a mais gorda da granja
A amarrá-la pelos pés com um cordão encardido.

Seria comum à ilha não fosse a opulência do sítio,
O Jardim Botânico Real,
Mas a lida,
Em meio aos dois vira-latas que pareciam adivinhar as sobras do hábito semanal,
Nutria-se de encanto com o velho a degolar e limpar as entranhas da ave com o cigarro de erva dependurado no canto dos lábios;
O início do fim de um jejum bizarro,
Ambientado num paraíso paupérrimo.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A Víbora e o Rato

Apesar de arremessos protetores,
Presos a caules e caudas,
É a belicosidade de garras e dentes que a encanta,
É a defesa conquistada pelo golpe que a entorpece.

- Sê a presa, brinquemos! - pediu-me,
Munida do sorriso de aparência atormentada.
- Um piscar de olhos. - parti,
Aceitando o desafio.

Pseudo-Auto-Estima

Sob a pele e o canto dorme a foz de toda a minha inveja,
A lástima a argüir o contimento para a puta feliz.

O Cisto no Organismo, a Pedra na Engrenagem

Um lugarejo fantasma,
Uma aldeia feito as demais;
Convergidas as almas doutro mundo em si,
Tateados os sítios pelas personificações comuns
A cursar vezes infindas alguns versos esdrúxulos,
Esfarelava-se a razão contrariada pelo sexo palpitante e reprimido,
Apodreciam-se os laços e sorrisos,
A clarividência de encontros e despedidas.

Das especulações turgidas pelo ritual,
Do próprio tempo, seu desconhecido difamador,
Nasceu a paz da criação,
Que, para todos nós,
Seria apenas fim.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

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Bem desejei que fosse arcologia fracassada,
Somente a suposição duma metrópole submersa-
Atenas coberta de sangue ou Roma talhada no magma,
Porém vejo o brotar de torres aos golpes dos meteoritos.

Pareceu conto fracionalista,
Fruto a partir dos bulbos nanicos de usura,
Mas nos cativa até que aceitemos o novo código;
Rendemo-nos complacentes à estrutura apaziguadora entranhada nestes pulsos.

Linha Reta e Torta

Restritiva e pura, a graça está na crueldade;
Nutrindo a empáfia da miséria de espírito,
Distanciando-nos de nossa história sangrenta,
Tornamos subterrâneas as nossas praças de guilhotinamento,
Emergimos do lodo que é gente
Enquanto gente como nós nos acompanha.

Louvemos o sinal de indignação:
A ordem da virgem para o amontoado de vermes,
A sigla de besta queimada para sempre no impuro,
O clamor redentor das massas guiadas pelo amor,
O divino aurificado em carnificina.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Política Comunitária dos Nobres Imbecis

Vais de magenta ou púrpura, oposto?
Sei que a tristeza está na cara,
Mas tem fundamento, se é que este desejo:
A chácara de Dona Veridiana virou recanto de machos,
Portanto,
Com muito pesar,
Abriríamos a possibilidade do rosa, meu remate.

Sei que adoras a complementariedade da tua foice ornamentada por mimos,
Mas disto o Século XXI anda repleto;
Repleto de gritos faltosos,
Resgates onerosos,
Pobreza de mim.

Há tempos não te vejo vestido do cinismo da borboleta,
Artifício magnífico,
Quase anti-isto-tudo-chato-de-dar-nos-nervos,
Mas sigamos,
Corretos profanos.

Humor

O espectador ri do que aparentou desviar-se da certeza
Ou simplesmente da indicação deste desvio;
Irônico, sarcástico, delicado, sublime, lúdico ou brutal,
Somos todos uns felas da puta.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Lâmina

Do que faço pelo considerado pouco,
Incandescida por este espírito braseiro,
Não te corromperias até a decadência:
A lágrima planejada é quase real,
Expulsa-se ao remoer-me,
Ressentir-me,
Intentar-te.

domingo, 21 de junho de 2009

Acerca dos Filhos Mortos e Não Nascidos

É só por sentirmos a imortalidade esvair-se;
Esqueci o dia da picula
E não me empolga ser ladrão,
Nem polícia.

É pela constatação da morte,
Das fronteiras a retrocederem vigorosamente,
Do horizonte mais homogêneo,
Dos sonhos menos sinceros.

É a amargura de não ver graça em asas devaneadas,
De não crer,
Do ser sem ser.

Fado

Pouquinho de gente,
Nadica de nada;
Tão alva,
Pequenina ilusão.

Vai alienada,
Prossegue aliada
Às concretudes que finge inexistir.

Ei,
Cansei deste rum de trago rasgado,
Desta prosa de fada fajuta também!

sábado, 20 de junho de 2009

Lucrécia

Por que cuspiria nas cruzes,
Praças,
Cercanias,
Se às personagens a se repetirem durante a humanidade me rendo?

Sou cheia de vícios,
Até a borda de vida,
Antes do céu de temores,
Principado do ódio.

Por que contar estes nós,
Loucos para serem desatados,
Se me expurgo junto aquilo que vai comigo?

Fui cheia de vícios,
Até a borda de vida,
Antes do céu de temores,
Principado de mim.

Os Suicidas

Quem quis salvar a todos
Tornou-se um tirano que não salvou a si próprio,
Quem esqueceu da vida,
Derramando-se na canaleta harmônica de uma vida fértil,
Não se embriagou,
Morreu cercado de limites intangíveis.

Mesmo a retidão,
Gloriosa indução ao não ser,
É-se infinita após a corruptela diante do desaceleramento.

E,
Bem,
O ato honroso do suicida está na morte,
Aos mortos,
Mesmo os mortos que transitam urbes e campos,
Arrastando-se a repetir como se fossem os primeiros,
Fazendo parte da única matéria apodrecida como se fossem os únicos;
Acompanhando-se de solidão.

Rápido

Nada mais do que cartas carcomidas,
Esquecidas sob a poeira da preguiça,
Ignóbeis de tão destemidas.

Nada mais do que lembretes,
Desses anotados antes que se furtem,
Rascunhados para nunca se definirem.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

O Corpo e o Fracassado

Meu corpo farto que odeio,
Repleto de sinas,
Vermelhidões sem tratos eficazes,
Não me importou durante os dias em que tive aquele homem.

Dançarino inábil,
Admito,
Conduzido por Tânatos até quase o sucesso,
Desviando-se fracassado da minha sede vaidosa de mostrá-lo meu,
Porém cego,
Talvez míope de entorpecido,
Corria a carne contra a minha sem pudores.

Pedaço de Carne Podre

Não estou muito preocupado com o desejo dos deuses,
Nem com a tal da hermenêutica booleana,
Pois a linha é tênue,
Fractal,
Contorce-se ao infinito sobre um lenço de papel.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Dos Licores Amargos do Olimpo

Ah, a divina xoxota morna e úmida:
Pulsante,
Carente,
Espectante!

Céu Riscado de Ócio

Apaixonei-me por asas intangíveis de ágeis,
Magníficas a escalar as colunas de som da urbe;
Se é que se furta nas rápidas aparições diante do acinzentado,
O espanto,
O torpor de quem clama treva menor,
Talvez justifique o apelo sangrento,
O corromper-se profano.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Já Passou

Sonhos para enganar insones,
Corruptelas para afligir temporais;
Gal é a mulher dos meus desejos
E Chico, o homem.

Onde estou agora?
Sabe-se lá,
Nem eu sei;
Quem sabe em Nagóia a fim duma exibição,
Ou em Londres para vender as minhas almas.

Horrores expostos,
Bucetas à mostra,
Distâncias para ver,
Tempo nenhum para sentir...
Onde estou agora?
Nem sei,
Já passou.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Mova

Estou assim, receptiva:
Metade dádiva e outra sacrifício;
A pele contraída de frio e excitação,
A voz rouca de tanta manha e tanto chamar.

Prazo de Queda

Por quantas almas habitar,
Quantos nomes carregar,
Neste tempo escasso sou o amor na tua ironia.

Há tantos desejos nestes trilhos sofrendo à chegada,
Inúmeros impérios nestas tábuas transfixando a verdade,
Que numa cópia encontrei a minha paz;
Pendurado num poleiro,
Adormecido ante a fome.

Acerca da Expressão

Desamarra-te,
Solta o pulso do tecido,
Curva a parábola do braço,
Salva a alma que te berra,
Sê.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A Minha Turma

Na minha turma não tem peregrino,
Corações festivos
Ou dias normais;
A minha turma não me tem,
Nem estou por estar,
Sequer desisti.

domingo, 14 de junho de 2009

Desapego

Quando descobri a ineficiência das tonalidades,
Percebi que o namoro entre luz e treva ressuscita nas complementares.
Quando rasurei sem água o traço,
Assassinando o limite da matemática sem frações,
Despertei do ventre onde havia me enforcado;
Não se finda o grito de um metal,
Invade o outro sem compromisso,
Cessa-se assim que alma o permite.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

A Rosa

Mesmo que eu não queira,
Molde para qualquer par de olhos,
Motivo dos fins embuçados,
Mote de decisões estúpidas,
Imperdoáveis.

Sempre oculta,
Refletida e magnífica,
Corrompendo as belezas vizinhas,
Acinzentando-as,
Que força teria arrancada da lama?

quinta-feira, 11 de junho de 2009

A Impressionista

A Luz Que Não Veio

A gente se encontra na treva,
Distante da seda que um dia teceu,
A amar cá, na pele longe de vícios,
A não ser um infinito proposto por Deus.

A gente concorda com a mentira
Se se virtua,
Acolhe o demônio
Se este se comporta feito mãe,
Mata
Por um segundo a mais.

Canção Criptografada

Sircom fá dacê deprê
Batim dadá pem cecê
Farritradum dom laó
Perê cramubê bangó.

Zizi pa ziri guidu
Pitimba coté zulu
Sompê lá cotô sarri
Azuma nerê banti.

Fondutra capê xitru
Messina dadu cambu
Lalona mamê pendá
Carrido xicu lilá.

Draprosqui tsapi raivim
Mitsana gravar taimim
Coplesco xanterafux
Diniexo azimarrux.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Virgo

Foste trajeto pobre para esta distância lunar,
Pois,
Do desejo moribundo ao desfecho aliviador-
Definhante do formal pela fúria da verdade,
A essência divina em tuas mãos desaparecia,
Solvia-se no transe passado de quem sofreu.

terça-feira, 9 de junho de 2009

La Rubia

Ela observa,
Absorve todo o íntimo
Com um ímpeto temperado a Bakunin;
Pergunta,
Pergunta-se,
Refaz-se.

Ela alumia a calhar para a própria luz,
Reluz fora de si,
Induz tudo a nada,
Ao ócio criativo,
Ao sonho primitivo,
A si capturada em desenho.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Questões

Sei que é belo este reflexo de dúvida,
Devassidão onírica a partir do decepcionar-se:
Limite a transgredir-se só durante a percepção,
Helicoidando torpores impossíveis sobre as rasuras da identidade.

Sei que custa este reflexo de dúvida;
Custa o equilíbrio,
Custa a sanidade,
Porém.
Dentre os tantos enfrentamentos rejeitados,
Espero que este me tome,
Mesmo que me mate.

domingo, 7 de junho de 2009

Tecendo o Mesmo

No traço firme e sem alma.
Buscando a verdade desimportante,
A mentira de qualquer artista pareceu bem-vinda:
Pétalas abertas,
Gineceu à mostra
Aos pássaros e insetos,
Ventos e fragmentos.

sábado, 6 de junho de 2009

Centrado num Inferno

Odeio analgésicos,
Prefiro saber o que dói para não me iludir,
Ademais, preciso compor um nu
E a rapariga não se sustenta por muito tempo:
Maldita cabeça,
Malditos olhos,
Bendita distorção!

19 de Junho

Extrema-ungida,
Deslocada de sensações e querelas,
Sabia dos poucos dali;
Uns que sempre desejei naquele momento,
Outros que nunca pensei ou fiz questão.

Traída pelos lábios,
Mal pude balbuciar:
Desejei xingar a todos,
Cessar aquele torpor pestilento
Mesmo que incorresse aos vivos como delírio,
Ainda que a pândega jamais existira desde a iluminação.

Morria eu sem paz,
Cercada de lágrimas, indiferença,
Algum sarcasmo e a irônica certeza do silêncio que me adoeceu.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Sandália Amarela

Conduzi-me à marca,
Ao ciano contratempo,
Ao profano sacramento,
Encadeada ao quase firme e quase flácido tecido a contorcer os meus instintos.
Conduzi-me sem resposta primeira,
Sem resposta sensível,
Refastelando-me entre seios fartos,
Aprisionando-me entre pernas graves.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

As Tintas

Para acordar diferente,
Elaborei as minhas próprias tintas:
Urucum, mandioca e milho para flamejar,
Terra, sangue e jenipapo para enlamear.
(...)
Deu saudade da Bahia,
Do quintal e do tudo à mão que eu desconhecia estar,
Da mamona crescendo feito praga e do abacate caindo feito vida,
De mim.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

A Opereta do Vagabundo

Não espere corromper este cerne maltrapilho:
Bêbedo de zumbificado,
Tropicante das próprias pernas às periferias boêmias,
Urgido ao início por falta doutro,
Que poeira de que deserto poderia encardi-lo?

Não se sinta capaz de beijá-lo,
Quando não está em si já é milagre;
Emana o desejo vil às falsas vestimentas reais
A transmutá-lo nobre e imune à razão,
Comprometê-lo futuro.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Venda

Não me importa estar de lesco-lesco com o tempo,
Eu só quero um pedaço das minas geraes.

O Caçador de Borboletas

Continuava pela beleza inerente à mentira sórdida,
Pois,
Embora parecesse vagante ao passo manco Centro afora,
Colhia frutos da peste e dos pequenos furtos d'alma com cautela,
Dissecando a natureza da urbe à busca dos seus pequeninos tumores,
Mimetizados horrores,

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Limonada com Adoçante

Era uma gorda mequetrefe,
Doida para sentir-se bonita,
Vivendo as coisas num ritmo macambúzio:
Tentava gritar sem grito,
Espernear sem pernas,
Adormecer sem sono.

sábado, 30 de maio de 2009

O Fragmento

Não posso eu ser o todo
Se o todo isso não dá as caras por aqui;
Sou fragmento,
Pedaço de coisa nenhuma que segue igual galáxia e vírus,
Espaço delimitado que se expande sem mim por raiva e amor.

Não posso eu ser o universo
Se um multiverso me chuta para lá e para cá
Feito papel de bala no calçadão às nove horas da manhã;
Faço parte sem fazer,
O invólucro do prazer e da cárie.

Não posso eu ser o inteiro
Se a curva se encurva para todas as dimensões
Enquanto prossigo sob hipnose àquela do orgasmo,
Da gozada cicciolínica,
Dos interlúdios homéricos,
Dos subterrâneos eclesiásticos,
Rumando-me ao suicídio ou à eternidade.

Integro-me feito espoleta de fissão,
Desconhecendo que diabos há de acontecer
E despadecendo-me do que nunca hei de prever,
Feito fragmento
De coisa nenhuma.

キスマーク

Não há sanidade,
Cegou-se a lembrança,
Quietou-se,
Inquietou-me.

Ainda se se transformou,
Se se transforma,
Não cessa a queimadura sobre a falta.

Par de Calças Velhas

Deitou o corpanzil suado d'amor num verso desse meu mistério,
Calou e encalacrou o sonho fugaz no centro deste destempero,
Voou até a morte coberta da fé açucarada pelo próprio ego
E sorriu,
Ou fingiu ter sorrido.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Beleza

A beleza espanta,
É nova,
Nada segue,
Transgride,
Desvia-se da retidão,
Impede a mesura,
Provoca a paúra após o entorpecimento,
Conduz à usura pelo seu prosseguimento
E morre
Abatida pela beleza seguinte.

Vestido Estampado

Com o cu dolorido de horas sentada nalgures,
Reclamava curvada pela falta do sustentar-se,
Baqueava as pernas trêmulas a cada novo passo,
Gritava sem piedade do cotidiano barulhento da Sé:
- A paz é servil aos ricos covardes! - repetia insistentemente.
Uns olhavam indiferentes,
Outros olhavam e sorriam,
A maioria nem olhava.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Ilusão de Dia Diferente

Procuro não ler o que escreve
A fim de que não aconteça;
Prefiro retirar os livros da estante
E desempoeirá-los para esquecê-los nalgum caminho.

Procuro não ver o seu contorcimento-
Embora haja tantos por aí,
Todavia ainda talho a cópia da sua feiúra impactante
Nas tristezas submarinas de um lugar semelhante,
Por idêntica razão.

Isso não é uma cantiga de amor;
Mesmo a questionar-se acerca da raleza de compaixão,
Isso não é uma cantiga de amor.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Antes do Arco-Íris

As fotografias de antes da morte nem cabem ao que ela é,
Mal comportam o brilho sagrado dos seus lábios pigmentados...
Talvez,
Cerrado o encanto,
Confirmem ser Deus um piadista muito do fela da puta,
Ou simplesmente um carrasco da era em que foi criado.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Destrua ↂ Anos de Cultura

Onde está você?
Se olhe, cabra ruim!
Cadê o seu império,
Escravo do alecrim?

Supressão

(Se despertou delicadeza surrada por ser bela
E alma doente de amores doutros corpos,
Não importa se reduz o ânimo das coisas todas
Ao pré-encontro da fusão de sonhos no egoísmo para ser feliz)
Quem quer que toque,
Até mesmo todo o mundo trepado por um biombo luminoso de matina,
Que entenda das promessas simbióticas e parasitárias nos bordados para a glória.

domingo, 24 de maio de 2009

Maquiagem

Fumaça a erguer-se encarnada,
Feito sangue aprisionado no vítreo;
Se queríamos passar vidas a fio desprezando-nos,
Não sei o motivo de tamanho contratempo.

私が保存されます。

Cada suspiro,
Caminho percorrido,
Tempo até o fim,
Início doutra volta,
Achaque por atenção,
Redenção destemperada,
Digital nas minhas cartas,
Primavera nos meus sonhos,
Reflexo do que sei não se tratar do que espero...

Espero
Cada ponto,
Dado com ou sem esmero,
Mas sim.

sábado, 23 de maio de 2009

Autorretrato

Gentil é a fúria do teu pequeno jardim divino,
A pátria das águas castanhas e dos pássaros amarelos;
Adormece borrando as luzes antes da retina
Para que provemos do melindre na tua ânsia.

Despisto à despedida,
Embora quase sempre despiste,
As minhas mãos leviatânicas a te levarem à morte:
- Volta, cobre este rasgo não estancado! - pede a sombra,
Mesmo dominada pelo silêncio de um homem covarde.

Melina

Sim, são teus;
Cantoria qualquer é pouco,
Proximidade alguma é cela
E eu não sei o que dizem estas pálpebras inchadas de nascença.
São teus,
Deitados nalguma paixão,
Desprezando curvilíneos o finito da ironia.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Olá, Dolly!

Que o Sol se ponha logo,
Carregue flores e versos,
Esbarre e acorde vozes e gestos a sucumbirem de fome.
Que as sombras pelos outros astros,
Longínquos asteriscos ululantes
E próximo reflexo do que nos dá,
Desenhem algo que sigamos sem medo,
Ao menos rabisquem.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Dilui-se ao Todo

Você,
O mendicante leproso no hall do rei,
O demônio feito de cacos de porcelana colados com Super Bonder,
É a coisa mais linda que eu já vi;
Indo assim,
Entre sombras,
Nem me importa qual é a peste espreitante ao fim deste corredor,
Fica o curvetear desta demão de vida a degolar a alma.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Intertubos Cortados por Falta de Saco

Odiei de morte muito do que amo incondicionalmente,
Amei com calma quase tudo o que não mais me importa,
Cambiei de corpo por um espírito braseiro e sem forma:
Detesto o remorso a tornar-me sacro,
Mas pior é o sexo mal amado.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

O Nariz Que Escolhi

Claves frágeis de Sol,
Corda bamba de sonho,
Linha, pipa e cerol
Destrançados no anil.

Tombos fáceis de ver,
Quedas sempre previstas;
Tombos fáceis de crer:
Surpresa na diferença.

domingo, 17 de maio de 2009

A Forca dos Deuses

Ando tão seguro de mim que facilmente me sugestionam
A crer que viverei zil anos por um encanto qualquer,
Ou saber quem realmente amo pelo pouco que fiz dos seus sonhos.

A minha garganta dói,
Não sei se cabe mais uma tela,
Continuo descrente crendo,
Autêntico mentindo,
Nu em pêlo em plena Praça da República.

Ando tão seguro de mim que cabulo qualquer mostra
A crer que verei sem sentir mais uma fracassada tentativa duchampiana,
A temer o bater de pernas por longos corredores a fim mais uma decepção.

Não sei por que usam tanto acrílico;
Parece vir para destruir nada,
Só integrar-se em complementares ao sofá e à parede,
Esquentar a frieza contemporânea do apartamento de um remediado
Feito lareira...
Sede estranha,
Sem entranhas.

sábado, 16 de maio de 2009

Tapa e Retroação

Aquele homem subiu aos céus e esfaqueou o coração divino;
Poderia ser menos,
Poderia ser fim,
Mas não há quem saiba de novos filhos desta raça.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Jornais velhos empurrados pela brisa

O cheiro de cigarro e preguiça,
Pesado ao quarto,
Encardindo cortinas e paredes,
De alguma forma impedia aquele homem de fugir dali.
Vez ou outra saía à rua acompanhando o cachorro,
O animalzinho enjaulado no ritmo monótono dos seus sonhos,
Quase obrigado pelo dó ou compaixão ao sofrimento do bichinho.
Devido às crises de pânico saía tarde da noite,
Dois ou três quarteirões,
Cinco se faltasse com o xodó por mais de semana,
E via quase tudo deserto naquele fosso da humanidade;
Travecos, carros e policiais,
Nessa ordem de importância para os seus olhos.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Paiol

Não te zangues comigo,
Contei sobre a ciranda na casa em chamas;
Precisei ser bicho para paredes violetas
E homem para evitar o retoque.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Cacos de Vidro Fino

Ainda que meçamos a tormenta pelos homens desvalidos,
Tratemos Mediterrâneo Oriental feito universo inteiro,
Julguemos imortal um Odisseu atormentado e faminto,
Sentir-nos-emos Deus se este se fizer de cacos de vidro fino.

Ciranda

Uma semi-eternidade para este mural,
Pois decanto o impossível afim dum lodo de cor primária,
Uma aberrância xaroposa...
E é empastelando que vou,
Marcando a imprecisão duma tremeluzente ironia.

Tupiniquizando

Não aguento mais ouvir Edmo Zarife,
Mesmo nunca tendo o visto;
Ô, coisa chata!
Aqueles hinos em midi, também,
Além daqueles Os todos:
Papagaiada sem graça da ditadura,
A ditadura que seja,
Que saco!

domingo, 10 de maio de 2009

Coração Vazio

O meu coração tá vazio
Feito a verdade em cabeça de monge,
O Maracanã em jogo do Fluminense,
O original na tevê aos domingos
(Ou sempre).

Quase o Dia

Ia cantando o sambinha,
Quase gritando de bêbedo:
Qual é a loucura que cê vai fazer?
Se for pouca coisa nem me chame,
Não vou ver!

Tropeçava,
Conferia os dedões,
Reclamava do prefeito pela calçada irregular,
Cavucava os bolsos por tostões
E cantava,
Quase gritando de bêbedo:
Qual é a loucura que cê vai fazer?
Se for pouca coisa nem me chame,
Não vou ver!

E parecia quase o dia;
Feito os outros quase,
Quase o dia.

sábado, 9 de maio de 2009

Corona

As nossas pernas chaveadas em transe
Para quem queremos
E do modo que entendemos caminhar o ladrão;
Vezes regente,
Outras passageiro de paralelidades aos atabalhoamentos dos transeuntes comuns.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Égide Encantada

Entoquei a vida entre os seios para que busques,
Encontres entalhada sem esmero,
Espies além da lógica,
Entranhes insatisfeito.

Passageiro-Chefe

Esse busca os calos de mãos acostumadas a carregar
Esta cacimba vazia a enfeitar a sala de estar;
Esse ter tido,
Esse estar sendo,
Esse dar voltas iguais...
Pretensiosa despretensão.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

A Mundana Tragédia de Sara

Não há o elo nem a falta,
Sinto sem tempo:
A intrepidez da cegueira me tornou carente.
Se os lábios que outrora teus,
Desfigurados,
Rachados das intempéries do afrodisíaco,
Calhados de emulsivos a não bastar,
Desvelam-se aparentes ao que um dia sentiste,
Afasta-te,
Renega a tua coragem!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Por Medo

Por gestar a própria aniquilação,
Calafetar os poros desta atmosfera de instinto,
Fiz-me opulenta a apontar-me aos espelhos de quando nos enforcávamos;
Chamei de luxo as minhas banhas e bieiras,
Os meus interiores apodrecidos e auto-extinguidores desengonçados.

Invoquei a crença
Pois não há o predador a espreitar-me embalada neste ninho,
Persiste a redoma de preceitos mais vorazes do que o concreto
A refletir estas nuvens a coser-nos durante os séculos,
Portanto,
Reviro um pedaço de universo por um tempo
Até que este se volva de retorno para mais do que o meu centro-
Por mim,
Por medo.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Insecure Shell

Não desejo ser sincero,
Pois não creio em lucidez;
Transito o corte cego de um facão enferrujado
Entre as mãos desesperadas de impulsos aleatórios,
Gritos metamórficos e concretizantes.

Parte os ossos pela sequidão de um impacto estilhaçável:
Organismo e metal pelo chão e em mim.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Utopia

No meu mundo ideal,
O Y estaria cortado:
Um mundo maravilhoso,
Sem machezas enfadonhas,
Sem deslizes brutais!

Pesaria a reprodução assexuada,
Mulheres transgênicas,
Pois sexo tem melhor relação com as estrelas;
Simones de Beauvoir,
Tarsilas do Amaral,
Clarices Linspector,
Fernandas Montenegro
E Cacildas Becker caminhando por aí-
Só a nata do gênero!

Pense bem,
Pra que serve um pinto?
Uma coisa que a moça precisa fazer um esforço danado pra ficar duro
E, em média,
Não dura nem um hora,
Ademais,
É uma melequeira só!
É mais fácil visitar um sex shop por uma bugiganga daquelas
Com trocentas velocidades e satisfação garantida;
Um pinto,
Enfim,
Não serve mais pra nada.

A Sina do Crápula

Agente talhado pelo vento,
Dando sentido ao que não é por estes tempos,
Cuspindo sementes de desespero nestes jardins.

Agente mentindo por sexo;
Nenhum puto no bolso,
Doente,
Tornando musa algum dragão,
Esperançando qualquer desastre.

Agente crivado de balas,
Daquelas de chupar,
Saborear a desgraça assim que aberto o folhetim,
Temperar a ameaça doutro dia comum.

Agente cultuando o exacerbo,
Assumindo-se a cura da mediocridade e feiúra
Para que não se sinta sozinho diante de tanto repúdio alheio,
Para que não minta quieto,
Não morra discreto.

domingo, 3 de maio de 2009

A Sina da Cúpula

Ainda que fosse demasiada ironia,
Não faria dos deuses os culpados,
Não coloriria os trajetos com o sangue de bodes pretos prestes a serem devorados.
Ainda que sim,
Sinalizada ao primeiro dia do nortear-se da Lua,
Confirmada ao entregarmos tal corpo à consumição do fogo,
Para sempre à umbra destinada.

sábado, 2 de maio de 2009

A Seiva e o Papel

Inverter-me-ia de quadrante a fim de roubar-te daí.
Mas aqui não há arames para conduzir-nos aos devidos lugares
da cabeça de um fajuto qualquer.

Mancharia de vermelho um pedacinho da minha tela,
Só um pedacinho,
Só de vermelho,
Contudo já não há mais pedaços brancos,
Porém não reconheço mais vermelhos e nenhuma outra cor de qualquer:
Só sei o que é seiva,
Eu não sei o que é papel-
Reconheço os pigmentos pelo tato.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

21:45

Mal me deixou chegar
E desabotoou a minha blusa
Antes que eu fechasse a porta.
Roçou-se em mim feito um animal,
Babou-me toda;
Lábios em meus seios,
Dentes a distorcê-los.

Ergueu a minha saia como se tivesse raiva,
Estapeou-me nos quadris,
Abriu as minhas pernas
E as conduziu até a cintura,
Esticou os meus cabelos
Enquanto me xingava:
- Vagabunda! - bem baixinho,
Quase para não ouvir.

Sang Rouge

Do transbordo d'alma nas Terezas dos confins paulistas-
Cestas quase cheias para o sangue persa,
Não usaste o segredo,
Sequer o pediste:
É ranhura no portão o que vês.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Arranjos da Madrugada

O odor amargo da manhã a ser dormida
Vale a pena se me entrego à sedução da noite urbana:
Agigantam-se os sussurros através do basalto lacunado,
Tomam-se heróis até a decapitação perante a alvorada.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Os Barris

É raro o minucioso brotar de imensidão nesta angústia;
A perfeição deformada pela própria vida é o que rege
E faz questão de forçar o esquecimento,
Insulta o futuro por uma cegueira transformadora.