segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Precisão

Sim, desejei levantar-me a fim de contá-la quanta saudade sentia, mas permaneci sentado, olhando para o palco como quem presta atenção à peça; fingi que não a vi. Por toda a confusão passada, mentiras minhas e dela, o ódio que senti, o mesmo que me autorizou a xingá-la sem o menor senso crítico, tornou aquela paixão dolorosa a partir do distanciamento abrupto; nutri com ódio um amor que insisti - incessante, falacioso e em fracasso - negar.

Lá pelo terceiro ato, quando me questionei se aquela situação me fazia bem, saí dali e me encaminhei ao hall de entrada do Municipal; o meu coração mal me deixava respirar de tão excitado, eu queria voltar, mas me sentia impotente... as minhas mãos suavam frio, os meus lábios tremiam e nada ao meu redor parecia digno de ser notado - assemelhava-me a um adolescente, um bêbedo ou, quiçá, um retardado.

Sobre o chão de mosaico que sempre me causou tontura, naquele momento em dobro, caí.

- Fausto! - ouvi o grito. - Fausto! - não queria que fosse aquela maldita, - Fausto! - mas era.