sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Não à vingança

Adoraria abandonar esta culpa contida do espírito, arrancar-lhe dos temperos salgados que me tomam avesso ao andor moroso desta procissão, preso aos dentes e lábios de qualquer deus que me apresentem.
Com o coração repleto de suspeitas que restrinjam o gesto efeminado, um homem qualquer não se faz mãe para que seja instrumento da paz que lhe cabe, de uma ilusão que lhe corte o incabível, talvez, ciente do próprio limite, o insano.
Para voltar a assistir essas luzes que se formam no seu mar de silêncio, precisaria surgir no infinito de um universo afogado no que nunca cri, pois no brilho sarraceno dos seus olhos nasce o filho impróprio, aquele que afirma não ser fruto do seu sangue.