sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Crianças Devorando Crianças

Os trajetos e fins distraídos por um nova confiança,
A prender-se à covardia como se fosse ousada,
Vendiam o ócio por algumas migalhas de luz
E míseros pedaços de recados da vida.

Caminhava a pensar sorumbático:
- Não, não a perdôo
Pois a quero para sempre,
Quero-a prenhe dos meus filhos;
A redenção para a minha morte!

Caminhava a trair-se feliz:
- Chegarei,
Chegarei e hei de fazê-la sofrer!

Quem quer o entendimento alheio sobre si mesmo quando a coragem não se arremessa ao futuro?
A vida é pobre,
Sabia o órfão,
Portanto,
De tão pobre,
Rastejava quieta no lodo do que acreditava,
Contemplava discreta as roldanas a esmagá-lo
Ou o corpo a tratá-lo como um mal infeccioso.
O feto mal se contorcia,
Ainda a vomitar os corpos placentários,
E já era considerado risco;
O engano de uma falsa profecia,
O suplício para uma era agonizante.