sábado, 27 de dezembro de 2008

Atrás da Porta

- Desististe de conversar com este velho amargurado? - questionou-me, referindo-se a si mesmo.

Nada respondi, continuei apontando a visão para o piso de mármore
que desaparecia com as alucinações,
Tentava prever o passado que se desfazia antes que pudesse percebê-lo.

- Está bem, rapaz, continue trepando com a morte... Faça o que quiser! - levantou-se e saiu pela porta da sala.

Fechada com cuidado,
A porta,
Os ares deslocados cortavam-me pedaços,
Ademais,
Esses pedaços fugiam para nunca mais fazer parte de mim;
Não pude alcançar um sequer,
Mesmo desprendido,
Suspenso da régia...

Pouco sobrava do meu corpo e alma,
Apenas o necessário para que continuasse vivo
E,
Vivo,
Travar uma guerra desnecessária contra a noite.