quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Sexta-Feira de Carnaval

Intercalando os seus pudores,
Expulsava as vísceras pela incisão precisa,
Feita pelo algoz;
O desafeto traído e traidor,
Antigo amigo displicente e esbanjador.

Segurava as coisas
Como se quisesse devolvê-las ao seu lugar,
Gritando desesperado,
Caindo em seguida, fulminado.

O povo aberto em círculo se enojava
- Alguns vômitos,
Uns poucos desmaios -,
Acompanhando o desespero da irmã que berrava e chorava;
Berrava por ajuda,
Chorava por previsão.

Vinham uns homens
- Uns de azul que procuravam,
Uns de branco que o carregavam -
E o círculo se fechava.

Fulaninha voltava pra casa,
Beltraninha preferia ficar,
Mas, sobre o sangue de alguém que já se foi,
Vivia-se o carnaval.