sexta-feira, 1 de agosto de 2008

O Pobre Diabo

Desprezaram o pobre diabo que morre aos poucos sobre o asfalto;
Flagelo de magro,
As tripas na rua,
Os ossos partidos,
As roupas rasgadas.

O povo segue curioso,
Dizem quase em uníssono a cada grupo de olhares:
- Coitado, meu Deus! - e seguem de volta às suas vidas.

O pobre diabo tosse mucosas,
Borbulha vômito e sangue por boca e narinas,
Contorce-se a sentir dores que findam aos poucos
E morre a observar o céu poluído de todos os dias.

Fica ali,
Deitado,
Enquanto a pressa da cosmópole se desvia aborrecida.