sábado, 12 de julho de 2008

Eu me Repito

Talvez pela revelação,
Pelos olhos que vigiam o nada a contorcer-se de dor,
Pela incitação à idolatria por migalhas de notoriedade,
Pelo desprezo ao conforto dos nossos rebentos em prol das competições de acesso,
Pelo lancinante dia de paz poluído por um timbre rouco e de baixo tom,
Pela humilhação de uma janela que persuade quase toda a lusofonia,
Pela história repetida e revista sem vergonha,
Pela frase mal usada e sempre usada nas esquinas,
Pelos seios quase iguais que hipnotizam por serem muito diferentes,
Pelo púlpito povoado por pessoas comuns a usar auréolas de papel,
Pela contração de ar expelido que é exilada por ser palavrão,
Pela fome atordoada por construções abstratas,
Pela volúpia discreta de um desejo acostumado,
Pelo infinito escondido debaixo de uma pedra coberta de musgo
E por esta mesma arremessada contra a vidraça.