quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Retinopatia Diabética

Enquanto ela brincava de vídeo game com os meus olhos, queimando os coágulos dos vasos sangüíneos da minha retina, com as pernas abertas à minha frente e as coxas encadeadas nos meus joelhos, eu observava o contorno esquerdo do seu queixo - um singelo arredondado -, com dificuldade para perceber a tonalidade alva de sua pele, pois só enxergava um mundo avermelhado e sombrio. A Doutora Cláudia, em minha quinta cirurgia de fotocoagulação a laser, parecia mais bela, dona do poder da situação, portanto, senti-me mais atraído do que da primeira vez em que a vi; com aquela indumentária branca a desenhar o seu corpo esguio, fonte de todos os meus recentes pensamentos libidinosos. Como de costume, pediu-me:

- Olha para cá, para o meu dedo. - apontando o delgado indicador para o canto superior direito do meu campo visual, a fim de buscar um melhor posicionamento dos meus olhos para prosseguir com a cirurgia. Quando realizei o pedido, agradeceu-me: - Isso, assim! - Para mim, era como um orgasmo, apesar da irritação e dor que as facadas de luz me causavam.

Ao ponto em que a operação continuava, a dor parecia um domínio exercido pela Doutora sobre mim, contudo, tinha um apresso por isso, porque comparava a oftalmologista a uma dominatrix que me conduziria a uma experiência sexual indelével. Quanto mais posições oculares eram pedidas, mais eu me excitava, mais eu me sentia prisioneiro daquela mulher incrível! Durante um breve momento, ela se curvou para ajustar o meu assento e denunciou os seus pequeninos seios pelo decote e sob um folgado sutiã; não me contive naquele momento e, num desvario que nem eu compreendi, acariciei a parte posterior de sua coxa esquerda com a minha mão direita.

- O que você está fazendo? - perguntou-me.

- Er... Desculpe-me, eu não pensei. - desajeitado.

- Esquece, Lucas, eu não vi isso. - ajustou o visor sobre os meus olhos e seguiu adiante com a operação.

Terminada a cirurgia, Doutora Cláudia me avisou sobre a data da próxima e sobre a possibilidade de não haver uma nova fotocoagulação, mas da necessidade de consultas periódicas. Informações concluídas, ela se despediu em distinção do habitual aperto de mãos, desejando-me um feliz natal com um cálido abraço. Correspondi com um carinho que nunca havia dado a ninguém, ademais, beijei-a nos lábios quando recuei.

- O que você fez? - interrogou-me.

- Acho que hoje não estou emocionalmente equilibrado. - antes que eu pensasse em mais alguma coisa para me retificar, ela acariciou a minha face para um possível consolo; daí parti para um beijo tórrido e impensado. Arranquei as vestes brancas da mulher e percorri cada centímetro do seu corpo com os meus lábios, pouco me importando onde estava e se iria dar em merda. No culminante ato do delírio, sentei-a na cadeira de cirurgia, a por as suas pernas sobre os meus ombros, e transei com ela ali mesmo.

- Onde está a minha calcinha?

- Aqui. - após catá-la debaixo da pia do consultório.

- Pode me fazer um favor?

- Diga. - beijando-a no pescoço.

- Quando sair, peça para a Rita - a secretária - reservar cinco minutos para que eu fique sozinha.