sexta-feira, 16 de novembro de 2007

A Festa

Meus mamilos doíam tanto que, àquela altura, questionava-me o porquê da minha ida à pousada com Pedro; o moleque não se comprometeu ao mínimo de altruísmo em seus impulsos sexuais para tomar-me com mais carinho, pois me apertava com aquelas mão imensas e grosseiras, como se fosse um porco no cio. Voltei à festa com cara de "fui comida", ademais, senti-me trepando naquele exato momento com todos os presentes; para variar, não estava orgulhosa daquilo. A decoração em amarelo era a mais perfeita combinação para que eu camuflasse a minha vergonha, mas se houvesse algum arranjo roxo, pelos meus acessos de raiva pela insistência de Pedro nas piadinhas, seria a perfeição da completa falta de indício para chegar-se à própria.

Sim, enchi a cara com o bom Bourbon que eu mesma fiz questão de encomendar, na esperança de viver uma noite de rainha, como a de Araci e Jussara, bastando-se uma à outra. Talvez, penso eu, se desse uma chance à minha sexualidade, eu pudesse ser mais feliz, entretanto há laços, ou nós bem firmes, presentes na minha cultura de interior mineiro, que impedem isso. Enfim, uma noite a esquecer-se por toda a minha existência; a festa que prejulguei ser o clímax do meu ano de abnegações.