segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Dos Ritos de Passagem

O casal dorme; o relógio de cabeceira marca quatro horas da manhã. Cecília sai da posição de lado à de barriga para cima, mas, durante o movimento, esbarra com o cotovelo esquerdo no peito de Juca. O senhor acorda com o infortúnio, contudo, em vez de voltar a dormir, como sempre o fez diante do destrambelho da companheira, observa-a seminua; sem sutiã, numa belíssima calcinha azul de algodão. Começa a deslizar a mão esquerda sobre o abdome da parceira, subindo aos seios e contornando os mamilos, até que a acorda.

- O que está fazendo? - percebendo a mão do marido sobre o seu corpo.

- Um pouco de carinho na minha mulher. - a percorrer a ponta dos dedos sobre os lábios da esposa.

- Hum... Que horas são? - estica os braços e boceja.

- São quatro e pouco. - aproxima-se.

- Você 'tá danadinho, heim?

- Percebeu a novidade?

- Hum... Deixa eu sentir como está. - apalpa o falo semi-ereto. - Acho que está precisando de uma ajuda!

- Não faz isso, sei que há muito tempo espera por isso.

- Hum... Eu já tinha esquecido que isso existia. - deita de lado; de costas para o marido.

- Cecília, volta aqui. - murmura em seu ouvido, ao ponto que encaixa o seu corpo ao dorso da muher, continuando as carícias em sua barriga e seios.

- Deixa de tara, homem! - retira a mão do marido de cima do seu corpo.

- O que é isso, Cecília? O que há em dar uma rapidinha? - agarrando os seios com força, chegando a machucar.

- O que há? Eu não sou seu depósito de porra! - grita, empurrando-o.

- Não me empurra!

- Então não me toque, seu vagabundo!

- Vagabundo não! - esbofeteia-a.

- Fela da puta sem vergonha! - machuca-o no peito com as unhas.

- Ah, é? Ah, é? - torce o seu braço e empurra a sua cabeça contra o travesseiro.

Cecília tenta falar, mas a voz é abafada enquanto Juca puxa a sua calcinha para o lado e tenta endurecer o seu pênis, sacudindo-o, para estuprá-la.

- Agora você vai ver quem é que manda aqui, sua puta de merda! - agarrando os cabelos e voltando a empurrar a sua cabeça. - batendo a glande sobre os glúteos.

Cecília consegue desvencilhar a perna direita e desfere um chute no ventre de Juca.

- Seu viado! - tenta erguer-se para sair da cama, mas é agarrada pelo tornozelo.

- Venha cá, cadela! - tenta puxá-la, mas Cecília se ajoelha com a perna esquerda e o coucea com o pé direito, atingindo o rosto.

- Vaca! - percebe que ela se livrou do controle e se levanta, portanto, agarra o mesmo tornozelo, fazendo-a cair com a boca no chão.

- Desgraçado! - berra de dor.

Juca se levanta e começa a chutá-la em desvario, vingando-se do que crê ser uma injustiça, ou apenas deixa aflorar o seu instinto mais torpe.

- Pai? - pergunta o filho do casal, cinco anos, após abrir a porta do quarto.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

A Festa

Meus mamilos doíam tanto que, àquela altura, questionava-me o porquê da minha ida à pousada com Pedro; o moleque não se comprometeu ao mínimo de altruísmo em seus impulsos sexuais para tomar-me com mais carinho, pois me apertava com aquelas mão imensas e grosseiras, como se fosse um porco no cio. Voltei à festa com cara de "fui comida", ademais, senti-me trepando naquele exato momento com todos os presentes; para variar, não estava orgulhosa daquilo. A decoração em amarelo era a mais perfeita combinação para que eu camuflasse a minha vergonha, mas se houvesse algum arranjo roxo, pelos meus acessos de raiva pela insistência de Pedro nas piadinhas, seria a perfeição da completa falta de indício para chegar-se à própria.

Sim, enchi a cara com o bom Bourbon que eu mesma fiz questão de encomendar, na esperança de viver uma noite de rainha, como a de Araci e Jussara, bastando-se uma à outra. Talvez, penso eu, se desse uma chance à minha sexualidade, eu pudesse ser mais feliz, entretanto há laços, ou nós bem firmes, presentes na minha cultura de interior mineiro, que impedem isso. Enfim, uma noite a esquecer-se por toda a minha existência; a festa que prejulguei ser o clímax do meu ano de abnegações.