segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Baú V


Musa Consolatrix





Abraço flores de marfim;
No seu peito o estopim (da minha coragem).
É cedo para se entregar,
Quem sabe controlar o tempo.

A luz do seu desejo nos afagou-
Tamanha fagulha clara e cheia de cor...
Imunda vontade rara dum crepitar,
Que apalpa toda a secura do paladar
(...)
Num dia cinza como este
Em que a farsa agora é o meu teste.
Num dia cinza como este
A farsa de ouro e luz se veste.
Um tal dia cinza como este,
Um dia cinza como este,
Cinza como este,
Cinza como este.

Abraço flores de marfim;
No seu peito o estopim (da minha coragem).
É cedo para se entregar,
Quem sabe controlar o tempo.

O esquecimento é o seu templo
E este vento é avesso a você.
Não queira retroceder,
Não queira nos surpreender!

Acordamos sem vontade de gritar,
Medrosos por não saber desta razão;
Um chão sem sustento pra nos compreender,
Talvez nos deixar
(...)
Num dia cinza como este
Em que a farsa agora é o meu teste.
Num dia cinza como este
A farsa de ouro e luz se veste.
Um tal dia cinza como este,
Um dia cinza como este,
Cinza como este,
Cinza como este.

De navios piratas a foguetes maranhenses:
Panem et circensis
(...)
Num dia cinza como este
Em que a farsa agora é o meu teste.
Num dia cinza como este
A farsa de ouro e luz se veste.
Um tal dia cinza como este,
Um dia cinza como este,
Cinza como este,
Cinza como este.



Trabalho de Vingança Para a Ladra de Lirismo





Não sigas este rastro de luz,
Pois te encantas por um canto de Osanha.

(Descasquei o feijão e o amassei distraído-
Estes abarás não sairão a contento)

Não copies estes versos trágicos,
Pois o desfecho pode recair sobre a tua alma.

(Aqueci o dendê e separei os camarões-
Ninguém me ajuda na dança dos escravos)

Não te envolvas demais com a feroz entidade,
Pois o que diz para ti pode ser brincadeira.

(Cortei tomates e cebolas para a salada-
Enquanto a massa está no fogo eu me divirto com a pimenta)

Não esqueças dos teus parentes mais próximos,
Pois Xangô se aborrece quando não te atinge.

(Preparei os quitutes e decorei as travessas de barro-
Não posso esquecer dos charutos e da cachaça)

Não te importes se a morte for tua companheira,
Pois pediste a Iansã da tua maneira.

(Conduzi os trabalhos nos lugares e horários-
Despachei meus desejos aos meus Orixás)

Não esperes a tristeza ser pouca e lasciva-
Vai doer de um jeito que não irás esquecer.



Sara e o Amante do Suicídio





[Sara]
Conceda-me a Confraria dos Alaúdes
Em troca de sua saúde
E, então, dar-lhe-ei qualquer beijo de mulher,
Ou transformarei a sua tristeza em ré.

[O Amante do Suicídio]
Saúde já não possuo,
A minh'alma convalesce;
A tragédia em que atuo
Enforca o medo que me aquece.

[Sara]
Tolo! Vão!
Desconhece a intenção
Que é ser do seu lugar
E jamais se importar.

[O Amante do Suicídio]
Subestima-me, musa consoladora:
Sou de antes e não dagora!
O que me pede trar-me-ia tormenta,
Pois a morte se põe atenta.

[Sara]
Se é dor que deseja,
Com dor confortar-lhe-ei,
Mas espero que veja
Os supores da lei.

[O Amante do Suicídio]
Não temo a sua ira,
Sequer a sua paixão
Que sempre me tira
A beleza da ilusão.



Da Criação





Mesmo que o o teto seja o grito, o tapa ou a morte,
Todo o medo reproduzirá o limite relativo para a sorte...
Seguir a tendência que nasce para mim custa caro,
São muitos os chavões preparados para os momentos raros
[Será que raros?
Os astutos não se propõem à exploração do desconhecido?]

Fui criado às correntadas, palavrões e ordens sem questionamento,
Portanto, tornei-me um tormento até perceber que me envenenei-
Devorei o vassalo que se disse rei.

Meus filhos?
Que filhos?
Meu comportamento esdrúxulo extingüiu esta questão.



Felicidade





Seria cálido não fosse o desfecho entristecido,
As promessas não cumpridas de um discurso autoritário
E a surpresa que impede os sorrisos dessa gente.

Outrora nos descobrimos subjetivos,
Estabelecemo-nos submissos e entontecidos por cantos de sirenes,
Ademais, confiamos até o momento em que nos tornamos insensíveis.

Agora há o recurso ímpio,
A degradação de nossas divinizações
E, mais uma vez, retornamos ao esboço do que seria a felicidade.



Rose





Sou você quando minto pra entender do nosso jeito:
Esqueci do que eu sinto a seduzir o imperfeito.
Nossas horas são sagradas quando pedem sedução
E as palavras mais despidas dizem da nossa razão.

Eu me ligo à sua boca, não entendo o que é;
Dou a forma que despreza e não compõe a sua fé.
Eu me separo, sinto falta e ensurdeço o meu desejo,
Mas você se aprisiona entristecida ao que vejo.

Sempre cura as feridas mais profundas da minh'alma,
Abre outras dolorosas que expulsam a minha calma-
Drena a lágrima sangrenta que exibe o meu horror
Pra que eu saiba sem promessa o valor do seu amor.

Chega sem roupa e dança fula - chateada - sobre mim,
Comprime os seios - tentadores - do começo até o fim,
Quer outra foto decadente da nossa última vez
E uma promessa indecente para que sejamos três.

Gostamos de fingir, mas não fingimos sermos breves no prazer:
Alguma coisa aconteceu pra que o mundo se repita sem querer.
Gostamos de tentar fechar os olhos e esquecer por um minuto
A pequenez adormecida em um curto furto do que que sou.



Théâtre Noir





Nos tetos negros de nosso final
Fui a verdade de um falso mistério
A esconder um veneno fatal
Que pretendeu derrubar um império.

Mentimos até pensar ser verdade
Os frutos de nossa incredulidade
A nascer sedentos pela redenção
Do que já sabemos ser vil ilusão.

Das heranças de ícones em distorção,
Dos valores perfeitos da legislação,
Dos homens perpétuos em nosso poder,
Do definhar e da morte do ser
É desordenado desejo de amar,
Pois o excesso calou o que está a faltar-
Há muito soube quem me criou,
Resta saber o que me ocultou.

Eu não sei voltar daqui
E nem quero.



A Problemática da Onipotência





Ontem para ser hoje vivido,
Hoje despido e enrubescido.
Hoje vivi de ontem mas não o ontem,
Entretanto ontem nem vivi.
Sobre ontem não há poder que o altere
E por hoje os passos curtos me enfeitam.



Debaixo da Paciência





Você quem nasce da sina,
Do destoar na calmaria,
Diga-me o que acontece debaixo da paciência.

Você quem ouve o deslizar das lágrimas,
Os significantes imaginados na alma de quem morre,
Por favor, explique-me o absurdo debaixo da paciência.

Sou ronin - errante nesta imensidão -
E a minha fuga se encontra com o seu conhecimento.
Sou ronin - distante da comunhão -
E o meu saber não mais me serve sem você.



Danke





Está descrito nos arranhões de minha guitarra
E nestas fotografias de baixa resolução,
Contudo não há por que sair daqui
Para dizer de coisas que não importam mais.

Está explicado no desgaste de meu coturno surrado
E nos ficheiros quilobyticos destes discos flexíveis,
Porém não preciso traçar caminhos
Para quem já os conhece de cor.



Linha de Seda





Talvez falte apenas um segundo,
Um trago ou um corrompimento,
Mas para todos os lados só há escuridão.

Talvez não importe mais
Ou não exista algo a ser dito,
Todavia é mergulho num infinito de cartas repicadas.



A Direção do Cotidiano





Qualquer resquício cinzento será um gesto amargo,
A frivolidade destemperada de um beijo vago.
Qualquer moralidade se perdeu da parcialidade
A três quadras de sua protegida pretensão.

Se percebi não quis,
Se entendi não vi...
Espero que não se encante por grandes produções,
Pois o que diz pode ser lembrado em qualquer cozinha do Brasil.
Aguardo serenidade quando pedir as direções do cotidiano,
Ademais, amo-lhe demais e não desejo que precise ser lembrado assim.



Sirene





O que esperar desta declaração decepcionada?
Devo esvair-me em lágrimas por teu sentimento
Ou pedir perdão de joelhos para que estejas bem?

Vês o mundo que se declara fora do nosso domínio?
Pretendo explorá-lo sem destino ou limite
Para responder a cada anseio que se revela em angústia.

Vês o mundo que se propõe fora de nossas vidas?
Pretendo absorvê-lo em cada uma de suas cores
Para surpreender a mim mesma nos momentos mais sutis.

Não sou o teu destino por enquanto,
Não possuo a cura para o teu pranto,
Não compreendo o amor que mereces
E nem a precisão que apeteces.



A Dose do Veneno





Qual a dose certa, meu amor?
Receio matar-te ou não te entorpecer.



As Mariposas do Bloco de Infância





Não faça isso contigo,
Não publique a tua alma sem sentido.
As frondes das mangueiras andam tão amareladas
Que mal lembro do nosso tempo lúdico;
Fiapos presos nos dentes e doçura marcada na vida-
Éramos o tipo mais do que perdoável de ladrão.
(...)
Ainda há cheiro de terra no meu bloco encardido,
Ademais, são cinco mariposas em páginas alternadas.



À Última Tempestade do Inverno Passado





Um fragmento de dor que se vexa por teus instintos
Quer alumiar o ventre cálido de minha história
E transformar todo o sentido em compaixão.

Mudam cores, lares e pares,
Exceto os olhos que te perseguem.



Do





Não imagino por que me entreguei à tragédia,
O estapafúrdio me lancinou até que me rendesse ao sofrimento;
Tamanha fraqueza não poderia surgir em meu bushido,
Ademais, nem o seppuku fui capaz de realizar-
Desonro a minha wakizashi pela falta de sangue em sua lâmina.

Faltei com o makoto e a deixei partir,
Exilando-me em mim...
Não mais bushi,
Não mais ai por mim.

Que ela esteja bem,
Que eu a leve para os meus sonhos sem tocar em seu futuro
E que Emma-O me carregue sem remorso para Jigokudo.



Indecisa





De dentro desta cúpula minúscula,
Estou a tentar persuadir a mim mesma,
Contudo, aprisionada em meus valores,
Escolho meus pares pelos sonhos que os iludem.



Hórus Agamenon, o Deus Falcão





Hórus é pai de santo na democracia,
Vive dos seus búzios e de excêntrica terapia.
Hórus Agamenon já não é mais rei,
É perseguido por evangélicos e pelo Opus Dei.

Por mais que eu queira seguir os seus devaneios,
Sou escravo da lei de uma pátria e nação que é seio
De todos os indigentes e colarinhos brancos;
A alma encarnada do faraó não trará mais pranto!

Quem dita o peso das pedras é a abstração
Que é Hórus longe da carne e da aberração
De ser homem tentado pelo vil metal,
Sexo, rock'n roll e ambição do mal.

Mataram os crocodilos do rio Nilo,
Fazendo das peles bolsas e dos olhos brilhos...
Tomado por um sentimento que não entendeu,
O Deus Falcão chorou de dor e adormeceu.



Sobre as Coisas Belas do Mundo





Nunca traga nada a fazer para a metrópole,
Embrulhe pra presente e ofereça a quem interessa.



Desejaria Querer





Prostrei-me lânguida quando me percebi igual a você;
Esta fumaça densa tardou a surpreender-nos...
O meu jeito perene e homeopático perdeu o sentido,
Aspirou pela morte e,
Por sorte,
Não mais se auto-avalia.

Toque,
Sinta o dorso de minhas mãos
E veja as marcas que não são sagradas
(Sei que pensou assim);
Não desejo mais o padecer,
Porém a usura me conduz
(Não desejo, apenas não desejo,
Contudo, desejaria querer a liberdade).



Ciclo Não Sei Lá Qual





Deixa que eu te conte o acontecido,
Pois não desejo que decidas assim
(Encantas-te tanto por estas alegorias distraídas
Que mal olhas para as marcas em teus calcanhares).

Vês?
Criaste um universo sem querer!
Até agora não há bolores por não ser vida,
A enfermidade desapareceu pois não há vida...

Se o ódio faz parte do amor que sinto,
Sinto dizer que este meu ciclo findou;
Que venha o próximo pois hei de beijá-lo até o fim!



Todos os Motivos do Mundo





Grito desesperadamente e, às vezes,
Tento conter-me a criar arranjos de flores no parapeito da janela,
Mas você mal se pronuncia destes estúpidos paramentos tecnológicos.

Eu só desejo um minuto de atenção,
Não percebe?
Estou nua em pelo, a mostrar minh'alma,
Porém me trata como a cobaia de uma idiotice que não chamo vida!

Tome uma atitude que dispense esta hibridez, homem!



Você Não Saiu de Onde Odeia





A cobrir o rosto cicatrizado e doente,
Uma máscara colorida e brilhante.
A persistir na suposta felicidade,
Clichês roubados de novelas e folhetins.

Minta,
Minta de novo para mim;
Disfarçarei o meu sorriso e não revelarei a nossa mediocridade.



Pré-Sakura





Estou presa ao nó de tempo anterior ao teu olhar,
Ao zero kelvin em que não consigo decifrar este esboço de sorriso.
Eu te anseio sem orgulho,
Para sempre durante o nunca mais,
Expectante pelo fim improvável deste suposto interlúdio.



Capítulo XIII





A minha fase obscura é um plágio de sua tristeza,
Um disfarce contra o egoísmo,
Um suporte para a falta de compaixão.

Quando me rendo à prosódia de sua tragédia,
Tento voltar mais rápido do que imagina-
Como se fosse uma sina
Ou uma mancha em meu coração.

Já me cansei de enganar na prosopopéia
De cruzes que findam as vidas que descreveu,
De luzes que se apagam sobre o seu véu,
De trevos nascidos sobre os corpos que corrompeu.

A alta magia da mão esquerda que lhe controla
Foi só um insulto sereno ao que afoga
No sangue ainda úmido de personagens
Que sequer foram previstos em seu pudor.



O Resgate



O seu amor adoeceu por muito pouco,
Por pontos brancos numa cápsula.
O seu amor que sempre me encantou,
Por tua responsabilidade - não é culpa de ninguém -,
Apagou-se em alguma sarjeta da metrópole.

Saber resgatar é entender a quem amar;
Ame-se!



O Saco do Vovô





Ontem vi o saco do vovô
E ele ficou cheio de pudor.
Por que o vovô se constrangeu
Se o saco não feriu os olhos meus?

O saco estava fora da cueca
Enquanto eu tentava ser discreta,
Mas vovô deu um pulo e pôs a mão,
Berrando:
- Menina, não faz mais isso não!

Fiquei triste quando vovô gritou comigo,
Pois não senti para a raiva um sentido...
Entretanto eu perdôo o vovô,
Porque por ele tenho um grande amor!



Dia de Domingo





Acordem, é domingo, não é dia de avareza!
O motivo do sorriso vem do monopólio da cerveja
E em ninfetas semi-nuas das propagandas de tevê;
A perfeita maquiagem para nos satisfazer.

Acordem, é domingo e o prazer é compulsório!
Vamos passear na praia a queimar algum petróleo
Em nossos carros nacionais de engenharia estrangeira,
Ouvindo mais outro sucesso de música passageira.

Acordem, é domingo: um dia pra euforia!
Que se fodam os males do mundo pois queremos alegria,
Mentindo pra nós mesmos que fizemos nossa parte
E que pra escória desse mundo é só questão de corte.

Acordem, é domingo, vamos ser a tentação,
Dando forma e sabor à mais bela ilusão;
Esqueçamos as tormentas bem debaixo do tapete,
Com uma conversa copiada que nos represente.

Dia de domingo: suor e diversão...
Olha como brinco com a nossa imprecisão!
Dia de domingo: suor e diversão...
Hoje não é dia para entrar em depressão!
Dia de domingo: suor e diversão...
Com tantos elogios vamos ceder à pressão!
Dia de domingo: suor e diversão...
Hoje há de tudo pra chamar nossa atenção!

Acordem, é domingo, tem jogo de futebol;
Os letreiros são a fome e a paixão é o anzol.
Embora os melhores vão driblar lá na Europa,
Somos todos brasileiros ao início de outra copa.

Acordem, é domingo, ressaca do sabadão...
A casa está imunda e lavamos nossas mãos
De olho no plim-plim e com uma puta dor de cabeça,
A buscar na idolatria algo que não entristeça.

Acordem, é domingo, dia santo para muitos,
Se não pagarmos nosso dízimo para Deus será um insulto...
E que os anjos iluminem a nossa vida desgraçada
Com um pão que é dividido por uma gente desalmada.

Acordem, é domingo, nossa vida está perdida,
Pois não somos solução, só um dedo na ferida.
Tomara que o dia traga mais do que descanso
E eu entenda de uma vez o motivo por que danço.

Dia de domingo: suor e diversão...
Olha como brinco com a nossa imprecisão!
Dia de domingo: suor e diversão...
Hoje não é dia para entrar em depressão!
Dia de domingo: suor e diversão...
Com tantos elogios vamos ceder à pressão!
Dia de domingo: suor e diversão...
Hoje há de tudo pra chamar nossa atenção!


Fora de Controle





Na briga de foices em que morri
Estava o sentido do que vivi:
Luz apagada e nenhum inimigo;
Eu nem percebi que estava ferido.

Gente gritando na escuridão,
Livre instinto calando a razão,
Tropeços em corpos já machucados
E sina do que nunca foi terminado.

Domínio daqueles que se esconderam
Debaixo das regras que estabeleceram
Bem antes que tudo se tornasse feto
Daquilo que hoje é um soco direto
Na cara de quem se integra sem chance
De poder definir o seu próprio lance
No jogo que há muito é decadente
E foge aos princípios do que é decente.

Fora de controle,
Estamos fora de controle!

Cresci imitando um molde comum
Que não me trouxe benefício algum,
Atrás duma tal de felicidade
Que exigia delírio e boa-vontade.

Um homem sussurra lá de cima, do céu,
Que eu preciso ser bem mais fiel,
Mas em sua casa eu encontro um ladrão
Que quer dez por cento do que tenho na mão.

Ouço no rádio um idiota a cantar
Sobre o modo jovem de se comportar...
Cada um, cada um; em seu próprio lugar!
Se foda, canalha, não vem me enrolar!

Digo as coisas sem ordem ou destino,
Coisas de mim mesmo, o adulto e o menino.
Rimar é fácil, difícil é exibir
Toda a verdade que me obriga a mentir.

Fora de controle,
Estamos fora de controle!

Olho pra mim e vejo um personagem
Daquilo que quero ser a minha imagem;
Creio nesta droga e chego a chorar
De algo que nunca vou vivenciar.

Do bolinho podre, eu sou a cereja,
Regado à minha falta de certeza...
Então há o tempo descoordenado,
Quando classe e luxo morrem abraçados.

Todos prestaram bastante atenção,
Todos aqueles que são ilusão,
Todas as caras de um descarado
Que desenha o futuro e apaga o passado.

Sou por você, sou pra você,
Sou para mim, sou pra morrer,
Sou infinito, sou o limite,
Sou um imbecil, sou quem insiste.

Fora de controle,
Estamos fora de controle!